Eu quebrei, fiquei sem dinheiro pro aluguel e fui pedir emprego. O cara olhou o meu currículo e disse: "não dá pra te colocar aqui dentro, você vai empreender". Foi o melhor não que eu levei na vida.
Resposta rápida: falta de vaga pode ser a maior oportunidade da sua carreira — foi na minha. Eu levei um não numa entrevista com uns 22 anos, quebrado, e o dono da escola me explicou o motivo: quem sabia fazer o que eu sabia fazer ia acabar saindo pra empreender. Hoje eu devolvo esse mesmo conselho pra você, e com uma vantagem que eu não tinha: as empresas estão trocando assinatura de software por sistema feito em casa, o custo de construir desabou, e abrir empresa no Brasil leva 23 horas em média. O que falta pra você quase nunca é código — é o fluxo inteiro: colocar em produção, vender, se posicionar e fazer contrato direito.
Gravei esses 12 minutos em 31 de julho de 2026, no canal @josimarjmv. Meus vídeos não são editados: tem um corte no começo, um no fim, e o resto é direto, com duas câmeras. Às vezes você me vê tomando água ou pigarreando — peço desculpa, mas é assim que eu consigo gravar rápido pra você. Assista e leia junto: aqui embaixo eu conto a mesma história por escrito, com os números conferidos um mês e meio depois.
🎧 PREFERE OUVIR? · 13 min
Este artigo também é um episódio do podcast Josimar JMV | Em Produção — o mesmo vídeo, só o áudio, normalizado pra fone.
Meu nome é Josimar, eu sou CEO de uma empresa de tecnologia e tenho CNPJ desde os 18 anos de idade. Hoje eu toco uma operação de live, transmissão e vídeo sob demanda que atende rádio, comunicação e educação em 18 países. Quem está falando com você não é papagaio digital repetindo manchete de carreira: é gente que paga a folha no quinto dia útil e que já sentou dos dois lados da mesa de entrevista.
Digo isso porque o que vem agora é uma história pessoal, e história pessoal sem endereço vira conversa de coach. O meu endereço é esse.
Eu montei empresa muito cedo, e ninguém me ensinou a parte que quebra: gestão, administração, marketing, venda, produto. Eu sabia a parte técnica. Faltou um Josimar de 42 anos pra me ajudar — e é exatamente por isso que eu escrevo esse texto.
Então numa dessas vezes eu quebrei. E quebrar não é a palavra bonita de LinkedIn: eu fiquei sem grana pra pagar as contas de casa. Aluguel. O básico do básico. Eu tinha uns 22 anos — 20, 22, por aí.
Aí veio a única coisa que vem quando o boleto chega antes da ideia: "poxa, vou procurar uma vaga". Como eu já entendia bastante de fazer site, de desmontar máquina, dessa coisa errada toda, eu pensei em dar aula. Peguei meu currículo e fui em todas as escolas da cidade, uma por uma. Algumas me receberam.
Uma dessas conversas foi diferente. O cara era dono de uma escola grande da cidade na época, e é uma pessoa que eu admiro e conheço até hoje — tanto que, anos depois, eu fiz um curso com ele, e recomendo.
Ele olhou pra mim, olhou pro currículo, fez umas perguntas maldosas pra entender o que eu sabia fazer de verdade — aquela maldade boa, que quem contrata precisa ter e que eu ainda não tinha. Aí ele virou pra mim e falou mais ou menos assim:
"Josimar, vou te falar: não dá pra eu te colocar aqui dentro, não. Um cara que sabe fazer o que você sabe fazer, é só encontrar o caminho certinho, se encaixar, e você vai empreender. Você não vai ficar aqui muito tempo. Se eu te trago pra cá, eu gero uma expectativa enorme nos meus alunos — porque você entende demais, apesar de novo — e depois você entra e sai, e vira um transtorno grande pra mim. E tem outra: assim que você começar a fazer as suas coisas, eu não vou dar conta de te pagar. Claramente."
Aquilo me impactou demais. Demais. Porque quando a gente está apertado, a gente não pensa direito — a conta vem primeiro, o boleto vem primeiro, não tem como. E ele me deu, de graça, uma coisa que eu não estava conseguindo ver sozinho: o meu problema não era falta de vaga, era falta de caminho.
Eu lembrei dessa história agora, vendo tanta gente boa tentando entrar no mercado e não conseguindo. Foi por isso que eu gravei o vídeo, e é por isso que eu escrevo isso aqui.
Deixa eu ser justo com o tamanho do problema, porque eu não gosto de fingir que está tudo bem nem de apavorar ninguém. O cenário é esse: layoffs nas grandes, dificuldade absurda pra estágio e júnior entrarem, e CEO falando publicamente que substituiu o pipeline de um programador júnior por inteligência artificial. Quem mais tinha vaga há poucos anos é quem mais fechou a porta.
Eu vivi isso dos dois lados, e já contei aqui sem passar a mão na minha própria cabeça: eu também parei de contratar júnior por um tempo, e expliquei o motivo e o preço que isso cobra do mercado. Sobre o corte em si, eu já escrevi o que eu faria hoje pra não rodar numa demissão em massa.
E olha, eu vou repetir o que eu sempre falo pra não ser mal interpretado: eu não estou apavorando desenvolvedor. Eu falo dos preguiçosos. O dev chinelinho vai ter que largar o chinelinho e estudar de verdade, porque o funil aperta todo ano, igual acontece em qualquer mercado que fica concorrido. Quem estuda, fica.
Agora a parte que quase ninguém está olhando, e que é a razão desse texto existir.
As empresas de software grandes estão perdendo mercado. Quando eu gravei, o número que eu tinha na mão era de mais de 200 bilhões de dólares a menos de arrecadação e valor nas empresas de assinatura — Salesforce, HubSpot, essa turma. Conferindo pra escrever aqui, a conta ficou ainda maior, e eu abri tudo com fonte e data em 232 bilhões a menos no SaaS: eu cancelei 13 assinaturas.
E por que isso te interessa? Porque o dinheiro não evaporou, ele mudou de lugar. Veja o meu caso: eu sou uma empresa de stream de vídeo, mas pra minha empresa rodar eu preciso de software de marketing, de vendas, de automação, de suporte, de monitoramento e observabilidade. Um monte de assinatura. A regra do empreendedor sempre foi: foca no que você faz e o resto você contrata — eu contratava porque não tinha braço, mesmo gostando de desenvolver. Eu já cheguei a ter 17 desenvolvedores aqui dentro, e ainda assim contratava.
Só que hoje, com inteligência artificial, qualquer um pode fazer quase qualquer software — com aspas e reticências no começo e no fim, viu? Se os softwares grandes estão perdendo espaço pro software pequeno feito dentro de casa, abre uma janela pra quem desenvolve: criar o seu produto, o seu SaaS, o seu sistema, e vender.
Eu nunca contratei implementação de sistema gigante e nunca fez sentido pra mim. Você pega uma Totvs da vida: a implementação custa R$ 80 mil, R$ 200 mil. Um negócio surreal. Eu sempre fiz em casa. A diferença é que, antes, fazer em casa exigia time. Hoje exige muito menos — e é aí que você entra.
Tem uma coisa que eu falo no vídeo e que eu quis checar com dado antes de repetir por escrito: nunca na história foi tão fácil começar. Fui atrás da fonte oficial.
No Mapa de Empresas do governo federal, consultado por mim em 17 de setembro de 2026: o Brasil tem 25,4 milhões de empresas ativas, o tempo médio pra abrir uma empresa é de 23 horas, e 73,7% abrem em menos de um dia. Só em julho de 2026 — o mês em que eu gravei esse vídeo — foram 485 mil empresas abertas no país. Os tempos de abertura estão no painel da Redesim, também oficial.
Guarda esse número com a ressalva que ele merece: 23 horas é o tempo de abrir, não o tempo de dar certo. Começar ficou banal. Manter é que continua sendo trabalho — e é exatamente por isso que a parte difícil não é o CNPJ nem o código.
Essa é a frase que eu quero que você leve daqui, porque ela é a mais honesta que eu sei dizer sobre inteligência artificial e carreira.
Naquilo que você já faz bem, a IA te catapulta. E naquilo que você não gosta, não quer fazer ou é ruim de fazer, ela te deixa mediano. Mediano é medíocre, é estar na média — e está tudo bem, porque a maior parte do que trava um negócio pequeno é tarefa que só precisava de "na média" e de estar pronta. Toda hora que você esbarra numa coisa que você sempre procrastina, você pede ajuda pra IA fazer com você ou por você. Eu faço isso todo dia: já contei como eu boto a IA pra fazer o que eu odeio e como cada um sobe um degrau com ela.
O que ela não faz: te tornar excelente em tudo. Quem acha que vai montar SaaS sério só apertando enter já sabe como termina — eu escrevi sobre o golpe do "MicroSaaS em 2 dias".
Aqui é onde eu vejo gente boa travar, e é a parte que ninguém posta no feed.
Primeiro, o lado técnico de verdade. Você precisa entender o fluxo e o pipeline inteiro de tirar um software do zero e colocar em produção de forma minimamente confiável: deploy, segurança, observabilidade, escala, condição de corrida. Talvez você seja só desenvolvedor de frontend e nunca tenha visto nada disso de perto — sem drama, mas é isso que falta.
Segundo, o lado que não é código. Como você vende, como você se posiciona, o que você precisa deixar amarrado pra não ter problema depois. Se você não fizer proposta e contrato bem feitos, você pode ter prejuízo, pode tomar cano e não receber, pode ter dor de cabeça no sábado, no domingo e de madrugada — e nenhuma inteligência artificial resolve isso pra você. Preço muito baixo mata o seu negócio; preço muito alto te tira do jogo. E querer disputar tráfego pago com o país inteiro logo de cara é o jeito mais caro de descobrir isso.
Tem uma vantagem escondida que eu quero que você enxergue hoje.
O desenvolvedor que trabalha em empresa média ou pequena costuma ter uma vantagem enorme sobre o que está na gigante: ele entende o produto inteiro. Ele viu o banco, viu o deploy, ouviu o cliente reclamar, sabe o que quebra na sexta à noite. Já quem trabalha num ecossistema muito fechado recebe uma issue, desenvolve aquela issue, e não domina o produto — às vezes só a comunicação com a API do mobile, só um pedaço do back-end.
Não é demérito de ninguém: é o desenho da vaga. Mas na hora de empreender, quem viu o fluxo inteiro já tem a cabeça formada pra isso. Se você está na empresa pequena reclamando que faz de tudo: você está sendo pago pra aprender o que os outros vão ter que comprar depois.
Pra fechar sem romantizar: eu nunca recebi aporte financeiro de investidor nenhum. Tudo aqui foi feito com o meu suor, o meu dinheiro e o caixa gerado pela própria empresa. Isso se chama bootstrap, e é muito o perfil do empreendedor engenheiro — que não é o cara de venda.
O cara de venda quer trazer dinheiro pro negócio, crescer e vender a empresa. É outra vibe, e é legítima. A minha é outra: eu gosto de construir e de ficar. Eu digo isso porque você vai escolher um dos dois caminhos, e cada um cobra um preço diferente — o meu cobra tempo e paciência; o outro cobra o controle.
Se você quer ver como eu escolheria o negócio hoje, do zero, eu já listei o que eu montaria começando em 2026. E se o seu primeiro produto for site — que é a porta mais fácil de abrir na sua cidade —, a conta está aberta em fazer sites e faturar R$ 4 mil por mês.
Esse relato é da gravação de 31 de julho de 2026. No fim dela eu convido pra uma imersão de 15 de agosto de 2026, que custava R$ 970 e era um sábado inteiro, com a parte técnica de manhã e a de negócio e venda à tarde: era a primeira turma da Imersão de Sites, e ela já aconteceu. Então ignore a data e a condição que eu falo no vídeo — o que vale é o que está na página de cada imersão hoje. O número de "mais de 200 bilhões" das empresas de software também é daquele dia; a conta atualizada, com fonte, está no artigo do SaaS.
Sobre a parte que não cabe num artigo: eu não passo 20 e tantos anos de aprendizado num dia, mas eu passo o mapa — os meus erros, os meus acertos e como eu faço hoje, dentro da minha empresa, pra montar e vender um negócio digital. Se o caminho é vender site e montar a sua operação, é a Imersão de Sites; se é tirar um SaaS do papel, é a Imersão de SaaS; se é infraestrutura própria, é a Imersão de Infraestrutura. Data, preço e condição são os que estão em todas as imersões — é a página que vale, não o que eu falei numa gravação de julho.
TODA SEGUNDA · MEIO-DIA · AO VIVO
Discorda? Concorda? Tem um caso parecido? Aqui não tem caixa de comentário de propósito: segunda-feira, ao meio-dia, eu faço live no canal e a gente conversa sobre isso ao vivo — sem corte, como sempre.
Baseado na gravação do canal @josimarjmv publicada em 31/07/2026 (12min49), com transcrição própria das legendas do próprio vídeo. São da minha vivência: a quebra com uns 22 anos, a busca de vaga escola por escola, o não que eu levei do dono da escola (e o curso que eu fiz com ele anos depois), o CNPJ desde os 18 anos, os 17 desenvolvedores que eu já tive, as assinaturas de software que eu pago pra operar, os 18 países e o bootstrap sem nenhum aporte. Os dados de abertura de empresa são checagem minha, feita em 17/09/2026, no Mapa de Empresas e no painel de tempos de abertura da Redesim, ambos do governo federal: 25,4 milhões de empresas ativas, 485 mil aberturas em julho de 2026, tempo médio de 23 horas e 73,7% em menos de um dia. O número das empresas de software que eu cito de cabeça é o que eu tinha no dia da gravação e está corrigido, com fonte, em outro artigo daqui. Data, preço e condição de cada imersão são as que estão em todas as imersões.