Eu ia pagar R$ 1.100 por mês de RD Station e resolvi fazer o meu. Deu certo — só que eu tinha 17 desenvolvedores dentro de casa. Você talvez tenha zero. Aqui está a conta que eu faço antes de decidir, e onde essas ferramentas cobram caro depois.
Resposta rápida: se é só pra economizar a mensalidade, quase sempre não compensa — faça a conta de quanto vale a sua hora vezes as horas que você vai gastar, e compare com o que você paga hoje. Se o sistema gera valor que o seu concorrente não tem, aí sim vale desenvolver o seu. E tem uma regra que eu não abro mão: software feito em ferramenta de abstração (Lovable, Manus, n8n, artifacts) é pra usar dentro da sua empresa, não pra vender pros outros — quando você vende, entra LGPD, Procon e responsabilidade jurídica, e a conta de infraestrutura estoura.
Dezesseis minutos que eu gravei em 12/08/2026 no canal @josimarjmv. É um papo mais leve, sem entrar no técnico: eu falo de complexidade, de negócio e de até onde vale a pena, porque tudo isso envolve dinheiro e tempo. Assista e leia junto — aqui embaixo eu conto a mesma coisa por escrito, com os números que eu fui conferir depois.
🎧 PREFERE OUVIR? · 16 min
Este artigo também é um episódio do podcast Josimar JMV | Em Produção — o mesmo vídeo, só o áudio, normalizado pra fone.
Meu nome é Josimar, eu sou de uma empresa de tecnologia e trabalho com isso há mais de 20 anos. Tenho CNPJ desde os 18 anos de idade. Já passei por todos os estágios do setor de informática que você imaginar: venda, criação de site, venda e manutenção de hardware — e sim, já me corrigiram no canal por falar "hérre" em vez de hardware.
Hoje eu tenho uma empresa que fornece plataforma de vídeo pra 18 países, e eu coloco a mão na massa: cuido de infraestrutura, cuido do meu time de dev e criei sistemas autônomos que fazem hoje o trabalho de um dev júnior. Não é migué e não é CEO emocionado. Se você quiser levar a sério, o negócio está ficando extremamente sério.
Esse texto é pra quem quer construir um software e não entende muito de software. Se você é desenvolvedor, talvez nem faça sentido — ou faça, se você é um cara só de back-end ou de infra, que não quer mexer com front nem com escala.
Eu sempre fui um cara que gostou de trabalhar com software próprio. Toda vez que eu ia contratar um software, eu queria fazer o meu. Vou dar um exemplo real.
Fui contratar a RD Station, muitos anos atrás. R$ 1.100 por mês. Eu olhei aquilo e falei: "Nossa Senhora da Abadia, R$ 1.100 por mês, e o que é tanto de dev?". Falei: vou fazer o meu. E fiz — um mini RD Station pra atender a minha empresa.
Os prós foram os que eu esperava:
E as desvantagens, que são as que quase ninguém põe na conta:
A parte que muda tudo: eu tinha 17 devs aqui dentro quando tomei essa decisão. Quantos devs você tem? Talvez seja só você, "eu company". A mesma decisão, com equipe diferente, dá resultado diferente. Não copie a minha escolha; copie a conta.
Hoje eu estou vendo um enxame de gente usando Lovable, Manus, os sites do GPT, os artifacts do Claude. Eu chamo isso de abstração da abstração.
O que é abstração, no que eu quero dizer? É uma forma extremamente simples de fazer software. Você faz software sem entender nada. A plataforma cuida de banco de dados, back-end e front-end. Você arrasta, solta, às vezes bate um papo com a inteligência artificial — igual você bateria com uma pessoa — e ela cria o que você pediu. Você vai testando.
Isso é maravilhoso pra quem não entende nada e tem muitas ideias. Quantas e quantas pessoas já me procuraram pra fazer software: psicólogo, médico, contador, dentista. E eu falo: "Gente, eu não consigo fazer, porque só de custo de mão de obra aqui eu vou ter R$ 30 mil". Esse mesmo cara, hoje, com essas ferramentas, realiza o sonho dele, que é ter o software dele. E ele não precisa entender tecnicamente como as coisas funcionam pra isso — porque é a abstração da abstração. Ele faz um estudo bem superficial e se preocupa com o negócio.
Tem empresa fazendo o sistema operacional da empresa nisso: gestão de lead, jornada do cliente. As ferramentas conectam no seu banco de dados, conectam numa planilha do Excel. Falando nisso: o Excel virou um banco de dados muito usado pela galera agora, por causa da inteligência artificial. E não me entenda mal — funciona. Você exporta o extrato do banco e sobe no Excel, exporta os leads e sobe no Excel, manda a ferramenta cruzar as informações, ela te devolve um dashboard, uma gestão de pagamento, um esquema de cobrança de quem pagou e quem não pagou. Você manda conectar na API do WhatsApp e ela conecta. O n8n também é uma ferramenta de automação fantástica pra isso, inclusive pra automatizar dentro de um software que já existe.
O primeiro é o que mais dói: você vai ficar preso ali. É uma ferramenta que resolve o seu problema, sim, como qualquer ferramenta local resolve. Mas você fica preso nela. Pra sair, na prática, você faz uma importação manual e refaz o sistema do zero.
Sobre isso eu fui conferir agora, pra não falar por cima. Checagem minha em 12/09/2026: a documentação do Lovable sobre integração com Git diz que dá pra exportar e sincronizar nos dois sentidos com o GitHub — "changes made in Lovable sync to GitHub" — e que, se você desconectar, o repositório continua sendo seu, com todo o histórico e os arquivos. Ou seja: o código, em algumas dessas ferramentas, você tira. Não é isso que prende. O que prende é o banco de dados, o login dos seus usuários, as automações amarradas e as integrações que só existem lá dentro. A pergunta certa pra fazer antes de assinar qualquer uma não é "quanto custa", é "como eu saio daqui".
O segundo contra é a cobrança. Se você começar a ter muito uso, ela te cobra por requisição. O preço de entrada engana. Checagem minha, mesma data: a página de preços do Lovable trabalha com créditos e diz que o consumo "varia conforme a complexidade da tarefa" — não é uma mensalidade fixa com uso à vontade, é medidor rodando.
O terceiro é o custo por usuário, e esse mata a conta de quem cresce. Na última live — eu faço live toda segunda, das 11h ao meio-dia, e você está convidado — um cara que está sempre lá comigo me contou que trabalha numa empresa que desenvolve aplicativos com as ferramentas de app da Microsoft. Ele te dá toda a plataforma, toda a abstração, você desenvolve o aplicativo e publica direto nas lojas. Só que tem custo por usuário. Ele me falou um valor na faixa de cem, cento e vinte — eu não anotei e por isso não cravo o número dele aqui.
O que dá pra conferir é a tabela pública. Checagem minha em 12/09/2026: a página de preços do Power Apps lista o plano Premium a US$ 20 por usuário/mês no pagamento anual, e US$ 12 por usuário/mês num contrato com mínimo de 2 mil assentos. O número exato importa menos que a estrutura: é por usuário. Cada pessoa nova que entra no seu sistema te custa dinheiro todo mês, pra sempre. O seu sucesso vira a fatura do outro.
E tem um detalhe que eu preciso falar, porque vende-se o contrário por aí: essas ferramentas ainda são complexas de desenvolver. Não é tão simples assim. Uma coisa é o Manus, onde você manda um áudio e ele desenvolve. Outra coisa é Claude Code, Codex, as ferramentas de linha de comando. O Lovable também é muito usado, inclusive por gente grande. Elas abstraem demais — e abstração demais tem preço, só que ele chega depois.
Entenda isso, porque é a parte mais cara de aprender errado. A inteligência dessas ferramentas é serem quase um B2B interno: é pra você usar dentro do seu negócio. Você consegue fazer um software relativamente simples e rápido que atende a sua empresa. O que você não consegue é vender.
Foi por isso que eu gravei um vídeo sobre mais de 200 bilhões de dólares em queda — empresas como Salesforce, HubSpot e Totvs. E eu acho que continua caindo, porque com essa abstração qualquer empresa, qualquer pessoa minimamente curiosa, faz um software interno que resolve o problema dela e não precisa contratar. Olha que loucura. A galera de CRM está desesperada, e com razão: literalmente qualquer um hoje consegue fazer um software. Escrevi mais sobre esse deslocamento em SaaS virou commodity: o que estudar em 2026.
Agora, não queira colocar um negócio desses em produção pra vender pros outros. Vai ficar extremamente caro. E não é só o custo — muda o nível de responsabilidade, o que eu já vi gente descobrir do pior jeito em promessa de microSaaS pronto em dois dias.
Quando você vende pros outros, o nível de responsabilidade aumenta. Você tem que prestar conta pro seu cliente. Você tem que prestar conta pra LGPD. Você tem que prestar conta pro Procon. E em caso bem extremo, você presta conta pra justiça, se o seu software não estiver adequado. É bem sério.
Isso não é figura de linguagem minha. Checagem minha em 12/09/2026: o artigo 42 da LGPD (Lei 13.709/2018) diz que o controlador ou o operador que, no exercício de atividade de tratamento de dados pessoais, causar a outrem dano patrimonial, moral, individual ou coletivo, em violação à legislação de proteção de dados, é obrigado a repará-lo. Quem opera dado de cliente responde. Não existe "é só um sisteminha".
Então bota isso na cabeça como duas coisas diferentes:
E repare: todas essas plataformas que você contrata têm rigorosamente tudo aquilo que eu te descrevo quando falo de subir software de maneira confiável. Elas não cobram caro à toa — elas carregam a parte que você não está vendo. Quem nunca sentiu isso na pele costuma ter medo de subir em produção, e o medo é justamente a falta dessa base.
Então: vale a pena criar o seu software ou contratar? Qual é o break-even desse negócio? Eu faço a conta assim, nessa ordem:
Sobre volume, o número que eu uso como referência pra pequena e média empresa é: mil clientes pra trás, fazer o seu costuma sair muito mais barato que a assinatura, e você ainda ganha personalização — uma feature, um monitoramento, um detalhe que atende o seu negócio sem grande custo. Mas pesquise o custo da sua ferramenta: custo por usuário, custo por aplicação, custo de manutenção mensal. Isso muda de plataforma pra plataforma.
Se você formatou a ideia, funcionou pra você e deu boa, o próximo passo é claro: estudar mais pra subir a sua plataforma de verdade, num ambiente de produção de verdade. O primeiro estágio é Lovable, Manus, essas coisas. O segundo é o avançado — e é onde mora a diferença entre um sisteminha que te atende e um produto que você vende.
Esse segundo estágio é infraestrutura, e não tem como fugir dela. É o assunto de infraestrutura como o novo superpoder da era da IA e de por que eu não alugo VM na nuvem pra automação interna.
Talvez no futuro eu até faça aulas gratuitas sobre o primeiro estágio, porque pra mim é um treino muito bobo — bobo no sentido de simplicidade técnica. É extremamente simples. Você não precisa comprar curso pra isso. No YouTube tem curso e aula de graça pra usar Manus, Lovable, Gemini.
E aí eu vi um absurdo esses dias. Printei o anúncio de tão revoltado que eu fiquei: uma faculdade — uma faculdade séria — anunciando patrocinado na Revista Exame um pacote por R$ 37 pra você dominar Manus, Claude, NotebookLM, ChatGPT, ElevenLabs, HeyGen, Descript, GPT Maker, Kling e o Google Flow.
Olha, R$ 37 é barato. Se eles realmente ensinam a usar tudo aquilo, talvez valha — eu retiro o que eu disse, pra quem não entende nada de nada. Mas eu mantenho a minha posição: eles estão monetizando um conteúdo que é de graça no YouTube. Você não precisa pagar. Procure "curso completo de Manus" no YouTube. Procure em inglês também — tem muito gringo com vídeo bacana, e hoje o YouTube traduz não só a legenda, mas o idioma do áudio, então você acompanha em português.
Porque a gente está na era dos papagaios digitais: o povo pega conteúdo lá fora, traz pro Brasil e faz o mesmo conteúdo. Eu já contei como eu filtro isso em 100 vídeos por hora.
Se você quer entender o segundo estágio comigo: eu tenho imersões pra isso. Uma é a Imersão de Sites — uma fábrica de sites, onde você aprende a fazer um site por dia se precisar, com pipeline completo e a parte de negócio junto: como posicionar, como vender, como apresentar pro cliente, contrato, fluxo e distribuição. A outra é a Imersão de SaaS: você tem ou quer criar o seu software e quer colocar ele online pra venda — um dia inteiro explicando produção, o pipeline na prática e, por fim, negócio. Porque não adianta ter um software lindo: o que mais vende não é o melhor, é o que mais aparece. Como eu me posicionei e como eu cheguei em cliente no mundo inteiro saindo de uma cidadezinha do interior, eu levo junto. Tenho ainda chatbot e infraestrutura. Condição, data, preço e formato de cada uma estão em todas as imersões — é a página que vale, não o que eu falei num vídeo.
Nota de cronologia (importante). Esse relato é do vídeo que eu publiquei em 12/08/2026. Preço de ferramenta muda toda hora: os valores de Lovable e Power Apps aqui em cima são checagem minha em 12/09/2026, na página oficial de cada uma, e podem ter mudado depois que você está lendo isso — confira na fonte antes de decidir. O valor por usuário que me contaram na live eu não cravo, porque não anotei. E data, preço e condição das minhas imersões você olha em todas as imersões, nunca por este artigo nem pelo vídeo.
TODA SEGUNDA · MEIO-DIA · AO VIVO
Discorda? Concorda? Tem um caso parecido? Aqui não tem caixa de comentário de propósito: segunda-feira, ao meio-dia, eu faço live no canal e a gente conversa sobre isso ao vivo — sem corte, como sempre.
Baseado no vídeo do canal @josimarjmv publicado em 12/08/2026 (16min07), com transcrição própria das legendas do próprio vídeo. O caso da RD Station a R$ 1.100 por mês, o mini RD Station que eu fiz, os 17 devs, os R$ 30 mil de custo de mão de obra, o CNPJ desde os 18 anos, a plataforma de vídeo em 18 países, a live de toda segunda das 11h ao meio-dia e o anúncio de R$ 37 que eu printei são da minha vivência tocando a JMV Technology. Conferido por mim em 12/09/2026: a documentação do Lovable sobre integração com Git (exportação e sincronismo nos dois sentidos com o GitHub, repositório permanece seu ao desconectar); a página de preços do Lovable (cobrança por créditos, consumo variável conforme a complexidade da tarefa); a tabela do Power Apps (Premium a US$ 20 por usuário/mês no anual, US$ 12 com mínimo de 2 mil assentos); e o artigo 42 da Lei 13.709/2018 (LGPD) sobre a obrigação de reparar dano patrimonial, moral, individual ou coletivo. O valor por usuário citado na live não é cravado aqui porque eu não anotei o número. Condição, data e preço de cada imersão é a que está em todas as imersões.