Eu esperava sobrar tempo. Sobrou capacidade — e capacidade sobrando não vira folga sozinha, vira mais projeto.
Resposta rápida: fui iludido pela inteligência artificial, e fui mesmo. Comecei há uns dois anos e meio achando que ia automatizar o que eu já fazia e me liberar tempo. Automatizei — tenho IA no posto de um desenvolvedor, dentro de um fluxo completo — só que o efeito foi o oposto: como ficou barato testar, eu passei a estudar tecnologia nova todo dia, refatorar o que estava pesado e pegar tudo que eu deixava de lado por falta de braço. Hoje eu estou com 18 ou 19 dos meus 300+ serviços azeitados, e o que me segura na frente da tela não é código: é o QA de infraestrutura, que eu não entrego pra agente nenhum. Se você entrar nisso esperando praia, entra sabendo: o tempo livre não vem de brinde, ele é uma decisão que você toma depois.
13 minutos, sem edição — do canal @josimarjmv, publicado em 23/08/2026. Meus vídeos não têm edição: tem uma câmera aqui, outra ali, corte só no começo e no fim, o resto eu gravo direto como se fosse ao vivo. Aqui embaixo eu conto a mesma coisa por escrito, com mais calma e com os números na mão.
🎧 PREFERE OUVIR? · 13 min
Este artigo também é um episódio do podcast Josimar JMV | Em Produção — o mesmo vídeo, só o áudio, normalizado pra fone.
Vou dar minha carteirada antes, pra quem ainda não me conhece: meu nome é Josimar Machado, eu tenho uma empresa de tecnologia e sou técnico também. Eu boto a mão na massa, desenvolvo junto com a minha equipe e a gente testa tudo quanto é coisa que tem inteligência artificial, porque aqui é AI first. A gente catapultou a produtividade mais de dez vezes, com pé nas costas, fornecendo plataforma pra grandes empresas de mídia e comunicação do Brasil — são milhões de views todos os dias que a gente coordena, e eu junto.
E, além de tudo, eu pago a conta. Falo isso pra você entender de onde vem a visão: é a de quem tem folha de pagamento, pipeline, infraestrutura, venda e suporte na mesma mesa. Não é a visão picadinha de quem só olha um pedaço.
Quem acompanha o canal sabe que eu fui convidado pelo Google pra fazer umas imersões de inteligência artificial. Não foi em Palo Alto, não — foi em São Paulo, ali no Itaim Bibi. E foi bacana porque foi imersão técnica, não foi viagem pra tirar foto. Eu fui fazer treinamento, e aquilo abriu a minha cabeça pro que dava pra fazer com IA de verdade, não com chatezinho.
Na época o ambiente era o Vertex, do Google, e era caro. Só que tudo que é caro e muito bom um dia vira volume e o preço cai — é o padrão de sempre. Pega televisão. (Celular não, celular foi na direção contrária, o preço subiu demais.) Então eu comecei a automatizar as coisas: criar agentes inteligentes, montar pipeline.
Eu já contei aqui como cheguei a substituir um desenvolvedor por uma inteligência artificial dentro de um fluxo completo. Completo mesmo. A minha IA trabalha hoje no posto de um desenvolvedor, cuidando de projeto. O detalhe que muda tudo é o volume: eu tenho mais de 300 serviços, então eu preciso de um agente pra cada um, com a skill certa e o pipeline certo, porque cada um tem o seu modelo e a sua regra de negócio.
E aqui já cai por terra aquela historinha de copiar skill que serve pra todo mundo. Uma base ou outra até serve. A maioria é você que tem que fazer mesmo: azeitar, arredondar. É rigorosamente a mesma coisa de treinar um colaborador — só que agora você treina a sua IA com as skills.
A minha expectativa era simples: automatiza, sobra tempo, eu faço a gestão do site e das plataformas pelo celular e fico mais tranquilo. A parte do celular eu já consegui. A parte do "mais tranquilo" é onde ela me iludiu.
Eu não sei você, mas pra mim P&D — pesquisa, desenvolvimento, aprendizado, estudo — é dopamina pura. Quando eu começo a desenvolver, a pesquisar, a testar, eu não largo. E como eu tenho infraestrutura própria, eu boto coisa em produção, testo, derrubo. A estrutura já está paga mesmo: eu subo VM, tiro, ponho servidor, tiro, dá na mesma. Tenho um custo alto mensal, mas não fico pensando em custo novo a cada teste. GPU eu também já tenho, porque a gente converte muito vídeo. Então eu faço P&D pra caramba.
É exatamente aí que a IA me iludiu. Ao contrário de eu substituir tarefa e ir descansar, ela me permitiu estudar tecnologia nova o tempo todo: forma melhor de fazer as coisas, refatorar o que está pesado, escovar bit, diminuir CPU e memória de algo que eu já tenho rodando — e com isso economizar dinheiro.
Eu comentei com o Yuri aqui outro dia: a inteligência artificial tem sugado toda a minha energia mental, todos os dias. Porque eu gosto, né? Eu gosto muito do que eu faço, gosto de testar, gosto de desenvolver e gosto até de passar raiva — e P&D é passar raiva, absurdamente. Só que é raiva de alto nível. Na hora de dormir eu tenho chegado extremamente cansado. Se isso é bom ou ruim, eu ainda não cheguei num consenso.
Eu, que já era técnico, já tinha infraestrutura e já dominava um monte de tecnologia, estou me achando super-homem — literalmente. Hoje os meus dois braços fazem o que uns quarenta braços não faziam antes. Parece exagero. É a palavra que eu mais uso ultimamente: assustador.
Deixa eu explicar por que escovar bit virou obsessão aqui, porque isso é dinheiro na veia e a maioria do desenvolvedor nunca parou pra pensar nisso.
Data center não é negócio de hospedar servidor. É negócio de energia elétrica. Quanto menos eu gasto das minhas CPUs, menos load elas têm; com menos load elas ficam mais frias; mais frias, eu preciso de menos energia pra tocar ventoinha; menos energia nos meus racks, menor a minha conta mensal. Simples assim, e quase ninguém liga esses pontos.
Vou te dar um exemplo daqui de dentro: o FFmpeg, a biblioteca que a gente usa pra manipular vídeo. Quantas e quantas vezes, entre estagiário e júnior, alguém não põe limite e satura a máquina em 100%. E o que acontece quando você satura 100% de uma máquina, até a da sua casa? Ela esquenta. Se esquenta, gasta mais energia pra rodar; e o equipamento gasta mais energia ainda pra resfriar. Você paga mais caro na conta. É a mesma lógica da GPU minerando Bitcoin. No data center não é diferente — é só maior.
Checagem minha, hoje (08/09/2026). Fui atrás de número público pra você não achar que isso é implicância minha. O relatório de uso de energia em data centers do Berkeley Lab, encomendado pelo Departamento de Energia dos EUA, mediu 176 TWh consumidos por data centers americanos em 2023 — 4,4% de toda a eletricidade do país — e projeta entre 325 e 580 TWh até 2028, o que daria de 6,7% a 12% da eletricidade dos EUA. O mesmo relatório aponta o motivo: chips cada vez mais potentes exigem refrigeração cada vez mais intensa. Ou seja, a conta que eu faço no meu rack é a mesma conta que o mundo inteiro vai ter que fazer. Quem escova bit chega mais barato do outro lado.
Por isso, quando eu falo em refatorar pra tirar CPU, memória e RAM de algo que já funciona, não é preciosismo de programador. É a conta de luz. E é por isso também que essa parte de infraestrutura virou vantagem competitiva de novo — eu já expliquei isso inteiro em infraestrutura: o novo superpoder na era da IA.
Tem um gatilho perigoso nessa história, e eu vou te avisar antes que você caia nele: não saia refatorando tudo o tempo todo, senão você fica louco. Nunca faça isso. Eu não faço. Toda hora que eu pergunto uma coisa eu descubro um jeito melhor de fazer aquilo, e a vontade de mexer em tudo vem junto. Segure.
Eu ainda tenho um time, porque são mais de 300 serviços rodando. Quando eu terminar de implementar isso nos 300 — que é a minha meta — aí sim eu acho que consigo dar uma folga de verdade e não ficar na frente do PC. Porque qual é o problema hoje? Eu preciso fazer QA de muita coisa, principalmente de infraestrutura, e esse QA a IA não vai fazer por mim.
Eu posso colocar um agente, sim. O que eu não posso é deixar o agente no meu ambiente de produção. É loucura. Você sabe que não dá. O máximo que um agente faz ali é te ajudar na leitura de log pra debugar mais rápido — quem acessa e bota a mão na massa ainda é você. Eu só mexo com produção, coisa séria, pancadão. É a mesma linha que eu já defendi em medo de subir em produção e em por que eu não uso GitHub, Supabase ou Firebase em produção: o que é meu fica onde eu mando.
Mas eu vejo o progresso projeto a projeto. Hoje eu estou com 18 ou 19 azeitadinhos, de mais de 300. E não adianta falar que vai copiar e colar: eu já testei, não dá certo. A conta real de cada agente novo aqui é essa:
É exatamente igual a treinar um colaborador — você não entrega o mesmo manual pra todo mundo e sai andando. O desenho desse ciclo eu já mostrei em testei o Jules do Google e não serviu pro meu pipeline autônomo.
Pra você ter noção de como isso já está no meu dia: enquanto eu gravava esse vídeo, chegou aqui mais uma solicitação do ambiente de staging pra eu validar e decidir se sobe pra produção ou se eu peço pra alguém da equipe testar. E tem outro agente que eu estou treinando justamente pra me ajudar com esse QA, dentro da regra de negócio da minha empresa — não com regra genérica de tutorial.
O próximo passo é levar o mesmo pipeline de desenvolvimento que eu montei pra todos os meus projetos, e aí sim me acalmar e começar a tirar um tempo. A meta é terminar isso até o final deste ano.
E o motivo não é técnico. Ano que vem eu quero passar as manhãs com o meu pequenininho, que vai começar a jogar bola — quero colocar ele em alguns esportes, ele já vai estar na idade. Olha só pra você ver o tamanho do compromisso: a gente estava em agosto quando eu falei isso. Vamos ver em fevereiro do ano que vem se eu consigo. É um compromisso que eu estou fazendo comigo mesmo, e estou registrando aqui por escrito de propósito.
Vou deixar de desenvolver? Não. Vou deixar de trabalhar com equipe? Não. Quem empreende trabalha 24 por 7 — só não conta a hora que você está dormindo. E olha que às vezes nem isso, porque você dorme e o cérebro fica lá processando, lembrando dos boletos que têm que ser pagos. Não para.
Eu fui iludido pela inteligência artificial — pela minha própria conta errada, e a ilusão foi até boa. O que eu não quero é que você seja iludido por vendedor.
Não compre curso de automação e de inteligência artificial com quem nunca teve empresa, com quem nunca escreveu uma linha de código. Você vai bater cabeça e jogar dinheiro fora, porque nenhuma teoria do mundo sobrevive ao campo de batalha. Nada sobrevive à realidade do dia a dia. Peça o pipeline rodando, peça o caso que deu errado, peça a conta que a pessoa paga no fim do mês.
Sobre a próxima imersão ao vivo. A do dia 15 de agosto foi voltada pra desenvolvimento de site em produção, pra agências e pra quem quer montar site. A próxima é de chatbot: a gente constrói um do zero, omnichannel, com automação decente — sem "digite 1 pra isso, 2 pra aquilo" —, e dentro dela eu mostro o meu pipeline, como funciona o desenvolvimento aqui na empresa hoje. É o mesmo chatbot que eu uso em produção há uns dois anos e que já atendeu 2.500 leads de emissoras de rádio e TV em uma semana. SDR perfeito. Serve pra você botar na sua empresa ou pra vender pra outras empresas. Data, valor e condição finais saem na página, não aqui: Imersão de Chatbot. As quatro estão em todas as imersões.
Esse relato é do vídeo de 23/08/2026. Quando eu falo "estamos em agosto" e "vamos ver em fevereiro", é dali que eu estou contando o prazo — e eu deixo assim de propósito, pra você poder cobrar. Os números públicos de energia que eu trouxe no meio do texto eu fui conferir depois, em 08/09/2026, e estão com a fonte no fim da página. O que é vivência minha é vivência minha; o que é dado de fora está datado e linkado.
TODA SEGUNDA · MEIO-DIA · AO VIVO
Discorda? Concorda? Tem um caso parecido? Aqui não tem caixa de comentário de propósito: segunda-feira, ao meio-dia, eu faço live no canal e a gente conversa sobre isso ao vivo — sem corte, como sempre.
Baseado no vídeo do canal @josimarjmv publicado em 23/08/2026 (13min13), com transcrição própria das legendas do próprio vídeo. Os números de consumo elétrico de data centers foram conferidos em 08/09/2026 na fonte primária: 2024 United States Data Center Energy Usage Report, do Lawrence Berkeley National Laboratory, encomendado pelo Departamento de Energia dos EUA (176 TWh e 4,4% da eletricidade americana em 2023; projeção de 325 a 580 TWh, ou 6,7% a 12%, até 2028). O FFmpeg é a biblioteca livre de manipulação de áudio e vídeo citada no exemplo, e o Vertex AI é a plataforma do Google mencionada no treinamento. Volume de serviços, casos de equipe, decisões de infraestrutura, prazos e opiniões são da minha experiência na operação da JMV Technology.