Começou o cinema: a escola finge que aplica a prova com inteligência artificial e o aluno finge que faz com a mesma inteligência artificial. Eu contrato, pago a conta e ponho a mão na massa — e foi por isso que eu montei uma faculdade dentro da minha empresa.
Resposta rápida: a educação do fingimento é o acordo silencioso em que o professor finge que ensina e o aluno finge que aprende. Ela começou na prova copiada do Google, respondida com o gabarito achado no próprio Google, e chegou na versão de agora: a instituição gera e corrige a avaliação com IA e o aluno responde com IA. Os números batem com o que eu vejo contratando: no Pisa 2025, divulgado em 08/09/2026, o Brasil fez 377 em matemática (média da OCDE: 469) e só 28% dos estudantes chegaram ao nível básico nessa área. A saída não é proibir a IA — é parar de usá-la pra fingir. Na minha empresa eu parei de treinar só o operacional e passei a treinar amplitude: entender como a coisa funciona pra conseguir mandar na IA, e não ser mandado por ela.
Gravei esses 14 minutos em 28 de julho de 2026, no canal @josimarjmv. Assista e leia junto — aqui embaixo eu conto a mesma coisa por escrito, com a apuração que eu fui fazer em 18/09/2026. Uma coisa grande aconteceu nesse intervalo e está marcada no texto: saiu o Pisa 2025.
🎧 PREFERE OUVIR? · 15 min
Este artigo também é um episódio do podcast Josimar JMV | Em Produção — o mesmo vídeo, só o áudio, normalizado pra fone.
Meu nome é Josimar Machado, eu sou CEO de uma empresa de tecnologia, eu contrato, eu pago a conta e eu boto a mão na massa tecnicamente. Eu posso ter todos os defeitos do mundo, mas papagaio digital eu não sou: são mais de 20 anos de CNPJ e uma empresa real rodando, não um negócio de vender curso de sucesso.
E antes que alguém me jogue pedra pelo que vem abaixo: eu venho de família pobre. Eu já apanhei café, já fui pra lavoura de algodão, já trabalhei em indústria cerâmica. Não vou entrar em detalhe, mas eu sei o que é passar falta da esmagadora maioria das coisas, mesmo com todo o esforço do meu pai e com uma família digna. Então quando eu falo de escola pública, eu estou falando da minha.
Eu entrei numa escola pública chamada Polivalente, que tinha exame de seleção na minha cidade. E aquele exame separava quem queria e conseguia estudar de quem não queria ou não conseguia. Não é que a pessoa seja ruim — ela pode ser esforçadíssima e não ter aptidão pra aquilo, e está tudo bem. Nem todo mundo vai ser empreendedor, juiz ou médico. O que eu não aceito é o que veio depois: enfiar goela abaixo, na mesma sala e no mesmo ritmo, quem quer e quem não consegue, e chamar isso de justiça social.
Conversando com gente do setor público, de escola estadual, a frase que eu ouço é sempre a mesma: não existe bomba. Reprovação por incapacidade acabou. E aí a criança aprende, cedo, uma lição que não estava no currículo: eu não preciso me esforçar, porque eu não vou ser reprovada.
Olha o padrão mental que isso cria. A pessoa sai da escola achando que na empresa vale a mesma regra: não se esforçar e não ser demitido. Depois ela chega no mercado e leva o susto da vida. Eu já contei aqui por que eu também parei de contratar júnior — e boa parte do motivo nasce nessa escola que nunca disse não pra ninguém.
Os currículos que eu recebia davam vontade de chorar. E eu estou falando de currículo de gente formada, com canudo na mão. Foi por isso que eu montei uma faculdade dentro da minha empresa pra treinar o pessoal. Não foi projeto social, não foi marketing: foi necessidade. Se eu não formasse, eu não tinha com quem trabalhar. Por isso também eu prefiro contratar quem fez curso técnico: o cara passou por avaliação de verdade e sabe fazer.
Na gravação eu falei que a educação no Brasil virou número e citei o Pisa de cabeça. Fui atrás, e aconteceu uma coisa boa: saiu edição nova depois que eu gravei. Em 8 de setembro de 2026 a OCDE divulgou o Pisa 2025, aplicado aqui pelo Inep (divulgação oficial do Inep/MEC, consultada por mim em 18/09/2026). O retrato:
E vou dar a parte que me contraria, porque eu prefiro apanhar do fato do que empurrar narrativa: na comparação de 2006 pra cá, o Brasil está entre os países que mais reduziram a distância pra média da OCDE nas três áreas. Isso é real e é justo dizer. Só que andar rápido partindo de muito atrás não tira você de trás: quase três em cada quatro jovens não chegam ao básico em matemática. É esse pessoal que bate na porta da minha empresa procurando emprego.
Eu disse na gravação que existe pesquisa publicada mostrando que a minha geração foi a última a evoluir e que o QI das gerações mais novas está caindo. Fui conferir, e aqui eu preciso ser honesto com você: a direção está certa, o tamanho da afirmação não.
O estudo que dá base a isso é da Northwestern University, publicado na revista Intelligence em 2023: analisou 394.378 pessoas nos Estados Unidos entre 2006 e 2018 e encontrou queda em raciocínio verbal, raciocínio matricial e séries de letras e números — com alta em rotação espacial (resumo da própria Northwestern). É o que chamam de efeito Flynn reverso, e há resultados parecidos na Noruega, na Dinamarca e na Alemanha.
Só que os próprios autores fazem a ressalva: isso não quer dizer que as pessoas ficaram burras — quer dizer que o tipo de habilidade que a gente treina mudou. E olha que interessante: a habilidade que subiu é justamente a mais visual, a de quem cresceu em tela. Então a minha leitura, que é minha e não está na pesquisa, é essa: a gente não ficou mais burro, a gente ficou treinado pra outra coisa — e a escola continua avaliando, mal, a coisa antiga.
Tem gente que acha exagero eu dizer que a educação no Brasil foi jogada no lixo. Então eu ofereço a prova mais dura que eu conheço: a bet virou caso de saúde pública. Cassino é liberado no mundo inteiro, online ou não, e não vira tragédia nacional em todo lugar. Por que aqui virou? Porque o nosso povo não teve educação — e educação financeira, então, nunca entrou na escola.
O jogo é feito pra viciar; isso vale em qualquer país. A diferença é quem está do outro lado. Pessoa deseducada financeiramente cai igual patinho, e o tamanho do estrago é esse, apurado agora: um estudo do Made, o Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades da FEA-USP, noticiado em 15 de setembro de 2026, estimou que as apostas reduziram a atividade econômica entre R$ 120 bilhões e R$ 141 bilhões em 2025 — 0,9% a 1,1% do PIB, algo entre 40% e 50% de todo o crescimento do ano —, com perda líquida de arrecadação de pelo menos R$ 22 bilhões mesmo descontando o que as próprias bets recolhem (cobertura de O Tempo sobre o estudo).
E do lado da molecada tem a outra frente: o emburrecimento das redes sociais, com aquela história de que a grama do vizinho é sempre mais verde. Isso é assunto sério, é saúde pública também. Aqui o país ao menos mexeu: o ECA Digital (Lei 15.211/2025) entrou em vigor em 17 de março de 2026 e passou a exigir verificação de idade e conta vinculada a responsável pra menor de 16 anos. É uma lei — não é educação. Educação é o que faltou antes.
Chega na parte que me fez gravar o vídeo. Nas faculdades privadas está se adotando inteligência artificial de forma massiva pra montar, aplicar e conferir prova. E os alunos, que não são bobos, estão fazendo exatamente a mesma coisa do outro lado, principalmente no EAD.
Fecha o circuito: a escola finge que aplica a prova com IA, o aluno finge que faz e bota IA pra responder. Pra mim, colocar uma IA pra aplicar prova é fingimento na origem — porque eu vou pedir pra mesma IA responder essa prova. Ou você acha que o aluno é besta? Ele vê que aquilo ali foi gerado por máquina e não vai se dedicar àquilo. Não são todos, e todo generalismo é burro: quem quer aprender, aprende de qualquer jeito. A pergunta é quanta gente você conhece que quer mesmo aprender, e quanta gente quer só o canudo.
E tem um número que dá a dimensão de como a máquina já entrou: a pesquisa Talis 2024, da OCDE, divulgada pelo Inep em outubro de 2025, mostrou que 56% dos professores no Brasil já usam ferramentas de inteligência artificial, contra 36% na média da OCDE — a maior parte pra gerar plano de aula e atividade. Eu não sou contra isso, quero deixar claro. Ganhar tempo é legítimo. O fingimento é outro: entregar a avaliação inteira pra máquina, sem ninguém ler, e depois cobrar do aluno uma seriedade que a instituição não teve.
Vou falar do meu quintal, porque seria desonesto esconder: eu vendo plataforma e ajudo a galera de EAD, é o meu mercado. E é justamente por isso que eu digo: tem gente que faz certo e tem gente que faz errado. Eu não acredito que a IA deva substituir o professor desse jeito, fingindo, só por lucro. Tem que ter professor de verdade, decente na essência — e não o professor que se aproveita da máquina, seja na rede privada, seja na rede pública, onde ainda por cima ele não é demitido e você nem pode chamar a atenção dele sem correr o risco de responder por desacato a servidor. Olha o absurdo.
Onde eu fico com o pé atrás: eu não sou educador e não vou bancar o especialista em política educacional. Eu falo do lugar de quem contrata, treina, demite e paga a folha. Diagnóstico de sala de aula é com quem está lá dentro; o que eu trago é o que chega do outro lado do balcão — e chega ruim.
De tudo isso sai uma conclusão prática: quem não quer viver a era do fingimento vai ter que estudar por conta própria. Montar o próprio clã, a própria bolha, fazer projeto por conta própria e contratar gente que queira estudar e crescer. E eu não digo isso com alegria, porque o efeito colateral é feio: o abismo social vai crescer absurdamente. Quem finge a prova, enquanto a instituição finge que aplica, fica embaixo. Quem estuda de verdade e usa IA vai lá pra cima.
Dentro da minha empresa, o que mudou foi o conteúdo do treinamento. Durante muitos anos eu treinei hard skill: somar um mais um — no meu caso, programação, que é um pouco mais complexa que isso. Hoje eu treino amplitude: a pessoa entender como as coisas funcionam pra conseguir colocar a IA pra somar um mais um por ela. É a analogia da calculadora, e ela é literal: a galera ainda tem que aprender a fazer conta básica antes de usar a calculadora. Sem a conta na cabeça, você não percebe quando a máquina erra.
Esse é, pra mim, o segredo de treinar nossos filhos, nossos colaboradores e nós mesmos: aprender a usar a calculadora sem ficar preso ao operacional que a IA faz melhor. Eu já contei como eu subo esse degrau na prática quando desmontei uma cafeteira pra entender a escadinha da IA, e como eu uso máquina pra estudar sem virar papagaio digital, assistindo a 100 vídeos em uma hora. É o oposto de burlar prova: é usar a mesma ferramenta pra catapultar conhecimento.
E se você está do lado de quem contrata, uma consequência direta: quem quer aprender precisa estar perto de gente que sabe. Foi essa a razão de eu escrever que júnior em home office não aprende. A escola já não formou; se a empresa também não convive, não sobra ninguém pra formar essa pessoa.
Eu vou fechar com a reflexão que eu não consigo resolver. Eu tenho um filho de 3 anos, hoje, em julho de 2026, quando eu gravei isso. O que vai ser da educação na época dele? O que vão ser as faculdades na era da inteligência artificial? Eu não sou educador, eu não sei te responder.
O que eu sei te responder é o que eu faço: eu treino gente dentro da empresa há muitos anos, e mudei o que eu treino. E é isso que eu peço pra quem trabalha com educação e está lendo: leve isso a sério. Traga a IA pra dentro pra catapultar o conhecimento das pessoas, não pra burlar conhecimento e burlar prova. Isso não leva ninguém a lugar nenhum.
A gente não vai acabar com o fingimento no país inteiro, eu sei. Mas dá pra separar o joio do trigo na sua casa, na sua equipe e na sua empresa — e começar a usar a ferramenta do jeito certo. Se o seu caminho é montar um negócio digital do zero, esse é literalmente o primeiro degrau.
Essa gravação é de 28 de julho de 2026 e este texto foi escrito em 18 de setembro de 2026. Mudou desde a gravação: saiu o Pisa 2025, em 08/09/2026 — quando eu gravei, o dado mais recente era o de 2022; os números de agora estão no texto, e eles incluem uma boa notícia de longo prazo que eu não conhecia (o Brasil está entre os que mais reduziram a distância pra OCDE desde 2006). Eu falei por cima e ajusto aqui: a pesquisa de queda de QI existe, mas os próprios autores dizem que não significa gente menos inteligente, e sim mudança no tipo de habilidade medida — e ela é dos Estados Unidos, entre 2006 e 2018, não do Brasil. Segue como opinião minha, não como dado: a leitura de que a política de não reprovar cria o padrão mental de não se esforçar, e a de que redes sociais e bets são consequência direta da falta de educação. O que é vivência minha: a escola Polivalente com exame de seleção, a lavoura, a indústria cerâmica, os currículos que davam vontade de chorar, a faculdade que eu montei dentro da empresa e a mudança do treinamento de hard skill pra amplitude.
Se isso aqui faz sentido pra você: o que eu faço nas imersões é exatamente o contrário do fingimento — eu do lado, com a operação real da minha empresa na mesa, mostrando como se faz. Se o caminho é fazer e vender site, é a Imersão de Sites; pra montar atendimento e automação de verdade, a Imersão de Chatbot; pra tirar um SaaS do papel, a Imersão de SaaS; pra infraestrutura própria, a Imersão de Infraestrutura. Data, preço e condição são os que estão em todas as imersões.
TODA SEGUNDA · MEIO-DIA · AO VIVO
Discorda? Concorda? Tem um caso parecido? Aqui não tem caixa de comentário de propósito: segunda-feira, ao meio-dia, eu faço live no canal e a gente conversa sobre isso ao vivo — sem corte, como sempre.
Baseado na gravação do canal @josimarjmv publicada em 28/07/2026 (14min33), com transcrição própria das legendas do próprio vídeo. São da minha vivência: a origem pobre, a lavoura de algodão e a indústria cerâmica, a escola pública Polivalente com exame de seleção, os mais de 20 anos de CNPJ, os currículos que davam vontade de chorar, a faculdade montada dentro da empresa, a mudança do treinamento de hard skill para amplitude e o filho de 3 anos em julho de 2026. São apuração minha, feita em 18/09/2026, e não foram ditos na gravação: os resultados do Pisa 2025, divulgados em 08/09/2026, com 377 pontos em matemática, 408 em leitura e 409 em ciências, médias da OCDE de 469, 466 e 486, apenas 28% no nível básico em matemática e a redução da distância para a OCDE desde 2006 (Inep); o estudo da Northwestern University publicado na revista Intelligence em 2023, com 394.378 participantes nos Estados Unidos entre 2006 e 2018, queda em raciocínio verbal, matricial e séries de letras e números, alta em rotação espacial e a ressalva dos autores (Northwestern University); os 56% de professores no Brasil usando IA contra 36% da média da OCDE, da pesquisa Talis 2024 divulgada pelo Inep em outubro de 2025 (Agência Brasil); a estimativa do Made/FEA-USP de R$ 120 bilhões a R$ 141 bilhões a menos de atividade econômica em 2025, de 0,9% a 1,1% do PIB, e perda líquida de arrecadação de ao menos R$ 22 bilhões (O Tempo); e a entrada em vigor do ECA Digital em 17/03/2026 (Lei 15.211/2025, no Planalto). As leituras sobre padrão mental, abismo social e causa das bets são minhas, não são conclusão de estudo. Data, preço e condição de cada imersão são as que estão em todas as imersões.