Saiu a notícia quentinha: o Google soltou o Opus 5 pros próprios engenheiros. Quando o Google usa o modelo do concorrente, a gente vai ter que falar disso — e a lição aqui não é sobre o Google, é sobre a sua empresa que ainda amarra a ferramenta do time.
Resposta rápida: o Google passou a liberar o Opus 5, da Anthropic, pra todos os engenheiros dele — mas só dentro do Antigravity, o ambiente interno da casa, com quota por usuário, e dizendo que o Gemini continua sendo o modelo principal. O Claude Code e o Codex seguem proibidos lá dentro, que é justamente o que os engenheiros pediam. Eu larguei o Gemini muito antes disso, por conta própria, e assumo o preconceito: não tenho tempo de testar coisa ruim toda semana. O recado pra quem não é do Google: empresa que trava a ferramenta do time por orgulho de produto fica pra trás — e no Brasil a janela é escancarada, porque só 15% das pequenas empresas usam IA enquanto 79% já vendem por WhatsApp.
Gravei esses 12 minutos em 17 de setembro de 2026, no canal @josimarjmv, no dia seguinte à notícia. Assista e leia junto — aqui embaixo eu conto a mesma coisa por escrito, com a apuração que eu fui fazer depois (e com uma correção minha no meio do caminho, sobre o Orkut).
🎧 PREFERE OUVIR? · 12 min
Este artigo também é um episódio do podcast Josimar JMV | Em Produção — o mesmo vídeo, só o áudio, normalizado pra fone.
Meu nome é Josimar, eu tenho uma empresa de tecnologia e, além de pagar a conta no quinto dia útil, eu boto a mão na massa. Aqui é shell, SSH, CDN, entrega de vídeo no Brasil e nos Estados Unidos, milhões de views por dia — mais marketing, evento, esporte, desenvolvimento e equipe pra tocar isso.
Falo de política de ferramenta como quem escolhe a ferramenta da própria equipe e paga a fatura dela. Não é papagaio digital repetindo manchete de tecnologia: é decisão que sai do meu bolso todo mês. E, como sempre, meu vídeo não tem corte: é essa câmera aqui e essa câmera aqui.
Até outro dia a política interna do Google era simples: o colaborador usa Gemini, dentro do Antigravity, e ponto. Nada de ferramenta de fora. E olha, eu acho justo — eu sou dono do negócio, eu vou deixar meu time usar o produto do meu concorrente? Não faz muito sentido.
Só que a coisa virou. Fui atrás pra escrever aqui e a apuração bate com o que eu comentei na gravação, com um detalhe que muda o tamanho da notícia. A reportagem é de Hugh Langley, do Business Insider, publicada em 15 de setembro de 2026 e repercutida no dia (registro no Techmeme, consultado por mim em 18/09/2026). O que foi liberado:
Ou seja: o Google se rendeu pelo modelo, não pela ferramenta. Ele foi lá e colocou o Opus 5 dentro daquela tartaruga que é o Antigravity — aquela carroça disfarçada, sabe? A sabor IDE. Enquanto isso, os engenheiros dele já estavam na panelinha — dev adora uma panelinha — usando Claude Code e dando publicidade abertamente à preferência deles. Liberar o motor e continuar proibindo o carro não resolve o pedido de ninguém.
Aqui é a parte que eu digo sem diplomacia: eu não perco mais meu tempo com Gemini. "Ah, mas é barato." Eu não tenho tempo de ficar testando coisa ruim o tempo todo. De vez em quando eu volto lá, dou uma testadinha, me dá raiva, e eu pulo fora sem testar de novo.
Eu assumo: hoje eu tenho preconceito formado com o Gemini pra trabalho de código, e acho que ele não alcança os modelos novos. Pode ser que eu mude — e faço questão de deixar isso escrito, porque esse texto é de setembro de 2026 e inteligência artificial evolui numa velocidade absurda. Copilot, pra mim, está no mesmo balaio: eu não uso nem testo.
E não é birra com o Google como empresa: eu testo o que eles lançam e conto o resultado. Testei o Jules, o agente autônomo deles, e ele não serviu no meu pipeline — escrevi o motivo com detalhe. O que eu uso hoje, no dia a dia: modelos da Anthropic na operação — eu já abri a conta de por que duas assinaturas Claude Max me saem mais barato que pagar por token — e o Grok novo, que ficou muito bom, dentro do Cursor, pro qual eu voltei e levei a equipe junto. Gemini ali dentro, não.
Uma observação honesta sobre a origem dessa história toda: eu comentei na gravação que, lá em abril, saiu uma reportagem no Los Angeles Times com engenheiros do Google declarando abertamente que preferiam o Claude ao Gemini pra programar. Essa parte é o que eu li na época — ao escrever aqui eu não consegui abrir a matéria original pra conferir data e trecho, então ela entra como minha lembrança de leitura, não como apuração fechada. O que está apurado, com fonte na mesa, é a liberação de 15 de setembro.
Na gravação eu disse que o Google "tentou comprar o Orkut" pra emplacar rede social. Fui conferir e não é isso. O Orkut nasceu dentro do Google: foi criado pelo engenheiro turco Orkut Büyükkökten e lançado em 24 de janeiro de 2004 — produto da casa, não aquisição. O Google desativou a rede em 30 de setembro de 2014, anúncio feito em junho daquele ano.
Já o Google+ — que eu chamei de "workut" no meio da frase, e a essa altura você já entendeu que eu não tenho teleprompter — foi lançado em 28 de junho de 2011 e encerrado pros usuários comuns em 2 de abril de 2019. O motivo que a própria empresa deu é quase uma piada pronta: 90% dos acessos diários duravam menos de 5 segundos.
Corrigido o detalhe, o meu argumento fica de pé e até mais forte: o Google tentou rede social com produto próprio, mais de uma vez, com dinheiro infinito — e não emplacou. Não foi falta de servidor, nem de gente boa, nem de caixa. Foi tempo de reação. Guarde isso, porque é a mesma doença de agora.
Isso aqui é um absurdo, e eu falo como quem opera infraestrutura: o Google tem data center, tem GPU pra caramba, tem as TPUs que eles mesmos fabricam. Era obrigação do Google estar na frente de uma empresa pequena. E aí você olha o placar e a Anthropic passou todo mundo. Pelo amor de Deus, né? Impressionante.
Por que isso acontece? Na minha leitura, porque o Google joga muito pra torcida: investidor, ação na bolsa, manchete. Eu já vi o Google trabalhar igual político — vai lá e lança uma coisa que ainda vai ficar pronta daqui a um tempo, promete, "vim aqui lançar a pedra fundamental". Às vezes não dá certo e a empresa simplesmente mata o produto. E o time lá dentro fica no meio disso.
O mais irônico: quando o Google lançou o Antigravity, era uma ferramenta fantástica — e funcionava muito bem com o Opus 4.8. A ferramenta era boa. O que atrapalhou foi a amarra de usar só o modelo da casa. A empresa competiu com o próprio produto.
Enquanto o elefante branco fica parado no meio da sala, a pressão interna cozinha: gente boa querendo a ferramenta boa pra não ficar pra trás. Se o Google não mudar a política, ele vai ficar pra trás em outros produtos também. Já está — isso pra mim é óbvio.
Eu andei conversando com um monte de dev em evento, com gente de provedor, em curso de rede do NIC.br — e vou fazer outro, de gestão de BGP. Olha que absurdo: a maioria das empresas com que eu converso não é empresa de software. Isso é importante. E o pessoal tem resistência em colocar inteligência artificial no fluxo, tem medo, e vai amarrando igual o Google aqui.
Pra dimensionar essa janela eu fui buscar o número da casa, porque na minha cabeça ele é grande — e é maior do que eu imaginava. Segundo a pesquisa TIC Empresas 2025, do Cetic.br (release de junho de 2026, consultado por mim em 18/09/2026):
Leia essas três linhas juntas. Quase toda empresa já está no WhatsApp e oito em cada dez ainda não colocaram IA no fluxo. Se você trabalha numa empresa que está amarrando, segurando, com medo — ela vai ficar pra trás. Se você vai montar uma empresa e já pensa em amarrar, ou em ficar no Copilot porque "é o que a licença já tem", o mesmo vale. De repente aparece a empresa pequenininha e acontece o que acabou de acontecer com a maior empresa de tecnologia do mundo.
Vou falar de mim, que é o exemplo que eu tenho na mão. Eu acabei de criar um sistema de e-mail corporativo — eu chamo de JMV Mail aqui dentro. Ele já está em produção, é o e-mail que eu uso todo dia, e na minha opinião hoje ele é melhor, pro corporativo, do que o que eu usava antes.
O que ele faz e me ganhou: eu gravo o áudio em vez de digitar. Falo "faz um e-mail informando meus mentorados que eu vou estender a gravação da imersão por mais dias, porque foi uma imersão muito densa; quero um e-mail cordial, formal" — e ele formata, insere o destinatário e me entrega pronto pra conferir. Eu não fico copiando e colando.
Agora o número que interessa: 3 meses, do zero até produção, no meu tempo paralelo — não é nem o meu projeto principal. Eu tinha facilidade, é verdade: conhecimento prévio de e-mail e o meu próprio bloco de IP, que em entrega de e-mail vale ouro. Mas há três anos eu faria esse sistema com uma equipe inteira de desenvolvedores e não valeria a pena — não era o meu business. Eu já contei essa virada com mais calma em o boom do software e a conta que cai em quem sabe infraestrutura.
E o próximo passo já está desenhado: automação dentro do e-mail — leitura sozinha, gatilhos, chamadas de modelo dentro do próprio aplicativo, sem eu ficar copiando e colando entre uma aba e outra.
Nota de honestidade sobre o JMV Mail: eu falei na gravação que a ideia é vender baratinho, na casa dos R$ 25 por mês. Isso é intenção minha falada em vídeo, não oferta: não existe página de venda, plano ou data até aqui. Quando estiver à venda, eu anuncio no canal — neste texto ele entra como caso de velocidade, não como produto.
Não adianta a gente se iludir com o tamanho do próprio volante: o mundo vai seguir com IA com ou sem a gente. Quem tem poder de mexer nesse jogo é o Congresso americano, é a China — e olha que nem eles têm tanto, porque hoje qualquer um baixa um modelo de peso aberto, guarda os seus gigabytes, e no dia em que tiver GPU roda local, sem trava e sem limite de ninguém.
Então o que sobra pra nós, que temos empresa pra tocar? Surfar, um dia depois do outro, com duas precauções que eu levo a sério:
A lição número um, resumida no tamanho de um bilhete pra colar na parede: quem amarra a ferramenta do time por orgulho de produto, perde o time e perde o tempo. Aconteceu com o maior de todos. Acontece com a sua empresa também.
Essa gravação é de 17 de setembro de 2026, um dia depois de a notícia circular. São apuração minha, feita em 18/09/2026, e não foram ditos na gravação: o detalhamento da liberação (Opus 5 pra todos os engenheiros, só dentro do Antigravity, com quota por usuário, com Claude Code e Codex mantidos fora, e a declaração de que o Gemini segue como modelo principal); as datas do Orkut e do Google+; e os números do Cetic.br. A frase "o Google tentou comprar o Orkut" eu corrigi no meio do texto — o Orkut nasceu dentro do Google. A reportagem do Los Angeles Times de abril ficou como lembrança de leitura minha, sem confirmação. E vale o aviso de sempre: IA muda rápido; o que está escrito aqui vale pro dia em que foi escrito.
Se você quer parar de depender do humor dos outros: o que eu mostro nas imersões é a operação real da minha empresa na mesa — eu do lado, mostrando como se faz. Se o caminho é infraestrutura própria pra não ficar refém de nuvem, é a Imersão de Infraestrutura; se é tirar um SaaS do papel, a Imersão de SaaS; se é fazer e vender site, a Imersão de Sites; se é chatbot, a Imersão de Chatbot. Data, preço e condição são os que estão em todas as imersões.
TODA SEGUNDA · MEIO-DIA · AO VIVO
Discorda? Concorda? Tem um caso parecido? Aqui não tem caixa de comentário de propósito: segunda-feira, ao meio-dia, eu faço live no canal e a gente conversa sobre isso ao vivo — sem corte, como sempre.
Baseado na gravação do canal @josimarjmv publicada em 17/09/2026 (12min14), com transcrição própria das legendas do próprio vídeo. São da minha vivência: a operação de CDN e entrega de vídeo no Brasil e nos Estados Unidos, as conversas com devs e provedores em evento, os cursos do NIC.br, o sistema de e-mail corporativo feito em 3 meses e o meu bloco de IP próprio. São apuração minha, feita em 18/09/2026, e não foram ditos na gravação: os detalhes da liberação do Opus 5 dentro do Antigravity, com quota por usuário e com Claude Code e Codex mantidos fora, publicados por Hugh Langley no Business Insider em 15/09/2026 (registro no Techmeme) e detalhados com a declaração do porta-voz do Google pelo Dataconomy; as datas do Orkut (lançado em 24/01/2004, criado dentro do Google por Orkut Büyükkökten, desativado em 30/09/2014) e do Google+ (28/06/2011 a 02/04/2019); e os números da TIC Empresas 2025, do Cetic.br (17% das empresas usando IA em 2025, 15% entre as pequenas, 50% entre as grandes, 79% em WhatsApp ou Telegram). Data, preço e condição de cada imersão são as que estão em todas as imersões.