Eu previ 100 mil demissões em tecnologia pra 2026. Estamos em setembro e o levantamento que eu fiz já passa de 184.860. O pau está quebrando, a galera está demitindo sem dó nem piedade — e o motivo hoje não é mais o mesmo de 2023.
Resposta rápida: em setembro de 2026 o meu levantamento marcava 184.860 demissões em tecnologia no ano — 2025 inteiro teve 245 mil e 2023, 262 mil. A diferença é o motivo: 2023 foi ajuste da contratação exagerada da pandemia; o corte de hoje é pra investir em inteligência artificial. E não está caindo só o preguiçoso, está caindo gente boa também. Quem só cuida de um microsserviço vai rodar. O que te segura é arquitetura, orquestração de agentes e infraestrutura: deploy, VM, sistema operacional certo, e saber escalar sem pagar o pedágio do auto scale.
Onze minutos que eu publiquei em 10/09/2026 no canal @josimarjmv, do jeito que sai, com risada e tudo. Aqui embaixo eu conto a mesma coisa por escrito, com a linha do tempo organizada — e com a conferência que eu fiz num contador de fora depois de gravar.
🎧 PREFERE OUVIR? · 12 min
Este artigo também é um episódio do podcast Josimar JMV | Em Produção — o mesmo vídeo, só o áudio, normalizado pra fone.
Deixa eu me apresentar pra quem chegou agora: meu nome é Josimar, eu tenho uma empresa de tecnologia e o canal tem uns três meses. Quando eu falo de demissão, não é palpite de fora. Eu tenho mais de 300 microsserviços rodando dentro do que atende cliente e faz dinheiro.
Por isso eu voltei no assunto. Eu tinha feito uma previsão e fui pesquisar pra saber se ela estava correta. O número passou muito dela.
Lá em maio eu gravei sobre as 100 mil demissões e o fim da era do dev chinelinho. Em setembro de 2026, até o presente momento, o levantamento que eu fiz tem 184.860 pessoas demitidas ou cortadas no setor de tecnologia só neste ano. Olha a régua:
Checagem minha, hoje (11/09/2026): cada contador conta de um jeito. Eu fui conferir os meus números no layoffs.fyi, o rastreador que acompanha demissões em empresas de tecnologia desde março de 2020. Lá, 2026 aparece com 128.536 pessoas em 299 empresas; 2025 fechou com 122.606; e 2023 com 265.660. Os totais não batem com os meus — número de demissão depende de qual empresa entra na conta e de qual fonte o contador aceita, e eu prefiro te mostrar a diferença do que esconder. Agora repara no que os dois dizem igual: 2026 já passou das 100 mil que eu previ, e 2023 segue sendo o ano mais pesado. E, na base do layoffs.fyi, 2026 já passou o 2025 inteiro com quase quatro meses ainda pela frente.
Virou minha marca registrada, então eu preciso abrir aspas pra quem nunca viu. Dev chinelinho é o cara preguiçoso, que não gosta de estudar e gosta de ficar jogando. A gente tem squads de desenvolvimento na empresa, e o chinelinho é aquele que monta no time: aproveita o time pra poder entregar. Sempre teve isso — e sempre teve o estrelinha, da época em que desenvolvedor era quase jogador de futebol: não pode chamar atenção porque é ambiente tóxico, não pode cobrar data, não pode fazer nada.
Não é contra todos os devs. É contra o bicho preguiçoso, e preguiçoso tem em todo setor: na sua família tem, na minha tem. Eu já contei os casos que eu vivi com essa turma, com nome de situação e valor de curso não aberto, então não vou repetir aqui.
E faço questão de ser justo: não está caindo só dev chinelinho. Está caindo gente de todos os segmentos, gente boa e gente ruim, por corte de custo. O chinelinho só é o primeiro da fila, porque as empresas têm métrica cada vez mais assertiva pra enxergar quem não produz.
Aqui está a mudança que eu quero que você entenda. 2023 foi uma readequação do mercado por conta da chinelada contratada lá na pandemia. O corte de antes era ajuste de layoff. O corte de hoje é pra investir em inteligência artificial.
"Ah, mas isso é sênior emocionado, isso é dev emocionado achando que tudo vai voltar." São coisas distintas. Uma coisa é gente emocionada. Outra é a conta que eu faço na minha empresa, e essa conta eu vou abrir pra você:
Eu consigo hoje substituir um desenvolvedor pleno, totalmente, em um projeto dentro de um pipeline de desenvolvimento. Dos meus mais de 300 microsserviços, eu estou no 19º automatizado nesse cenário. Então não faz sentido nenhum eu ter aquilo automatizado e ainda ficar com o desenvolvedor ali — porque eu não tenho mais projeto pra ele naquele lugar.
Isso não quer dizer que eu não preciso de gente. Eu preciso de desenvolvedor pra outros projetos, e preciso de sênior pro que o projeto automatizado não faz sozinho: observabilidade, melhoria, escovar bit, performance, ajuste importante. Chega um ponto em que é só a sua observação, com o seu SaaS e a sua infraestrutura, junto com a IA, que extrai o máximo de performance, de melhoria e de usabilidade pro seu negócio. Eu já contei como é o meu pipeline autônomo e por que nem toda ferramenta serve nele.
Tem muita empresa no meio, mas eu vou citar as mais conhecidas, que é o que eu levantei pra gravar:
A da Oracle deu uma balançada na galera, porque ela demitiu um tanto de gente e deixou claro que era pra construir data center. Corte de gasto de um lado pra pôr do outro. Isso resume 2026 inteiro.
E me deixa desabafar sobre a Disney, já que ela está na lista. O aplicativo da Disney na minha Smart TV Samsung tem um monte de coisa em inglês até hoje. Faz anos que eu falo disso. Não tem um desenvolvedor lá pra olhar e falar "vamos botar em português, pelo amor de Deus"? Pra mim tanto faz, eu uso, funciona. Mas empresa desse tamanho, que tem poder de ligar na Samsung e mandar atualizar o aplicativo hoje, cortando gente de tecnologia enquanto o app dela no Brasil segue em inglês? Alguém aí sacode a Disney.
E agosto foi doideira: até o TikTok mandou gente embora — pouquinho, mas mandou. E a Wix demitiu mil pessoas numa tacada só.
Agora eu vou falar com você que não é chinelinho. Se você é chinelinho, pode parar aqui, porque agora eu vou falar que você tem que estudar. Tchau.
Pra quem ficou: como você evita ser mandado embora? Como você gera valor pra sua empresa ou pro seu próprio negócio? Estudando arquitetura e infraestrutura, e não sendo só aquele dev do "não, eu só trabalho no microsserviço de login". Se você só trabalha num microsserviço específico, se o seu time inteiro só cuida de uma coisa, você vai rodar. Pode ter certeza.
Quando você começa a aprender a arquitetar e a orquestrar agentes pra entregar mais resultado com inteligência artificial, é impressionante. E tem muita gente que ainda não está usando assim, o que pra mim é loucura. De um jeito profissional, eu digo. Não é ficar conversando com chat, pelo amor de Deus.
Aí vem o degrau que quase ninguém desce: o nível de infraestrutura. É ali que eu vejo a diferença de verdade. Olha o que cabe nessa conversa:
Por que todo mundo pensa em pod? É muito simples. A Amazon tomou conta do mercado com os serviços dela e popularizou o Kubernetes — com curso, hackathon e tudo. E é lógico que é uma ferramenta fantástica. Mas, meu amigo, não existe só Kubernetes na vida, não. Existem outras formas de escalar sem pagar o pedágio do auto scale:
Escalar baseado em cartão de crédito é muito fácil. Difícil é entender o cenário inteiro de infraestrutura pra escolher o que faz sentido pro seu negócio. É por isso que eu insisto que infraestrutura virou o superpoder da era da IA: a ferramenta todo mundo assina, a conta no fim do mês é que separa.
Então você precisa entender esse cenário todo pra não ser cortado — ou, se for cortado, pra aprender isso e ter vaga na frente. Porque se você chega numa empresa e fala "olha aqui, eu entendo de infra, faço deploy e sei orquestrar agente pra desenvolvimento"… pô, meu amigo, manda o seu currículo pra mim.
Tem um lado dessas demissões que ninguém está olhando. Não está entrando gente nova no mercado. Nós não estamos treinando gente nova. A galera está cortando sem dó nem piedade e está criando um problema gigante que a gente vai colher daqui a uns 3, 4 anos. Aí nós vamos estar todos no pau da goiaba.
E tem outra coisa que eu vivo do lado de dono: você está preocupado com desenvolvimento e com perder a vaga? A empresa está preocupada em vender e pagar a sua conta. Pra isso é preciso entender de suporte, de venda, de pipeline, de infraestrutura. Não é à toa que eu falo tanto que o boom do software vai cair no colo de quem sabe infraestrutura.
Se eu estivesse no seu lugar, com esse número na cabeça, eu não esperaria a próxima leva de corte pra começar:
Se você quer entender um pipeline completo de desenvolvimento, e não só o deploy do seu back-end, eu vou fazer uma imersão de infraestrutura presencial em São Paulo, de 3 dias. Densa, puxada e pesada: eu vou fritar a cabeça de todo mundo com como botar um software em produção e tudo que envolve a entrega — e quando eu falo tudo, é lá na ponta: venda, marketing, suporte ao cliente, pós-venda. É a operação real de uma empresa real. Serve até pra quem quer empreender depois. A página hoje é de lista de espera, e quem está na lista recebe primeiro. Se o seu foco é botar um SaaS inteiro de pé, tem também a imersão de SaaS, e as quatro estão em todas as imersões.
É isso. Vamos estudar arquitetura, vamos estudar infraestrutura, pra gente não ser cortado — ou pra gente levar mais coisa pra empresa.
Nota de cronologia. Esse relato é do vídeo que eu publiquei em 10/09/2026, com os números que eu tinha levantado até ali. A conferência no layoffs.fyi da caixa lá de cima eu fiz em 11/09/2026 e é minha — não estava no vídeo. Contador de demissão é atualizado todo dia, então se você está lendo isso bem depois, o número já é outro. Data, formato e condição da imersão de infraestrutura valem o que está na página da imersão.
TODA SEGUNDA · MEIO-DIA · AO VIVO
Discorda? Concorda? Tem um caso parecido? Aqui não tem caixa de comentário de propósito: segunda-feira, ao meio-dia, eu faço live no canal e a gente conversa sobre isso ao vivo — sem corte, como sempre.
Baseado no vídeo do canal @josimarjmv publicado em 10/09/2026 (11min43), com transcrição própria das legendas do próprio vídeo. Os números de 2026, 2025 e 2023, a linha do tempo por empresa, os mais de 300 microsserviços, o 19º automatizado e o que eu preciso ou não de gente em cada projeto são do levantamento que eu fiz pra gravar e da minha experiência tocando a JMV Technology. Conferido por mim em 11/09/2026 no layoffs.fyi (estatística anual do rastreador: 128.536 pessoas em 299 empresas em 2026, 122.606 em 2025 e 265.660 em 2023) — base de contagem diferente da minha, por isso os totais divergem. Data, formato e condição da imersão de infraestrutura são os que estão na página da imersão.