Tá achando que é espertinho ligar a inteligência artificial na hora da entrevista? Anthropic, Amazon e Datadog já botaram no papel que isso desclassifica. E a Amazon ainda ensinou o entrevistador a te reconhecer: o olho que passeia e o dedo que digita enquanto a pergunta está sendo feita.
Resposta rápida: usar IA pra se preparar pra entrevista é liberado e eu recomendo — acelera o seu estudo de um jeito absurdo. Usar IA durante a entrevista ao vivo é desclassificação na maioria das empresas grandes, e isso está escrito. A Anthropic diz na orientação pra candidato que na entrevista ao vivo "é você e mais ninguém". A Amazon orienta a não usar IA generativa durante a entrevista salvo permissão explícita, sob pena de desclassificação — e passou três sinais pro entrevistador identificar: digitar enquanto ouve, parecer estar lendo, e o olho passeando. A Datadog atualizou a política em 13/05/2026 prevendo desclassificação por uso indevido ou não declarado. O Google foi por outro caminho: pelo menos uma rodada presencial. A Meta foi pro lado oposto e liberou IA em rodada de código — eu discordo. E quem está de fato enriquecendo nessa história é quem vende o software de burlar entrevista, não quem compra.
Gravei esses 15 minutos no canal @josimarjmv, publicados em 23 de setembro de 2026. Assista e leia junto: aqui embaixo eu abro cada política com fonte e data, porque eu fui conferir uma a uma depois de gravar.
🎧 PREFERE OUVIR? · 15 min
Este artigo também é um episódio do podcast Josimar JMV | Em Produção — o mesmo vídeo, só o áudio, normalizado pra fone.
Vou dar a minha carteirada antes, porque esse assunto atrai palpite de quem nunca assinou uma carteira. Eu tenho uma empresa de tecnologia. Eu contrato, eu pago a conta e eu desenvolvo. Cuido de um CDN de vídeo no Brasil e nos Estados Unidos, a gente entrega milhões de views todo dia, e eu ponho a mão na massa. Minha parte mais forte é infraestrutura: deploy, fluxo, desenvolvimento e, obviamente, inteligência artificial — que está dentro da empresa aqui há uns três anos.
Então não é papagaio digital falando com você. É alguém que, no quinto dia útil, tem que pagar a conta do que contratou.
Falo isso porque já quebraram o pau comigo por causa disso. Um dos primeiros vídeos que eu fiz no canal foi o das 100 mil demissões e do dev chinelinho, e veio um monte de gente em cima. Aí aparece aquela visão de quem não paga a conta: uma visão fechadinha, que não serve de base pra gerir empresa nenhuma. A visão de quem não quer estudar não serve de base. A de quem acha que CNPJ é playground também não.
Eu sou EPP, empresa de pequeno porte — considerando as estatísticas do Brasil, eu diria porte médio. E isso me dá um dinamismo que a empresa grande não tem. Como eu pago a conta e boto a mão na massa, as coisas ficam claras pra mim muito rápido.
Na empresa grande, o problema chega no cara do RH, sobe pro gerente de RH, passa pra diretoria, volta pra gestão, e só então vira política. É mais burocracia do que entendimento técnico. É a diferença entre mandar um rato correr e mandar um elefante: o rato sai voando, o elefante demora pra sair do lugar — mas quando pega velocidade, pega de verdade. É exatamente o que está acontecendo agora com o uso de IA em entrevista.
Eu falei de cabeça na gravação, citando o que eu tinha lido. Depois eu fui atrás de cada documento pra te entregar com link e data. Checagem feita em 24/09/2026.
Repare no padrão: ninguém baniu inteligência artificial. O que todo mundo baniu foi IA ao vivo, escondida, no lugar da sua cabeça. Quando a empresa quer te avaliar usando IA, ela fala isso na sua cara e te dá a ferramenta.
Deixa eu te mostrar como descobre, porque é mais simples do que o pessoal imagina. Você está lá na sua entrevista, no seu computador. Aí começa a mudar o olho de lugar. E você digitando — digitando enquanto a pergunta está sendo feita. Olha o seu olho. Olha o seu olho de novo.
Eu falei isso de cabeça na gravação e fui conferir depois: são exatamente os três sinais que a Amazon passou pros entrevistadores dela. Digitar durante a pergunta, parecer que está lendo em vez de responder, e o olho passeando. Não é feitiçaria, é padrão de comportamento — e quem entrevista bastante bate o olho e sabe.
Daqui a pouco o pessoal que faz esses softwares vai botar um teleprompter colado na frente da câmera, pro olho não sair do lugar, e vai pegar a voz pra responder sem você digitar nada. Tô até dando ideia de melhoria pro produto deles. Só que quem entende do outro lado também sabe identificar — e vai continuar sabendo, porque o jogo é de gato e rato e o gato aqui é quem assina o contrato.
O Google é aquele negócio: empresa enorme, muita coisa junta, e ele costuma ser o primeiro a entrar e o último a sair. Ele não publicou uma política de banimento nos moldes da Anthropic e da Datadog. O que ele fez foi mexer no formato, que é bem mais radical.
Checagem minha: Sundar Pichai declarou no podcast do Lex Fridman, em junho de 2025, que o Google vai "introduzir pelo menos uma rodada de entrevista presencial, só pra garantir que os fundamentos estão lá". Antes disso, num town hall interno em fevereiro do mesmo ano, ele já tinha dito que isso "ajuda o candidato a entender a cultura do Google, e é bom pros dois lados".
Ou seja: enquanto uns escrevem regra, o Google tira o teleprompter da sala. E eu defendo teste presencial há tempo — o suficiente pra já terem me chamado de ultrapassado por causa disso. Mesma discussão de quando eu expliquei por que júnior em home office não aprende: tem coisa que só aparece quando a pessoa está na sua frente.
A Meta anunciou rodadas de entrevista com IA habilitada, em que o candidato selecionado é incentivado a usar ferramentas autorizadas. A justificativa é que o engenheiro já trabalha com assistente de IA no cotidiano, então a entrevista deveria refletir o trabalho real.
Eu acho essa postura completamente errada do jeito que foi feita. E quem sou eu pra falar da Meta, né? Eu sou um cara que dá valor pro próprio dinheiro. A Meta tem dinheiro pra torrar, deixa ela torrar.
Agora, o meu argumento: a inteligência artificial tem que fazer parte do processo seletivo, isso é óbvio. Mas tem etapa que ela não pode entrar de jeito nenhum. Se você não consegue me responder ao vivo, com a sua cabeça, você vai conseguir trabalhar aqui como? É soft skill básica. Eu preciso medir a sua comunicação. Você sabe conversar comigo? Você aguenta pressão? Você aguenta ser chamado à atenção quando fizer coisa errada, sem virar drama e sem gritar microgerenciamento? Isso não dá pra terceirizar pro modelo. É a mesma coisa que eu já expliquei quando contei o tipo de estagiário que eu contrato: o que eu compro é a cabeça e a atitude, não a resposta pronta.
E olha que a Datadog encontrou o meio-termo sem inventar moda: ela tem rodada assistida por IA e avisa antes. Aí muda tudo. O que não pode é o candidato decidir sozinho, escondido, que a entrevista dele vai ser feita por outro.
Aqui tem uma ironia que eu faço questão de sublinhar. O sujeito que criou o software original de soprar resposta em entrevista técnica foi pego, perdeu a vaga e foi suspenso da faculdade — e hoje ganha dinheiro vendendo justamente isso pra galera trapacear. Depois vieram os que copiaram o produto dele, inclusive brasileiro.
Fui conferir os números pra não falar de boca: o produto se chamava Interview Coder, virou Cluely, e os registros públicos da empresa mostram US$ 5,3 milhões de investimento em abril de 2025 e mais US$ 15 milhões em junho de 2025. O criador teve a proposta de emprego na Amazon cancelada e a suspensão na universidade — e transformou o escândalo em captação.
Faz a conta de quem ganha o quê. Ele fatura a assinatura de qualquer jeito. Você paga, corre o risco sozinho e, se der certo, entra numa vaga que você não sabe sustentar. Se não der certo, você entra numa lista. É o mesmo desenho do golpe do micro-SaaS de dois dias: quem vende a pá sempre ganha mais do que quem cava.
Vou sair da entrevista de emprego pra você enxergar melhor. Imagina usar um software desses pra conversar com alguém que você está paquerando. Vai ser lindo — até a hora de encontrar a pessoa cara a cara. Aí o que acontece?
Eu vi isso acontecer com um criador de conteúdo que eu acompanhava. Nos vídeos ele era incisivo, afiado, edição impecável. Aí eu assisti uma live dele e era outro ser humano: inseguro, perdido no próprio assunto. (Não vou citar o nome aqui, porque o ponto não é ele.) E eu sei diferenciar as duas coisas, viu — eu mesmo às vezes engulo palavra, porque é pensamento paralelo demais passando ao mesmo tempo. Você percebe a diferença entre uma pessoa acelerada e uma pessoa que não tem o conhecimento, que está perdida no que está falando.
É isso que a entrevista ao vivo mede, e é isso que o software não entrega. Sempre que você tentar roubar, vai dar errado. Se não der errado na entrevista, vai dar errado quando você entrar na empresa — porque no dia seguinte o serviço continua sendo o mesmo, e a IA não vai fazer a reunião por você.
E se você está pensando "mas a vaga é remota, ninguém vai ver": você não dura. Já escrevi sobre esse exato buraco quando falei do apagão de dev júnior e por que eu parei de contratar. A conta sempre chega — só que chega depois de você já ter queimado o seu nome.
Agora a parte construtiva, porque eu não sou contra IA — eu vivo dela. Use inteligência artificial pra estudar. Pra se preparar pra entrevista, pra pesquisar sobre a empresa, pra treinar resposta, pra entender o que você não entendeu. Eu acelerei o meu aprendizado de forma absurda nos últimos anos fazendo isso. É multiplicador de 10, 15, 20 vezes no seu estudo.
As próprias empresas que proíbem na entrevista incentivam nessa fase — a Anthropic pede literalmente que você use o Claude pra pesquisar e treinar. A fronteira é limpa: preparar, pode; fingir, não pode. É a mesma linha que eu tracei quando escrevi sobre a educação do fingimento, e é a mesma coisa que eu olho quando leio a grade curricular em vez do diploma de quem se candidata aqui.
E eu levanto a bandeira, com nome e sobrenome: sou contra esses softwares de burlar entrevista e a favor de teste presencial. Você está achando o quê? Que o meu dinheiro é capim, que eu vou pegar e rasgar, que eu sou obrigado a botar qualquer um pra dentro da empresa? E eu falo em nome das empresas, não só da minha.
Agora, justiça seja feita: quando tem um gerente de RH ruim, um cara que não sabe entrevistar, que não sabe nada tecnicamente, aí o problema é da gestão lá de cima — não é da IA nem do candidato. Mas, mais cedo ou mais tarde, todo mundo vai chegar na mesma conclusão.
Gravei isso em 23/09/2026 e escrevi este texto no dia seguinte, com a apuração feita em 24/09/2026. Esse assunto anda rápido: política de empresa muda, e várias delas já mudaram de posição pelo menos uma vez desde 2025 — a Anthropic começou pedindo pra não usar IA em fase nenhuma e depois flexibilizou a candidatura e a preparação. Então confira a política da empresa em que você está se candidatando, no dia, antes de assumir qualquer coisa. O que não muda é o princípio: a entrevista ao vivo é pra medir você.
TODA SEGUNDA · MEIO-DIA · AO VIVO
Discorda? Concorda? Tem um caso parecido? Aqui não tem caixa de comentário de propósito: segunda-feira, ao meio-dia, eu faço live no canal e a gente conversa sobre isso ao vivo — sem corte, como sempre.
Usa a inteligência artificial do jeito que ela foi feita pra ser usada: pra potencializar você, não pra fingir que você é outra pessoa por quinze minutos. Se o que você quer é parar de depender de entrevista e construir o seu próprio negócio — site, chatbot, infraestrutura ou SaaS —, é disso que eu trato nas minhas imersões, cada uma na sua página, com o que funciona na produção de verdade. Valor, data e condição ficam na página de cada imersão, que é onde essa informação fica atualizada. E, enquanto isso: cuidado pra não ser banido, viu? Abraço.
Baseado na gravação do canal @josimarjmv publicada em 23/09/2026 (15min21), com transcrição própria das legendas do próprio vídeo. São da minha vivência e foram ditos na gravação: ter empresa de tecnologia, contratar, pagar a conta e desenvolver, com CDN de vídeo no Brasil e nos Estados Unidos entregando milhões de views por dia, força em infraestrutura, deploy e fluxo, e inteligência artificial dentro da empresa há cerca de três anos; a repercussão do meu vídeo sobre as 100 mil demissões e o dev chinelinho; ser empresa de pequeno porte com mais dinamismo que a empresa grande, e a analogia do rato e do elefante para a demora da política corporativa; a leitura das políticas de Anthropic, Amazon e Datadog e o relato do Reddit sobre banimento de candidato; a demonstração de como o entrevistador percebe o olho mudando de lugar e a digitação durante a pergunta, e a ironia do teleprompter; a crítica à rodada de IA habilitada da Meta e o argumento de que comunicação, reação sob pressão e aceitar ser chamado à atenção são soft skills que precisam ser medidas ao vivo; a observação de que o Google ainda não publicou política nos moldes das outras e a lembrança de já terem me chamado de ultrapassado por defender presencial; o caso do criador do software de burlar entrevista que perdeu a vaga, foi banido e hoje fatura vendendo a ferramenta, além dos que copiaram o produto; a comparação com o encontro presencial depois da conversa virtual; o criador de conteúdo cujo desempenho ao vivo não correspondia aos vídeos editados, e a diferença entre pessoa acelerada e pessoa perdida no assunto; a defesa do teste presencial; a recomendação de usar IA para estudar, acelerando o aprendizado em dez, quinze, vinte vezes; e a ressalva de que gerente de RH despreparado é problema da gestão. É apuração minha, feita em 24/09/2026, e não estava na gravação: o texto e a data da orientação de uso de IA por candidatos da Anthropic (atualizada em 10/07/2025); o texto da orientação da Amazon e os três sinais passados aos entrevistadores, conforme a reportagem sobre os documentos internos revelados pelo Business Insider, de 14/03/2025; a data de atualização (13/05/2026) e o texto das diretrizes de IA da Datadog, incluindo a rodada assistida avisada com antecedência; a declaração de Sundar Pichai sobre pelo menos uma rodada presencial, no podcast do Lex Fridman em junho de 2025, e a fala anterior em town hall de fevereiro de 2025; e os valores e datas de investimento da Cluely, sucessora do Interview Coder (US$ 5,3 milhões em abril de 2025 e US$ 15 milhões em junho de 2025). Ressalvas: o banimento de cinco anos em todas as organizações do mesmo grupo é relato de fórum, citado como tal na gravação e não confirmado por fonte oficial — está aqui com essa etiqueta, e não como fato. O nome do criador de conteúdo citado na gravação foi omitido de propósito, porque o argumento é sobre a diferença entre vídeo editado e desempenho ao vivo, não sobre a pessoa. E eu cito as minhas imersões na gravação: como preço, data e condição são finais e mudam a cada turma, aqui eu não repito nenhum desses números e mando pra página de cada imersão.