Josimar JMV
Blog · IA e carreira · 09·09·2026

Subi a escadinha da IA desmontando uma cafeteira

A inteligência artificial é um superpoder na palma da sua mão — de qualquer pessoa, de qualquer área. Só que tem um jeito de usar que te derruba e um jeito que te levanta. E eu aprendi o segundo consertando a cafeteira da minha empresa.

Resposta rápida: a IA dá superpoder pra qualquer profissional, mas colocar ela pra fazer o seu trabalho é a pior burrice — se ela faz sozinha, aquele trabalho já cabe num agente autônomo e você vira candidato a ser substituído. Eu falo como quem substituiu tarefa de júnior e de pleno por um pipeline de agentes na própria empresa. O uso que faz subir a escadinha é o contrário: usar a IA como contraponto do seu próprio trabalho. O que está errado no que eu faço há anos? O que a empresa líder de mercado faz diferente? É assim que quem não é profissional vira profissional, o ruim vira médio e o médio vira ótimo. Eu provei isso no braço, desmontando a cafeteira italiana da minha empresa com foto, YouTube e IA — e trocando um moedor de R$ 15. A única coisa que não pode é ter preguiça de implementar e testar.

Gravei 13 minutos sobre isso no canal @josimarjmv, em 19/08/2026. Assista e leia junto: aqui embaixo eu conto a mesma coisa por escrito, com mais calma e com o que eu fui conferir depois.

🎧 PREFERE OUVIR? · 13 min

Este artigo também é um episódio do podcast Josimar JMV | Em Produção — o mesmo vídeo, só o áudio, normalizado pra fone.

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A inteligência artificial dá superpoder pra qualquer pessoa. Está na palma da sua mão. Agora, você sabe usar? Você sabe subir a escadinha e se diferenciar dos outros profissionais?

Vou dar minha carteirada antes: meu nome é Josimar, eu tenho uma empresa de tecnologia e eu ponho a mão na massa. Faz mais de 20 anos que eu programo, cuido de suporte e vendo — não é palpite de quem leu manchete. E isso aqui não serve só pra desenvolvedor. Serve pra qualquer profissional de qualquer área, e é justamente por isso que eu resolvi escrever.

Primeiro, o jeito que te derruba

O que está diferenciando profissional hoje não é ter acesso à IA — todo mundo tem. É o que você manda ela fazer.

Se você coloca a inteligência artificial pra fazer o seu trabalho, essa é a pior burrice que você pode cometer. Porque se ela faz o seu trabalho, o seu trabalho cabe nela. E se cabe nela, você é um fortíssimo candidato a ser substituído ainda este ano. Se não for este ano, no ano que vem, por um agente autônomo.

Eu não estou teorizando. Eu já substituí tarefa de programador júnior e de pleno até meio de carreira por agentes inteligentes, num pipeline completo de desenvolvimento. Isso eu faço hoje, na minha empresa. Ninguém me contou. E o resultado nem foi o que eu esperava no começo: a automação não me deu tempo livre, me deu capacidade — o que sobra vira mais projeto, não folga.

O jeito que te levanta: duvidar do próprio trabalho

A forma de surfar isso é simples de escrever e difícil de engolir: duvidar do seu próprio trabalho e do seu próprio pensamento o tempo todo.

O contraponto dói. Entender que a gente está errado dói. Ser apontado como errado é ruim. Só que agora quem aponta não é um ser humano do outro lado da mesa — é a máquina. Então tudo bem. Não tem vergonha nenhuma envolvida, e é aí que mora a chance.

Pega o modelo mais avançado que você conseguir pagar ou usar no trabalho e faz a pergunta que ninguém gosta de fazer:

Isso é óbvio? É obvíssimo. Mas eu conheço um tanto de gente que não faz. Conheço programador que não fazia até eu sentar e orientar. Conheço gente de finanças, de marketing, de suporte. E não são só as pessoas que trabalham comigo — é gente do meu ciclo social, gente que às vezes paga consultoria pra ouvir isso.

A maioria dos negócios fracassa por não fazer o óbvio. Você quer emagrecer: procura terapia quântica ou fecha a boca? Tem tireoide, teve um fato catastrófico na vida, o psicológico está ruim — eu não estou desprezando nada disso. Mas continua tendo que fechar a boca. O óbvio precisa ser dito porque o óbvio precisa ser feito.

A cafeteira que virou minha prova

Deixa eu te dar um exemplo meu, bem singelo, quase bobo — e é por isso que ele funciona.

A sede da minha empresa fica no interior de Minas. As nossas duas cafeteiras italianas deram problema por acaso ao mesmo tempo, e na cidade não tem assistência técnica: eu teria que mandar as duas pra Belo Horizonte. E sem café, empresa de tecnologia não vive.

Sabe o que eu fiz? YouTube, foto e inteligência artificial. Não foi domingo, não: foi dia de semana, aqui na empresa mesmo. Desmontei a cafeteira, organizei, limpei — e descobri um negócio que nenhum tutorial tinha me explicado e a IA explicou.

A cafeteira tem moedores de cerâmica. Na hora de configurar a gramatura do café, eu tinha que ouvir a cerâmica de cima encostando na de baixo. Quando eu parafusava e travava, não era defeito — era ponto de contato. Bastava desparafusar um pouquinho: aquilo é a regulagem do moedor. Isso não estava em vídeo nenhum que eu tinha assistido.

Vi que um moedor estava quebrado e comprei outro por R$ 15 no Mercado Livre. Deixei a máquina desmontada, a peça chegou em uns dois dias, montei de volta e entendi como regular. E eu não perguntei só "como faço isso": eu fui peça por peça. Pra que serve esta aqui? No que ela impacta? Eu queria aprender, não só resolver.

Fotografei cada fase da desmontagem, porque eu não sou da área. Podia dar errado, e você sabe como é: na hora de montar, sempre sobra parafuso. Com foto de cada etapa e a IA junto, não sobra.

Agora a parte que interessa. Eu te afirmo categoricamente: se eu pegasse aquela cafeteira e desmontasse mais algumas vezes, estudando cada peça, em dois a três meses eu estaria capacitado a pegar cafeteira dos outros pra arrumar. Uma profissão nova. Uma renda nova. Sem eu ser técnico de coisa nenhuma.

A escadinha: como cada nível sobe usando a IA A ESCADINHA — CADA DEGRAU TEM A SUA PERGUNTA não profissional foto + vídeo + IA, por etapa profissional ruim "o que está errado aqui?" profissional médio já sabe a pergunta certa profissional ótimo coordena a IA como coordenou equipe Sobe um degrau quem duvida do próprio trabalho e testa o que a resposta sugeriu. Não sobe nenhum quem tem preguiça de implementar — a IA não faz essa parte por você.
Os quatro degraus e a pergunta de cada um. Ninguém pula direto pro topo — e ninguém fica parado por falta de ferramenta.

Se for coisa física, é ainda mais fácil

Você quer aprender a limpar ar-condicionado pra cobrar por aparelho limpo, sem se meter com instalação, que é mais complicado? É a mesma receita: YouTube, IA e foto de cada aparelho. Junte um cursinho da área e o caminho encurta mais ainda. Você não vira profissional do dia pra noite — mas você sai do zero.

A mecânica é essa: assistiu ao vídeo, pausa. "Ô, inteligência artificial, acabei de fazer isso aqui, está na foto. Como eu faço aquilo agora?" Resolve quase tudo.

E eu digo quase de propósito. Parte elétrica é perigosa. Coisa com risco fatal é perigosa. Área jurídica e tudo que envolve regulamentação, cuidado dobrado. Nesses casos ela te dá o norte certinho, mas você tem que ter prudência e gente habilitada junto. Superpoder não é licença pra imprudência.

E o profissional que já é profissional, mas é ruim?

Ruim por quê? Porque entrega pouco e sabe pouco. E eu não estou falando só de quem está começando: tem muito profissional ruim em meio e em fim de carreira, gente que passou a vida inteira na mediocridade. Deixa a vida me levar, a vida leva eu.

Como esse sobe? Do mesmo jeito. O que está ruim no meu trabalho? O que eu posso melhorar? O que está ruim nesse jeito que eu faço há anos? Qual é a empresa líder de mercado, e o que ela faz nisso que eu estou fazendo? Só com isso você já deixa de ser ruim.

E quando você vira médio, o jogo muda de patamar: com mais conhecimento, você sabe fazer as perguntas certas — e é a pergunta certa que faz a IA te levar pra ótimo. Não existe professor melhor. Ela vai te dar caminho errado, vai te fazer bater cabeça, vai te dar raiva. Ótimo: a gente só fica bom no que faz errando. Ninguém vira sênior sem errar, e nenhum professor de teoria põe a mão na massa e acerta de primeira.

Já o profissional ótimo, esse surfa. Ele já sabe tudo que precisa pedir, já coordenou equipe — agora vai aprender a coordenar a inteligência artificial. Esse cara está poderoso, valorizado aqui e ainda mais fora do Brasil. É a mesma razão pela qual eu prefiro contratar quem fez curso técnico: eu quero quem já pôs a mão em alguma coisa e sabe o que perguntar.

Por que a pressa: o avanço não estagnou

Todo mundo que mexe com tecnologia percebeu o avanço assustador — esse é o termo que eu sempre uso, assustador. Vimos muito especialista dizendo que a IA ia estagnar, que não tinha mais pra onde ir. E aí os modelos de trilhões de parâmetros ficaram autônomos de um jeito que eu não previa. Eu peço pro modelo editar vídeo e ele me devolve o vídeo pronto, com legenda e animação. Isso é hoje.

Checagem minha (09/09/2026), sobre o que eu falei de mercado na gravação. Eu citei de cabeça, então fui conferir os números antes de repetir por escrito. A SpaceX fez mesmo o maior IPO da história: estreou em 12 de junho de 2026 a US$ 135 por ação, levantou cerca de US$ 86 bilhões e foi avaliada em US$ 1,77 trilhão. A compra do Cursor, da Anysphere, por US$ 60 bilhões, foi anunciada em abril e fechou em 14 de agosto de 2026 — cinco dias antes de eu gravar. E o data center no espaço não é boato: a constelação foi batizada de Starmind, com os primeiros satélites de computação em órbita previstos pra 2027. Ou seja: quem entrou na briga tem foguete, IDE de programação e data center orbital no mesmo grupo. O tamanho do dinheiro em cima disso é a resposta pra quem ainda acha que dá pra esperar sentado.

Não é sobre torcer por uma empresa ou outra. É sobre entender que a régua do seu mercado vai subir de novo no ano que vem, quer você use a ferramenta, quer não.

No fim, é sobre preguiça

Pra fechar, a única coisa que você não pode ser é preguiçoso. Se for, você continua medíocre a vida inteira — e não é só você: é a família que talvez dependa de você, é a que você faz parte.

Gente esforçada e não preguiçosa sempre deu muito mais resultado do que gente inteligente com talento desperdiçado. Isso já era verdade antes. Só que hoje, com IA do lado, o esforçado dá muito mais resultado ainda — porque a parte técnica a máquina entrega. O talento ela também detém. O que ela não faz por você é implementar e testar, e é exatamente aí que quase todo mundo desiste.

Vai dar errado muitas vezes. É assim que se ganha casca.

Onde eu mostro esse pipeline funcionando. Esse texto é sobre o método — subir a escadinha você sobe sozinho, de graça, com a ferramenta que já está na sua mão. O que eu não consigo pôr num artigo é o pipeline de agentes rodando dentro da minha operação: como monta, o que quebra, o que eu não entrego pra máquina. Isso eu abro na imersão presencial de infraestrutura em São Paulo, três dias, ainda em definição de data — por isso a página é de lista de espera. As quatro imersões estão em todas as imersões.

TODA SEGUNDA · MEIO-DIA · AO VIVO

Discorda? Concorda? Tem um caso parecido? Aqui não tem caixa de comentário de propósito: segunda-feira, ao meio-dia, eu faço live no canal e a gente conversa sobre isso ao vivo — sem corte, como sempre.

Ver as lives no canal @josimarjmv →

Perguntas frequentes

Colocar a IA pra fazer o meu trabalho é errado?
É a pior burrice que você pode fazer. Se a IA está fazendo o seu trabalho, e não o trabalho junto com você, significa que aquele trabalho já cabe num agente autônomo — e aí você é um forte candidato a ser substituído ainda este ano, ou no ano que vem. Eu digo isso como quem fez a substituição: eu troquei tarefa de programador júnior e de pleno até meio de carreira por um pipeline de agentes na minha empresa. Ninguém me contou, eu faço isso todo dia. O uso que te protege é o contrário: você faz e usa a IA pra dizer onde você está errado.
Qual é a pergunta que faz subir de nível?
São quatro, e você faz no modelo mais avançado que conseguir pagar: o que está errado no que eu estou fazendo aqui? Qual é a melhor forma de fazer isso que eu faço assim há anos? Quem é líder de mercado nisso e o que essa empresa faz diferente do que eu faço? Quem é a referência técnica disso e como ela resolve? É óbvio, eu sei. Mas a maioria dos negócios fracassa por não fazer o óbvio — e eu conheço programador, gente de finanças, de marketing e de suporte que simplesmente não faz.
Dá pra aprender uma profissão nova só com IA e YouTube?
Dá pra sair do zero e chegar num nível que já se cobra por ele, sim, ainda mais junto com um cursinho da área. Eu vivi isso com a cafeteira italiana da minha empresa: desmontei, entendi peça por peça perguntando pra IA com foto, comprei um moedor de R$ 15 no Mercado Livre e montei tudo de volta. Eu afirmo categoricamente: se eu desmontasse aquela cafeteira mais algumas vezes, estudando cada peça, em dois ou três meses eu estaria capacitado a arrumar cafeteira dos outros. Seria uma profissão nova e uma renda nova.
Como eu uso a IA num trabalho manual, físico?
Com foto, e em etapas. Assistiu a um vídeo no YouTube? Pausa o vídeo, tira a foto do que está na sua frente e pergunta: acabei de fazer isso, é esta peça aqui, como eu faço aquilo? Eu fotografei cada fase da desmontagem justamente porque eu não sou da área — quando você desmonta e monta, sempre sobra parafuso. Com a foto de cada etapa, não sobra. E pergunte além do problema imediato: para que serve esta peça, no que ela impacta. É aí que você aprende em vez de só resolver.
Em que casos eu não devo confiar na IA sozinho?
Onde o erro machuca ou custa caro: parte elétrica, qualquer coisa com risco fatal, área jurídica e tudo que envolve regulamentação. A IA continua te dando o norte, mas ali você tem que ter prudência e gente habilitada junto. Eu uso a IA pra entender o que estou fazendo, não pra assumir risco que não é meu.
Sou um profissional experiente, mas travado. Serve pra mim?
Serve, e é onde mais funciona. Profissional ruim não é só quem está começando: tem muita gente em meio e fim de carreira que passou a vida inteira na mediocridade, no deixa a vida me levar. O caminho é o mesmo: o que está ruim no meu trabalho, o que eu posso melhorar, o que a empresa líder faz aqui. Quando você vira médio, você já sabe fazer as perguntas certas — e é a pergunta certa que faz a IA te levantar de nível.
A IA não vai catapultar quem já é bom e deixar o resto pra trás?
O profissional ótimo surfa, sem dúvida: ele já sabe o que pedir, já coordenou equipe e agora aprende a coordenar a IA. Mas ela só catapulta o que você é se você não for preguiçoso. Com o mínimo de raciocínio lógico pra fazer a pergunta certa, implementar e testar, qualquer nível sobe. Não existe melhor professor do que uma IA — que vai te dar caminho errado, vai te fazer bater cabeça, e é errando que se ganha casca. Ninguém vira sênior sem errar.
Então o que separa quem sobe de quem fica?
Preguiça. É só isso. Gente esforçada sempre deu mais resultado do que gente inteligente com talento desperdiçado, e hoje, com a IA do lado, o esforçado dá muito mais resultado ainda — porque a parte técnica a IA entrega. O que ela não entrega é você implementar e testar o que ela sugeriu, e é justamente aí que quase todo mundo desiste.

Baseado no vídeo do canal @josimarjmv publicado em 19/08/2026 (13min27), com transcrição própria das legendas do próprio vídeo. Casos, números de operação e opiniões são da minha experiência tocando a JMV Technology. O contexto de mercado foi conferido por mim em 09/09/2026 nas fontes: o IPO da SpaceX de 12 de junho de 2026 (cerca de US$ 86 bilhões levantados, avaliação de US$ 1,77 trilhão); a aquisição da Anysphere/Cursor por US$ 60 bilhões, fechada em 14 de agosto de 2026; e o anúncio da constelação Starmind, de data centers em órbita, com primeiros lançamentos previstos para 2027. Formato, condição e data da imersão de infraestrutura são os que estão na página da imersão.