Um técnico me contou, numa reunião, que a automação interna dele caiu junto com um ataque que a empresa sofreu. Só que aquela automação nunca precisou estar na internet. Eu vou te mostrar como ter a sua VM de graça, aí na sua casa.
Resposta rápida: antes de alugar VM pra rodar automação, responda uma pergunta — essa automação fala com o mundo ou fala só com a sua casa? Se ela liga CRM interno em banco de dados interno e todo mundo entra por VPN, ela não tem o que fazer exposta lá fora. O caminho é um lab local com Proxmox: é de graça (AGPLv3), roda numa maquininha de 8 GB de RAM, você gerencia por IP e porta pelo navegador, cria quantas VMs quiser e faz backup no seu HD físico. Não cai, não tem mensalidade, não toma DDoS. Custo de energia real: cerca de R$ 12 por mês pra uma máquina de 20 W ligada direto. Quando a maquininha começar a agachar, aí você vai pra nuvem — sabendo o que está fazendo, e não porque o cursinho mandou.
Treze minutos, sem edição — um corte no começo, um corte no fim, do jeito que eu gravo no canal @josimarjmv, em 09/09/2026. Aqui embaixo eu conto a mesma coisa por escrito, com mais calma e com os números que eu fui buscar na fonte depois.
🎧 PREFERE OUVIR? · 14 min
Este artigo também é um episódio do podcast Josimar JMV | Em Produção — o mesmo vídeo, só o áudio, normalizado pra fone.
Vou dar minha carteirada antes: eu sou CEO de uma empresa de tecnologia, e pra quem gosta de saber quem está falando — eu pago a conta no quinto dia útil. Falando nisso, o dia em que eu gravei era sexta, dia dois. Tinha conta pra pagar.
Além de pagar a folha, eu boto a mão na massa, filhão. Eu gerencio uma arquitetura grande de data center que atende milhões de views no Brasil e nos Estados Unidos, cuido de infraestrutura e faço imersões. É daí que sai o que eu vou te falar — não de pesquisa. Porque todo santo dia aparece um papagaio de pirata digital novo repetindo o que viu alguém maior falar, ou o que mandou a inteligência artificial pesquisar pra ele. E todos convergem no mesmo lugar: "você precisa alugar uma VM".
Não vou falar o nome de ninguém, porque não me patrocina e eu não aceito patrocínio. Já me procuraram três vezes querendo patrocinar com link de afiliado. Não, gente. É mais fácil eu concorrer com vocês — eu tenho estrutura, tenho bloco de IP, se eu quiser virtualizar meu parque e sair vendendo VM eu vendo. Só que pra mim não vale a pena: eu rentabilizo muito mais vendendo serviço de alto valor agregado do que alugando VM por VM. Meu parque é pequenininho pra isso, e tudo bem que seja.
O cursinho pega você pela mão: contrata a VM naquele lugar baratinho — que por acaso é link de afiliado —, instala o n8n lá dentro, pronto, automação no ar. Ninguém para antes e faz a pergunta que interessa:
Você precisa de uma VM na nuvem pra automatizar o que você quer automatizar?
E se essa VM estivesse rodando local, num notebook velho com Linux, ligado num canto da sua casa?
"Ah, mas gasta mais energia." Não gasta não, bonitão. Não gasta. E você deixa de ficar sujeito a ataque, a DDoS, a nada disso.
Eu fui numa reunião de negócio com uma turma gigantesca — gente de aquisição, que vive de comprar empresa, melhorar e vender. Só esse grupo já passou de 300 aquisições. Conversando com os técnicos que trabalham ali, o que eu vi foi isto: as maiores automações que a galera anda fazendo são automações internas, pra resolver problema interno que alguém não podia, não tinha tempo, não queria ou não sabia fazer. Contabilidade, marketing — o pessoal do marketing então está nadando de braçada.
Aí eu perguntei como ele fazia. "Peguei uma VM lá no lugar tal." Perguntei o que aquilo conectava: coisa externa ou coisa interna? "Meu CRM interno com o banco de dados do relatório." E isso está numa nuvem ou está local? "Está numa nuvem." E como vocês acessam? "Da empresa, por um túnel de VPN."
Cara. Você não precisa ter uma VM online, então.
Aí ele reclamou que a VM dele caiu — a empresa sofreu um ataque e derrubou a VM dele junto. Eu voltei na pergunta: mas por que você tem essa VM online? A resposta foi honesta e é a resposta de metade do Brasil: "porque eu vi no cursinho que era VM online". E quando eu falei que dava pra ter VM local, veio a segunda: "como assim? Isso é virtualização."
Pois é. Você pode ter VM local. Tá entendendo a maldade? Essa é a maldade que só quem está no dia a dia consegue te passar.
O negócio que você vai aprender a instalar se chama Proxmox. É free, é de graça, e não é difícil de instalar. Não é simples e envolve algum conhecimento técnico, é verdade — mas nada que um bom vibe coder curioso não consiga fazer.
E aqui já mato uma bobagem que fazem terrorismo com ela: você não precisa de 64 GB de RAM. Nem 32. Nem 16. Você roda Proxmox numa maquininha de 8 GB. Vai ficar lento? Dependendo do que você botar em cima, vai. Mas roda, e você pode melhorar a máquina depois.
Checagem minha, hoje (10/09/2026): a licença e a RAM. Eu falei "é de graça" de boca; fui atrás do documento. O site do Proxmox diz, com todas as letras, que o código-fonte é livre e publicado sob a GNU Affero General Public License v3, e que você pode baixar o instalador e inspecionar o código. Existe assinatura paga — ela dá acesso ao repositório enterprise e a suporte do fabricante. Pro seu lab, não precisa. Sobre a memória, os requisitos oficiais são ainda mais magros do que eu falei: 1 GB de RAM pra avaliação e, no cenário recomendado, mínimo de 2 GB pro sistema e os serviços, mais a memória que você reservar pra cada VM. Os tais 64 GB vêm de cenário de produção com Ceph e ZFS — a própria documentação fala em algo como 1 GB de RAM por TB de armazenamento usado nesses casos. Não é o seu caso, e não é desculpa pra não começar.
Como eu não gosto de responder no achismo, eu fiz a conta do "gasta energia".
Checagem minha, hoje (10/09/2026): quanto custa deixar ligado. Uma máquina dessas puxando 20 W ligada 24 horas por dia dá 14,6 kWh por mês (0,020 kW × 730 h). A Aneel projeta a tarifa residencial B1 em torno de R$ 851 por MWh sem impostos até o fim de 2026 — ou seja, R$ 0,851 por kWh —, número da 2ª edição do boletim InfoTarifas, divulgado em 12/06/2026. Faz a multiplicação: R$ 12,42 por mês, antes dos impostos da sua conta. Se a sua máquina puxar 40 W, dobra e dá uns 25 reais. Preciso ser honesto no recorte: os 20 W são um exemplo meu, não uma medição da sua máquina — mede a sua com um medidor de tomada se quiser o número exato. Mas a ordem de grandeza é essa, e ela não justifica mensalidade nenhuma.
Presta atenção no que você ganha, porque não é só o dinheiro:
E é aí que a chave vira. Quando você vê o negócio rodando local, você fala: "pô, esse trem é simples demais, eu vou rodar isso na nuvem agora, eu sei rodar". O lab não é o destino — o lab é o que tira o seu medo.
A maldade é a seguinte: você instala um Linux sequinho — Debian ou Ubuntu Server. Dá pra usar Ubuntu com interface gráfica? Dá, mas é muito mais pesado, e não tem por que. Depois disso você instala o Proxmox.
Com o Proxmox no ar, ele te dá um IP e uma porta pra você gerenciar tudo pelo navegador, do seu computador. Acabou. Você entra e cria as VMs visualmente, quantas você quiser, com o backup delas. Isso é extremamente importante.
Aí você sobe o n8n ali dentro e roda local. E olha: o n8n conecta no seu Excel do mesmo jeito que ele conectaria na VM online. Você estar local não te tira nada — na maioria das automações, funciona igual.
Checagem minha, hoje (10/09/2026): dois ajustes no caminho. (1) Eu falei em instalar o Debian primeiro e o Proxmox por cima. Os dois caminhos existem, mas a documentação oficial de instalação é clara: o padrão é o ISO do próprio Proxmox — que já vem com o Debian dentro — e instalar sobre um Debian existente é "recomendado apenas para usuários avançados". Se é seu primeiro lab, vai de ISO; você chega no mesmo lugar com menos dor de cabeça. (2) Sobre o n8n que você vai subir: a versão que você hospeda é gratuita sob a Sustainable Use License, sem limite de quantos fluxos você cria ou de quantas vezes eles rodam, desde que o uso seja interno do seu negócio. O que a licença proíbe é hospedar e cobrar de terceiros pelo acesso, ou revender com a sua marca por cima. Pro caso deste artigo — automação interna da sua empresa — está tudo dentro.
Depois, quando o lab crescer, você pode ter o seu próprio Proxmox numa VM contratada maiorzinha: compra uma VM grande, instala o Proxmox dentro dela em segundo estágio, e passa a ter várias VMs dentro da VM. É um caminho legítimo pra não ficar com máquina desligada em casa.
Já sei que a galera mais técnica vai ficar brava comigo, e eu concordo com eles: nem toda virtualização permite virtualização em cima. Tem provedor que bloqueia. E a performance é degradada, como quem me acompanha já sabe.
Checagem minha, hoje (10/09/2026): o tamanho da pedra. A página oficial sobre virtualização aninhada confirma as duas coisas e coloca número numa delas. Pra funcionar direito, o host precisa expor a flag vmx (Intel) ou svm (AMD) pra dentro da sua VM. Sem isso, a VM lá dentro fica "realmente lenta, quase inutilizável — dez vezes mais lenta ou pior", nas palavras da própria documentação. Tem ainda uma pegadinha operacional que quase ninguém conta: VM com nesting ativo não faz migração ao vivo. Ou seja: teste se o seu provedor expõe a flag antes de contratar a máquina grande.
Performance é assim: quanto mais camada você bota, pior fica. É igual engenharia.
Eu adoro citar um carro que eu comprei anos atrás. Caí na besteira de comprar uma Ford Ecosport com câmbio automatizado, lá em 2012, 2013, quando lançou. Nossa Senhora, é burrice de engenharia. Os caras botaram um robô pra passar marcha — em vez de tirar camada, botaram camada; e em vez de ir num negócio que já era padrão e automático de verdade, tipo o CVT, inventaram aquilo. Na época eu não tinha o conhecimento que eu tenho hoje.
Na engenharia de software e de sistema é a mesma coisa. Não existe esse negócio de "vou instalar uma coisa a mais e vai melhorar". Tem hardening que a gente precisa fazer nesses equipamentos, isso sim. Mas camada por camada, não. Eu sou escovador de bit e não gosto de gambiarra com infraestrutura, porque dá pau — e dá pau depois, quando você já dependia daquilo.
O roteiro completo é esse: instala o Proxmox, faz o hardening dele, aprende, usa bastante, testa, vê como funciona. Deu certo e ficou seguro? Aí você vai pra nuvem, ou compra um servidor grande se for pra rodar na empresa.
Como fazer hardening num Proxmox é coisa que você pesquisa. Tem no YouTube, de graça. Você vai bater cabeça sozinho — mas aprenda. Depois você me paga.
E se você trabalha numa empresa que já tem rack, servidor, aquele parque montado: provavelmente ela já tem esse tipo de virtualização, e aí a conversa é outra. A galera mais técnica já sabe disso e já usa. Quem não usa está perdendo uma grande oportunidade.
Deixa eu ser explícito numa coisa, porque é a fronteira que mais confunde: botar coisa em produção é diferente do que eu estou falando aqui. Aqui eu estou te dando o caminho pra perder o medo de virtualização e entender como esse negócio funciona. Produção tem outros requisitos — eu já escrevi sobre o medo de subir em produção e o que eu perdi por causa dele, e sobre por que eu não uso GitHub, Supabase ou Firebase em produção. São conversas diferentes, e misturar as duas é o que quebra o pescoço da galera.
Eu acho que arquitetura e infraestrutura vão ter mercado demais pra frente. Com modelos como o Fable, fazer código virou commodity — e eu já falei aqui sobre o que estudar quando o SaaS vira commodity. Você precisa entender a arquitetura pra esse código rodar. Precisa entender a arquitetura do código também, claro. Mas esse é um passo grande, e é o passo que quase ninguém está dando.
É a mesma tese de que infraestrutura virou o superpoder da era da IA: a ferramenta todo mundo assina; o que separa é quem sabe onde aquilo roda, quanto custa e o que fazer quando cai.
Tem gente que quer o pacote completo: virtualização, deploy, git, desenvolvimento agêntico na ponta, e o que você precisa se preocupar com o usuário na hora de montar o pipeline. Quando você monta um SaaS, tudo é interligado.
E aqui eu preciso repetir o que eu não canso de falar: o golpe do SaaS de dois dias não existe. Não existe. O SaaS mais rápido que eu botei do zero, com toda a infraestrutura e todo o conhecimento que eu tenho, me custou três meses — e era um sistema de e-mail, área que eu já dominava de antes. Se eu não tivesse esse conhecimento pregresso, não teria como; eu não faria. Tanto que eu botei um desenvolvedor meu pra fazer a migração desse sistema de e-mail e ele apanhou, coitado, maldade minha: ele não tinha a lógica de e-mail na cabeça, que é outro mundo à parte. Eu já contei essa história inteira aqui.
Por isso eu vou ensinar numa imersão presencial em São Paulo, de 3 dias, como botar um SaaS em produção. O investimento é R$ 3.700, à vista no Pix ou dividido no cartão com juros. Eu não faço live de lançamento com aquela papagaiada — eu te falo o que eu vou entregar e quanto custa, pra você se organizar. Depois do link de pré-inscrição eu faço uma live pra bater papo e tirar dúvida, isso sim.
Ainda não tem data certa: eu preciso de uma quantidade mínima de gente pra valer a pena eu sair daqui de Minas e ficar três dias em São Paulo com vocês. Por isso o botão é de pré-inscrição. Se o seu caminho é mais pro lado do rack e do data center, tem também a imersão de infraestrutura — e as quatro estão em todas as imersões.
Enquanto isso: Proxmox local, maquininha simples, lab local sem gastar dinheiro. Instala o Linux e vai. É assim que você perde o medo.
Nota de cronologia. Esse relato é do vídeo que eu gravei em 09/09/2026. As checagens externas das caixas acima eu fiz em 10/09/2026 e elas são minhas — não estavam no vídeo. Onde a documentação oficial ajustou o que eu falei de cabeça (o caminho do ISO em vez do Debian, e o piso de RAM ser ainda menor que os 8 GB que eu citei), eu deixei o ajuste na cara em vez de esconder.
TODA SEGUNDA · MEIO-DIA · AO VIVO
Discorda? Concorda? Tem um caso parecido? Aqui não tem caixa de comentário de propósito: segunda-feira, ao meio-dia, eu faço live no canal e a gente conversa sobre isso ao vivo — sem corte, como sempre.
Baseado no vídeo do canal @josimarjmv publicado em 09/09/2026 (13min42), com transcrição própria das legendas do próprio vídeo. O caso do técnico, a reunião, o parque da empresa, a Ecosport e os três meses do sistema de e-mail são da minha experiência tocando a JMV Technology. Conferido por mim em 10/09/2026 nas fontes primárias: a licença AGPLv3 e a disponibilidade do código no site oficial do Proxmox VE; os requisitos de sistema do Proxmox VE (1 GB de RAM para avaliação, mínimo de 2 GB para o sistema e serviços mais a memória dos guests); a documentação de instalação, que indica o ISO como caminho padrão e a instalação sobre Debian existente como recomendada apenas para usuários avançados; a página de virtualização aninhada (necessidade das flags vmx/svm, degradação de dez vezes ou mais sem elas, e impossibilidade de migração ao vivo com nesting); a Sustainable Use License do n8n e a comparação de edições quanto ao uso interno sem limite de fluxos ou execuções; e a projeção da Aneel para a tarifa residencial B1 em torno de R$ 851/MWh sem impostos até o fim de 2026, da 2ª edição do boletim InfoTarifas, divulgada em 12/06/2026 — o consumo de 20 W é exemplo meu, não medição da sua máquina. Valor, formato e condição da imersão de SaaS são os que estão na página da imersão.