Josimar MachadoJMV Technology · 2003 —
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A empresa não tem que bancar a sua ambição: ela paga pela stack dela

Medíocre só estuda no trabalho. Antes de me xingar: eu não estou falando de treinamento de sistema interno, que é obrigação da empresa. Estou falando de carreira e ambição. Essas duas coisas eu separo, e a segunda é sua.

Josimar Machado
Josimar Machado
Fundador, JMV Technology

🎧 PREFERE OUVIR? · 11 min · Podcast Em Produção

Este artigo também é um episódio do podcast Josimar JMV | Em Produção — o mesmo vídeo, só o áudio, normalizado pra fone.

Gravado em 03·06·2026 · 11 minAssistir no YouTube ↗

Gravei esses 10 minutos no canal @josimarjmv em 3 de junho de 2026. Aqui embaixo eu conto a mesma coisa por escrito, com mais calma e com a lei que eu fui conferir depois.

Resposta rápida

a empresa tem que pagar pela stack dela: o sistema interno, o CRM, o modo de operar. Isso se estuda em horário de trabalho, e mandar pra casa é irregular. Já o estudo de carreira, aquele que você leva pro resto da vida e pra qualquer vaga, é feito fora da empresa. Eu defendo que a empresa banque curso, em comum acordo e combinado antes da contratação. O que eu acho injusto é querer que ela pague o curso e ainda pague as suas horas pra você fazer. A sua ambição, quem corre atrás é você.

De onde eu falo

Meu nome é Josimar. Eu sou CEO de uma empresa de tecnologia de verdade, que contrata pessoas de verdade. E eu cuido de vários setores, não só de dev: desenvolvimento, infraestrutura, provedor, venda, suporte.

Meu amigo dev deve ter achado que este texto era só pra ele. Não é. O que eu vou dizer aqui vale pra qualquer segmento. A gente vê isso em todo canto da sociedade.

E já aviso o que este texto não é. Eu não estou falando de treinamento obrigatório de sistema interno de empresa. Estou falando de carreira. Se você tem ambição de ser um cara melhor, de virar sênior, de ganhar dinheiro, é sobre isso.

O que eu chamo de medíocre

Medíocre é uma palavra forte, eu sei. Mas aqui ela quer dizer pessoa média, a pessoa do senso comum. Só isso.

E está tudo bem se a pessoa escolheu viver assim. Isso é importante. Ninguém é obrigado a ser de alta performance o tempo todo, até porque alta performance tem o seu preço. Ter uma carreira brilhante tem o seu preço.

O que a gente precisa é diferenciar o que você quer, o que você tem e onde você vai chegar.

Um parêntese sobre a palavra funcionário. Ela está no título da gravação porque é assim que as pessoas procuram no Google e no YouTube. Eu não gosto dela, de verdade. É uma palavra criada lá em 1800, 1900 e bolinha, e não combina com o jeito que eu acredito que as empresas são. Eu sempre tratei todo mundo como colaborador.

Eu acredito nisto: você trabalha pra você, eu trabalho pra mim, e a gente trabalha junto pra cada um encontrar o seu sucesso. Se a empresa estiver bem, vai todo mundo bem. Se a empresa não estiver bem, não vai ninguém bem.

Antes da vaga: você tem fit com a empresa?

Antes de entrar na empresa vem uma pergunta: você tem fit com ela? Com o gestor, com o RH, com o dono? Você já viu quem é esse cara? É importante saber onde você vai trabalhar.

Muitos erros acontecem porque ninguém olhou o DNA da empresa. Ou o RH é ruim e não contratou direito. Ou estava com pressa, precisava preencher a vaga rápido e pôs qualquer pessoa pra dentro, uma pessoa sem o DNA do negócio.

Isso é a pior coisa que pode acontecer. É uma contratação que sai cara: em dinheiro pra empresa e emocionalmente pro colaborador. Sai todo mundo insatisfeito. Eu já escrevi sobre como eu contrato em o estagiário que eu vou contratar tem sangue no olho.

A faculdade não te entrega pronto

Pra crescer na vida você tem que estudar. Você sabe disso. Você fez faculdade pra quê? Ninguém te obrigou a fazer.

Só que a faculdade te prepara pro mercado de trabalho, e para por aí. O médico que sai da faculdade hoje está pronto pra assumir um pronto atendimento, um CTI? Não está. Sai cru. O advogado que sai da faculdade está pronto pra assumir as responsabilidades? O dev que sai da faculdade está pronto? Não está.

Na minha opinião, a nossa educação virou número há anos. A preocupação é formar todo mundo, e não privilegiar quem tem qualidade e quer estudar. Põe todo mundo no mesmo balaio, com a mesma régua. Aí a gente perde os nossos talentos, e ficam os bons pagando pelos ruins.

Quem não quer estudar, deixa. Dá outro caminho pra essa pessoa. Só não prejudica quem quer. Você que é chinelinho, não prejudica quem não é, e não acha que a sua bolha é verdade absoluta. Cada um tem o direito de ser feliz do jeito que quiser.

Sobre isso eu tenho dois textos: a educação do fingimento e por que eu não contrato ninguém pelo diploma.

Alta performance é na vida toda, não só no trabalho

Eu acredito muito que, pra aproveitar a vida de verdade, esses 70, 80 anos que a gente tem, a gente tem que ser de alta performance em tudo. Na vida pessoal: se dedicar à família, à esposa, ao filho. E no trabalho, seja você empreendedor ou não.

Gente chinelinho existe em todos os setores e em todas as posições do mercado. Tem herdeiro que não faz nada e nem vai na empresa direito, e tem herdeiro bom. Tem colaborador bom e colaborador ruim. Tem RH bom e RH ruim.

Os bons têm uma coisa em comum: estudam pra caramba, em todos os momentos em que é necessário.

Você não precisa viver pro trabalho. Mas o estudo fora da empresa é essencial pro seu crescimento como profissional, pra sua ambição de se tornar um sênior.

Estudo interno: é da empresa, e é em horário de trabalho

Exemplo. O cara entrou hoje na minha empresa. Eu tenho o meu CRM, o meu jeito de trabalhar, a minha stack, as minhas coisas.

É óbvio que ele vai estudar isso dentro do horário de trabalho. É a minha stack, é o meu software. CRM, modo de operar da empresa: tem que estudar em horário de trabalho. Fato. Não tem como ser diferente.

Pegar o meu sistema de controle e mandar a pessoa estudar na casa dela, fora do expediente, é irregular. Não pode.

Eu fui conferir isso depois. O artigo 4º da CLT considera como serviço efetivo o período em que o empregado está à disposição do empregador, aguardando ou executando ordens. E a Justiça do Trabalho já aplicou isso a curso: em maio de 2019, a Sexta Turma do TST mandou um banco pagar como hora extra o tempo de cursos online que serviam de critério de promoção, porque entendeu que a obrigatoriedade existia, ainda que implícita.

Estudo de carreira: é seu, e é fora da empresa

Agora o outro lado. Antes da contratação, a empresa te fala: você é estágio, júnior ou pleno, e a gente vai pagar cursos pra você estudar.

Só que esse é um estudo de carreira. É um estudo que você vai levar pro resto da sua vida. Que vai te catapultar pra vaga de sênior no mundo inteiro, não só no Brasil. Que vai te fazer um vendedor melhor, um suporte técnico melhor, um desenvolvedor melhor, um profissional melhor de infraestrutura ou de telecom.

Esse estudo, assim como qualquer curso que a gente compra pra estudar, é feito fora da empresa.

 Estudo internoEstudo de carreira
O que éO CRM, o software e o modo de operar daquela empresaCurso, pós-graduação, conhecimento técnico que serve em qualquer lugar
Pra quem ficaSó serve ali dentroVocê leva pro resto da vida
Quando se estudaEm horário de trabalhoFora da empresa, em casa
Quem respondeA empresa. É obrigação delaVocê. A empresa pode bancar o curso, em comum acordo

Eu defendo que as empresas banquem cursos pros seus colaboradores, sem problema nenhum. O que eu acho muito injusto é querer que a empresa banque um curso de carreira, um conhecimento técnico que é seu pra sempre, e ainda pague pela sua estadia dentro da empresa enquanto você faz.

Como eu combino um curso externo

Funciona assim. Você está entrando como dev pra mim e vai fazer uma parte do trabalho, mas não entende nada de SEO. SEO é um negócio que você leva pra vida inteira e que serve pra qualquer segmento.

Aí eu digo: vou te pagar um curso de SEO, o curso custa tanto. Você topa? Topo. Pronto.

Isso é combinado em comum acordo, antes da contratação. Não pode ser de cima pra baixo. A conversa é sobre o DNA da empresa e o DNA da pessoa que está sendo contratada. Bateu, deu fit, fechou, pelo menos inicialmente.

  • a empresa diz qual é o curso e quanto custa;
  • a pessoa diz se topa;
  • o estudo é feito fora do ambiente de trabalho;
  • e a empresa pergunta se a pessoa está disposta a melhorar a própria vida.

Essa última pergunta, pra mim, é obrigatória nessa conversa. É ambição de vida.

Outro exemplo: a empresa que paga uma pós-graduação pra você. Quantos programas de trainee, em banco e em tudo quanto é lugar, pagam a pós do colaborador? E ele cursa a pós em horário de trabalho? Não. É a mesma coisa. Aliás, hoje eu conheço diversos cursos que são muito melhores do que pós-graduação de faculdade. Eu comparei esses caminhos em certificação, técnico ou faculdade: o que eu fiz e indico.

Uma empresa investir na pós do colaborador, ou pagar um curso pra ele fazer fora, sem relação com o interno: é isso que alimenta a ambição.

O comum acordo não é detalhe. Quando eu fui conferir as decisões, o que pesa é se o curso era obrigatório. No caso de 2019, o curso valia como critério de promoção e virou hora extra. Em setembro de 2014, a Sétima Turma do TST negou o pedido de um bancário que não conseguiu demonstrar que a participação era obrigatória nem que os cursos foram feitos fora do expediente. Eu não sou advogado. No caso concreto, consulte um.

A empresa paga pela stack dela

A empresa não tem que pagar pela sua ambição. A empresa tem que pagar pela stack dela.

A sua ambição, quem corre atrás é você. É você que tem que ter um mindset de sucesso.

O exemplo do Michael Phelps

Um exemplo bobo, que eu acho que todo mundo já conhece, de gente de alta performance conhecida no mundo inteiro: o nadador Michael Phelps.

Anos atrás, ele e o treinador perceberam uma coisa. Os nadadores treinavam de segunda a sexta. E ele ganhava performance conforme treinava mais. Então ele passou a treinar de segunda a segunda, sem parar. Natal, Ano Novo.

Na gravação eu falei de cabeça que isso durou um ano e tanto, dois anos, e avisei que não sabia o número certo. Fui conferir. Num relato da World Aquatics, a federação internacional de natação, sobre uma palestra do treinador dele, Bob Bowman, em dezembro de 2016, está escrito que o Phelps treinou 365 dias por ano durante seis anos, até a Olimpíada de 2004. Foi mais do que eu lembrava.

Quando a gente quer crescer na vida, dar um conforto pra família e não viver na mediocridade, é assim que funciona.

O que eu defendo, no fim

Você vai ter que estudar do mesmo jeito que estudou na faculdade, do mesmo jeito que fez uma pós, do mesmo jeito que corre atrás de comprar um curso. Não é porque a empresa pediu que isso fica diferente de fazer uma faculdade. É comum acordo, fit, DNA.

Só estudar no trabalho? Depende. Se a stack é só do trabalho, se são coisas internas, com certeza é no trabalho.

Mas esse cara não vai crescer na vida se não estudar em casa. Eu não vou crescer na vida se eu não estudar em casa. E ninguém vai crescer se não tiver o mínimo de ambição de querer aprender e estudar em casa.

Se você quer ver como eu enxergo o outro lado dessa conversa, o de quem não estuda e fica pra trás, leia acabou pro dev chinelinho.

Nota de cronologia

Este relato é da gravação de 3 de junho de 2026. A parte de lei e o número do Phelps eu conferi em 11 de outubro de 2026, e os links estão no texto, onde cada fato aparece. O que é opinião minha, como o que eu penso da educação e da palavra funcionário, continua sendo opinião.

TODA SEGUNDA · MEIO-DIA · AO VIVO

Discorda? Concorda? Tem um caso parecido? Aqui não tem caixa de comentário de propósito: segunda-feira, ao meio-dia, eu faço live no canal e a gente conversa sobre isso ao vivo — sem corte, como sempre.

Ver as lives no canal @josimarjmv →

Perguntas frequentes

A empresa é obrigada a pagar curso para o funcionário?

O treinamento do que é dela, sim: o sistema interno, o CRM, o jeito de operar. Isso é obrigação da empresa e acontece em horário de trabalho. Curso de carreira é outra coisa. Eu defendo que a empresa banque, sem problema nenhum, mas isso é combinado em comum acordo antes da contratação. Não é obrigação, e não dá pra exigir que ela pague o curso e ainda pague as suas horas pra você fazer.

Estudar fora do horário de trabalho conta como hora extra?

Depende do que é o estudo. Sistema interno e treinamento que a empresa exige têm que ser em horário de trabalho. Mandar a pessoa estudar o meu sistema em casa, fora do expediente, é irregular. Quando eu fui conferir, o artigo 4º da CLT trata como serviço efetivo o tempo em que o empregado está à disposição do empregador, e o TST já mandou pagar como hora extra curso online que servia de critério de promoção. Estudo que você escolhe fazer pela sua carreira é seu. Eu não sou advogado: no caso concreto, consulte um.

Qual a diferença entre estudo interno e estudo de carreira?

Estudo interno é o que só serve dentro daquela empresa: o CRM dela, o software dela, o modo de operar dela. Estudo de carreira é o que você leva pro resto da vida e pra qualquer vaga, no Brasil ou fora: um curso de SEO, uma pós-graduação, uma certificação. O primeiro é em horário de trabalho. O segundo é feito fora da empresa.

O que significa dizer que medíocre só estuda no trabalho?

Medíocre, aqui, é a pessoa média, do senso comum. Não é xingamento. E está tudo bem se a pessoa escolheu viver assim, porque ninguém é obrigado a ser de alta performance o tempo todo. O que eu digo é que quem só estuda o que a empresa manda, dentro do expediente, aprende a stack daquela empresa. A ambição de virar sênior e ganhar mais depende do estudo que acontece fora dali.

Como combinar com a empresa um curso pago por ela?

Antes da contratação e em comum acordo. O exemplo que eu dei: você está entrando como dev, não entende nada de SEO, eu te pago um curso de SEO, digo quanto custa e pergunto se você topa. Topou, está combinado. Não pode ser imposto de cima pra baixo. E nessa conversa a empresa tem que perguntar se a pessoa está disposta a melhorar a própria vida.

O que avaliar antes de aceitar uma vaga?

O fit. O seu fit com a empresa, com o gestor, com o RH, com o dono. Muito erro acontece porque ninguém olhou o DNA da empresa antes, ou porque o RH tinha pressa pra preencher a vaga e pôs qualquer pessoa pra dentro. Contratação errada sai cara em dinheiro pra empresa e emocionalmente pro colaborador. Sai todo mundo insatisfeito.

Preciso viver para o trabalho para crescer na carreira?

Não. Você não precisa viver pro trabalho. Mas o estudo fora da empresa é essencial pro seu crescimento como profissional. Eu não vou crescer na vida se eu não estudar em casa, e ninguém vai crescer sem o mínimo de ambição de querer aprender e estudar em casa.

Baseado na gravação do canal @josimarjmv publicada em 03/06/2026 (10min32s), com transcrição própria das legendas do próprio vídeo.

O que veio da gravação e o que é apuração minha, com as fontes

Da gravação: os setores que eu cuido na empresa; o sentido de medíocre como pessoa média e a ressalva de que está tudo bem escolher isso; por que eu digo colaborador e não funcionário; o fit e o DNA antes da contratação e o custo da contratação errada; o que eu penso da faculdade e da educação que virou número; a alta performance na vida toda; o estudo do CRM e da stack da empresa em horário de trabalho e a irregularidade de mandar isso pra casa; o estudo de carreira feito fora da empresa; o exemplo do curso de SEO combinado em comum acordo; o exemplo da pós-graduação paga pela empresa; a frase de que a empresa paga pela stack dela e a ambição é sua; e o exemplo do Michael Phelps treinando de segunda a segunda, com a duração dita de cabeça (um ano e tanto, dois anos).

Apuração minha (11/10/2026): CLT, artigo 4º, no texto do Planalto, considera como de serviço efetivo o período em que o empregado está à disposição do empregador, aguardando ou executando ordens; notícia do TST de 21/05/2019, Sexta Turma, tempo de cursos online usados como critério de promoção pago como hora extra, com obrigatoriedade implícita; notícia do TST de 08/09/2014, Sétima Turma, processo AIRR-1992-87.2010.5.04.0202, pedido negado porque o bancário não demonstrou a obrigatoriedade nem a realização fora da jornada; relato da World Aquatics de 04/12/2016 sobre a palestra de Bob Bowman, com a frase de que o Phelps treinou 365 dias por ano por seis anos, até a Olimpíada de 2004.

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