Eu não estou contratando júnior nem estagiário — e sei que essa conta não fecha lá na frente. Vou reabrir o escritório de São Paulo e abrir vaga. Aqui eu conto quem eu chamo e o que você precisa ter feito antes de me procurar.
Resposta rápida: o apagão que vem não é de vaga, é de gente. Eu parei de contratar júnior e estagiário, um monte de empresa parou também, e isso é a pirâmide do INSS da tecnologia: daqui a alguns anos o sênior sai do mercado e não tem quem entre no lugar. Os números vão nesse sentido — contratação de recém-formado caiu ~65% nas maiores empresas de tecnologia e ~76% nas startups iniciais desde 2019 (SignalFire, jun/2026), e quem tem 22 a 25 anos nas ocupações mais expostas à IA está 19% abaixo do emprego esperado (Stanford, ago/2026). Mesmo assim eu devo reabrir o escritório de São Paulo com vaga de estágio presencial, porque alguém tem que cuidar dessa fazenda de agentes comigo. Quem eu chamo é quem já alugou VPS, subiu sistema em produção e viu o pau quebrar — e aqui vai o contrato que eu ponho no papel: eu te ensino um ano, você me dá retorno um ano.
Gravei esses 15 minutos em 26 de julho de 2026, no canal @josimarjmv, sem corte — meus vídeos não têm edição, então de vez em quando escapa uma tosse. Assista e leia junto: aqui embaixo eu conto a mesma coisa com mais calma e com os números que eu fui conferir em 19/09/2026 — inclusive um que me desmentiu pra pior.
🎧 PREFERE OUVIR? · 16 min
Este artigo também é um episódio do podcast Josimar JMV | Em Produção — o mesmo vídeo, só o áudio, normalizado pra fone.
Eu sou Josimar Machado, CEO de uma empresa de tecnologia. Eu cuido de um CDN com milhões de views todo dia e coordeno equipe de infraestrutura, marketing, venda, suporte, mobile, back-end e front-end. Brincadeira à parte, quem me acompanha sabe: aqui eu sou tudo full stack mesmo — e já expliquei por escrito por que eu só contrato full stack hoje.
Dou a carteirada pra você não achar que é papagaio de pirata repetindo manchete. Eu contrato, eu treino, eu demito e eu pago a folha no quinto dia útil. O que vem abaixo é a conta que chega na minha mesa.
O mercado continua crescendo e aquecendo. "Mas como assim, Josimar, está tendo layoff e demissão pra todo lado?" Está. Está tendo chinelada. A galera que entrou na pandemia, que é ruim de serviço com força, que não estuda e não entrega — esses estão sendo cortados. Quem não entrega resultado decente sai. Eu já contei essa parte quando saíram as 100 mil demissões.
O dev bom está tranquilo. Está estudando arquitetura, está entendendo pipeline, está aprendendo a orquestrar agente de inteligência artificial pra produzir 3, 4, 10, 20 vezes mais. Esse cara está seguro. Só que uma hora esse cara sai do mercado: cansa, aposenta, resolve trabalhar só na hora que quer, foca em qualidade de vida. E aí eu te pergunto: quem vai substituir ele?
Vou ser honesto com a parte que me cabe: eu não estou contratando júnior e não estou contratando estagiário. Já escrevi o porquê com detalhe em por que eu parei de contratar júnior, então aqui eu não vou repetir o diagnóstico — eu quero falar do outro lado da mesa: o que eu faço a partir de agora, e o que você faz.
Porque a pergunta que me incomoda é essa: o que acontece comigo daqui a 3, 4 anos se eu não contratar estagiário e júnior? Todo mundo que está comigo hoje vira sênior orquestrador — entender de arquitetura, de pipeline, montar sistema autônomo que desenvolve feature, virar PO e QA da máquina. Beleza. E depois?
Se a gente não começar a treinar agora, e de forma diferente, os nossos estagiários e juniores, vai dar a mesma coisa da pirâmide da aposentadoria: lá na frente a conta não fecha. O sênior sai do mercado, as pessoas envelhecem, as pessoas falecem — faz parte da vida, é o fluxo da vida. Só que a base da pirâmide, que deveria estar se formando hoje, não está sendo formada por ninguém.
Então sim: vai haver um apagão gigante de dev em alguns anos, se a gente não mudar isso hoje. Inclusive eu. Só que atenção ao que esse apagão é: não é o mercado ficando bom pra quem está começando. É a empresa não achando gente qualificada pra pôr no lugar de quem saiu.
Na gravação eu disse que a gente está num cenário de contratação de júnior 40% ou 60% menor. Falei de cabeça, pela minha leitura do mercado. Fui atrás do número de verdade em 19/09/2026 e o meu chute estava curto — a realidade é pior.
O relatório de talento da SignalFire, de 22 de junho de 2026, mostra contratação de recém-formado cerca de 65% menor nas maiores empresas de tecnologia e cerca de 76% menor nas startups em estágio inicial, na comparação com 2019. E o Stanford Digital Economy Lab, em agosto de 2026, olhando folha de pagamento real da ADP até junho de 2026, aponta o emprego de quem tem 22 a 25 anos nas ocupações mais expostas à inteligência artificial 19% abaixo do que seria esperado — era 15% na safra de julho de 2025, ou seja, o buraco está aumentando. Em números absolutos: nessa faixa etária, o emprego caiu ~11% nos quintis mais expostos entre novembro de 2022 e junho de 2026, enquanto subiu ~10% nos menos expostos.
Barras de queda: SignalFire, State of Tech Talent Report 2026 (22/06/2026). Barra turquesa: Stanford Digital Economy Lab, atualização de agosto de 2026, com folha da ADP até junho de 2026 — é métrica diferente (distância do emprego esperado), por isso está separada das outras.
Isso é dado dos Estados Unidos, eu não achei número brasileiro com a mesma solidez e não vou inventar um. Mas a direção é a que eu vejo aqui dentro.
E tem a parte que é responsabilidade minha. Em julho de 2026 foi a primeira vez que eu consegui de fato substituir um dev júnior por uma inteligência artificial — o modelo Fable —, dentro de um pipeline de verdade, do jeito que um ser humano faria. Eu coloco a feature, ele desembola tudo sozinho e me manda no Telegram quando está pronto pra eu validar e decidir se vai ou não vai.
Isso já funciona pra site e pra artigo — tanto que, no meio da gravação, chegou um aviso no meu celular: "artigo pronto, vai publicar ou não?", sobre hospedagem de vídeo com tráfego limitado. Eu abro o ambiente de teste, leio, confiro e aprovo ou não. É uma fábrica escalável, e é exatamente esse pipeline que eu abro na Imersão de Sites.
Agora a gente chegou no ponto de mexer com sistema. Eu tenho hoje mais de 300 sistemas integrados aqui. Vou precisar fazer esse mesmo pipeline em todos — e a partir do momento em que eu faço em um, eu faço em todos. Aí vem a pergunta que motivou o vídeo inteiro: eu vou cuidar dessa fazenda de agentes orquestrados sozinho, ou eu trago gente pra cuidar comigo?
A resposta é trazer gente. E tem uma coisa curiosa: depois que eu abri o canal, um monte de gente passou a querer trabalhar comigo. Mesmo com o papo do chinelinho, mesmo com gente ficando brava — meu LinkedIn está lotado de pedido de vaga. Ao mesmo tempo, o que eu recebo de currículo de estagiário dá dó. Eu rio, mas não sei se é de felicidade ou de desespero, porque sinto que estou perdendo boas oportunidades de gente que quer trabalhar.
Então eu devo abrir vaga presencial em São Paulo, pro final do ano, pra estágio e júnior, já com um treinamento mais arquitetado pra trazer essa pessoa pro mundo de IA e ela me ajudar a coordenar essa orquestração toda. Reabrir São Paulo está na minha pauta desde o ano passado: a gente tinha escritório em Campinas, em Lisboa e em Divinópolis (MG), fechou o de Campinas na pandemia pra transferir pra São Paulo, e nunca reabriu. Ficou só Minas. A gente atende o país inteiro do mesmo jeito, mas por causa de mão de obra qualificada eu preciso de São Paulo.
Não estou cravando data aqui, porque data quem crava é o calendário da empresa. Quando abrir, sai no canal e no meu LinkedIn.
"Ah, mas qualificado por quê, Josimar?" Estagiário qualificado é o cara que está com sangue no olho. É igual esse menino que está aqui no backstage comigo, o Yuri. Sangue no olho pra aprender, pra ter uma vida bacana, pra olhar o próprio futuro e falar "eu vou ter um futuro pleno". Ele ainda é estagiário aqui, e eu olho pra frente dele e vejo um futuro fantástico. Por quê? Porque ele estuda pra caramba, me ajuda e se ajuda.
É assim que funciona: você trabalha pra você, eu trabalho pra mim, e juntos a gente constrói — você o seu, eu o meu. Isso é CLT, com as duas partes sabendo o que estão fazendo ali. Não é playground de CNPJ. E do outro lado da mesma moeda está o CEO ou CTO emocionado, que corta metade da folha de pagamento do dia pra noite e bota IA no meio achando que resolveu. Também não é assim que funciona.
O que não é qualificado: o cara que fez um cursinho online e chega dizendo que é programador. Fez um bootcamp de Java e vem me dizer que é programador. Isso pra mim é igual o meu filho de 17 anos falar que sabe manutenção de informática porque eu ensinei ele a desmontar um computador uma vez. Não é assim, colega. E não é nada contra as escolas — é contra a ideia de que o certificado substitui a mão na massa. Eu, aliás, prefiro contratar quem fez curso técnico, e o motivo é exatamente esse.
Você que é desenvolvedor, estagiário ou júnior querendo entrar: não conte com uma empresa pra te ajudar. Faça projeto. E não projeto de portfólio bonitinho, não: projeto que vire produção. É só assim.
Eu estava conversando com o Yuri agora há pouco e ele me contou que ficou umas duas semanas batendo cabeça porque invadiram a VPS dele — tinha gente minerando bitcoin lá dentro, o que acontece muito. Só assim que se aprende. Então: aluga uma VPS, faz um sistema, oferece teste grátis, bota gente usando e deixa o pau quebrar. Essas duas semanas de sofrimento valem mais no meu crivo do que qualquer certificado. Quem prefere não depender de vaga nenhuma pra isso, é o caminho que eu descrevo em o negócio digital que eu montaria do zero.
E mais uma coisa que eu sei que vai incomodar: presencial importa quando você está começando. Eu já escrevi separado por que júnior em home office não aprende — não é birra, é que a curva de quem está começando depende de ver gente boa trabalhando do lado.
Esse negócio de entrar num programa de trainee ganhando 4, 5 mil pra aprender, e depois sair do banco e levar o aprendizado pra outro lugar — acabou. Raras são as empresas que ainda têm isso. Antigamente acontecia muito: o cara fazia programa de treinamento numa empresa e usava o dinheiro dela pra trabalhar em outra. Eu acho isso um absurdo. Mas era banco — banco tem lastro, banco imprime dinheiro. A gente não tem lastro.
O que eu faço é combinado, e está no papel: você trabalha comigo, eu te ensino um ano; em um ano você me dá retorno. É o meu método de trabalho. Ninguém é obrigado — mas se você está aqui, você assinou esse contrato básico. Todo mundo: o Yuri, o suporte, a venda, todo mundo que está aqui.
Você, empresário, que está me lendo: comece a entender como você treina o seu dev pra usar IA. "Ah, mas eu não sei usar IA." Então você tem que fazer igual eu fiz, meu filho: sentar a bundinha na cadeira, estudar e ser um cara hands-on. Não dá pra você pedir pra sua equipe fazer uma coisa que você não sabe fazer — você não consegue nem avaliar o que voltou.
A alternativa é ter do seu lado uma pessoa de extrema confiança que sabe fazer, e delegar poder de verdade pra ela. Só que a gente sabe como é: gerente e supervisor de tecnologia que não sabe nada está cheio — amigo do dono, amigo do gerente, QI mal feito, lotado disso. Ou é nesse cenário, ou o próprio dono tem que fazer. No meu caso específico, eu tive que fazer.
E tem o motivo prático: um cara que faça o que eu faço hoje ganha uma fortuna lá fora — eu cuido de BGP, de infraestrutura, de trem pesado. Mesmo que eu conseguisse pagar o que o Google e a Amazon pagam, e eu não dou conta, você acha que esse cara ia querer trabalhar na JMV Technology? Muitas vezes nem é questão de grana: é o crachá. Tem gente que fez Harvard pra atender telefone no Google Ads — ultraqualificação parada em função pequena, só pelo nome na empresa.
Isso vale pro treinamento também: não dá mais pra fazer os cursos de sempre. Eu acredito que os cursos de sempre têm que mudar radicalmente pra atender esse mercado novo — foi por isso que eu montei uma faculdade dentro da minha empresa.
Se você quer entrar no mercado:
Se você é o empresário:
A gravação é de 26 de julho de 2026 e este texto é de 19 de setembro de 2026 — quase dois meses de diferença, então leia com essa régua. Continua valendo: eu não voltei a contratar júnior e estagiário até aqui, e a reabertura do escritório de São Paulo segue como plano, sem data cravada — quando abrir vaga, sai no canal e no meu LinkedIn, não neste texto. É apuração minha, feita em 19/09/2026, e não foi dita na gravação: os números da SignalFire e do Stanford Digital Economy Lab — e eles corrigem pra pior o meu chute de "40 a 60% a menos". É vivência minha, dita na gravação: a substituição do júnior pelo pipeline em julho de 2026, os mais de 300 sistemas integrados, o aviso de artigo pronto chegando no meio da gravação, o Yuri e a VPS invadida, os escritórios de Campinas, Lisboa e Divinópolis, e o contrato de um ano. Segue como opinião minha, não como dado: a leitura de que o mercado se equalizou entre quem entrega e quem não entrega, e a comparação com a pirâmide da aposentadoria. Eu não apurei os salários que eu citei de cabeça pro mercado americano — por isso eles não aparecem com número aqui.
Se você quer montar o seu em vez de esperar vaga: é isso que eu faço nas imersões — eu do lado, com a operação real da minha empresa na mesa. Pra montar uma empresa de fazer e vender site, com proposta e contrato, a Imersão de Sites; pra automação e atendimento de verdade, a Imersão de Chatbot; pra tirar um SaaS do papel, a Imersão de SaaS; e pra descer pra camada de baixo, que é pesada e é pra consultor e dono de empresa que gasta muito em nuvem, a Imersão de Infraestrutura. Data, preço e condição são os que estão em todas as imersões — nunca os que eu estimei de cabeça numa gravação antiga.
TODA SEGUNDA · MEIO-DIA · AO VIVO
Discorda? Concorda? Tem um caso parecido? Aqui não tem caixa de comentário de propósito: segunda-feira, ao meio-dia, eu faço live no canal e a gente conversa sobre isso ao vivo — sem corte, como sempre.
Baseado na gravação do canal @josimarjmv publicada em 26/07/2026 (15min32), com transcrição própria das legendas do próprio vídeo. São da minha vivência, ditos na gravação: a decisão de não contratar júnior nem estagiário hoje, a substituição de um dev júnior por um pipeline de inteligência artificial pela primeira vez em julho de 2026 com o modelo Fable, o aviso de artigo pronto que chegou no meu celular no meio da gravação, os mais de 300 sistemas integrados na minha operação, o plano de reabrir o escritório de São Paulo com vaga presencial de estágio e júnior, os escritórios que a empresa teve em Campinas, Lisboa e Divinópolis e o fechamento na pandemia, o Yuri e as duas semanas resolvendo a VPS invadida com mineração de bitcoin, o meu filho de 17 anos e o computador desmontado, e o contrato de um ano que todo mundo aqui assina. São apuração minha, feita em 19/09/2026, e não foram ditos na gravação: os dados do State of Tech Talent Report 2026 da SignalFire, de 22/06/2026 — contratação de recém-formado cerca de 65% menor nas maiores empresas de tecnologia e cerca de 76% menor nas startups em estágio inicial, na comparação com 2019 — e os do Stanford Digital Economy Lab, atualização de agosto de 2026, com folha da ADP até junho de 2026: emprego de 22 a 25 anos nas ocupações mais expostas à IA 19% abaixo do esperado (era 15% na safra de julho de 2025), queda absoluta de cerca de 11% nos quintis mais expostos entre novembro de 2022 e junho de 2026 contra alta de cerca de 10% nos menos expostos. Esses dois números corrigem pra pior a minha estimativa de cabeça de 40% a 60%. Não cito aqui nome de escola nem de bootcamp porque a legenda automática embaralhou os nomes na gravação, e eu não vou atribuir crítica a marca sem ter certeza do que eu falei. Também não repito os valores de salário do mercado americano que eu citei de cabeça, porque não apurei. Data, preço e condição de cada imersão são as que estão em todas as imersões.