Josimar JMV
Blog · Empreender no Brasil · 18·09·2026

Split payment em 2027: o que eu faria no lugar do pequeno

Vai ter um sistema no meio do caminho que pega o seu Pix, consulta a nota e manda o imposto pro governo antes de o dinheiro chegar em você. Eu fui ler o calendário real — e ele é diferente do que eu falei de cabeça na gravação.

Resposta rápida: o split payment separa o imposto no momento da liquidação financeira do pagamento — o IBS e a CBS saem direto pro fisco e só o resto cai na conta de quem vendeu (arts. 31 a 35 da LC 214/2025, detalhados pelo Decreto 12.955/2026). Em 2027 ele entra facultativo, só em operação entre empresas: microempresa que ficar inteira no Simples e venda pra pessoa física ficam de fora nesse primeiro ano, com adoção completa esperada entre 2028 e 2029. A alíquota ainda não está fixada — o Senado recebe a proposta homologada até 30 de outubro de 2026, e os estudos falam em algo perto de 26,5%. Some a isso o fim da escala 6x1 (PEC 221/2019, aprovada na Câmara em 27/05/2026 e na CCJ do Senado em 02/09/2026), a malha fina mais apertada do novo Imposto de Renda e a regra do feriado valendo desde 1º/03/2026: quem tem porta aberta ou repassa preço, ou fecha. E é aí que automação deixa de ser luxo.

Gravei esses 12 minutos em 29 de julho de 2026, no canal @josimarjmv. Assista e leia junto — aqui embaixo eu conto a mesma coisa por escrito, com a apuração que eu fui fazer em 18/09/2026. Duas coisas mudaram de lá pra cá e uma eu falei errado: está tudo marcado no texto.

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Este artigo também é um episódio do podcast Josimar JMV | Em Produção — o mesmo vídeo, só o áudio, normalizado pra fone.

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A carteirada, antes de eu falar da conta dos outros

Meu nome é Josimar, eu tenho CNPJ desde os 18 anos de idade e uma empresa de tecnologia que nasceu no interior de Minas Gerais e hoje tem cliente em 18 países. Eu não sou economista e não vim aqui bancar o analista de manchete: eu sou o cara que paga a folha no quinto dia útil e que sente no caixa, na mesma semana, qualquer coisa que o governo mexe.

Então trate o que vem abaixo como o que é: a leitura de quem empreende, com a apuração feita depois, fonte por fonte. Onde eu errei de cabeça na gravação, eu corrijo no meio do texto — não é de hoje que eu prefiro ir ler a lei a repetir o que o pessoal está dizendo por aí.

O que é o split payment, sem enfeite

Hoje funciona assim: você vende, o dinheiro entra na sua conta inteiro, você usa esse dinheiro por alguns dias — às vezes semanas — e depois recolhe o imposto. Esse intervalo é o oxigênio do pequeno. É com ele que se paga fornecedor, folha, luz, e é com ele que se atravessa mês ruim.

Com o split payment, o intervalo acaba. Pela primeira vez na história um país vai implementar isso goela abaixo de todo mundo, e o desenho é esse: eu CNPJ faço um Pix pra outro CNPJ, ou você pessoa física paga uma empresa, e tem um sistema no meio do caminho que pega esse pagamento, consulta a nota, separa o imposto e manda pro governo automaticamente. O que sobra é o que cai na conta de quem vendeu.

A base legal está nos artigos 31 a 35 da Lei Complementar 214/2025, alterados pela LC 227/2026, e a mecânica foi detalhada pelo Decreto 12.955/2026, publicado em 30 de abril de 2026. Não é rascunho: em 3 de junho de 2026 a Receita Federal e o Comitê Gestor do IBS já publicaram a documentação técnica da Plataforma Pública do Split Payment, o encanamento que liga os meios de pagamento ao fisco, e em 28 de agosto de 2026 saíram os manuais de habilitação e de rede. A obra está sendo construída enquanto você lê isso.

A correção: em 2027 não pega todo mundo (eu falei por cima)

Aqui é a parte em que eu me corrijo, porque eu prefiro apanhar do fato do que empurrar susto. Na gravação eu disse que "até o pessoal do Simples Nacional não tem como sair disso". Fui conferir e não é bem assim no primeiro ano.

Isso muda o tom, mas não muda o aviso — e tem um detalhe nessa lista que é uma armadilha silenciosa: a escolha entre Simples tradicional e Simples híbrido tinha janela de 1º a 30 de setembro de 2026, com efeito em janeiro de 2027 (detalhamento do calendário no portal Contábeis, consultado por mim em 18/09/2026). Ou seja: enquanto muita gente ainda achava que 2027 era longe, o prazo de decidir estava acabando neste mês. É assim que essas coisas pegam o pequeno — não no anúncio, no prazo.

A conta que aperta: R$ 100 que viram R$ 74

Imagina comigo o que acontece quando o cliente paga R$ 100 pro cara da feira e o sistema já separa ali o imposto: ele recebe R$ 74. Ele não cobrava esse preço, ele não pagava esse imposto — e a gente sabe que essa é a realidade. Não é defesa de sonegação, é constatação: o pessoal da esquina, do mercadinho, da feira não dá conta de tirar nota de tudo e competir com os grandes ao mesmo tempo.

Sobre os 26% que eu falei de cabeça, aqui vai a régua: a alíquota ainda não está fixada. Quem fixa a alíquota de referência é o Senado, por resolução, e em 2026 o prazo do procedimento foi prorrogado em 45 dias — a proposta homologada vai ao Senado até 30 de outubro. Os estudos oficiais trabalham com cerca de 8,8% de CBS e 17,7% de IBS, o que dá uma alíquota-padrão em torno de 26,5%; e o Comitê Gestor do IBS chegou a estimar 27,91% pro cenário pós-transição (estimativa do CGIBS noticiada em junho de 2026). Traduzindo: a minha ordem de grandeza estava certa e o número exato ainda não existe.

E repare no que isso faz com o preço, que é o que interessa: o cara não pode deixar de trabalhar, pagar a conta e sustentar a própria família. Então ou ele fecha, ou ele repassa. Em 2027 o aumento da inflação vai ser um negócio absurdo — essa é a minha leitura, não é número de instituto. E quem paga isso, no fim, é sempre a população.

O segundo problema: competir com o grande ficou pior

A empresa grande já é muito auditada. Governo audita, todo mundo audita, e por isso ela já trabalha certinha — a gente vê escândalo aqui e ali, mas em geral ela emite nota de tudo e já tem o preço dela correndo com esse imposto dentro. Pro grande, o split payment é ajuste de sistema. Pro pequeno, é o caixa.

Só que a competição já era injusta antes disso. A esmagadora maioria da galera prefere comprar na internet porque é muito mais barato que a loja local. Agora imagina essa loja local pagando imposto retido na hora do pagamento, enquanto o grande compra milhares de equipamentos de uma vez na indústria e ainda tem trânsito com o governo pra renegociar as coisas. O pequeno e o médio não têm nada disso.

O QUE SE SOMA NA CONTA DE QUEM TEM PORTA ABERTA — APURADO EM 18·09·2026 1 · SPLIT PAYMENT — o imposto sai antes de o dinheiro chegar IBS e CBS separados na liquidação financeira do pagamento · arts. 31-35 da LC 214/2025 + Decreto 12.955/2026 2027: FACULTATIVO e B2B · Simples integral e venda a pessoa física ficam fora · adoção completa entre 2028 e 2029 2 · FIM DA ESCALA 6x1 — PEC 221/2019 De 44 para 40 horas semanais, com dois dias de descanso · transição: 42 horas em 2 meses, 40 horas em 1 ano e 2 meses Câmara aprovou em 27/05/2026 · CCJ do Senado em 02/09/2026 · falta o plenário, em 2 turnos, com 49 dos 81 votos 3 · NOVO IMPOSTO DE RENDA — Lei 15.270/2025 Isento até R$ 5.000/mês e desconto parcial até R$ 7.350 · sancionada em 26/11/2025, vigente desde janeiro de 2026 Efeito na declaração de 2027, ano-base 2026 — e a faixa nova puxa junto fiscalização mais apertada 4 · FERIADO NO COMÉRCIO — Portaria MTE 3.665/2023 Abrir em feriado exige convenção coletiva com o sindicato, além da legislação municipal Adiada três vezes, entrou em vigor em 1º/03/2026 — mais um custo de negociação pra quem tem loja NENHUM DOS QUATRO QUEBRA SOZINHO. O PROBLEMA É QUE ELES CHEGAM JUNTOS.
Desenhei esse quadro porque cada um desses itens é discutido separado, em semana diferente, por gente diferente. Quem tem loja recebe os quatro na mesma conta.

O 5x2: o que mudou desde que eu gravei

Na gravação eu falei da PEC do 5x2 travada no Senado e citei o presidente da Casa. Naquela data isso estava certo — a proposta tinha chegado lá em 28 de maio de 2026 e estava parada. De lá pra cá andou, e é honesto dizer.

A PEC 221/2019 foi aprovada na Câmara em dois turnos no dia 27 de maio de 2026, por 461 votos a 19 no segundo turno. E em 2 de setembro de 2026 ela passou na CCJ do Senado, com relatoria do senador Omar Aziz, e seguiu pro plenário. Falta a votação em dois turnos, que exige 49 dos 81 senadores.

O conteúdo: jornada máxima de 44 para 40 horas semanais, com dois dias de descanso, um deles preferencialmente no domingo, e transição de 42 horas em dois meses e 40 horas em um ano e dois meses depois da publicação. Na conta do empregador, isso é o que eu chamei lá de aumento de custo na casa dos 20% — é a minha estimativa de quem faz escala, não número oficial.

E olha, no meu setor isso impactou menos: eu mexi daqui, dali, e deu certo. Tecnologia tem folga pra reorganizar. Agora pensa no pequeno lojista, o que tem porta aberta, que não tem sindicato próprio, que depende de legislação de shopping com horário específico. Isso vai arrebentar.

O Imposto de Renda: a faixa nova traz a lupa junto

Outra coisa que eu mencionei e fui conferir: a isenção do Imposto de Renda. A Lei 15.270/2025 foi sancionada em 26 de novembro de 2025: isento até R$ 5 mil por mês e desconto parcial até R$ 7.350 — eu falei "7.500" de cabeça, o valor certo é 7.350. Vale desde janeiro de 2026 e aparece na declaração de 2027, ano-base 2026, beneficiando mais de 15 milhões de contribuintes.

A parte que me preocupa não é a isenção — essa é boa. É o que vem atrás. Quando o governo abre mão de arrecadação numa faixa, ele aperta a fiscalização na outra. O que eu espero é malha fina muito mais fina — e o brasileiro tem essa mania de achar que quem ganha R$ 7 mil é rico. Não é. Qualquer motorista de aplicativo que roda a semana inteira movimenta isso na conta dele: só de gasolina vão uns R$ 2 mil por mês, mais manutenção, mais o carro. Movimentar não é ficar com o dinheiro — e é exatamente esse tipo de gente que cai na malha sem ter o que sonegar.

O feriado: mais um custo de negociação

E tem a regra do feriado, que eu citei por alto. É a Portaria MTE 3.665/2023: pra o comércio funcionar em feriado, tem que ter autorização em convenção coletiva com o sindicato, além da legislação municipal. Ninguém proibiu o feriado — mas jogaram pro sindicato, e existem sindicatos e sindicatos.

Na prática, é mais custo pro empreendedor. A entrada em vigor foi adiada três vezes e ficou pra 1º de março de 2026 — ou seja, já está valendo, atingindo supermercado, farmácia, loja de rua, loja de shopping, restaurante e padaria.

Onde eu fico com o pé atrás: a única coisa que eu não sei prever é a política. O Brasil não tem nenhuma segurança jurídica — imagina a política. Tudo isso aqui é o que está rodando hoje, e pode mudar depois da eleição. Eu não escrevi isso pra você virar profeta de 2027; eu escrevi pra você não ser pego de calça curta se nada mudar.

Quatro somados: ou o cara desiste, ou o preço sobe

Junta tudo: coleta do imposto na fonte que não existe hoje, redução da carga horária, fiscalização mais apertada na pessoa física e negociação pra abrir em feriado. São quatro itens que complicam muito a vida de quem empreende num país onde empreender já é difícil.

E o mercado fala por si só. Os desfechos possíveis são poucos e nenhum é bonito: o cara desiste e fecha; passa a trabalhar sozinho, sem contratar ninguém; para de contratar quem já pensava em contratar; ou encarece o preço e repassa tudo pra população. Eu aposto no repasse — porque, de novo, no quinto dia útil a conta chega.

A parte que é nossa: tecnologia é o que sobra de alavanca

Agora chega a pergunta que eu não vi ninguém fazendo nessa discussão toda: e como é que a gente, do setor de tecnologia, ajuda esse cara? A resposta é a mais chata e a mais eficaz: automatizando. Melhorando processo, melhorando o dia a dia dele, cortando o que dá pra cortar com inteligência artificial.

Exemplo com nome e sobrenome: chatbot de atendimento inteligente de verdade — não aquele negócio de "tecle 1 pra isso, 2 pra aquilo" que nem sabe o seu nome. Na minha empresa tem um sistema de atendimento por inteligência artificial rodando 24 por 7, que direciona pro humano quando precisa, e que dá conta de pagamento e de uma série de coisas que tomavam o tempo da equipe. Eu tinha seis pessoas na equipe de atendimento e hoje eu não preciso de metade disso. Já contei com detalhe o que aconteceu com o meu marketing, que era 9 pessoas e hoje é 1 com IA — e também a parte que ninguém conta: automatizar não me deu tempo livre.

E tem o outro lado da moeda, que é vender melhor: um site bacana, um blog bacana no site, um sistema que funciona integrado com o WhatsApp, tráfego pago no Google e na Meta. Isso não é firula de marketing — empresa sem site em 2026 simplesmente não é recomendada pela IA, e quem vende pro comércio local precisa entender isso antes de bater na porta do cliente.

O gargalo real não é a ferramenta, é a educação do cliente

Presta atenção nessa parte, porque é onde a maioria erra. Tem muito pequeno e médio empresário que não estuda, não consegue, não quer — e tudo bem, o negócio dele é outro. Talvez o filho, o sobrinho, ou ele mesmo queira. Mas a verdade dura é esta: automatizar depende mais do próprio empresário do que de quem foi contratado, porque cada negócio tem o seu próprio DNA, e é esse DNA que faz o negócio funcionar bem.

Por isso, quando você for visitar um cliente pessoalmente, o primeiro trabalho não é vender ferramenta: é educar. Esse cara não sabe como funciona a automação. Se você chegar com jargão e proposta, perde a venda. Se você chegar mostrando onde é que o dinheiro dele vaza hoje, ganha o cliente e ganha a indicação da rua inteira. Eu já abri essa conta aqui, do faturamento de quem faz site na própria cidade — e ela funciona igual pra automação.

E olha o tamanho de quem trava: eu sou dono de uma empresa de tecnologia e pra mim está sendo difícil acompanhar a inteligência artificial — ela evolui numa velocidade muito grande. Imagina pro empresário que não mexe com isso todo dia. Ele não vai acompanhar sozinho. Cabe a nós aprender, entender e levar isso pra ele — e, de quebra, obviamente, ser remunerado por isso, porque o valor gerado é absurdo.

Se você está pensando em montar um negócio nesse caminho, dois textos meus economizam seu tempo: o negócio digital que eu montaria do zero em 2026 e a decisão entre contratar SaaS e fazer o seu próprio software com IA.

Nota de cronologia (importante)

Essa gravação é de 29 de julho de 2026 e este texto foi escrito em 18 de setembro de 2026 — quase dois meses depois, e nesse intervalo o assunto andou. Mudou desde a gravação: a PEC 221/2019 saiu do limbo e passou na CCJ do Senado em 02/09/2026. Eu falei errado e corrijo aqui: o Simples Nacional integral fica de fora do split payment no primeiro ano (eu disse que não tinha como escapar), e o desconto do novo Imposto de Renda vai até R$ 7.350, não R$ 7.500. Segue em aberto: a alíquota de referência, que o Senado só recebe até 30 de outubro de 2026 — os 26% que eu citei são ordem de grandeza, não número fechado. As estimativas de 20% de aumento de custo com o 5x2 e de inflação alta em 2027 são leitura minha de empreendedor, não projeção de instituto.

Se isso aqui faz sentido pra você: o que eu mostro nas imersões é a operação real da minha empresa na mesa — eu do lado, mostrando como se faz, não um negocinho de areia e nuvem. Pra montar atendimento e automação de verdade pra empresa da sua região, é a Imersão de Chatbot: chatbot omnichannel, atendendo Instagram, WhatsApp e os outros canais ao mesmo tempo, com API oficial, sem rolo e sem truque. Se o caminho é fazer e vender site, é a Imersão de Sites; se é tirar um SaaS do papel, a Imersão de SaaS; se é infraestrutura própria, a Imersão de Infraestrutura. Data, preço e condição são os que estão em todas as imersões.

TODA SEGUNDA · MEIO-DIA · AO VIVO

Discorda? Concorda? Tem um caso parecido? Aqui não tem caixa de comentário de propósito: segunda-feira, ao meio-dia, eu faço live no canal e a gente conversa sobre isso ao vivo — sem corte, como sempre.

Ver as lives no canal @josimarjmv →

Perguntas frequentes

O que é o split payment, em uma frase?
É a separação do imposto no meio do pagamento: quando o cliente paga, a parcela do IBS e da CBS é apartada na hora da liquidação financeira e vai direto para o fisco, e só o resto cai na conta de quem vendeu. O mecanismo está nos artigos 31 a 35 da Lei Complementar 214/2025 e foi detalhado pelo Decreto 12.955/2026.
O split payment começa valendo para todo mundo em 2027?
Não, e essa é a correção que eu faço aqui. Em 2027 o mecanismo entra em caráter facultativo, voltado a operação entre empresas (B2B), com Lucro Real, Lucro Presumido e Simples híbrido. Microempresa que ficar integralmente no Simples Nacional e venda para consumidor pessoa física ficam fora nesse primeiro ano. A adoção completa é esperada entre 2028 e 2029, dentro da transição que vai até 2033.
Então eu posso relaxar até 2028?
Não. O prazo que muda a sua vida é anterior: quem está no Simples teve que escolher entre o Simples tradicional e o modelo híbrido entre 1º e 30 de setembro de 2026, com efeito a partir de janeiro de 2027. E, quando o split pegar de verdade, ele não perdoa quem construiu o preço contando com o imposto entrando no caixa antes de sair. Caixa se prepara com meses de antecedência, não com semanas.
Qual vai ser a alíquota retida?
Ainda não está fixada. Quem fixa a alíquota de referência é o Senado, por resolução, e em 2026 o prazo do procedimento foi prorrogado em 45 dias — a proposta homologada vai para o Senado até 30 de outubro. Os estudos oficiais trabalham com algo em torno de 26,5% (cerca de 8,8% de CBS e 17,7% de IBS), e o Comitê Gestor do IBS estimou 27,91% para depois da transição. Eu falei em 26% na gravação, de cabeça: a ordem de grandeza está certa, o número exato ainda não existe.
Por que isso aperta mais o pequeno do que o grande?
Porque a empresa grande já é auditada de perto, já emite nota de tudo, já embutiu esse imposto no preço e tem poder de barganha com a indústria e trânsito para negociar. O pequeno da esquina, do mercadinho, da feira, não dá conta de emitir nota de tudo e competir ao mesmo tempo. Quando o imposto passar a sair na hora do pagamento, sobram dois caminhos: fechar ou aumentar o preço. E quem paga o aumento é sempre a população.
O que mais cai junto em 2027?
Três coisas que se somam. A PEC 221/2019, do fim da escala 6x1, que a Câmara aprovou em 27 de maio de 2026 e que passou na CCJ do Senado em 2 de setembro de 2026 — ela leva a jornada de 44 para 40 horas semanais, com transição. A Lei 15.270/2025, que isentou o Imposto de Renda até R$ 5 mil por mês e dá desconto até R$ 7.350, vigente desde janeiro de 2026 e com efeito na declaração de 2027. E a Portaria MTE 3.665/2023, em vigor desde 1º de março de 2026, que voltou a exigir convenção coletiva para o comércio abrir em feriado.
E o que a gente do setor de tecnologia tem a ver com isso?
Tudo. Custo subindo e margem apertando é exatamente quando automação deixa de ser luxo e vira sobrevivência. Na minha empresa, o atendimento por inteligência artificial roda 24 por 7 e passa para o humano quando precisa: eu tinha seis pessoas na equipe de atendimento e hoje não preciso de metade disso. Quem sabe fazer isso e vai até o comércio da própria cidade tem serviço para vender, e serviço que devolve dinheiro para quem contrata.
Chatbot não é aquele negócio de digite 1, digite 2?
Aquilo é a versão que deu má fama à palavra: ele não sabe nem o seu nome. O que funciona hoje é atendimento inteligente de verdade, omnichannel, atendendo Instagram, WhatsApp e os outros canais ao mesmo tempo, com API oficial, sem truque e sem gambiarra de automação não autorizada. E, antes da ferramenta, vem a parte que ninguém quer fazer: educar o empresário. Você chega no cliente e ele não sabe como funciona automação — esse é o gargalo real.

Baseado na gravação do canal @josimarjmv publicada em 29/07/2026 (12min05), com transcrição própria das legendas do próprio vídeo. São da minha vivência: o CNPJ desde os 18 anos, a empresa criada no interior de Minas Gerais com clientes em 18 países, o sistema de atendimento por inteligência artificial que reduziu a equipe de seis pessoas, e a leitura de quem paga folha no quinto dia útil. São apuração minha, feita em 18/09/2026, e não foram ditos na gravação: o calendário do split payment com o Simples Nacional integral e a venda a pessoa física fora do primeiro ano, o caráter facultativo e B2B em 2027 e a janela de opção pelo Simples híbrido entre 1º e 30/09/2026 (Contábeis); a base legal nos arts. 31-35 da LC 214/2025 e o Decreto 12.955/2026; as estimativas de alíquota de referência em torno de 26,5% e os 27,91% do Comitê Gestor do IBS, com envio ao Senado até 30/10/2026 (Contábeis); a aprovação da PEC 221/2019 na Câmara em 27/05/2026 por 461 a 19 (Agência Brasil) e na CCJ do Senado em 02/09/2026, com relatoria de Omar Aziz e transição de 42 e depois 40 horas (Senado Notícias); a sanção da Lei 15.270/2025 em 26/11/2025, com isenção até R$ 5 mil, desconto até R$ 7.350 e mais de 15 milhões de beneficiados (Senado Notícias); e a entrada em vigor da Portaria MTE 3.665/2023 em 1º/03/2026 depois de três adiamentos (Ministério do Trabalho e Emprego). As projeções de 20% de aumento de custo com o 5x2 e de inflação alta em 2027 são leitura minha, não número oficial. Data, preço e condição de cada imersão são as que estão em todas as imersões.