A redenção do tech lead: o perfil que eu vou privilegiar com IA
O tech lead ganha pouco a mais que o sênior e leva toda a bomba do projeto. Ninguém quer o cargo. Só que ele já faz o processo quase perfeito pra inteligência artificial. Como quem paga a conta, é esse o perfil que eu vou privilegiar nas minhas próximas contratações.
🎧 PREFERE OUVIR? · 16 min · Podcast Em Produção
Este artigo também é um episódio do podcast Josimar JMV | Em Produção — o mesmo vídeo, só o áudio, normalizado pra fone.
Gravei esses 16 minutos no canal @josimarjmv em maio de 2026, logo depois dos vídeos sobre contratação remota e entrevista. Assista e leia junto: aqui embaixo eu conto a mesma coisa por escrito, com o que mudou de lá pra cá.
o tech lead ganha, pelos dados que eu levantei, 20, 25% a mais que o sênior, quando muito, e assume 100% da responsabilidade do projeto. Por isso ninguém quer o cargo. Mas o trabalho dele, backlog bem feito, quebra de tarefa, prioridade, code review, destravar o time, já é orquestração. O tech lead que aprender a orquestrar agentes de IA vai produzir muito mais, com mais qualidade, e é o perfil que eu vou privilegiar. Ele não é gestor de pessoas, é gestor técnico. E nem todo agente precisa de LLM: muita coisa um Python pequeno resolve.
A visão de quem paga a conta
Pra você que não me conhece: eu sou engenheiro de infraestrutura, CEO, um cara que paga a conta. O que eu te trago aqui é a visão do negócio, coisa que as pessoas não falam pra você. Eu sei que o amigo dev pode estar com raiva de mim por causa dos vídeos de contratação remota e de entrevista. Eu entendo. Mas aquele é o ponto de vista de muitos e muitos empresários.
Lógico que não dá pra colocar todo mundo no mesmo balaio. E nem tudo está perdido. A visão que eu tenho, de empreendedor e de CEO, pras novas contratações que eu for fazer, é esta: a redenção do tech lead. Os vídeos que deixaram a bolha dev brava são os de acabou pro dev chinelinho? e da conta de R$ 120 mil de uma contratação errada.
Por que ninguém quer ser tech lead
Eu já tive um tech lead interno aqui. Ele chegou pra mim: "Josimar, cara, eu estou virando tech, me dá um aumento aí." A gente combinou o aumento com ele. Não era um cargo oficial, porque ele não pediu pra trocar o cargo no papel, mas foi combinado, teve aumento salarial, óbvio. E ele gostava do que fazia: abraçava o projeto e cuidava dele.
Esse caso é exceção. Eu andei vendo live, conversando com gente, pesquisando com tech lead, com empreendedor e com a bolha dev. A gente tem que ouvir os outros também. E a estatística salarial que eu levantei, não sou eu falando, são os dados que eu peguei, diz o seguinte: o cara que vira tech lead ganha 20, 25% a mais do que o sênior, quando muito.
Só que é inversamente proporcional. Ele assume 100% da responsabilidade do projeto, ou dos projetos que está tocando. Toda bomba que cai, cai onde? No colo do tech lead. É justo o cara ganhar 20, 25% a mais e aguentar toda a bomba, toda reunião, e ainda levar a puxada de orelha de todo lado?
O erro: virar tech lead e continuar codando
Outro ponto importante. Muitas vezes o cara vira tech lead e continua codando. Está cuidando de reunião, de alinhamento, e ainda está codando. Isso é perigoso, porque às vezes você não faz bem nem uma coisa nem outra.
"Ah, mas não tem trampo pra ser só tech lead." Vamos lá. Olha o que cai na mão dele:
- Conversa e reunião com o PO, alinhamento de produto.
- Code review.
- Quebrar as tarefas pra saber qual tarefa vai pra quem.
- Ordem e prioridade: não adianta o front ficar pronto e o back só daqui a um mês. Perdeu o time.
- Destravar o time. A gente tem 266 microsserviços e um cluster. Sistema legado é mato. Vai ter trava técnica, vai ter coisa chata que ninguém quer fazer. Quem decide e alinha os dois lados? O tech lead.
- Mentoria do júnior que não é chinelinho e precisa de ajuda.
- Ser a voz da galera quando o marketing chega com função que o cliente pediu e o pau quebra na reunião.
E muitas vezes ainda cuida de função que não é dele. Olha o tanto de responsabilidade.
Tech lead não é gestor de pessoas
Problema de amizade dentro da equipe? Não é com ele. Tech lead é gestor técnico. Ele está lá pra cuidar do produto. Gestor de pessoas é o RH, é o psicólogo, é outra história, e o tech lead reporta.
Só que muitas vezes o tech lead é amigo da equipe, e é normal. Aqui na empresa tem gente com anos e tanto de casa; o pessoal fica amigo. Mas não pode misturar. Não é porque é amigo que você não vai falar: "Vem cá, vamos fazer isso direito, esse aqui está errado."
E pior quando o cara é chinelinho: não trabalha, enrola, deixa trampo e déficit técnico pro resto da equipe. "Cheguei mal, estou triste." A equipe tem que ajudar uma vez ou outra, mas não dá pra equipe carregar um defunto a vida inteira. E sobra pra quem? Se o projeto não entregar, quem é chamado à atenção é o tech lead. Ele toma bomba de cima e toma bomba de baixo.
O mais caro da empresa é a transferência de conhecimento
Eu já expliquei isso quando falei do nosso contrato: o mais caro numa empresa é a transferência de conhecimento técnico. O tempo de um sênior passando coisa pra um júnior ou pra um estagiário. Isso é mais caro que curso. Não tem preço. E quem cuida disso? O bendito tech lead. O que eu mudei de lá pra cá na métrica de quanto tempo um dev leva pra pegar a stack eu contei em eu errei: seis meses pra pegar a stack não existe mais com IA.
O tech lead já é um orquestrador
Olha onde eu quero chegar. Lá fora já tem cargo de orquestrador de agentes de inteligência artificial pagando, pelo que eu pesquisei, até US$ 150 mil por ano. E o que o tech lead faz? Ele é um orquestrador de agentes humanos.
Ele já faz o processo praticamente perfeito pra inteligência artificial: backlog bem feito, tarefas separadas, code review, organização das tarefas primárias. Cara, você já é um orquestrador. A sua dificuldade hoje é que você orquestra ser humano, o bicho mais complexo que existe na face da Terra. Bilhões de pessoas, cada uma com a sua cabeça, a sua criação, o seu jeito de fazer as coisas.
Se ele é tech lead, é porque alguém viu nele o talento de orquestrar dev, QA, front, back, infra e mobile, a "coisarada" toda do projeto. Com essa habilidade, ele vai catapultar o trabalho trazendo agentes de IA pro dia a dia:
- um agente de code review pra ajudar com as métricas;
- um agente de QA rodando teste de navegador com o Playwright, mais rápido;
- e, sim, às vezes substituindo o dev que não é bom, que é só digitador de código. Esse vai ser substituído.
"Ah, então você vai mandar os programadores todos embora e ficar só com o cara orquestrando máquina." Não. Eu não acredito nisso. O dev sênior que é bom continua; ele orquestra os agentes junto. Quem vai ter que largar de ser chinelinho é o chinelinho, pra trabalhar ou pra empreender. É a escolha da vida dele. Como eu montei um pipeline em que o agente faz o trabalho de júnior está em substituí um dev júnior por IA no meu pipeline.
E tem tech lead ruim também. Tech lead não pronto, não treinado, que acha que é muito e não é nada. Igual qualquer profissão.
Nem todo agente precisa de LLM
Isso entrou até na reunião da empresa no dia em que eu gravei: até que ponto o agente precisa ter um LLM? "Mas a gente está falando de inteligência artificial." Cara, um agente que vai conferir boleto bancário cruzando com a planilha. Pra que gastar token e correr o risco de 500 prompts errados, se isso um Python pequeno faz?
Tem muita gente achando que está no parquinho, metendo automação com IA em coisa que se resolve com poucas linhas de Python. Overkill total. O tech lead que eu quero sabe separar: até que ponto o agente pode ser autônomo, até que ponto precisa de modelo, e onde é só automação básica. Os agentes que eu rodo de verdade, e os que não precisavam ser agente, eu listei em agente de IA não é startup.
O que eu ponho agente pra checar no merge
Vamos estudar como a gente dá autonomia pro agente no pipeline. No GitLab, no GitHub se for o seu caso: como você coloca um hook no merge, da sandbox pra tag, pra disparar um monte de validação, com LLM ou sem, local ou remoto. Isso é orquestração de agente. Esse agente faz pra mim o trabalho de checar se o dev, na hora do merge:
- Subiu o CI da forma correta. A gente mudou o CI; agora tem um ponto de montagem certo.
- Usa variável de ambiente e secret, e não credencial escrita no código.
- Não deixou no repositório coisa que não pode ter.
- Não esqueceu do
.gitignorecom o que é só da máquina dele. - Não encheu a imagem Docker de coisa que não precisa pra rodar, deixando a imagem com uns 500 MB.
Essas coisas tomam tempo no dia a dia de gestão. Cada empresa tem a sua regra, e você automatiza tudo. Pro último item, a própria documentação do Docker sobre o contexto de build explica o arquivo .dockerignore, que tira do build o que não deve ir pra imagem. Como eu desenhei o meu CI pra aguentar agente fazendo merge o dia inteiro está em GitHub vai virar gargalo: meu CI com agentes de IA.
Combina a entrega, entrega e some
O pessoal meteu a ripa em mim: "você quer ficar monitorando o povo de hora em hora". Gente, se o cara é contratado por hora, a gente combina a feature por hora. Eu, como técnico, sei estimar. O dev diz quantas horas gasta a tarefa, eu falo "não, está muito, por que isso?", ele justifica. Entregou, some. Eu acho que isso é o futuro e não tem problema nenhum. Mas tem que ter a responsabilidade de entregar a análise da complexidade do projeto.
E o tech lead com agente na mão tem muito mais ferramenta pra isso: relatório sólido, sem burnout, sem assumir função que não é dele. Ele vai ter condição de botar o pau na mesa e falar: "Nós vamos entregar tal feature, tal dia, assim e assado. Esse é o combinado." Seja remoto ou presencial.
Nota de cronologia: esse vídeo é de 22 de maio de 2026. Ali eu ainda falava de estimar por hora e por story point. Em setembro eu larguei a sprint, e o porquê está em story point não faz sentido com IA. A ideia de combinar a entrega e cobrar a entrega continua igual.
Scrum Master, coordenador de reunião: nunca fez sentido pra mim
Tem os cargos burocráticos. Teve uma vez que vieram com esse negócio de Scrum aqui, e eu subi o menino do suporte pra ser o Scrum Master. Pra mim era a coisa mais sem sentido do mundo: coordenador de reunião. Quem cuida do projeto pra valer é o tech lead, não o Scrum Master.
Só pra ser justo com o Scrum: no Scrum Guide oficial, o Scrum Master responde pela eficácia do time e por estabelecer o Scrum como o guia define; não é dono do projeto. Na prática, o que eu via era gente escrevendo caso de uso e regra de negócio pra repassar. Hoje, com IA, o tech lead ouve a regra de negócio e o caso de uso e ali dentro já desembola o backlog, separa as tarefas e vai embora. Coordenadorzinho de reunião e gerador só de relatório não fazem sentido. O que aconteceu quando eu cortei o PO também está escrito: eu cortei o PO.
O que eu recomendo pro amigo tech lead
Estuda multiagentes e orquestração de agentes. Como funcionam esses sistemas, até que ponto o agente pode ser autônomo, quando ele precisa de LLM e quando não precisa. Como quem paga a conta, esse é o perfil que eu vou privilegiar: o tech lead que entende de orquestração de agentes de IA pra ajudar no trabalho do dia a dia. Por quê? Porque ele vai produzir muito mais, com mais qualidade.
É difícil um CEO dar a cara a tapa e falar isso aberto, sem mimimi, coisa que eu só falo no escondidinho com outros CEOs ou com os meus colaboradores no um a um. Se fez sentido pra você, ótimo. Crítica construtiva eu acho ótimo também: ponto de vista diferente é o que faz a gente crescer. E o que uma empresa de software faz de verdade em produção, de desenvolvimento com IA e pipeline ao resto da operação, é o que eu ensino na Imersão de SaaS em Produção.
Discorda? Concorda? Tem um caso parecido? Aqui não tem caixa de comentário de propósito: segunda-feira, ao meio-dia, eu faço live no canal e a gente conversa sobre isso ao vivo — sem corte, como sempre.
Ver as lives no canal @josimarjmv →Perguntas frequentes
Vale a pena virar tech lead?
Do jeito que o cargo é hoje, a conta é ruim: pelos dados salariais que eu levantei, o tech lead ganha 20, 25% a mais que o sênior, quando muito, e assume 100% da responsabilidade do projeto. Toda bomba cai no colo dele. O que muda o jogo é ele aprender a orquestrar agentes de IA: aí ele produz muito mais, com mais qualidade, e vira o perfil que eu vou privilegiar.
Tech lead é gestor de pessoas?
Não. Tech lead é gestor técnico: está lá pra cuidar do produto. Gestor de pessoas é o RH, o psicólogo, é outra história, e o tech lead reporta. Problema de amizade dentro da equipe não é função dele. Mas ele não pode misturar as coisas: não é porque é amigo que ele não vai falar que o código está errado.
Tech lead deve continuar programando?
Continuar codando no mesmo ritmo enquanto cuida de reunião, alinhamento com o PO, code review e mentoria é perigoso: muitas vezes você não faz nem uma coisa bem nem outra. Trabalho de tech lead não falta. O que eu defendo é ele botar a mão na massa da forma correta, com agentes de IA fazendo a parte repetitiva.
Por que o tech lead seria um bom orquestrador de agentes de IA?
Porque ele já faz o processo praticamente perfeito pra inteligência artificial: backlog bem feito, quebra das tarefas, ordem e prioridade, code review, destravar o time. Ele já orquestra o bicho mais complexo que existe, o ser humano. Se alguém viu nele o talento de orquestrar dev, QA, front, back, infra e mobile, ele vai catapultar isso com agentes.
Todo agente precisa de LLM?
Não. Um agente que confere boleto bancário cruzando com a planilha não precisa gastar token nem correr o risco de 500 prompts errados: isso um Python pequeno resolve. Tem muita gente automatizando com IA o que é automação básica. Overkill total.
O que dá pra automatizar com agente no merge e no CI?
Eu ponho um hook no merge que dispara um monte de validação, com LLM ou sem, local ou remoto: se o dev subiu o CI do jeito novo, com o ponto de montagem certo; se está usando variável de ambiente e secret; se tem coisa que não pode no repositório; se esqueceu do .gitignore; se a imagem Docker saiu com uns 500 MB de coisa que não precisa pra rodar. Cada empresa tem a sua regra e dá pra automatizar tudo.
Scrum Master ainda faz sentido?
Na minha empresa nunca fez. Quando vieram com Scrum, eu subi o menino do suporte pra ser o Scrum Master, porque coordenador de reunião, pra mim, não faz sentido. Quem cuida do projeto pra valer é o tech lead. Com IA, ele ouve regra de negócio e caso de uso e já desembola o backlog sozinho.
Baseado na gravação do canal @josimarjmv publicada em 22/05/2026 (16min16), com transcrição própria das legendas do próprio vídeo.
O que veio da gravação e o que é apuração minha, com as fontes
Da gravação: a carteirada de engenheiro de infraestrutura e CEO que paga a conta; a reação da bolha dev aos vídeos de contratação remota e entrevista; o tech lead interno que pediu e ganhou aumento sem trocar o cargo no papel; os dados salariais que eu levantei (20, 25% a mais que o sênior, quando muito) contra 100% da responsabilidade; o erro de continuar codando; a lista do que cai na mão do tech lead (PO, code review, quebra e prioridade de tarefas, destravar o time, mentoria, ser a voz da equipe); os 266 microsserviços e o cluster; tech lead como gestor técnico, não de pessoas; o chinelinho e o "defunto" que a equipe carrega; a transferência de conhecimento como o mais caro; o cargo de orquestrador de agentes de IA lá fora pagando até US$ 150 mil, pelo que eu pesquisei na época; o agente de code review e o de QA com Playwright; a reunião sobre quando o agente precisa de LLM e o exemplo do boleto com a planilha; o hook no merge e as checagens de CI, secret, .gitignore e imagem Docker de 500 MB; a estimativa combinada por hora; o Scrum Master que eu subi do suporte; e o perfil que eu vou privilegiar.
Apuração minha (18/10/2026): o papel do Scrum Master está no Scrum Guide oficial, que o define como responsável pela eficácia do time e por estabelecer o Scrum; o .dockerignore está na documentação do Docker sobre contexto de build; o Playwright é o framework de teste de navegador da documentação oficial do Playwright. Não refiz a pesquisa salarial nem a dos US$ 150 mil; os números são os que eu mostrei na gravação de maio. Na gravação eu também mostrei na tela uma média salarial anual de engenheiro no Brasil que a legenda automática não transcreveu com segurança; por isso ela ficou fora daqui. Nota de cronologia: o vídeo é de 22/05/2026; em setembro de 2026 eu abandonei a sprint e o story point, e o que mudou está nos artigos linkados no texto.