Toda empresa quer o próprio software, e agora toda empresa consegue fazer um. Só que na hora de profissionalizar, escalar e vender aquilo, o negócio sai da plataforma bonitinha e cai na mão de quem entende de infra. É a maior oportunidade que eu vejo há anos — e quase ninguém está se preparando pra ela.
Resposta rápida: estamos na era do boom do software — gente leiga fazendo sistema em plataforma no-code com IA, todo dia, no mundo inteiro. Isso não tira o seu emprego, ele te dá cliente. O código até sai de lá (a documentação do Lovable confirma: sincronização com GitHub em todos os planos e download da base de código). O que não sai junto é a infraestrutura: onde roda, quanto custa, quem responde quando cai, como o e-mail chega na caixa de entrada, como o banco aguenta o segundo cliente. Essa parte vira serviço — e é serviço caro, porque é na hora do aperto. Meu conselho é um só: estude arquitetura e infraestrutura agora, enquanto a fila de gente com software meio pronto na mão só cresce.
Doze minutos que eu gravei em 18/08/2026 no canal @josimarjmv, sem edição, do jeito que sai. Aqui embaixo eu conto a mesma coisa por escrito, com mais calma — e com os números que eu fui buscar na fonte depois de gravar.
🎧 PREFERE OUVIR? · 12 min
Este artigo também é um episódio do podcast Josimar JMV | Em Produção — o mesmo vídeo, só o áudio, normalizado pra fone.
Vou dar minha carteirada antes, pra você saber quem está falando: eu sou CEO de uma empresa de tecnologia, tenho bloco de IP próprio, ASN e data center no Brasil e nos Estados Unidos, e no quinto dia útil sou eu que pago a conta. O que eu vou te falar aqui não saiu de pesquisa de tendência — saiu do que está chegando no meu telefone.
E o que está chegando no meu telefone é gente com aplicativo na mão querendo vender. Todo dia. É mato.
Essa é a era do boom do software. Toda empresa quer fazer o próprio sistema, e o que mudou é que agora ela pode. Isso me deixa apaixonado, e eu vou te dizer por quê: é um oceano gigantesco de oportunidade que está tirando dinheiro só dos grandões — da Totvs, do HubSpot, da Salesforce — e trazendo pro nosso bolso. Pro bolso do desenvolvedor de qualquer tamanho, de qualquer cidade, que quiser empreender.
Do outro lado, está acontecendo uma inundação de microssoftwares. O cara mais leigo do mundo está usando Lovable, está usando os agentes da moda, está pedindo pro modelo montar aplicativo — e está fazendo software pra ele mesmo. Acontece que todo mundo que faz um software pra si fica apaixonado por aquilo. E aí ele oferece pro amigo. E aí ele quer vender.
É nesse exato ponto que a coisa vira. Porque na hora de vender, aquele software vai ter que sair de onde ele está.
Eu falei isso no vídeo com a certeza de quem vive disso, e depois fui conferir se eu estava sendo justo com as plataformas. Não estava, e eu prefiro corrigir do que ficar bonito.
Checagem minha, hoje (10/09/2026): o código sai, sim. A documentação oficial do Lovable diz que as mudanças feitas na plataforma sincronizam com o GitHub e que o que você envia pro GitHub volta pra plataforma — sincronização nos dois sentidos, disponível em todos os planos pro github.com. Diz também que dá pra baixar a base de código direto pelo editor. Ou seja: não existe sequestro de código, e quem vende esse medo por aí está exagerando. O que a mesma documentação registra é que "o código do seu projeto é armazenado e gerenciado dentro da plataforma Lovable" e que muita gente constrói e publica inteiramente lá dentro. É aí que mora o problema real — não no arquivo, e sim no lugar onde aquilo roda.
Presta atenção na diferença, porque ela vale dinheiro. Baixar o código é um clique. Fazer aquele código virar produto que aguenta cliente pagante é um projeto inteiro. O zip na sua mão não te dá servidor, não te dá banco que aguenta, não te dá backup, não te dá quem atende às três da manhã, não te dá e-mail que chega na caixa de entrada, não te dá plano pra quando dobrar de tamanho.
O software pode ser maravilhoso no sentido de atender o dono. Eu não estou chamando ninguém de ruim por isso — ruim aqui é no sentido de escalar. Atende ele? Atende. Atende uma empresa de médio porte com contrato assinado? Não atende. E a diferença entre os dois não é código: é infraestrutura e arquitetura.
Deixa eu te dar um exemplo meu, da minha casa, que é o jeito que eu gosto de explicar.
Eu tenho meu próprio CRM. Cliente chega, lead cadastra, tudo ali dentro. Só que pra eu fazer uma campanha de médio ou grande porte — e eu tenho milhares e milhares de leads acumulados ao longo dos anos — eu sempre precisei contratar uma empresa pra disparar e-mail pra mim. Um SendGrid da vida, um serviço de disparo, aquilo tudo. Por quê? Porque o meu sistema de e-mail era o padrão, que dispara por IP e pronto.
Aí, um belo dia, eu parei e fiz a pergunta que eu não tinha feito em anos: eu tenho o meu próprio bloco de IP. Por que raios eu estou pagando pra terceiro disparar e-mail?
Faltava o quê? Conhecimento específico daquele mundo, tecnologia e mão pra fazer. Pois é: eu acabei de desenvolver o meu sistema de e-mail corporativo, com IP dedicado por empresa. Uma empresa de médio ou grande porte pode ter um IP só dela: zero risco de spam do vizinho, zero reputação compartilhada. Em vez de mandar mil, dois mil, três mil reais por mês pra fora, ficou aqui dentro — e eu ainda vou vender isso depois.
Checagem minha, hoje (10/09/2026): o que custa o disparo pronto. Eu citei a faixa da minha conta, com o meu volume. Pra você não ficar no meu achismo, fui na tabela oficial: a página de preços da Email API do SendGrid mostra o plano Essentials a partir de US$ 19,95 por mês, sem IP dedicado, e o Pro a partir de US$ 89,95 por mês, com 1 IP dedicado incluído e IPs extras como add-on — acima disso, preço sob consulta, e e-mail que passa do pacote é cobrado por unidade. Ou seja: a régua sobe com volume, e o IP dedicado — a parte que interessa pra empresa de verdade — só aparece do Pro pra cima. Não converti pra real de propósito: câmbio muda toda semana e eu não vou cravar número que amanhã está errado.
E antes que alguém ache que basta ter IP e sair mandando: não basta. Essa é justamente a parte que separa quem sabe infra de quem só assinou um plano.
Checagem minha, hoje (10/09/2026): por que e-mail é outro mundo. IP novo não tem reputação nenhuma, e você não pode chegar mandando volume. A documentação do SendGrid sobre aquecimento de IP explica que o volume sobe aos poucos, num cronograma, porque "esse processo gradual estabelece reputação com os provedores como remetente legítimo" — o cronograma automático deles vai do dia zero ao dia 41. E tem o lado de quem recebe: quem manda 5 mil mensagens ou mais por dia pro Gmail precisa cumprir as regras do Google pra remetentes em massa, obrigatórias desde 1º de fevereiro de 2024 — SPF, DKIM e DMARC, DNS reverso válido, conexão TLS, descadastro em um clique e taxa de spam abaixo de 0,30% no Postmaster Tools. Isso é infraestrutura pura. Nenhuma IA faz isso sozinha por você hoje, e é por isso que esse serviço tem preço.
Agora me diz uma coisa: quantos dos milhares de caras que estão fazendo microssoftware nessas plataformas vão precisar mandar e-mail pro cliente deles? Todos. E quantos deles sabem o que eu acabei de escrever nessas duas caixas? Quase nenhum.
Tem uma coisa que eu falo bastante e que explica esse boom todo: a IA subiu todo mundo um degrau. Quem não sabia fazer nada agora faz software ruim. Quem fazia software ruim passou a fazer software médio. Quem fazia médio ou bom foi pra excelente, complexo, topzeira. Ninguém ficou parado no mesmo lugar.
Eu já contei essa história da escadinha com mais calma aqui, então não vou repetir. O ponto que importa pra esse assunto é outro: o degrau de baixo encheu de gente. E gente no degrau de baixo, com software na mão e vontade de vender, é exatamente a sua fila de clientes.
Circula muito aquela frase de que a inteligência artificial potencializa aquilo que você é. Eu vi até o Fábio Aquita, que eu respeito demais, falando sobre isso. E eu vou fazer uma correção na frase, na minha modesta opinião.
Ela potencializa o que você é se você for preguiçoso. Aí sim: você vai fazer a mesma bobagem, só que mais rápido e em maior quantidade. Porque com todo o conhecimento do mundo na mão, por que eu vou pedir pra ela desenvolver só aquilo que eu já sei?
Agora, se você tiver o mínimo de esforço, ela não potencializa: ela levanta a sua régua. E a diferença entre um caso e outro é uma coisa só — perguntar:
A ciência cresce na dúvida. Use a IA pelo método da dúvida: nunca acredite de primeira, peça a documentação, peça o teste, faça o MVP. Comigo funciona assim — eu entendo bastante de infraestrutura, faz muitos anos que eu meto a mão nisso, e foi por perguntar o tempo todo que eu aprendi numa velocidade absurda. Ajuda também eu ter onde testar: sobe servidor, desce servidor, bota em produção, testa, volta. É simples pra mim porque é a minha praia — mas as perguntas eu tenho que fazer do mesmo jeito, todo santo dia.
Eu sou escovador de bit. Extraio o máximo dos meus servidores porque a nuvem é minha, o CDN é meu. E é aí que a conversa fecha: infraestrutura virou o superpoder da era da IA justamente porque a ferramenta todo mundo assina — o que separa é saber onde aquilo roda.
Vou falar uma coisa que ninguém gosta de ouvir: o salário de dev está caindo mesmo. Código virou commodity. Não adianta dar chilique, não adianta negar, não adianta dizer que não está acontecendo. É a realidade.
Só que as oportunidades nascem das crises. É na crise que aparece invenção, é da atitude na crise que sai coisa boa. Se escrever código é o que qualquer um faz agora, o valor subiu pra camada de cima. Eu já escrevi por aqui sobre o que estudar quando o SaaS vira commodity, e a resposta continua a mesma: a parte que não virou commodity é a que sustenta o software de pé.
E olha o outro lado da moeda, que é onde está o dinheiro: quando o negócio dá pau e a grana está correndo, o cara paga qualquer coisa pra você resolver o problema dele. "Ah, mas a IA não resolve sozinha?" Quando envolve estrutura, não resolve rápido. Demora, e o cara vai ter que aprender. Pode ser que mude, pode. O Fable já resolve um monte de coisa, resolve mesmo. Mas na hora de escalar e vender, ainda não faz sozinho.
É sobre isso que eu queria te alertar. Se você quer surfar esse boom em vez de reclamar dele:
E não confunda as coisas: fazer o sistema é uma conversa, botar em produção é outra. Eu já contei aqui por que o microSaaS de dois dias não existe — o meu SaaS mais rápido, com toda a infraestrutura que eu já tinha, me custou três meses. E, veja a ironia, era justamente um sistema de e-mail.
Se o seu caminho é o do rack, do IP, do servidor de verdade, eu vou fazer uma imersão de infraestrutura presencial em São Paulo, de 3 dias. Por enquanto eu não abro remoto de jeito nenhum: isso aqui é muito específico e muito denso, é conversa comigo e mão na massa junto. Ainda estou fechando a data — por isso a página é de lista de espera, e não de compra. Se o que te interessa é o pacote de botar um SaaS inteiro de pé, tem a imersão de SaaS, e as quatro estão em todas as imersões.
Bem-vindo à era do boom do software. Vamos surfar esse negócio.
Nota de cronologia. Esse relato é do vídeo que eu gravei em 18/08/2026. As checagens externas das caixas acima eu fiz em 10/09/2026 e são minhas — não estavam no vídeo. Onde a fonte oficial ajustou o que eu falei de cabeça (o código no-code sai da plataforma, sim, e com sincronização nos dois sentidos), eu deixei o ajuste na cara em vez de esconder. O meu sistema de e-mail corporativo, quando estiver à venda, vai ser anunciado no canal — aqui eu contei ele como caso, não como oferta.
TODA SEGUNDA · MEIO-DIA · AO VIVO
Discorda? Concorda? Tem um caso parecido? Aqui não tem caixa de comentário de propósito: segunda-feira, ao meio-dia, eu faço live no canal e a gente conversa sobre isso ao vivo — sem corte, como sempre.
Baseado no vídeo do canal @josimarjmv publicado em 18/08/2026 (12min26), com transcrição própria das legendas do próprio vídeo. O CRM próprio, o bloco de IP, o sistema de e-mail corporativo, a faixa que eu pagava de disparo e o que chega no meu telefone são da minha experiência tocando a JMV Technology. Conferido por mim em 10/09/2026 nas fontes primárias: a documentação de integração com Git do Lovable, que descreve a sincronização nos dois sentidos disponível em todos os planos pro github.com, o download da base de código pelo editor e o armazenamento do projeto dentro da plataforma; a tabela de preços da Email API do SendGrid (Essentials a partir de US$ 19,95/mês sem IP dedicado, Pro a partir de US$ 89,95/mês com 1 IP dedicado incluído e IPs extras como add-on, Premier sob consulta, excedente cobrado por e-mail); a documentação de aquecimento de IP do SendGrid (cronograma automático do dia 0 ao dia 41 e a razão de reputação com os provedores); e as diretrizes do Google para remetentes de e-mail, com as exigências obrigatórias desde 1º/02/2024 para quem envia 5 mil mensagens ou mais por dia ao Gmail — SPF, DKIM, DMARC, DNS reverso, TLS, descadastro em um clique e taxa de spam abaixo de 0,30%. Formato, cidade e condição da imersão de infraestrutura são os que estão na página da imersão.