A brincadeira virou rotina: qual SaaS morreu hoje? Só que esse prejuízo não é dinheiro que evaporou — é dinheiro que mudou de lugar. E eu sou um dos que mudaram.
Resposta rápida: a inteligência artificial não matou o software — ela quebrou o preço de fazer software, e com isso derrubou o valor de mercado de quem vivia de vender assinatura. Eu vejo isso de dentro: já paguei 12, 13 assinaturas simultâneas pra manter a minha operação, e hoje boa parte disso roda em sistema que a minha equipe fez. O dinheiro não sumiu, ele saiu do boleto da Salesforce e foi parar em desenvolvimento. Se você desenvolve, esse é o melhor cenário que você vai ver na sua carreira — desde que você venda na sua região, porta a porta, em vez de brigar por clique no mar vermelho do tráfego pago.
Gravei esses 12 minutos em 1º de agosto de 2026, no canal @josimarjmv. Meus vídeos não têm edição: é uma câmera aqui e uma câmera ali, um corte no começo e um no fim, mais nada. Faço assim porque transparência hoje é essencial — você precisa saber que não está falando com IA nem com papagaio digital lendo teleprompter. Assista e leia junto: aqui embaixo eu conto a mesma coisa por escrito, com os números conferidos um mês e meio depois.
🎧 PREFERE OUVIR? · 12 min
Este artigo também é um episódio do podcast Josimar JMV | Em Produção — o mesmo vídeo, só o áudio, normalizado pra fone.
Eu sou CEO de uma empresa de tecnologia — dono, diretor, do jeito que você quiser entender. Coordeno infraestrutura e um CDN de entrega de vídeo, live e VOD, no Brasil e nos Estados Unidos. E eu tenho empresa desde os 18 anos de idade. São mais de 20 anos de mercado, então aqui não é papagaio digital repetindo manchete: é gente que paga a conta no quinto dia útil e que assina esses boletos de software todo mês.
Digo isso porque eu vou falar de um número grande, e número grande sem endereço vira conversa fiada. O meu endereço é esse.
Quem empreende tem um problema que ninguém avisa no começo: a necessidade de cada dia mais ferramenta. E não é problema de empresa de tecnologia, não. Você pode ter salão de beleza, consultório odontológico, ser cardiologista, advogado, dono de padaria — você vai precisar de software. Software pro CRM, pro recebimento, pra te ajudar na contabilidade. Se você cresceu um pouquinho, software pra marketing, pra venda, pra gestão da equipe.
Aqui dentro a conta foi essa, e eu lembro dela por item: uma assinatura só pra emissão de nota fiscal. Uma pra bot de atendimento. Uma, duas, três, quatro assinaturas de ferramenta pro time de marketing. Mais assinatura pro time de vendas. Mais uma, mais outra. Fazendo a conta por alto, eu cheguei a ter umas 12 ou 13 assinaturas simultâneas — simultâneas — só pra manter a operação rodando em todas as áreas.
Isso sempre foi um negócio que as grandes empresas venderam muito caro. Pega Salesforce, pega Totvs, pega HubSpot: gigantes que todo mundo conhece, com quem a gente já trabalhou, e cujo modelo é exatamente esse — mensalidade por usuário, pra sempre.
Quando eu pesquisei pra gravar, o prejuízo acumulado dessas empresas de software por assinatura estava na casa dos 232 bilhões de dólares. Olha que doideira: mais de um trilhão de reais em valor de mercado que virou pó. E eu falei na gravação que o número era esse e caindo.
Pois é. Conferindo pra escrever aqui, em 16 de setembro de 2026, eu preciso te dar a correção — e ela não é a meu favor, é pior do que eu disse. O mercado batizou o troço de SaaSpocalypse, e a conta reportada já não é a minha: fala-se em torno de dois trilhões de dólares de valor de mercado evaporado no setor de software, com o estouro concentrado no começo do ano, quando a bolsa se convenceu de que agente de IA faz o trabalho que a licença por usuário existia pra vender. Está no balanço do Seu Dinheiro de 11/02/2026.
No Brasil a coisa bateu igual. A Totvs, que eu citei de cabeça na gravação, acumulava queda de quase 30% em 2026 — matéria de 30 de julho, ou seja, publicada um dia antes de eu gravar. E faço questão de registrar o outro lado, porque eu não gosto de conta torta: vários bancos grandes acham que o mercado exagerou, e as empresas continuam faturando. A ação caiu; a receita, na maioria, não desabou junto.
Só que, pro nosso assunto, tanto faz quem tem razão na bolsa. O que interessa é o que fez o investidor ficar com medo — e o que fez ele ficar com medo foi exatamente o que eu fiz aqui dentro.
Essa é a frase que eu quero que você leve daqui. Na realidade o dinheiro não acabou: ele só transferiu. As empresas não estão colocando dinheiro nessas assinaturas — estão fazendo o software em casa.
As empresas que têm desenvolvedores, como a minha, estão abandonando assinatura e construindo os próprios sistemas internos. Por quê? Porque ficou muito barato de fazer. O que era um projeto de seis meses e um time inteiro hoje sai numa fração disso — eu mesmo já contei aqui a conta de break-even que eu fiz pra sair de uma mensalidade de R$ 1.100 e construir o meu, com os contras todos na mesa, porque essa troca não é automática nem é pra todo mundo.
Agora junta as duas pontas. Se milhares de empresas fazem esse mesmo movimento, o boleto que ia pro Vale do Silício vira hora de desenvolvimento. E hora de desenvolvimento é paga pra alguém. Esse alguém pode ser você.
Tem uma vantagem do software interno que quase ninguém fala, e eu vou falar com cuidado, porque é fácil entender errado.
Quando você faz software pra vender, um SaaS de verdade, você carrega um peso enorme: nuvem, escala, redundância, estratégia de VPN, camada de segurança pra dado de terceiro, plantão. Empresa grande, com filial no mundo inteiro, precisa disso tudo. Agora imagina uma pequena ou média empresa que tem uma sede só, e o sistema roda ali, local, atendendo exatamente aquela necessidade. Guardadas as devidas proporções, é outro jogo. A galera de TI pode fazer software que roda local e resolve a vida daquela empresa sem o circo todo.
O cuidado: leveza de arquitetura não é licença pra relaxar. Backup, controle de acesso, plano de quando o servidorzinho da sala pifar e LGPD continuam sendo problema seu, mesmo rodando dentro do cliente. O que muda é a escala da preocupação, não a existência dela. Quem confunde as duas coisas entrega aquele sistema que funciona até o dia em que não funciona — e eu já escrevi por que "MicroSaaS em 2 dias" não existe.
Isso abre um mar monstruoso de oportunidade pra quem desenvolve na sua região. E aqui vem o conselho que mais gente ignora: você não precisa entrar no mar vermelho.
Mar vermelho é o anúncio. O anúncio está cada vez mais caro — se você já fez tráfego pago alguma vez, você sabe; se não fez, eu te falo. E o motivo é estrutural: é uma tela só pra todo mundo. No Instagram, no TikTok, no Facebook, o inventário é o mesmo feed disputado por todo anunciante do seu público, diferente do Google, onde a pessoa navega e existe o seu site do lado.
Tem um dado brasileiro que fecha esse raciocínio e que eu confirmei pra escrever aqui: desde 1º de janeiro de 2026 a Meta repassa PIS/Cofins e ISS direto pro anunciante, o que encarece a campanha em 12,15% — R$ 1.000 de verba viram R$ 1.138,30 de despesa, antes de qualquer leilão. O leilão, esse, sobe sozinho.
Um dos maiores erros de quem começa um SaaS é achar que resolve isso com cursinho de tráfego pago de influência. Às vezes o cara comprou 100 mil seguidores, fez um monte de postagem rápida e em três meses virou autoridade pra te vender curso de marketing digital. Aí você compra, e descobre que marketing não é tão pequeno assim. Ou você contrata aquela assessoria de logomarca vermelha que se diz a maior do país e, quando dá tudo errado, a resposta é uma só: investe mais dinheiro. Não deu certo porque tem que botar mais. Como é que eu sei disso? Eu já vivi isso na prática, no dia a dia.
A saída é o contrário do que vendem pra você. Porta a porta. Sim, porta a porta.
Você, na sua cidade, na sua região, consegue fazer algo que nenhuma inteligência artificial vai fazer no mundo: bater na porta de uma pessoa, conversar com ela pessoalmente, vender o seu produto olhando no olho, pedir a oportunidade de construir um sistema junto com alguém da sua confiança. Fazer sob medida. Essa é a parte que não dá pra automatizar, e é justamente a parte que ficou mais valiosa agora que escrever código ficou barato.
Então você que é desenvolvedor, ou que quer desenvolver, está com uma oportunidade rara. Está com ouro na mão. Está com a faca, o queijo e a goiabada — sou mineiro, respeita a goiabada. É pra fazer acontecer: montar o seu SaaS, construir a sua identidade na sua região. Se o seu caminho pra chegar no dono da empresa é começar pelo site dele, eu já abri a conta que eu faço pra faturar R$ 4 mil por mês fazendo site — é a mesma porta, com produto mais barato de entregar.
Eu acredito muito na regionalização de sistema, e o motivo é cultural. A gente tem praticamente cinco continentes diferentes dentro do Brasil — concorda comigo? Olha a diferença de cultura do Sul pro Nordeste, do Mato Grosso pro Sudeste, do Norte pra qualquer um deles. São realidades muito diferentes.
E processo de empresa segue cultura. O jeito de vender, de cobrar, de dar desconto, de tratar o cliente que entra na loja: nada disso é igual de uma ponta à outra do país. É por isso que o sistema genérico, feito pra servir todo mundo, sempre atende mais ou menos — e é por isso que quem está ali dentro ganha. Eu já listei os negócios digitais que eu montaria do zero hoje, e o SaaS regional é o que eu mais defendo entre eles, exatamente por essa razão.
Agora a parte chata, que é onde eu vejo gente boa travar. Pra ter o seu SaaS regional não basta a inteligência artificial e a vontade: você precisa entender todo o fluxo do que é empreender. E quando a pessoa tem só a visão do desenvolvimento — e eu digo isso sem nenhuma intenção de desqualificar, porque eu adoro desenvolver, eu sou o cara do produto também —, falta todo o resto.
Se você não aprende a vender, colocar no ar, se posicionar e ser encontrado, sobra só uma saída: abrir a torneira do dinheiro. E marketing é maravilhoso — eu peguei um negócio pequenininho, numa cidade do interior de Minas Gerais, e levei pra 18 países com marketing digital. Mas eu vou abrir a minha conta: eu devo ter gasto mais de um milhão de reais nisso. E você acha que eu acertei tudo? Claro que não. Errei para caramba, em várias coisas. O meu dinheiro sempre foi contadinho, e eu paguei caro pra aprender.
Esse relato é da gravação de 1º de agosto de 2026, e no fim dela eu convido pra uma imersão no dia 15 de agosto, com a parte de produto de manhã e a de negócio e venda à tarde. Essa turma já aconteceu — foi a primeira turma da Imersão de Sites, em 15/08/2026. Então ignore a data que eu falo no vídeo: condição, formato e data valem pelo que está na página de cada imersão, não pelo que eu disse numa gravação de um mês e meio atrás. O número dos 232 bilhões também é daquele dia; a conta atualizada está lá em cima, com a fonte e a data.
Sobre a parte que eu não consigo te passar em um artigo: eu não passo 20 anos de aprendizado num dia, mas eu passo o mapa — o que eu errei, o que eu acertei e a estratégia que eu uso hoje pra lançar produto com custo baixo. A parte de tirar um SaaS do papel, técnica e de negócio, é a Imersão de SaaS; se o seu caminho é infraestrutura própria, é a Imersão de Infraestrutura. Data, preço e condição são os que estão em todas as imersões — é a página que vale.
TODA SEGUNDA · MEIO-DIA · AO VIVO
Discorda? Concorda? Tem um caso parecido? Aqui não tem caixa de comentário de propósito: segunda-feira, ao meio-dia, eu faço live no canal e a gente conversa sobre isso ao vivo — sem corte, como sempre.
Baseado na gravação do canal @josimarjmv publicada em 01/08/2026 (12min19), com transcrição própria das legendas do próprio vídeo. São da minha vivência tocando a JMV Technology: as 12 a 13 assinaturas simultâneas e o que cada uma fazia, a empresa desde os 18 anos, o CDN de live e VOD no Brasil e nos Estados Unidos, a assessoria que mandava investir mais quando dava errado, o salto de uma cidade do interior de Minas pra 18 países e o mais de um milhão de reais gasto em marketing. Os números de mercado são checagem minha, feita em 16/09/2026, e estão datados no texto: o balanço do setor de software em Seu Dinheiro, 11/02/2026; a queda da Totvs em Empiricus, 30/07/2026; e o repasse de tributos da Meta em E-Commerce Brasil, válido desde 1º/1/2026. Os 232 bilhões de dólares são o número que eu tinha na mão no dia da gravação; a conta atual está corrigida no texto. Eu não sou consultor de investimento e nada aqui é recomendação de compra ou venda de ação. Data, preço e condição de cada imersão são as que estão em todas as imersões.