Vou responder na cara, porque é o que eu faço quando os currículos chegam na minha mesa: com os dois em condição parecida, eu fico com o do técnico. Não é ensino contra ensino — é quem já botou a mão na massa contra quem chega dizendo que não aprendeu nada disso na faculdade.
Resposta rápida: eu prefiro contratar quem fez curso técnico, e o motivo é um só: mão na massa. O técnico é presencial, tem laboratório e parceria com empresa; o cara chega, veste a camisa e fala "me dá aqui que eu faço". Isso não é diploma valendo mais que diploma — o que manda é o aluno que quer, e tem professor bom nos dois lados. Mas a formação superior que eu recebo hoje no currículo, pública ou privada, em geral não entrega alguém pronto pro mercado. Se você está começando, com pouca grana e precisando trabalhar enquanto estuda, o técnico te coloca em pé mais rápido — e o que decide a vaga, no fim, é ter projeto próprio rodando. Sem isso, nem um nem outro te salva.
Curso técnico ou faculdade? Você que está começando, início de carreira, pouca grana, precisa trabalhar pra ajudar em casa e ainda estudar pra ter uma vida melhor: qual desses dois você escolhe? É uma reflexão séria, e eu vou trazer ela do jeito que eu vejo — que é o jeito de quem contrata.
Vou dar minha carteirada antes. Eu tenho uma empresa de tecnologia, coordeno o time de desenvolvimento, cuido de infraestrutura e ponho a mão na massa. No quinto dia útil eu tenho que pagar a conta. Não é palpite de fora, não é teoria de coach: é o que eu vejo nos currículos que chegam pra mim, todo mês, pra vagas que eu tenho que preencher de verdade.
E eu já vou te falar na cara, que é o que a gente combinou aqui: eu prefiro contratar gente de técnico do que de faculdade. Gravei quase 13 minutos sobre isso no canal, sem edição — assista e leia junto:
12min44s, sem edição — do canal @josimarjmv, publicado em 25/08/2026. Se preferir o texto, ele está todo aqui embaixo, com os números que eu fui checar depois.
🎧 PREFERE OUVIR? · 13 min
Este artigo também é um episódio do podcast Josimar JMV | Em Produção — o mesmo vídeo, só o áudio, normalizado pra fone.
Faço questão de separar isso logo no começo, porque é onde a discussão sempre estraga. O que manda é a pessoa querer estudar e querer dar o melhor pra si, pra própria família e pra sociedade. Você pode estar fazendo a faculdade ou pode estar fazendo o curso técnico — o que importa é o você lá dentro, o que você quer fazer.
São todas as faculdades públicas que não prestam? Não. São todas as federais? Não. São todos os professores? Longe disso — tem muito professor bom em escola pública e muito professor bom em escola privada. Mas se o sistema não ajuda, o professor sozinho faz o quê? Quando o professor preguiçoso, que manda a inteligência artificial corrigir a prova, ganha o mesmo do professor que se esforça, não dá pra esperar milagre.
Abriram-se faculdades a torto e a direito, sem padrão de qualidade nenhum. E o que você acha que acontece quando tem volume e não tem gente suficiente pra ensinar direitinho? Não aprende. Simples assim.
Aí eu recebo currículo de faculdade pública e de faculdade privada e chego na mesma conclusão — em Minas e em São Paulo, que é de onde vêm os meus currículos, porque as minhas vagas são presenciais. Talvez em outros estados exista faculdade que eu não conheça e onde eu esteja sendo injusto, e o cara já chegue vestindo a camisa. Eu realmente não sei. O que eu sei é dos currículos que eu recebo.
E o teste é sempre o mesmo: eu falo "beleza, senta aqui e faz". Não sabe fazer. Às vezes tem lá na grade alguma coisa que importa, mas passou colando, com a amiga ajudando — que é uma coisa que a gente sabe que acontece. Aí eu tenho que filtrar pelo soft skill, porque de resto ninguém sabe nada mesmo.
E olha a grade curricular. Pega a grade das faculdades de tecnologia — quando tem, porque tem faculdade que você entra e nem a grade curricular está publicada. Inteligência artificial se popularizou faz uns dois anos; ferramenta de código com IA, uns um ano e meio. Qual faculdade está com inteligência artificial de verdade no pipeline dela? E eu não estou falando de ensinar a usar chat de IA — isso qualquer vídeo de graça no YouTube ensina. Eu vi uma faculdade esses dias vendendo curso pra ensinar a mexer em chat de IA. Vender uma coisa dessas, cobrando, é constrangedor.
Quem está fazendo isso é o setor privado. Eu, inclusive — e eu falo isso com todas as letras: eu vou ganhar dinheiro com isso, porque eu vou dar treinamento disso. Estão começando a sair MBAs, tem faculdade indo atrás. Mas atrás.
O curso técnico faz exatamente o que falta do outro lado: bota a mão na massa. Tem parceria com empresa, tem laboratório próprio — SENAI, SENAC, essa turma. O cara sai pronto. Ele chega na empresa, veste a camisa e fala "me dá que eu faço". O outro chega e fala "nossa, mas eu não aprendi nada disso na faculdade".
E a faculdade, na minha opinião, tinha que ensinar o cara. Estágio obrigatório do primeiro ao último ano, no mínimo. Não esse negócio de "faculdade é só pra dar um norte de cada coisinha pro aluno descobrir qual setor ele quer". Não. O cara tem que sair vestindo a roupa e falando "me dá aqui que eu resolvo".
Isso acima é o que eu vivo. Depois de gravar, eu fui atrás de dado público pra ver se o que eu sinto na minha mesa aparece na estatística — e aparece. Esta parte é checagem minha, com fonte e data, não é fala do vídeo:
Repara na direção das setas. A educação profissional saltou de 1.892.458 matrículas em 2021 para 3.187.976 em 2025 — 68,4% em cinco anos, com os eixos de gestão e negócios, ambiente e saúde, informação e comunicação e processos industriais na frente. Só em desenvolvimento de sistemas são 150.864 matriculados; em informática, 167.134. Enquanto isso, na graduação, o EAD virou maioria pela primeira vez: 50,7% das matrículas.
É exatamente o que eu falo no vídeo, agora com número em cima: de um lado, formação que bota a pessoa em laboratório; do outro, uma graduação que está migrando em massa pro EAD. E eu pergunto de novo: quem aprende mais, quem está no presencial ou quem está no EAD em casa?
Tem mais um dado que dá o tamanho da porta que está aberta: o Mapa do Trabalho Industrial 2025-2027, do Senai com o Observatório Nacional da Indústria da CNI, projeta que o Brasil precisa qualificar 14 milhões de pessoas em ocupações industriais até 2027 — 2,2 milhões em formação inicial e 11,8 milhões em atualização — com 610 mil vagas novas na indústria. Vaga tem. Gente pronta é que não tem.
No vídeo eu lancei o desafio: salário de quem sai de um curso técnico hoje contra salário de quem sai da faculdade hoje — qual é maior? Eu tenho a minha impressão, e ela é a favor do técnico em várias áreas.
Mas aqui eu não vou fingir tabela que eu não tenho. Não existe um comparativo nacional confiável de salário de egresso de técnico contra egresso de faculdade, e eu não invento número pra ganhar discussão — quem me acompanha sabe que essa é a regra da casa. O que eu posso afirmar é do meu lado do balcão, e é isto: quem chega pronto entra mais rápido e sobe mais rápido. Empresa não paga diploma, paga problema resolvido.
Falando nisso, é concreto: estou pra abrir vagas em breve. Se você quiser mandar currículo, é pra [email protected].
Onde: presencial em Divinópolis, Minas Gerais, e em São Paulo capital. Não existe home office pra quem vai aprender. Home office é combinado de quem já subiu — pleno, sênior, gente que vai ficar na empresa ao longo dos anos.
O que é a vaga: suporte e treinamento de equipe ao cliente, com ênfase em desenvolvimento. Você usa o produto, depois desenvolve o próprio produto, depois desenvolve produto pros outros com inteligência artificial. É o caminho que eu desenhei pra trazer gente pra dentro.
Que perfil: desenvolvedor full, técnico e empreendedor. Multidisciplinar, agitado. Se você quer trabalhar só com uma coisa, essa vaga não é pra você — e tudo bem, é só não ser essa.
E quando esses currículos chegam na minha mesa e eu tenho que decidir a última vaga entre duas boas pessoas, com soft skill bacana, com projeto fora: curso técnico ou faculdade? Curso técnico. Botou a mão na massa mais do que o da faculdade.
A pergunta que eu mais recebo é essa: "como que eu, júnior, arrumo estágio ou vaga se a IA comeu as minhas vagas?". A resposta é uma frase só: sendo mais do que a IA.
E como se faz isso? Desenvolvendo projeto você mesmo. Faz site pra padaria pra aprender. Faz um sisteminha de entrega — delivery é complicado, mas é justamente onde você apanha. Faz um e-commerce, vai subindo as coisas, contrata uma VM e vai passando raiva. Vê como funciona um ataque, brinca de gato e rato, aprende a se defender. Sobe projeto pra você mesmo, pra você aprender.
O roteiro mínimo, na ordem em que as coisas doem — e é literalmente o que eu procuro no currículo de quem está começando:
Isso é o que aparece no currículo e é o que eu enxergo em três minutos de conversa. Não é o repositório bonito: é o dia em que caiu e você teve que levantar. Sobre onde hospedar esse projeto, eu tenho opinião forte e ela é minha — eu falo pra você ir pro GitLab, e já expliquei em detalhe por que eu não uso GitHub, Supabase ou Firebase em produção. Pra estudo, sobe onde quiser: projeto de teste é teste, e passar raiva com serviço que te limita também ensina.
E se você quer saber pra onde ir depois do primeiro projeto, é a mesma coisa que eu venho falando: infraestrutura virou o superpoder justamente porque a IA já resolve a sintaxe e não resolve a arquitetura, e fazer software virou commodity — botar em produção é que não.
Encerro do jeito que encerrei no vídeo, com a pergunta virada pra mim: se eu, Josimar, estivesse começando a minha vida hoje, e tivesse que dedicar o mesmo tempo a uma coisa ou a outra, eu faria um curso técnico ou uma faculdade?
Eu iria para um curso técnico. Até porque o curso técnico é presencial — e adivinha quem aprende mais: quem está no presencial ou quem está no EAD em casa?
Se der pra fazer os dois, faça os dois. O problema nunca foi estudar demais. O problema é sair de qualquer uma das duas formações sem saber fazer.
Sobre as imersões. Esse assunto — sair de "estudei" pra "eu faço e eu vendo" — é exatamente o que eu destrincho nas imersões: Imersão de Sites, Imersão de Chatbot, Imersão de Infraestrutura e Imersão de SaaS. Datas, valores e condições estão em todas as imersões — o que estiver em definição está escrito como em definição, sem promessa. E se você quiser conversar sobre currículo e contratação, tem live toda segunda-feira ao meio-dia no canal.
TODA SEGUNDA · MEIO-DIA · AO VIVO
Discorda? Concorda? Tem um caso parecido? Aqui não tem caixa de comentário de propósito: segunda-feira, ao meio-dia, eu faço live no canal e a gente conversa sobre isso ao vivo — sem corte, como sempre.
Nota de cronologia. Este relato é do vídeo "CURSO TÉCNICO BATE Faculdade: Por Que Só Contrato Quem Fez Isso", do canal @josimarjmv, publicado em 25/08/2026 (12min44s), com transcrição própria das legendas do vídeo. As vagas citadas estavam para abrir na data da gravação — confirme a situação atual antes de enviar currículo pra [email protected]. Os números de matrícula são checagem feita em 07/09/2026 em fontes públicas: Censo Escolar 2025 (Inep/MEC, divulgado em 26/02/2026), PNAD Contínua — Educação 2025 (IBGE, referência do 2º trimestre de 2025) e Censo da Educação Superior 2024 (Inep, divulgado em setembro de 2025); a projeção de qualificação é do Mapa do Trabalho Industrial 2025-2027 (Senai/Observatório Nacional da Indústria — CNI). Comparação de salário entre egressos de técnico e de faculdade não foi afirmada por falta de fonte confiável. Datas e condições das imersões são as publicadas nas páginas de cada uma. Toda segunda-feira tem live ao meio-dia no canal.