Procrastinação: eu boto a IA pra fazer o que eu odeio
Eu detesto fazer migração. E migração é justamente o que eu não posso terceirizar aqui dentro. Então eu parei de brigar comigo mesmo: montei uma skill, ela toca o processo, eu leio relatório e valido por amostragem. Aqui está o método inteiro.
🎧 PREFERE OUVIR? · 8 min · Podcast Em Produção
Este artigo também é um episódio do podcast Josimar JMV | Em Produção — o mesmo vídeo, só o áudio, normalizado pra fone.
Gravei oito minutos sobre isso em 12/09/2026 no canal @josimarjmv — direto, como se fosse ao vivo, nas duas câmeras, sem corte. Assista e leia junto: aqui embaixo eu conto a mesma coisa por escrito, com mais calma e com os percentuais da amostragem na mão.
eu não venci a procrastinação na força de vontade — eu tirei a tarefa chata da minha frente. O método é este: (1) identifique qual é a tarefa que você empurra com a barriga; (2) se ela é única e rápida, tire um dia e faça na primeira hora; (3) se ela se repete — ou é única mas gigantesca, de semanas —, automatize com uma skill bem-feita, task agendada ou crontab; (4) nunca confie sem validar: receba relatório e confira por amostragem em 10%, 30% e 40%, com o primeiro e o último item sempre obrigatórios.
Minha carteirada, pra você saber de onde vem isso
Meu nome é Josimar e eu tenho uma empresa de tecnologia. Eu sou o que a gente chama de CEO mão na massa: eu e a minha equipe validamos ferramenta, validamos IDE e cuidamos de suporte a operações complexas, com milhões de views todos os dias, com CDN no Brasil e nos Estados Unidos.
Falo de procrastinação porque eu sou o cara que tem que entregar. No quinto dia útil eu tenho que pagar a conta, e a tarefa que eu empurro com a barriga não deixa de existir por isso — ela só chega mais tarde e mais cara. Não é teoria de coach; é rotina de quem toca operação.
Ninguém gosta de fazer tudo — e isso não é frescura
Uma coisa que eu observei, e que é um grande problema nosso, de ser humano: a gente não gosta de fazer tudo. Ninguém gosta. Todo mundo esbarra numa coisa e fala "ah, nem, preguiça de fazer isso".
É engraçado de ver dentro de um time. O front olha o back e fala "nem". O back olha o front e fala "nem". Os dois olham a infra e falam "nem". É isso. Todo mundo tem ali o seu quadrado do que não gosta, aquilo que é chato pra caramba e que não faz parte do dia a dia que a pessoa gostaria de ter.
E olha que curioso: a psicologia acadêmica chega no mesmo lugar. Checagem minha em 13/09/2026: a meta-análise "The Nature of Procrastination", de Piers Steel, publicada no Psychological Bulletin em 2007, aponta a aversão à tarefa — junto com impulsividade, autoeficácia e conscienciosidade — entre os preditores mais fortes de procrastinação. Ou seja: você não adia porque é preguiçoso, você adia porque a tarefa é chata pra você. Isso muda o remédio de lugar. Se o problema é a tarefa, mexa na tarefa — não na sua autoestima.
A minha tarefa odiada tem nome: migração
No meu caso é específico e eu já fiz muitas vezes: eu detesto fazer migração. E não é birra. Migração é um negócio complexo de fazer:
- Não pode gerar fricção. O cliente não pode sentir que mudou de casa.
- Tem que ser transparente. Nada pode sumir, nada pode chegar quebrado do outro lado.
- Tem que gerar valor maior pro cliente na hora de migrar. Se ele sai igual, não valeu.
- Tem as maldades. Toda migração tem aquele caso torto que só aparece no meio do caminho.
E tem o agravante: quando a migração envolve infraestrutura, banco de dados e todo tipo de análise, eu participo diretamente. Eu quero ver o que está sendo feito. Então não é uma tarefa que eu delego e esqueço — é uma tarefa que eu odeio e que exige o meu olho.
Resultado: eu ficava jogando pra amanhã uma tarefa que tem data pra acontecer. Essa é a pior combinação que existe.
Por que eu não contrato alguém pra fazer no meu lugar
A pergunta óbvia é: por que você não põe alguém nisso? Eu já comentei isso no canal e repito aqui, porque é a verdade da minha empresa: eu não tenho hoje um cara pra me substituir aqui.
Esse profissional vai me custar 300, 400, 500 mil por ano. Eu não tenho essa grana pra pagar hoje. E mesmo que eu tivesse — corta daqui, corta dali —, ainda tem um problema: esse cara tem vaga na Amazon, no Google, nesses lugares. O cara vai trabalhar na JMV Technology ou no Google? Pois é.
Então eu tenho esses poréns. E é exatamente por causa deles que eu fui pro caminho de construir sistemas autônomos que fazem hoje o trabalho de um dev júnior. Não é modinha de IA: é a saída que sobra pra quem tem operação grande e folha pequena.
O que eu fiz: uma skill pra migração e o relatório vindo até mim
A partir daí, o que eu fiz foi simples de descrever e trabalhoso de montar: eu fiz as minhas skills pra aquele processo de migração, com crontab rodando e eu ajustando. Basicamente eu botei a IA pra fazer aquilo que eu não gosto de fazer.
A palavra-chave aqui é "uma skill extremamente bem-feita, bem arrumadinha". Não é abrir um chat e pedir "faz a migração". É escrever o processo direito, com as regras, os limites e o que reportar. O trabalho pesado é esse — e ele é pago uma vez.
Depois disso, o meu papel mudou de figura: eu monitoro. Ela vai me mandando relatório. No meu caso é um processo de migração denso — são dezenas de milhares de e-mails de cliente sendo migrados. Ao final do relatório eu tenho os pontos que eu vou usar, e aí eu vou lá checar.
Repare na troca que aconteceu: eu prefiro ficar lendo relatório do que ficar mexendo com migração. A tarefa continua sendo minha, mas o formato dela virou uma coisa que eu tolero. Isso é o jogo inteiro.
O que eu não te prometo: que a tarefa chata some. Ela não some. Eu ainda dou aquele suspiro de "agora eu tenho que fazer isso" — o que caiu dramaticamente foi o volume do que eu tenho que fazer na mão. Se alguém te vender "automatize e nunca mais trabalhe", desconfie: eu já escrevi aqui que a automação não me deu tempo livre — ela me deu tempo melhor gasto, que é outra coisa.
A validação por amostragem: 10%, 30%, 40% — primeiro e último obrigatórios
Aqui está a parte que quase ninguém conta quando fala em automatizar. Automatizar sem validar é trocar trabalho por risco. Então o meu fluxo tem três camadas:
- 1. Eu já fiz o fluxo manual antes. Eu só automatizo o que eu já validei na mão. Não dá pra escrever uma skill boa de um processo que você nunca executou.
- 2. Uma outra skill checa o trabalho da primeira. Quem faz não é quem confere. É a mesma lógica de qualquer operação séria.
- 3. Eu ainda faço validação por amostragem. Quem trabalha com estatística sabe que, com volume muito grande, amostragem é a ferramenta certa.
E a amostragem eu faço assim: 10%, 30%, 40% da massa. O primeiro e o último são obrigatórios — sempre. E aí você coloca uns pontos pra checar no meio do caminho. Com dezenas de milhares de contas de e-mail, conferir uma a uma é impossível; conferir bem distribuído é viável e pega o que interessa.
Esse é o contrário do vale-tudo. É por isso que eu não tenho medo de subir em produção: o medo, na maioria das vezes, é a falta desse processo de conferência.
Não é só migração: o seu SaaS está cheio de tarefa que você odeia
Vou sair do meu caso e ir pro seu. Você é dev e vai colocar o seu SaaS em produção pra vender. Cara, você tem um caminhão de coisa pra fazer que talvez você não faça a menor ideia de como se faz:
- Mapa de calor, pra saber se o cara está usando.
- Monitoramento de tudo, inclusive monitoramento do usuário.
- Marketing. Venda. Pós-venda.
- Comunicação clara do seu funil de venda, do funil de pós-venda e do funil de retenção — pra quando alguém some, cancela, essas coisas.
Tudo isso é chato pra muita gente. Pra outras, não — tanto que são departamentos separados nas empresas. Só que você não tem departamento; você tem você. E é aí que a IA entra: você consegue montar um fluxo desses.
Não vai ser o melhor fluxo do mundo, porque você não é especialista da área, com certeza. Mas vai ser um fluxo pelo menos mediano. E mediano funcionando é infinitamente melhor que excelente que nunca saiu do papel. Se você está nesse ponto, eu já escrevi sobre quando vale contratar um SaaS e quando vale fazer o seu.
Onde isso roda: task agendada, crontab e n8n
Ferramenta pra isso não falta, e a maior parte você já tem:
- As tasks das próprias ferramentas de IA. Codex, Claude Code — todas elas têm tarefa agendada que você pode utilizar.
- O bom e velho crontab. Sim, tarefa agendada em crontab, rodando de 15 em 15, de 20 em 20 minutos. Dá pra fazer crontab local aqui no seu Mac; o Windows tem tarefa agendada.
- Automação visual. A galera de automação conhece isso pelo n8n, que é fantástico pra amarrar as pontas.
E repare que nada disso exige nuvem. É a mesma lógica de por que eu não alugo VM na nuvem pra automação interna: se roda na sua máquina, roda na sua máquina.
Estratégia 1 — tire um dia e faça na primeira hora
Tem coisa que não dá pra automatizar, e pra essas eu tenho uma estratégia que funciona comigo: fazer logo na primeira coisa do dia.
Eu tiro um dia específico e falo: "cara, eu vou ter que fazer aquela tarefa que eu não gosto". Aí eu me preparo mentalmente pro dia em que eu vou fazer as coisas que eu não gosto. Só assim a sua energia não te joga pro outro lado. Só assim a sua cabeça não inventa uma desculpa pra te jogar pro outro lado, pra você não fazer aquilo que tem que ser feito.
Porque é isso que acontece quando você deixa pra depois: você passa o dia inteiro negociando com você mesmo, e a tarefa te custa o dia todo em vez de custar uma hora.
Estratégia 2 — uma vez você faz; várias vezes você automatiza
A segunda estratégia é a régua que eu uso pra decidir:
- É uma tarefa que eu vou fazer só uma vez? Já pega, já faz, já desembola e pronto.
- É uma tarefa que eu vou fazer várias vezes? Adivinha onde a gente vai automatizar.
E tem o terceiro caso, que é o da minha migração e que quase ninguém considera: eu ia fazer uma vez só, mas era uma tarefa gigantesca — de semanas pra concluir. Aí compensa automatizar mesmo sendo única. Eu automatizei, gerei relatório, e virei leitor de relatório. Coisa chata pra caramba, migração, porque envolve muitas nuances.
Então a régua não é só "repete ou não repete". É repete ou é grande demais pra caber no seu estômago de uma vez. Se você está começando a montar esse tipo de automação, eu contei o caminho de degrau em degrau em subir a escadinha da IA.
Ser médio já resolve — e eu vejo isso nas imersões
Fecho com a parte que eu acho mais libertadora disso tudo. Você não precisa ser o melhor. Vamos automatizar aquilo que a gente não gosta de fazer pra gente ser pelo menos médio.
Se você for médio em marketing, médio em venda, e o seu produto for excelente, vai dar bom. Se o seu produto for médio, mas a sua venda e o seu marketing forem excelentes, o seu produto vai dar bom também. Uma coisa balanceia a outra.
Eu vejo isso acontecer nas imersões que a gente fez, e é lindo de ver: entra gente de áreas distintas. Entra o cara do comercial, entra o designer que quer montar o SaaS dele.
- O designer: o SaaS dele vai ser médio, porque ele não é da área de SaaS — mas o design dele vai ser lindo.
- O cara do comercial: o SaaS dele vai ser médio, mas a venda dele vai ser fantástica.
- O cara técnico, que não tem comercial nem venda: essa parte vai ficar média, mas o software vai ser ótimo.
No final das contas, uma coisa balanceia a outra pra ter sucesso no seu SaaS — e pra você procrastinar cada vez menos as coisas que você não gosta de fazer.
Se você quer montar isso comigo: a Imersão de SaaS é pra quem tem ou quer criar o próprio software e colocar online pra vender — um dia inteiro de produção, pipeline na prática e, no fim, negócio. A Imersão de Sites é a fábrica de sites, com o pipeline completo e a parte comercial junto. Tenho ainda chatbot e infraestrutura. Condição, data, preço e formato de cada uma estão em todas as imersões — é a página que vale, não o que eu falei num vídeo.
Nota de cronologia (importante). Esse relato é da gravação que eu publiquei em 12/09/2026, e a migração de dezenas de milhares de e-mails estava em andamento naquele momento. A referência acadêmica sobre aversão à tarefa é checagem minha em 13/09/2026 na base do PubMed. Os valores de 300 a 500 mil por ano são a faixa que eu enxergo pra esse tipo de profissional no mercado brasileiro — é a minha leitura, não uma tabela salarial. E data, preço e condição das minhas imersões você olha em todas as imersões, nunca por este texto nem pela gravação.
Discorda? Concorda? Tem um caso parecido? Aqui não tem caixa de comentário de propósito: segunda-feira, ao meio-dia, eu faço live no canal e a gente conversa sobre isso ao vivo — sem corte, como sempre.
Ver as lives no canal @josimarjmv →Perguntas frequentes
Como a inteligência artificial ajuda a parar de procrastinar?
Qual é a tarefa que você mais detesta fazer?
Como validar um processo que a IA executou sozinha?
Vale a pena automatizar uma tarefa que eu vou fazer só uma vez?
Onde eu rodo essas automações sem contratar plataforma?
Preciso ser especialista em marketing e venda pra colocar meu SaaS no ar?
Por que você não contrata alguém pra fazer o que você não gosta?
Qual é a estratégia que funciona quando não dá pra automatizar?
Baseado na gravação do canal @josimarjmv publicada em 12/09/2026 (8min08), com transcrição própria das legendas do próprio vídeo.
O que veio da gravação e o que é apuração minha, com as fontes
A migração de dezenas de milhares de e-mails de cliente, a validação por amostragem em 10%, 30% e 40% com primeiro e último obrigatórios, a faixa de 300 a 500 mil por ano pro profissional que me substituiria, o CDN no Brasil e nos Estados Unidos, os milhões de views por dia e o perfil de quem participou das imersões são da minha vivência tocando a JMV Technology. Conferido por mim em 13/09/2026: a meta-análise "The Nature of Procrastination: A Meta-Analytic and Theoretical Review of Quintessential Self-Regulatory Failure", de Piers Steel (Psychological Bulletin, 133(1), 65-94, 2007), que aponta aversão à tarefa, impulsividade, autoeficácia e conscienciosidade entre os preditores mais fortes de procrastinação. O n8n é citado como ferramenta de automação que eu reconheço, sem relação comercial. Condição, data e preço de cada imersão é a que está em todas as imersões.