Josimar MachadoJMV Technology · 2003 —
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Transição de carreira: o erro é achar que a empresa paga o seu teste

Me perguntam isso no canal toda hora. A transição é da sua carreira, não da empresa. Eu, que contrato e pago a folha, não ponho pra dentro quem chega sem nada a entregar. Aqui eu conto o caminho que eu respeito: emprego de dia, projeto próprio à noite e no fim de semana, no ar, com senha de usuário e de admin pra eu abrir na entrevista.

Josimar Machado
Josimar Machado
Fundador, JMV Technology

🎧 PREFERE OUVIR? · 11 min · Podcast Em Produção

Este artigo também é um episódio do podcast Josimar JMV | Em Produção — o mesmo vídeo, só o áudio, normalizado pra fone.

Gravado em 09·06·2026 · 11 minAssistir no YouTube ↗

Gravei esses 11 minutos no canal @josimarjmv em 9 de junho de 2026. Assista e leia junto. Aqui embaixo eu conto a mesma coisa por escrito e ponho o que eu fui conferir depois na lei: a Lei do Estágio, a LGPD, a lei que regula a arquitetura e o artigo 41 da Constituição.

Resposta rápida

o erro que trava a transição de carreira é achar que a empresa tem que pagar pra você testar se vai dar certo na área nova. Empresa não é concurso público, é feita pra ter lucro. O caminho que eu respeito, como dono de empresa, é outro: você mantém o emprego que paga as suas contas, toca projeto próprio à noite e no fim de semana, conclui, põe em produção e põe pra vender, mesmo sem lucro. Leva de seis meses a um ano. Aí você chega na entrevista júnior ainda, mas com projeto no ar e gerando valor.

De onde eu falo

Vou dar minha carteirada antes. Eu sou CEO de uma empresa de tecnologia de verdade e sou hands-on, mão na massa. Não sou engenheiro do CREA, antes que me xinguem, mas eu atuo com engenharia de infraestrutura de verdade: cuido de CDN no Brasil e nos Estados Unidos.

E eu sou o cara que paga a conta. Tenho colaborador e tenho empresa desde os 18 anos. É dessa cadeira, a de quem decide a contratação, que eu vou te responder.

Essa pergunta chegou várias vezes no canal. Gente do meu círculo também me manda: transição de carreira, o que eu acho, olha o meu currículo. Então vou dizer o que eu acho, e é o que eu achava ontem, acho hoje e vou achar amanhã, com inteligência artificial ou sem.

A transição é da sua carreira, não da empresa

Começa pelo nome. É transição de carreira ou transição da empresa? É de carreira. Você quer sair de uma e ir pra outra. Beleza.

Agora me responde: por que cargas d'água a empresa tem que pagar a sua transição? Muita gente acha que tem que entrar na empresa pra testar se vai dar certo naquilo, com a empresa pagando pra ele descobrir se quer mesmo mudar.

Está achando que empresa é o quê? Órgão público, em que você faz o concurso, passa e pronto? Não dá. Empresa é feita pra ter lucro. Você trabalha pra empresa, o gerente trabalha, os seus colegas trabalham, todo mundo junto em prol do mesmo objetivo.

Na minha concepção é um absurdo alguém achar que a empresa é obrigada a pagar por isso. Tira da cabeça.

Quem te contrata "pra testar" nunca pagou uma conta

Se alguém te contratar nessa base, é um RH chinelinho, um RH Enzo, da era do mimimi, que nunca pagou uma conta e fica botando gente pra dentro. Se esse RH for conversar com o dono ou com o diretor da empresa, vai apanhar. Vai ser demitido.

Não dá pra pôr pra dentro alguém que quer fazer uma transição que a empresa vai pagar e que não tem nada a entregar. Se a pessoa não entende o que vai fazer, é a mesma coisa que contratar um estagiário ou um júnior. Pra mim, que sou dono de empresa, uma contratação dessas não faz o menor sentido.

Eu já escrevi sobre o dev chinelinho e sobre o estagiário que eu vou contratar. O raciocínio aqui é o mesmo: eu preciso de um motivo pra acreditar em você.

A exceção: o sênior que muda de área

"Mas eu sou dev sênior e quero ir pra infraestrutura." Ou o contrário: é de infraestrutura e quer ir pra desenvolvimento.

Se o cara é sênior, existe talvez uma possibilidade de combinar alguma coisa com ele. Ele tem bagagem. Isso é diferente de testar uma carreira dentro da empresa.

O que não existe é chegar pedindo pra eu contratar alguém pra fazer a transição aqui dentro, sem entender nada do que vai fazer.

O caminho que eu respeito: projeto próprio, em qualquer segmento

Então como você convence qualquer RH, qualquer CEO, qualquer dono de empresa a te contratar, jogando limpo, sem esconder nada, sem migué? Migué é coisa de chinelinho. Você quer cuidar bem de você e da sua família, quer um futuro bacana e cansou do que está fazendo.

Em qualquer segmento, você tem que fazer uma coisa: projeto próprio.

É designer e quer virar só front-end? Não faz. É designer e quer virar desenvolvedor full stack? Aí faz. Hoje o desenvolvedor não precisa ficar cuspindo código, todo mundo é vibe coder. E cuidado pra não entender errado: você tem que se preocupar com o código, sim. Só não pode ser somente com ele. Tem que saber o que fazer, como fazer, e entender de arquitetura. Quem só cospe código é o que eu chamei de sabor programador.

Então você estuda e coloca coisa em produção pra valer. Muita coisa. Faz um SaaS e libera de graça pra galera usar. Se for aplicativo, sobe nas lojas. Vai subindo e vai aprendendo.

Quem vira sênior é quem bate a cabeça, faz cagada, vê que deu errado e não erra de novo. Não é como na época da pandemia, com o golpe do sênior de seis meses. Isso não existe. Se você ainda trava nessa hora, eu contei como eu perdi o meu medo de subir em produção.

Emprego de dia, projeto à noite e no fim de semana

Quer fazer a transição? Começa hoje a carreira nova. Trabalha no horário normal, que é o que paga as suas contas. À noite e nos fins de semana, pega projeto por hobby, conclui e põe em produção.

Concluir, viu, meu amigo TDAH. Não é começar um projeto hoje e parar porque não vai dar. Começar outro amanhã e parar porque ficou dependendo de alguma coisa. Parar porque agora é marketing e você não gosta, ou porque tem que mexer com contador. Não é isso. É pôr um projeto real pra rodar pra valer.

O caminho da transição de carreira em quatro passos Uma linha no topo mostra o que não funciona: pedir pra empresa pagar o teste da carreira nova. Abaixo, quatro caixas em sequência mostram o que funciona: emprego de dia, que paga as contas; projeto próprio à noite e no fim de semana, concluído; projeto em produção e à venda, mesmo sem lucro; e entrevista com o projeto no ar e senha de usuário e de admin. TRANSIÇÃO DE CARREIRA: QUEM PAGA O TESTE Não funciona: entrar na empresa pra testar a carreira nova, com ela pagando Funciona: você paga o teste, com o seu tempo 1 · DE DIA Emprego normal É o que paga as suas contas › 2 · À NOITE Projeto próprio Noite e fim de semana, até concluir › 3 · NO AR Em produção À venda, mesmo sem R$ 1 de lucro › 4 · ENTREVISTA Projeto aberto Senha de usuário e senha de admin
Os quatro passos são os que eu descrevo na gravação. O prazo que eu dou pra percorrer isso é de seis meses a um ano.

Só assim você entende de negócio e de produto. E quando você começa a entender de produto, está pronto pra assumir um cargo numa empresa de verdade. Ou pra empreender. Pode acontecer até de você desistir da transição e ir empreender. Em outro texto eu contei o não que me fez empreender.

Não é só código: imposto, contador, LGPD e marketing

É muito diferente quando o projeto é seu de verdade. Olha o que aparece:

  • Imposto. Você passa a pagar o seu.
  • Contador. Você contrata um.
  • LGPD e jurídico. LGPD pra valer, com jurídico pra cuidar. A Lei nº 13.709/2018 vale pra quem trata dado pessoal, inclusive em meio digital, e o seu projeto com cadastro de usuário faz isso.
  • Posicionamento na internet. Você precisa aparecer.
  • Marketing. Você tem que encontrar o seu filão pra vender.

Repara que eu não falei nada de código. E isso vale mesmo se a sua transição for pra código. Você precisa estudar essas questões todas, porque o operacional está ficando fácil: mobile, back-end, front-end, tudo está ficando fácil de fazer.

Então faz projeto próprio, coloca em produção e põe pra vender. Mesmo que não dê R$ 1 de lucro, isso te dá uma vantagem absurda. "Fiz um site pra imobiliária, está aqui funcionando, tem aplicativo, não consegui vender." Tudo bem. Nem todo mundo sabe vender, nem todo mundo vai conseguir empreender. Você fez, você conseguiu, você pôs pra rodar.

Na entrevista eu abro o seu projeto na hora

Quem for te contratar vai acessar. Aqui a gente vê isso demais. O candidato escreve "fiz projeto tal, projeto tal, projeto tal". Chega na entrevista e eu digo: "me dá aí, deixa eu ver agora". Eu não aviso que vou ver.

Aí vem: "ah, não, é porque saiu do ar". "É por conta disso." "É por conta daquilo." Passa vergonha.

O que eu peço na horaO que você precisa ter pronto
"Me dá aí, deixa eu ver agora"O projeto no ar, abrindo, naquele minuto. Sem "saiu do ar".
Entrar como quem usaUma senha de usuário (ou de aluno, se for o caso) pra quem entrevista navegar.
Entrar como quem administraUma senha de admin, pra pessoa vistoriar por dentro.

Faz o projeto, põe pra rodar e esteja com ele pronto pra ser entrevistado. Simples. Sobre a entrevista em si, eu também escrevi usar IA na entrevista dá ban.

Quanto tempo leva

Pra mim transição de carreira é um troço simples, mas exige esforço contínuo, e às vezes longo. Seis meses, um ano de estudo.

Por quê? Porque é o prazo que um estagiário ou um dev júnior tem pra provar o valor dele e ser contratado. Seis meses, um ano, um ano e meio, dois anos, depende do que ele está fazendo. É o tempo que esse cara tem dentro da empresa pra mostrar que sabe entregar valor e que entende de produto. No caso do estagiário o teto está na lei: a Lei nº 11.788/2008, no artigo 11, não deixa o estágio na mesma empresa passar de dois anos, a não ser para estagiário com deficiência.

Hoje a gente se preocupa muito com entregar valor, porque não é mais o código pelo código. Quando a pessoa começa a ter visão de produto e de marketing, entendeu que o imposto é mais caro, achou um gateway de pagamento mais barato, ela começa a gerar valor pra empresa.

É assim que a transição dá certo. Você chega júnior ainda, mas chega gerando valor. A empresa passa a ter motivo pra pagar o seu salário e pra acreditar em você. Esse é o ponto. Não dá pra querer mudar de carreira sem entender nada da carreira nova.

Vale pra qualquer carreira, não só pra dev

Não é só curso. Põe a mão na massa, faz projeto, põe em produção. Qualquer projeto.

Quer sair de desenvolvimento e ir pra arquitetura, de casa mesmo? Vai lá. Faz projeto de arquitetura, vende pro cunhado, pega um amigo e faz junto. Subir uma casa pro seu pai já é caro, eu sei. Mas você entendeu a ideia.

Fez o curso, fez a faculdade, porque arquitetura precisa de faculdade. A Lei nº 12.378/2010 exige diploma de graduação em arquitetura e urbanismo pra você ter o registro no conselho. Depois do diploma, o que prova que você sabe continua sendo projeto feito. Sobre o peso de cada caminho de formação, eu conto o que eu fiz em certificação, técnico ou faculdade.

Qualquer coisa que envolva transição de carreira exige pôr a mão na massa, em qualquer segmento, pra entregar valor.

E o concurso público?

Empresa não é órgão público. Se você quer ficar de boa, passa num concurso. Com IA ou sem IA, você tem a sua vaga lá, enquanto não mudarem a regra. E com reforma da previdência, reforma administrativa, troca de presidente, eu acho meio óbvio que uma hora surge legislação pra mexer na estabilidade.

A minha opinião: o cara estuda cinco anos pra passar num concurso, coisa que ele nunca vai usar na atividade, e depois fica com a vaga garantida, trabalhando a 10 km/h. Não são todos. Repito, não são todos. Mas eu acho que a estabilidade tinha que funcionar como no segmento privado, e o salário tinha que ser pareado com o privado. Na minha visão, hoje o público paga mais e produz menos.

Fui conferir o que a regra diz hoje. O artigo 41 da Constituição dá estabilidade ao servidor concursado depois de três anos de efetivo exercício. Depois disso ele só perde o cargo por sentença judicial transitada em julgado, por processo administrativo com ampla defesa ou por avaliação periódica de desempenho, na forma de lei complementar.

Pra quem não quer pressão, ainda é uma boa hora. Estuda, faz o cursinho, passa na prova. Lá ninguém vai te cobrar, e você não vai precisar dizer que o ambiente é tóxico porque te cobraram.

Transição de carreira é coisa de gente séria, de quem não é chinelinho. Põe projeto em produção, que você vai ter um sucesso enorme na sua carreira.

TODA SEGUNDA · MEIO-DIA · AO VIVO

Discorda? Concorda? Tem um caso parecido? Aqui não tem caixa de comentário de propósito: segunda-feira, ao meio-dia, eu faço live no canal e a gente conversa sobre isso ao vivo — sem corte, como sempre.

Ver as lives no canal @josimarjmv →

Perguntas frequentes

Empresa contrata quem está em transição de carreira?

Contrata quem chega com alguma coisa a entregar. O que eu não faço, e nenhum dono de empresa que paga a própria folha faz, é pôr pra dentro alguém que quer testar se vai gostar da carreira nova com a empresa pagando o teste. Empresa é feita pra ter lucro. Se você chega com projeto seu rodando e já entende um pouco de produto, você vira um júnior que gera valor, e aí a conversa é outra.

Preciso largar o emprego pra mudar de carreira?

Não. O que eu faria é o contrário: trabalha no horário normal, que é o que paga as suas contas, e usa a noite e o fim de semana pra tocar projeto próprio. A transição começa hoje, em paralelo, sem pedir pra ninguém bancar.

Que tipo de projeto serve pra provar que eu sei?

Projeto real, concluído e em produção. Um SaaS que você libera de graça pra galera usar, um aplicativo publicado nas lojas, um site com aplicativo pra uma imobiliária. Não serve começar um hoje, largar, começar outro amanhã e largar de novo. Vale o que está no ar e funciona.

O projeto precisa dar lucro pra contar?

Não. Põe pra vender, mas se não der R$ 1 de lucro, tudo bem. Nem todo mundo sabe vender e nem todo mundo vai conseguir empreender. Você fez, colocou pra rodar e está funcionando. Isso já te dá uma vantagem absurda numa contratação.

Quanto tempo leva uma transição de carreira bem feita?

Eu trabalho com seis meses a um ano de estudo e projeto, em esforço contínuo. É o mesmo prazo que um estagiário ou um dev júnior tem dentro da empresa pra provar o valor dele: seis meses, um ano, um ano e meio, dois anos, dependendo do que ele faz. Você só está fazendo esse caminho do lado de fora, antes de ser contratado.

Sou sênior em outra área. Muda alguma coisa?

Muda. Um dev sênior que quer ir pra infraestrutura, ou alguém de infraestrutura que quer ir pra desenvolvimento, tem bagagem, e com esse perfil talvez dê pra combinar alguma coisa. É diferente de testar uma carreira dentro da empresa. Quem não entende nada do que vai fazer está pedindo uma vaga de estagiário ou de júnior, e tem que ser tratado assim.

Curso e certificado bastam pra fazer a transição?

Não bastam. Não é só curso. Coloca a mão na massa, faz projeto e põe em produção. Tem carreira que exige diploma por lei, como arquitetura, e aí você faz a faculdade. Mesmo assim, depois dela, você vai precisar de projeto feito pra alguém.

O que você olha na entrevista de quem diz que tem projeto?

Eu peço pra ver na hora, sem avisar antes. Tem muita gente que escreve projeto tal, projeto tal, projeto tal no currículo e, quando eu peço o endereço, saiu do ar, é por conta disso, é por conta daquilo. Passa vergonha. Chega com o projeto no ar e com senha de usuário e senha de admin na mão, pra quem entrevista conseguir vistoriar.

Baseado na gravação do canal @josimarjmv publicada em 09/06/2026 (11min20s), com transcrição própria das legendas do próprio vídeo.

O que veio da gravação e o que é apuração minha, com as fontes

Da gravação: a minha posição de que a transição é da carreira e não da empresa; o RH que contrata "pra testar"; a exceção do sênior que muda de área; o projeto próprio em qualquer segmento, do designer ao arquiteto; o método de manter o emprego e tocar projeto à noite e no fim de semana até concluir; imposto, contador, LGPD, posicionamento e marketing; o site pra imobiliária que não vendeu; a entrevista em que eu peço pra ver o projeto na hora, com senha de usuário e de admin; o prazo de seis meses a um ano; e a minha opinião sobre concurso e estabilidade, que é opinião, dita sem número na gravação.

Apuração minha (09/10/2026): o limite de dois anos de estágio na mesma parte concedente, com exceção para estagiário com deficiência, é o artigo 11 da Lei nº 11.788/2008. O alcance da LGPD sobre tratamento de dados pessoais, inclusive nos meios digitais, é o artigo 1º da Lei nº 13.709/2018. A exigência de diploma de graduação em arquitetura e urbanismo para o registro profissional é o artigo 6º da Lei nº 12.378/2010. A estabilidade após três anos de efetivo exercício e as hipóteses de perda do cargo são o artigo 41, caput e § 1º, da Constituição Federal, na redação da Emenda Constitucional nº 19/1998.

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