Josimar JMV
Blog · Infraestrutura e custo de nuvem · 14·09·2026

Migrei da nuvem pro on-premise e isso salvou a empresa

Antes da pandemia eu apanhava de preço do meu maior concorrente e não tinha como bater. Quando eu vi ele indo pra nuvem, eu fiz o caminho inverso: gastei alguns milhões de reais em servidor, data center e redundância. Isso me segurou no mercado — e quase me quebrou, porque a minha equipe técnica não estava pronta pra migração. É a parte que ninguém conta quando fala de sair da nuvem.

Resposta rápida: como foi a minha saída da nuvem pública pro ambiente on-premise — (1) o gatilho foi preço, não moda: eu não conseguia bater o valor de um concorrente com milhões de dólares de Capex parado; (2) quando ele foi pra nuvem, eu fui pro caminho inverso, porque nuvem naquele volume ia encarecer a operação dele; (3) gastei alguns milhões de reais em máquina, data center e redundância, e isso levou anos; (4) salvou financeiramente — passei a competir preço a preço com empresa de qualquer tamanho; (5) quase quebrou na execução: a equipe técnica não estava preparada pra migrar, e eu tive que parar de vender pra virar CEO de mão na massa; (6) a régua pra você: olhe a fatura da nuvem — se ela já te preocupa na casa das dezenas de milhares por mês, é hora de estudar ambiente próprio; (7) não é pra empresa pequena, e o erro que eu cometi é o mais barato de evitar: gente antes de máquina.

Gravei quase 9 minutos sobre isso em 07/08/2026 no canal @josimarjmv, sem corte. Assista e leia junto: aqui embaixo eu conto a mesma história por escrito, com mais calma e com o que eu fui conferir depois na fonte — inclusive o que aconteceu com esse concorrente em janeiro deste ano.

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Este artigo também é um episódio do podcast Josimar JMV | Em Produção — o mesmo vídeo, só o áudio, normalizado pra fone.

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A carteirada, antes de qualquer coisa

Vou dar minha carteirada logo no começo: eu sou CEO de uma empresa de tecnologia e forneço plataforma de vídeo. Hoje são centenas de rádios, outras centenas de clientes da área de educação e clientes em 18 países — que pra mim ainda é pouco, o plano é o mundo inteiro.

Falo de nuvem e de ambiente próprio como quem paga a conta dos dois. Eu já tive a operação quase toda na nuvem pública, eu saí, eu montei o meu, e eu cuido dele até hoje com a mão na massa. Não é palpite de fora, não é teoria de coach, e não é papagaio digital repetindo o que leu num post de LinkedIn.

E vou ser honesto na parte que dói: essa decisão salvou a empresa no financeiro e quase me derrubou na operação. As duas coisas, ao mesmo tempo. É esse pedaço que eu não vejo ninguém contando.

O movimento que eu vi o meu concorrente fazer

Antes da pandemia chegou num ponto em que eu não estava conseguindo concorrer com o meu grande concorrente de hospedagem de vídeo. Quem é empreendedor sabe o tamanho dessa dor: bater preço de empresa gigante e ainda sustentar o negócio com qualidade é muito difícil. Não é questão de querer, é questão de estrutura de custo.

O preço agressivo dele vinha de um lugar que o mercado não olha: milhões e milhões de dólares em Capex parado. CDN, equipe gigante, infraestrutura própria comprada e amortizada. Quando você tem isso no balanço, você pode vender barato e esperar.

E aí eu, sempre atrás, vendo as coisas acontecerem, vi um movimento interessante: ele foi pro ambiente de nuvem. Fechou contrato com o Google e publicou a parceria. Eu olhei aquilo e pensei: ué, mas esse negócio vai ficar errado, porque isso vai ficar caro.

Conferido por mim em 14/09/2026: essa migração está documentada pela própria nuvem. No blog do Google Cloud sobre o caso do Vimeo está escrito que eles começaram "lifting and shifting" as cargas saindo dos deployments on-premises pro Compute Engine, e depois redesenharam a aplicação em cima do Cloud Spanner, com instância multirregião e 99,999% de uptime. Ou seja: o caminho que eu vi não foi impressão minha. Eles saíram do ambiente próprio; eu entrei nele.

Por que eu fui pro caminho inverso

Quando eu vi eles fazendo isso, a ficha caiu: "então agora é a minha salvação". Eles me bateram a vida inteira porque tinham preço, e eu não conseguia acompanhar. Se eles estavam trocando Capex amortizado por fatura mensal de nuvem, o custo por gigabyte deles ia subir — e o meu podia cair, se eu fizesse o inverso.

Eu já tinha algumas coisas privadas, alguns servidores, mas muito da operação estava em nuvem. Decidi ali: eu vou pro ambiente on-premise. Vou comprar servidor, montar data center, montar redundância. E foi o que eu fiz.

Isso é o oposto do que todo mundo estava dizendo na época, e é o oposto do que muita gente diz hoje. Eu escrevi aqui inteiro sobre por que infraestrutura virou o superpoder da era da IA: quando todos os concorrentes alugam a mesma esteira, quem tem a esteira decide o preço da corrida.

O que eu gastei — e o que isso salvou

Vamos ao número, porque sem número isso vira conversa de palestra: eu gastei alguns milhões de reais pra comprar servidor, montar data center e montar redundância. Não foi num mês. Foi um programa de anos, com a operação rodando ao mesmo tempo.

O resultado é o que me interessa: esse movimento me sustentou financeiramente. Foi ele que fez eu segurar a onda e conseguir competir hoje igual pra igual com empresa de qualquer tamanho do mundo. Eles ainda faturam milhões de dólares por mês, a gente não chegou no nível deles — pretendemos chegar e passar. Mas o que importa é que a estrutura de custo deixou de ser uma desvantagem minha: hoje eu sou a única plataforma de vídeo que não cobra tráfego, e isso só é possível porque a rede é minha.

E aqui está a frase mais honesta que eu tenho sobre isso: se eu não tivesse feito esse movimento, hoje eu estaria fazendo outra coisa que não plataforma de vídeo. Eu não ia me sustentar no mercado com o preço deles.

Conferido por mim em 14/09/2026 — e não é só comigo: o caso público mais bem documentado de saída da nuvem é o da 37signals (Basecamp). Na página do cloud exit deles, a conta declarada é: gastavam US$ 3,2 milhões por ano em AWS, investiram US$ 600 mil em servidores próprios e projetam economizar cerca de US$ 10 milhões em cinco anos, com redução de metade a dois terços do custo de infraestrutura. Guarde a proporção, não o número: o investimento de hardware foi uma fração de um ano de fatura. É essa matemática que faz o movimento fazer sentido — quando o seu volume é grande e previsível.

A parte que quase me quebrou: a equipe não estava pronta

Agora a parte ruim, que é a razão de eu ter gravado aquilo e de eu estar escrevendo isso aqui.

Eu resolvi o problema de preço e criei um problema de infraestrutura. A minha equipe técnica não estava preparada pra transferir o que a gente tinha pro ambiente on-premise. Uma coisa é subir máquina num painel de nuvem, onde a rede, o disco e a redundância são responsabilidade de outro. Outra coisa é ser o dono do ferro, do cabo, do roteador e do prejuízo.

Foi por isso que eu virei CEO de mão na massa. A partir daquele momento eu tive que parar de vender — que é o que eu mais gosto e mais queria fazer — pra voltar a entender tudo que funcionava e como funcionava, e assim fazer aquilo rodar de forma correta e estável num ambiente próprio.

Pesa esse custo, que não entra na planilha de ninguém: o dono saiu da área que traz receita e foi pra área que segura a casa. Deu certo, e eu faria de novo. Mas eu faria diferente na ordem das coisas, e é sobre isso o final deste texto.

A sequência da minha saída da nuvem pública para o ambiente on-premise Quatro etapas em sequência. Primeira: eu apanhava de preço, porque o concorrente tinha milhões de dólares em Capex já amortizado, CDN e equipe grande. Segunda: o concorrente migrou a operação dele para a nuvem pública, trocando o parque próprio por fatura mensal. Terceira: eu fiz o movimento inverso e gastei alguns milhões de reais em servidor, data center e redundância, o que salvou a empresa no aspecto financeiro e me deixou competir preço a preço. Quarta: a execução quase quebrou a operação, porque a equipe técnica não estava preparada para a migração, e o dono teve que parar de vender para virar CEO de mão na massa até estabilizar. Ao final, a lição declarada: contratar e treinar a gente de infraestrutura antes de comprar a máquina. COMO A CONTA VIROU A MEU FAVOR (E ONDE ELA QUASE ME PEGOU) Eu apanhava preço dele vinha de Capex parado, CDN e equipe grande Ele vai pra nuvem troca parque próprio por fatura mensal (caso público, 2019+) Eu vou pro on-prem alguns milhões em servidor, data center e redundância Quase quebrou equipe despreparada pra migrar: parei de vender pra estabilizar A lição: gente de infra ANTES da máquina contratar e treinar antes de assinar o ferro Salvou o preço: hoje eu bato de frente com qualquer tamanho.
A decisão financeira e a execução técnica são dois projetos. Eu acertei a primeira e apanhei na segunda — e é a segunda que derruba empresa.

O que eu tive que aprender na mão

Pra fazer aquilo parar de pé, eu me especializei em coisas que não estão no escopo de nenhum CEO de slide. E hoje eu cuido da minha infraestrutura, que é grande e pesada, atuando no Brasil e nos Estados Unidos:

E vou confessar a parte não técnica: eu gosto disso. É muito gostoso ver gigas e gigas de link saindo, teras e teras de vídeo entrando. É um negócio muito louco de ver. Quem nunca olhou um gráfico desse não sabe o que está perdendo.

Se você está no começo dessa curva e quer sentir o gosto sem gastar milhões, o caminho que eu recomendo é o laboratório em casa: eu contei aqui como parei de pagar VM na nuvem pra automação interna e subi Proxmox no meu próprio hardware. A curva de aprendizado é a mesma, o prejuízo do erro é mil vezes menor.

A régua: quando olhar pra fatura da nuvem

Por que eu conto essa história? Porque você que é sênior, você que é pleno, você que é dono de empresa, está na hora de começar a olhar pra isso. E o jeito de olhar é literal: pega o telefone e abre a fatura da sua nuvem.

A régua que eu uso: se a fatura da nuvem começou a te preocupar, se ela está ficando muito grande, se você olha e vê R$ 40, R$ 50, R$ 100 mil por mês, é hora de começar a pensar em ter o seu próprio ambiente. Não é pra empresa pequena, obviamente — é um custo grande ter data center e investir em máquina. Mas a médio e longo prazo sai muito mais barato.

Repare no que a régua não diz. Ela não diz que nuvem é ruim, não diz pra você sair correndo, e não trata o valor como número mágico. O que ela mede é proporção e previsibilidade: quanto essa fatura representa do seu faturamento, e quanto dela é carga constante em vez de pico. Carga constante em nuvem é aluguel de coisa que você deveria ter comprado. Pico de verdade, sazonal, continua sendo o lugar onde a nuvem ganha — e é por isso que eu não tirei tudo, nem mandei você tirar.

As formas de fazer — e a pegadinha de cada uma

Existem várias formas de montar isso, e quase ninguém sabe que dá pra começar sem comprar data center:

Só que, igual tudo na vida, cada uma delas tem as suas pegadinhas. Elas não aparecem na planilha do primeiro mês — aparecem no primeiro incidente: franquia de banda, prazo de troca de peça, quem sobe no rack de madrugada, o que acontece com a sua máquina se o contrato do prédio mudar.

Essa é a mesma lógica de valor que eu descrevi quando falei do boom do software e de como a conta cai em quem sabe infraestrutura. Software virou barato de escrever. O que decide margem agora é onde ele roda.

As maldades que você vai encontrar no caminho

Tem um lado desse mercado que é sujo e complicado, e eu paguei pra ver. Eu fui extorquido por uma galera de bloco de IP, porque não tem mais IPv4 disponível. Tem ataque, tem DDoS, tem licença de router que custa o que você não esperava. Onde tem dinheiro, tem maldade — e aqui elas são específicas.

Conferido por mim em 14/09/2026: a falta de IPv4 não é discurso de vendedor. O RIPE NCC, que é o registro regional da Europa e do Oriente Médio, declara que esgotou o estoque de IPv4 em 25/11/2019: de lá pra cá, quem quer endereço entra numa lista de espera pra receber um único /24, quando e se alguém devolver bloco. É isso que joga a demanda pro mercado secundário e faz o preço do bloco virar negociação de ágio. Eu contei a minha via-crúcis inteira nesse assunto quando escrevi sobre comprar bloco de IPv4 e chegar a R$ 30 mil.

E a maldade não é só comercial: é operacional. Quando você é o dono da rede, DDoS não é problema do fornecedor, é o seu problema, e ele chega no pior horário. A única defesa que funciona é a que eu já defendi aqui na marra: instrumentar tudo. Sem log e sem observabilidade, você fica adivinhando — e eu já tive que ler 30 GB de log de CDN pra achar um problema pra não ter que adivinhar.

O que eu faria diferente: gente antes de máquina

Se você chegar nesse momento, eu te convido a não cometer o erro que eu cometi: eu coloquei a migração na mão de uma equipe despreparada. A decisão estava certa, o dinheiro estava certo, o timing estava certo. A execução foi pra mão errada, e isso custou o meu tempo de venda e quase custou a estabilidade do produto.

Na prática, pra ter ambiente próprio você precisa de uma destas três coisas, e não tem quarta: um cara de confiança de infraestrutura; uma empresa que vá gerir aquilo pra você; ou montar e treinar a sua própria equipe de infra. Escolha antes de comprar o ferro. O ferro chega em duas semanas; a pessoa que sabe operá-lo, não.

Nota de honestidade sobre o meu concorrente, porque a história teve continuação depois que eu gravei: eu falei na gravação que eles demitiram a equipe de vídeo, e eu fui conferir. Conferido por mim em 14/09/2026: o TechCrunch de 22/01/2026 registra a rodada de demissões no Vimeo depois da compra pela Bending Spoons por US$ 1,38 bilhão, em negócio todo em dinheiro, atingindo uma "grande parte" da empresa — a companhia não abriu números. A parte de "toda a equipe de vídeo" aparece na imprensa a partir de relatos de ex-funcionários publicados no X e no LinkedIn, e não como confirmação oficial. Então trate assim: o corte é fato público; o tamanho exato do time de vídeo é relato. Eu prefiro te dar a fonte e a diferença entre as duas coisas do que ganhar o argumento fácil em cima de um concorrente.

Quer fazer isso sem repetir os meus erros? Eu vou levar pra Imersão de Infraestrutura — presencial em São Paulo, três dias — tudo que eu aprendi pra manter essa estrutura de pé: contratar data center, deploy, segurança, bloco de IP, as maldades do mercado e a gestão da equipe de infra, que é onde eu apanhei. Se o seu caminho é ter o próprio produto rodando, veja também a Imersão de SaaS, a Imersão de Sites e a de chatbot. Data, preço, vaga e condição de cada uma estão em todas as imersões — é a página que vale, nunca o que eu falei num vídeo.

Nota de cronologia. Esse relato é da gravação que eu publiquei em 07/08/2026, e a decisão que ele conta é bem mais antiga: a ida pro on-premise foi antes da pandemia, e o problema de equipe foi resolvido no caminho — hoje eu tenho time de infraestrutura e cuido junto. Os alguns milhões de reais são o investimento acumulado em máquina, data center e redundância ao longo desses anos, não um cheque único. E os números de cliente (centenas de rádios, centenas na educação, 18 países) são a fotografia da empresa em agosto de 2026.

TODA SEGUNDA · MEIO-DIA · AO VIVO

Discorda? Concorda? Tem um caso parecido? Aqui não tem caixa de comentário de propósito: segunda-feira, ao meio-dia, eu faço live no canal e a gente conversa sobre isso ao vivo — sem corte, como sempre.

Ver as lives no canal @josimarjmv →

Perguntas frequentes

Por que você saiu da nuvem pública pro on-premise?
Por preço. Antes da pandemia eu não conseguia concorrer com o meu maior concorrente de hospedagem de vídeo, porque o preço agressivo dele vinha de milhões de dólares em Capex parado: CDN, equipe gigante, infraestrutura. Quando eu vi que ele estava indo pro ambiente de nuvem, eu pensei: isso vai ficar caro. Foi aí que eu decidi fazer o movimento inverso e montar o meu próprio ambiente. Comprei servidor, montei data center, montei redundância. Financeiramente, foi isso que me segurou no mercado. Se eu não tivesse feito esse movimento, hoje eu estaria fazendo outra coisa que não plataforma de vídeo.
Quanto custa sair da nuvem e montar ambiente próprio?
Eu gastei alguns milhões de reais em servidor, data center e redundância, e isso levou anos. Não é decisão de fim de semana e não é pra empresa pequena: tem custo grande de máquina, de espaço, de energia e de gente. O que eu digo é o seguinte: a médio e longo prazo sai muito mais barato, mas o buraco do começo é fundo. Se você não tem caixa pra atravessar o período de montagem e migração pagando as duas contas ao mesmo tempo, não comece.
Qual é a régua pra saber se eu já deveria sair da nuvem?
Pega o telefone e olha a fatura da sua nuvem. Se ela começou a te preocupar, se está ficando grande, se você paga quarenta, cinquenta, cem mil reais por mês, é hora de começar a pensar em ambiente próprio. Não é sobre a nuvem ser ruim: é sobre o tamanho da conta em relação ao seu faturamento e sobre quanto daquilo é previsível. Fatura pequena e operação que oscila muito continuam melhor na nuvem.
O que quase quebrou a empresa na migração?
A minha equipe técnica não estava preparada pra transferir o que a gente tinha pro ambiente on-premise. Eu resolvi o problema de preço e criei um problema de infraestrutura. Foi por isso que eu virei CEO de mão na massa: tive que parar de vender, que é o que eu mais gosto de fazer, e voltar a entender tudo — como funcionava, por que funcionava — pra fazer aquilo rodar de forma correta e estável. O erro não foi a decisão, foi entregar a execução pra um time que não tinha vivido aquilo antes.
Quais são as formas de montar um ambiente on-premise?
Existem várias: alugar servidor, comprar servidor, fazer colocation, ter rack privado, usar rack público, ou dividir rack com outra empresa. Dá pra começar pequeno e ir subindo. Só que, igual tudo na vida, cada uma delas tem a sua pegadinha — contrato, franquia de banda, responsabilidade por hardware, prazo de troca de peça, quem tem acesso físico à sua máquina. A escolha errada não aparece na planilha do primeiro mês, aparece no primeiro incidente.
O que eu preciso saber pra tocar infraestrutura própria?
No meu caso eu tive que me especializar em compra e manutenção de servidor fisicamente, rede, cabo e roteador — e não o roteador da sua casa, é router com protocolo BGP de comunicação entre operadoras. Eu tenho o meu próprio sistema autônomo e o meu bloco de IP, e comunico direto com Google, Apple e essa galera toda. Eu mesmo instalo o sistema operacional nas máquinas, virtualizo, faço deploy, subo os ambientes, isolo VPN e cuido de DNS e GeoDNS. Hoje a minha infraestrutura atua no Brasil e nos Estados Unidos.
On-premise serve pra empresa pequena?
Obviamente não, e eu não vou vender isso pra você. Ter data center, investir em máquina e manter gente de infraestrutura é custo grande. Empresa pequena tem coisa melhor pra fazer com o dinheiro e com a atenção do dono. Quem precisa olhar pra isso é quem já tem fatura de nuvem preocupante, operação com carga previsível e um produto que depende de infraestrutura pra ter margem — no meu caso, vídeo, que come banda e armazenamento.
Quais são as maldades do mercado de infraestrutura?
Eu fui extorquido por gente de bloco de IP, porque não tem mais IPv4 e o mercado ficou sujo e complicado. Tem ataque, tem DDoS, tem licença de router que ninguém te conta o preço antes. Cada uma dessas coisas tem uma forma de ser evitada, e você só aprende apanhando ou com quem já apanhou. É exatamente o tipo de coisa que não está em documentação de fornecedor.

Baseado na gravação do canal @josimarjmv publicada em 07/08/2026 (8min54), com transcrição própria das legendas do próprio vídeo. A decisão de sair da nuvem antes da pandemia, os alguns milhões de reais investidos em servidor, data center e redundância, o problema da equipe técnica despreparada, a virada pra CEO de mão na massa, o sistema autônomo e o bloco de IP próprios, a infraestrutura no Brasil e nos Estados Unidos, a extorsão no mercado de bloco de IP e a régua de fatura de nuvem são da minha vivência tocando a JMV Technology. Conferido por mim em 14/09/2026: a migração do Vimeo saindo de ambiente on-premises para o Google Cloud, descrita no blog do Google Cloud; a compra do Vimeo pela Bending Spoons por US$ 1,38 bilhão e a rodada de demissões de 22/01/2026 no TechCrunch, com a alegação de corte de toda a equipe de vídeo vinda de relatos de ex-funcionários e não de confirmação oficial; os números do cloud exit da 37signals; e o esgotamento do estoque de IPv4 do RIPE NCC em 25/11/2019. Nenhuma dessas organizações tem relação comercial comigo. Data, preço, vaga e condição de cada imersão são os que estão em todas as imersões.