Em julho de 2026 eu troquei um dev por um pipeline de inteligências artificiais dentro da minha empresa — e não voltei atrás. Enquanto isso, tem empresa grande recontratando gente que demitiu por causa de IA. Eu fui ler os números e conto o que aconteceu de verdade.
Resposta rápida: o rollback existe, mas ele não é da inteligência artificial — é de quem demitiu sem ter processo. Numa pesquisa da Orgvue divulgada em abril de 2025 com 1.163 líderes, 39% cortaram gente por causa de IA e 55% desses admitem que erraram na decisão. Na Careerminds, em fevereiro de 2026, 30,9% das empresas gastaram mais recontratando do que economizaram automatizando e só 8,4% repetiriam a estratégia igual. E a causa aparece na terceira pesquisa: 78% dos projetos de IA falharam ou travaram em piloto e 57% só implantaram porque o concorrente implantou. Eu, do outro lado, substituí um dev júnior batendo em pleno por um pipeline de IA em julho de 2026 e não precisei voltar atrás — porque antes de cortar eu botei a mão na massa e montei o processo. Se você não sabe dizer de onde a sua IA puxa a issue, onde ela testa e quando ela merge, você não está pronto pra trocar ninguém.
Gravei esses 13 minutos em 25 de julho de 2026, no canal @josimarjmv. São duas câmeras e nenhum corte no meio — a edição é só na abertura e no fim. Assista e leia junto: aqui embaixo eu conto a mesma coisa com mais calma e com as pesquisas que eu fui conferir em 19/09/2026.
🎧 PREFERE OUVIR? · 13 min
Este artigo também é um episódio do podcast Josimar JMV | Em Produção — o mesmo vídeo, só o áudio, normalizado pra fone.
Eu sou Josimar Machado, CEO de uma empresa de tecnologia — e eu sou hands-on. Eu boto a mão na massa: coordeno CDN de entrega de vídeo com milhões de views todo dia, cuido pessoalmente de uma infraestrutura pesada e mexo em todos os setores da operação, inclusive desenvolvimento. Fui obrigado a aprender isso tudo pra entender de tecnologia de verdade.
Então quando eu falo de rollback de IA, não é resenha de manchete. Eu vi, eu li, eu assisti vídeo sobre isso, eu treinei modelo sobre isso, eu adaptei o meu pipeline e eu desenvolvi em cima disso. É a visão de quem paga a conta e de quem bota a mão na massa — as duas ao mesmo tempo, que é justamente o que falta no cara sobre quem eu vou falar.
Rollback aqui é simples: é voltar atrás. A empresa cortou gente porque achou que a inteligência artificial ia cobrir aquilo, e agora está pondo ser humano de volta no lugar da IA. É esse o barulho que anda saindo no noticiário — empresa grande recontratando o que demitiu.
Só que tem uma diferença entre esse papo e o que eu venho falando sobre a bolha estourando. Lá era o cara que não paga a conta. Aqui o nó chegou em quem paga — e é ele que está sendo obrigado a fazer o rollback. Conversa pra boi dormir é dizer que isso prova que a IA não funciona.
Vou falar do meu caso antes de falar do dos outros, que é mais honesto. Eu, Josimar, consegui substituir um dev júnior batendo em pleno por um pipeline de inteligências artificiais. Eu mando uma feature, ele me entrega a feature. Isso é julho de 2026, dentro da minha empresa, pagando a minha folha.
E eu preciso ser preciso aqui, porque esse tipo de frase vira meme fácil. Não é uma feature de teste do tipo "ah, deixa eu experimentar o Jules pra ver" — eu já contei por escrito por que o Jules não serviu pro meu pipeline autônomo. Não é trocar a cor de um botão. É o fluxo normal de desenvolvimento que a minha equipe já usava há anos, rodando agora com a máquina no lugar de uma pessoa.
O fluxo é esse, e ele não mudou: o PO cria a regra de negócio — o que tem que acontecer, o que não pode acontecer, o que é esperado e o que não é —, abre a issue e bota pra ser desenvolvida. Acabou a parte humana. Dali pra frente a inteligência artificial puxa, desenvolve e entrega. E entrega numa velocidade absurda.
O detalhe que quase ninguém conta: o gargalo deixou de ser escrever o código. O gargalo agora é conferir. Quem monta pipeline de agentes e não monta junto a etapa de conferência está criando uma fábrica de retrabalho com selo de produtividade. É por isso, aliás, que eu larguei a sprint e o story point: a unidade de medida virou outra.
Na gravação eu falei que nem sei se esse rollback está acontecendo de verdade — que muito daquilo me cheirava a matéria pra pegar clique. Então eu fiz o dever de casa e fui atrás das pesquisas. Está acontecendo, sim. E a causa é exatamente a que eu apontei de cabeça.
Começando pelo tamanho do estrago. A pesquisa que a Orgvue divulgou em 29 de abril de 2025, feita pela Vitreous World com 1.163 executivos e líderes seniores em oito países, mostra que 39% dos líderes demitiram gente como resultado da implantação de IA — e que, desses, 55% admitem que tomaram decisões erradas sobre aqueles cortes. Não é jornalista dizendo: é o próprio pessoal que cortou admitindo.
Depois, o preço da volta. A Careerminds ouviu, em fevereiro de 2026, 600 profissionais de RH que tinham conduzido demissão nos 12 meses anteriores. 35,6% já recontrataram mais da metade das vagas que tinham cortado, e 52,1% recontrataram em menos de seis meses. O mais duro é a conta: 30,9% gastaram mais recontratando do que tinham economizado automatizando, e outros 42,37% só empataram. Sobra 8,4% que repetiriam a estratégia sem mudar nada. E tem o que não volta com dinheiro: 32,9% relataram perda de competência e conhecimento crítico, e 54,6% descobriram que precisavam de muito mais supervisão humana do que imaginavam.
Agora o pedaço que fecha o meu argumento. Em 12 de maio de 2026, a mesma Orgvue divulgou um retrato da implantação: 92% das organizações investiram em IA, mas 78% dos projetos falharam de vez (35%) ou ficaram travados em piloto (43%). E, entre os motivos, dois me fizeram rir de nervoso: 57% implantaram porque o concorrente implantou e 32% admitem não entender como fazer a IA funcionar. Ainda por cima, 84% concordam que deveriam ter um roteiro de implantação com meta de retorno — ou seja, sabem que não tinham.
Junta as três fotos e a história se explica sozinha: o cara implantou porque o vizinho implantou, sem roteiro e sem meta de retorno, o projeto travou no piloto — mas a folha ele já tinha cortado. Aí não sobrou entrega, sobrou desespero. Isso não é rollback da inteligência artificial. É rollback de decisão tomada no impulso.
Tem caso com nome e sobrenome, pra quem gosta de exemplo concreto. A Klarna anunciou em fevereiro de 2024 que o assistente dela fazia o trabalho equivalente a 700 atendentes e segurou contratação em cima disso. Em maio de 2025, o próprio CEO, Sebastian Siemiatkowski, admitiu publicamente que o custo tinha pesado demais na decisão e que o resultado foi qualidade mais baixa, e a empresa voltou a recrutar gente. Repara no que ele confessou: o critério foi custo, não processo. É o mesmo erro, só que com logo bonita.
Aqui está o pulo do gato, e é a parte que o CEO emocionado não tem como saber, porque nunca desceu até o chão de fábrica. Pra uma inteligência artificial fazer o trabalho de um desenvolvedor, ela precisa receber exatamente o que um desenvolvedor recebe no primeiro dia.
Quando entra gente nova aqui, eu dou máquina, ambiente de desenvolvimento, acesso a um sandbox, desenvolvimento local, permissão de merge e URLs válidas pra testar. Então a pergunta que o cara tem que conseguir responder é: como é que eu faço isso pra uma IA? Desdobrando do jeito que eu desdobrei aqui dentro:
Quem entende esse fluxo não sai mandando todo mundo embora do dia pra noite, porque descobre na hora quantas peças faltam. Eu estou há mais de dois anos mexendo nisso todo dia. Fiz imersão de inteligência artificial no Google, no Itaim Bibi, em São Paulo, há mais de dois anos — Vertex, observabilidade, infraestrutura pesada, com cada requisição me custando dólar de verdade na época. Ferramenta maravilhosa, e eu agradeço os convites. Mas o que mudou o jogo não foi a imersão: foi apanhar todo dia depois dela.
Vou falar com conhecimento de causa, porque eu vivo isso: o grande problema da maioria das empresas pequenas e médias — e de muita empresa grande também — é que não existe um processo claro lá dentro.
E processo claro tem definição, não é figura de retórica: todo o fluxo de desenvolvimento documentado, detalhado, gerenciado e organizado. O que a maioria tem no lugar disso é modinha: scrum, agile, o que o mercado enfiou na cabeça — principalmente a mídia, que tem um lado claro e defende coisas que, em geral, não pagam a conta. Aí o CEO quer aparecer, faz uma gracinha, e não entendeu o coração do sistema dele nem o prejuízo que está tomando.
Quando a gente contrata uma pessoa, a gente contrata pra executar um trabalho pré-determinado, com um processo pré-determinado. Se esse processo não existe escrito, a pessoa compensa com jeitinho e ninguém percebe o buraco. A IA não compensa com jeitinho. Ela expõe o buraco no primeiro dia — e quem cortou a folha antes de ver o buraco fica sem os dois.
Já que o assunto é rollback, o que eu vejo acontecendo de fato não é gente voltando no lugar de IA: é gente voltando pro escritório. Esse é um rollback de verdade, feito por quem sentiu na pele a queda de produtividade do pessoal desenvolvendo de casa.
E eu preciso ser justo: não tenho nada contra quem tem dois empregos, desde que seja honesto com as duas empresas. Se o cara chega e diz "eu sou PJ, trabalho das 8 ao meio-dia com você e da 1 às 6 com outro", ótimo — mas será que a empresa aceita? Porque tem o outro lado: dedicação a dois projetos concorrentes, na mesma máquina. Isso, em muitos contratos, é crime — e esse mérito eu nem vou destrinchar aqui. É a mesma raiz do que eu escrevi sobre júnior em home office não aprender: sem presença e sem processo, ninguém enxerga o que está acontecendo.
Então vem a pergunta óbvia: o que esse cara deveria ter feito? Uma coisa só. Treinar a equipe dele pra usar IA e subir o bastão, pra empresa dele produzir mais com a mesma gente. Não é bondade — é a decisão mais barata, e as pesquisas que eu citei acima provam isso em dinheiro.
A ordem é essa, e ela é chata de tão simples: primeiro você aplica processo na empresa. Depois você tem pessoas que executam e treinam esse processo. Agora, com a IA executando o processo, as pessoas passam a gerenciar a IA — e essa gente precisa ser treinada pra orquestrar. Quem pulou os dois primeiros degraus caiu; quem não pulou, subiu. Eu já contei aqui como é subir a escadinha da IA degrau por degrau, e como eu resolvi treinar meu próprio pessoal quando o currículo que chegava dava vontade de chorar.
E eu não vou fingir que ninguém nunca deve ser cortado, porque eu também corto. Aqui dentro, a minha equipe hoje é um quinto do que era há quatro anos, produzindo umas dez vezes mais e de forma muito mais confiável. Isso aconteceu ao longo do tempo: entendendo processo, colocando IA no processo, azeitando o processo — até que, de fato, ficou obsoleto ter uma pessoa naquela vaga. A diferença entre mim e o CEO do rollback não é o corte. É a ordem das coisas. Foi assim também quando nove pessoas do meu marketing foram substituídas por IA: veio depois do processo, não antes.
Tem um pedaço dessa demissão toda que eu defendo abertamente, e eu sei que vou apanhar por isso. Chinelada tem que cortar mesmo. Aquela galera que entrou sem saber nada, fazendo um cursinho na pandemia, porque "programador é o novo jogador de futebol", e que pegou a onda achando que era dinheiro fácil — isso nunca foi programador.
E antes que venha gente dizer que eu chamo programador de burro, como falaram de mim por aí: eu não estou nem falando palavrão, eu estou falando chinelinho. É o mesmo papo do acabou o dev chinelinho. O sonho acabou — não tem mais vaga pra isso, esquece. A vaga agora é pra profissional que quer estudar, que gosta da área e que quer aplicar, que é o que deveria ser desde sempre, igual a qualquer outra profissão.
Agora, o efeito colateral de cortar errado tem nome e hora marcada: vai faltar gente. Estágio e júnior hoje não têm vaga direito, e daqui a pouco vem o apagão — é exatamente o que eu já expliquei quando contei que eu também parei de contratar júnior e por que eu prefiro contratar quem fez curso técnico. Cortar chinelada é higiene. Cortar a base inteira é suicídio de médio prazo, e a conta dessa também chega.
Essa eu afirmo categoricamente, porque acontece dentro da minha empresa e não é de hoje: um tech lead ou um sênior que saiba orquestrar um pipeline de agentes substitui um squad inteiro — cinco, seis pessoas de um projeto — de pé nas costas.
Repara na palavra que eu usei: pipeline de agentes, não "agente". Não é abrir um chat e pedir código. É orquestrar: quem puxa, quem desenvolve, quem testa, quem revisa, quem merge e quem é responsável pelo que quebrou. Quem sabe fazer isso hoje é raro, e é por isso que essa pessoa vale caro — não por causa da linguagem que ela escreve.
Fecho como eu fechei na gravação, e é o recado mais importante do texto. Não caia nessa lorota de rollback: isso não vai acontecer em larga escala, é matéria pra pegar clique. Os números que eu levantei mostram empresa voltando atrás de decisão mal tomada — e não a tecnologia sendo devolvida na loja.
Então o plano é o contrário de comemorar: estudar arquitetura, se especializar de verdade e aprender a orquestrar um pipeline de agentes. Se você não fizer isso, aí sim você sai do mercado. Se fizer, vai ser cada vez mais requisitado e vai ganhar cada vez mais — e se o seu plano é sair da caixa, vale ler o que eu escrevi sobre o que eu faria pra não ser cortado e sobre infraestrutura ter virado o novo superpoder.
O meu caso é do tamanho da minha empresa. Eu substituí um desenvolvedor por pipeline, numa operação que eu conheço linha por linha e onde eu mesmo sou o revisor final. Isso não é o mesmo que uma empresa de mil pessoas trocar um departamento, e eu não estou dizendo que é. Também não estou dizendo que toda demissão por IA foi burrice: parte dela foi corte que já estava atrasado e usou a IA de justificativa. E as pesquisas que eu citei são declaração de quem respondeu, não auditoria de folha — servem pra mostrar direção, não pra cravar tamanho. O que eu sustento é a ordem: processo primeiro, IA no processo depois, corte por último, se sobrar.
A gravação é de 25 de julho de 2026 e este texto é de 19 de setembro de 2026 — quase dois meses de diferença, então vale marcar o que é de quando. É vivência minha, dita na gravação: a substituição de um dev júnior batendo em pleno por um pipeline de IA em julho de 2026, a equipe que é um quinto do que era há quatro anos produzindo dez vezes mais, a imersão de IA no Google do Itaim Bibi há mais de dois anos, e o sênior que faz o trabalho de um squad aqui dentro. É apuração minha, feita em 19/09/2026, e não foi dita na gravação: os números da Orgvue (abr/2025 e mai/2026), os da Careerminds (fev/2026) e o caso da Klarna. Segue como opinião minha: a leitura de que o rollback é de decisão mal tomada e não de tecnologia, e a de que chinelada tinha que ser cortada mesmo. Mudou desde a gravação: em julho eu disse que nem sabia se o rollback estava acontecendo de verdade — as pesquisas que eu li agora mostram que está, e que a causa é a que eu apontei.
Se você quer ver esse pipeline por dentro: é isso que eu faço nas imersões — eu do lado, com a operação real da minha empresa na mesa. Pra descer pra camada de baixo, que é onde esse fluxo se sustenta, a Imersão de Infraestrutura; pra montar atendimento e automação como os meus, a Imersão de Chatbot; pra tirar um SaaS do papel, a Imersão de SaaS; e pra fazer e vender site, a Imersão de Sites. Data, preço e condição são os que estão em todas as imersões — não invento nada por aqui.
TODA SEGUNDA · MEIO-DIA · AO VIVO
Discorda? Concorda? Tem um caso parecido? Aqui não tem caixa de comentário de propósito: segunda-feira, ao meio-dia, eu faço live no canal e a gente conversa sobre isso ao vivo — sem corte, como sempre.
Baseado na gravação do canal @josimarjmv publicada em 25/07/2026 (13min15), com transcrição própria das legendas do próprio vídeo. São da minha vivência, ditos na gravação: a substituição de um dev júnior batendo em pleno por um pipeline de inteligências artificiais em julho de 2026, o fluxo em que o PO cria a regra de negócio e abre a issue e a IA puxa, desenvolve e entrega, o gargalo que passou de escrever para conferir, a lista do que uma IA precisa receber (máquina, ambiente, sandbox, desenvolvimento local, merge e URLs válidas), a equipe que hoje é um quinto do que era há quatro anos produzindo cerca de dez vezes mais, a imersão de inteligência artificial feita no Google do Itaim Bibi em São Paulo há mais de dois anos com Vertex e observabilidade, e o sênior que orquestra um pipeline de agentes fazendo o trabalho de um squad. São apuração minha, feita em 19/09/2026, e não foram ditos na gravação: os dados da pesquisa da Orgvue divulgada em 29/04/2025, feita pela Vitreous World com 1.163 executivos e líderes seniores em oito países (39% demitiram por causa de IA, 55% desses admitem decisões erradas, 80% planejavam requalificar a equipe); os da pesquisa da Careerminds de fevereiro de 2026 com 600 profissionais de RH (35,6% recontrataram mais da metade das vagas, 52,1% em até seis meses, 30,9% gastaram mais do que economizaram, 42,37% empataram, 8,4% repetiriam igual, 32,9% perderam competência crítica, 54,6% precisaram de mais supervisão humana do que esperavam); os do relatório da Orgvue de 12/05/2026 (92% investiram em IA, 78% dos projetos falharam ou travaram em piloto, 57% implantaram porque o concorrente implantou, 32% não entendem como fazer funcionar, 84% deveriam ter roteiro com meta de retorno); e o caso da Klarna, cujo CEO reconheceu em maio de 2025 que o custo pesou demais na decisão e que a qualidade caiu. As leituras sobre processo, ordem das decisões e chinelada são minhas, não são conclusão de estudo. Data, preço e condição de cada imersão são as que estão em todas as imersões.