Josimar MachadoJMV Technology · 2003 —
← Blog·Contratação e equipe·14·10·2026·15 min de leitura

Quanto custa uma contratação errada? A conta que eu faço antes de contratar

Um dev de R$ 5 mil por mês que não pega a stack me custa R$ 60 mil. Se eu tiver que pôr outro no lugar, R$ 120 mil. Por isso eu não acho caro pagar R$ 5 mil de passagem e hotel pro teste presencial. E com IA o risco mudou: hoje é o produto que quebra.

Josimar Machado
Josimar Machado
Fundador, JMV Technology

🎧 PREFERE OUVIR? · 12 min · Podcast Em Produção

Este artigo também é um episódio do podcast Josimar JMV | Em Produção — o mesmo vídeo, só o áudio, normalizado pra fone.

Gravado em 28·05·2026 · 12 minAssistir no YouTube ↗

Gravei esses 12 minutos no canal @josimarjmv pro amigo do RH, pro amigo empreendedor e pra quem está em busca de vaga. Assista e leia junto: aqui embaixo eu conto a mesma conta por escrito e ponho o que eu fui conferir depois.

Resposta rápida

na minha conta, uma contratação errada de um dev de R$ 5 mil por mês que levava até 6 meses pra pegar a nossa stack custa R$ 30 mil de salário, R$ 60 mil quando eu dobro pros encargos, e R$ 120 mil se eu tiver que pôr outra pessoa pra fazer a mesma coisa, fora o atraso de entrega do projeto. Contra isso, os R$ 5 mil de passagem e hotel pra trazer o candidato a São Paulo fazer um teste presencial comigo são baratos. Com inteligência artificial, o risco deixou de ser só dinheiro: quem não entende arquitetura entrega, e o sistema cai na hora que escala.

De onde eu falo: de quem paga a conta

Meu nome é Josimar, sou engenheiro de infraestrutura. Tenho equipe de dev, de infraestrutura, de provedor, e cuido de data center no Brasil e nos Estados Unidos. A visão que eu trago aqui é a de quem contrata e de quem paga a conta. Ninguém é obrigado a concordar, mas é assim que funciona a cabeça de quem paga a conta no quinto dia útil.

E antes que algum papagaio de pirata venha falar que a função do empresário é só escravizar: não, gente. Aqui na empresa eu sempre prezo pela transparência com os meus meninos. Eu acredito demais da conta numa coisa muito simples: você trabalha pra você, eu trabalho pra mim, e nós trabalhamos juntos em prol do objetivo de cada um.

Por que o meu processo seletivo é chato

Já me falaram que eu sou louco, que eu estou com dinheiro sobrando por gastar tanto pra testar candidato. Não é isso. No meu caso o turnover não é grande: o meu turnover aqui na empresa é de 2 anos e meio. Então eu me dou ao luxo de fazer processo seletivo mais chato.

Pra você ter dimensão do nível de dificuldade: eu tive várias pessoas que foram recusadas aqui pra estágio e foram trabalhar como dev júnior em empresas por aí. E está tudo bem. Um ex-colaborador meu comentou no canal: pra que ele ia se pôr numa posição difícil, numa stack difícil igual a nossa, se tem coisa muito mais fácil que paga mais? Opção de cada um. Eu não tenho problema nenhum com isso.

Como é esse filtro na prática, os seis passos e por que o último é presencial, eu contei em a entrevista presencial voltou, e eu pago a passagem. Aqui o assunto é outro: a conta que justifica tudo isso.

A conta: R$ 5 mil por mês viram R$ 120 mil

Exemplo. Eu vou lançar uma ferramenta nova, um projeto de videoconferência. Olho pra equipe: saturada, lotada, não dá tempo. Ou eu contrato alguém pra ocupar o lugar de quem já está aqui e puxo essa pessoa pro projeto mais complicado, ou eu contrato alguém já com a stack, o que é muito difícil. Stack de vídeo é um troço complicado. Uma coisa é você fazer local, pra usar local. Outra coisa é pôr o troço em produção, meu amigo. É outro departamento.

Então eu contrato a pessoa. Ela vai me custar, sei lá, R$ 5.000 por mês. Não é estágio pra treinar: já passou nos testes, chega como dev júnior, talvez pleno, dependendo do combinado. Chega pra vestir a camisa. Só que ela vai ter que pegar uma stack que não conhece.

Antigamente essa pessoa gastava até uns 6 meses pra pegar a nossa stack. Faz a conta comigo:

  1. 5 × 6 = R$ 30 mil de salário até a pessoa pegar a stack.
  2. Dobra pros encargos trabalhistas: R$ 60 mil.
  3. Não deu certo, não pegou a stack. Pego outra pessoa pra fazer a mesma coisa: R$ 120 mil.

E isso fora o intangível, que é o atraso de entrega do projeto. Quanto custa uma contratação errada? É assim que a gente faz a conta. E é assim que se contrata errado: quando você não faz essa conta.

O "dobra" é a minha régua rápida de encargos. A conta detalhada, com 13º, férias e os meses que a pessoa de fato produz, eu abri em escala 5x1: a conta do custo CLT que eu faço na empresa.

Quanto custa uma contratação errada, na minha conta Um dev de R$ 5 mil por mês, seis meses pra pegar a stack: R$ 30 mil. Dobrando pros encargos: R$ 60 mil. Trocando por outra pessoa pra fazer a mesma coisa: R$ 120 mil, fora o atraso do projeto. O teste presencial em São Paulo, com passagem e hotel, custa cerca de R$ 5 mil. QUANTO CUSTA UMA CONTRATAÇÃO ERRADA · A MINHA CONTA R$ 5 mil teste presencial R$ 30 mil 5 mil × 6 meses R$ 60 mil com encargos R$ 120 mil troquei por outro E o atraso de entrega do projeto não entra na barra. O teste é a menor coluna.
O teste presencial (barra da esquerda, na mesma escala) contra o prejuízo de uma contratação errada na minha stack, antes da IA.

Os R$ 5 mil do teste presencial

Sabe quanto me custa trazer um candidato de avião de Porto Alegre pra São Paulo, ou do Nordeste, que é longe pra caramba? Uns R$ 5.000, com passagem e hotel. E isso pra uma pessoa que já teve fit: já fez entrevista, está ciente do nosso método, gostou da empresa, a gente gostou dela, teve bate-papo remoto.

Você acha que eu não pagaria esses R$ 5 mil pra pessoa ir a São Paulo fazer um teste presencial comigo, em vez de tomar na asa com R$ 100 mil, R$ 120 mil, fora o atraso de entrega?

Uma coisa que eu fui conferir depois de gravar: pela CLT, o contrato de experiência não pode passar de 90 dias (art. 445, parágrafo único). Na minha stack, antes da IA, a pessoa levava até 6 meses pra pegar o jeito. Ou seja: quando a experiência acaba, eu ainda não sei se a contratação deu certo. O filtro tem que vir antes.

"Ah, com IA o que vale é a feature"

"Vamos pegar com inteligência artificial, o que vale é a feature, é a entrega." Concordo. Mas se a pessoa não entende arquitetura, sistema, contratos, como as coisas funcionam, ela vai entregar e vai cair na hora que escalar. Põe isso na cabeça.

Uma coisa é você entregar um softwarezinho pra 20, 30, 50, 100 usuários. Outra coisa é entregar um CRUD, cadastro, foto, relatório, pra mil, dez mil pessoas. Ainda assim é muito fácil, de verdade. Agora, começou a trabalhar com job, tarefa, cron tab, o bicho começa a complicar. Começou a trabalhar com vídeo, tempo real, WebSocket pra milhares de pessoas: aí o bicho pega. É outra história.

O que o sistema fazDificuldade, na minha réguaCuidado na contratação
Software pra 20 a 100 usuáriosBaixaQualquer um entrega
CRUD (cadastro, foto, relatório) pra mil, dez mil pessoasAinda é fácilNormal
Job, tarefa agendada, cron tabComeça a complicarMais análise de currículo
Vídeo, tempo real, WebSocket pra milhares"Aí o bicho pega"Teste presencial, entrevista técnica bem feita

Quanto mais complicada a stack, mais análise a gente tem que fazer do currículo de quem vai vir trabalhar com a gente. Por que escalar não é só pôr mais máquina, eu contei em autoscale não salva aplicação mal feita.

Eu vesti a carapuça de treinador

Aqui em Minas eu vesti a carapuça de treinador de pessoas. Dou oportunidade, a empresa tem DNA de formação. E a galera que vinha era mais de São Paulo, porque eu não conheço mão de obra qualificada na minha cidade que já tenha participado de processo meu. Pode ser que tenha muita gente qualificada aqui e eu nem conheça, ou a pessoa não me quer, ou eu não quero ela, porque isso já aconteceu também.

Vida que segue. Ninguém tem que ter raiva de ninguém por isso. Você trabalha pra você, a empresa trabalha pra ela, e vocês trabalham juntos em prol do mesmo objetivo. O dia que não fizer sentido pra um dos dois, tchau, vai com Deus, está tudo certo. Todo mundo tem o direito de ser feliz nessa vida, inclusive a empresa e o dono da empresa.

Com IA, o risco mudou: hoje é o produto que quebra

Agora traz pra inteligência artificial. Fiz o processo seletivo, a entrevista deu certo, paguei os mesmos R$ 5 mil, talvez menos, pra pessoa fazer o teste e voltar. Contratei. Com IA, eu estou supondo que num projeto novo, em um, dois meses, uma pessoa consegue desembolar alguma coisa interessante.

É nesse ponto que a gente tem um momento de inflexão. Eu e outros contratantes ainda estamos testando pra ver como medir o prejuízo ou o lucro, porque empresa não é ONG nem instituição de caridade. A gente vive pra ter lucro, pra fazer diferença na vida das pessoas, pra proporcionar experiência boa pros colaboradores. Eu gosto muito do quinto dia útil, de verdade: é o dia em que eu faço diferença na vida de muita gente. Se o caixa colaborasse, eu faria muito mais.

"Poxa, mas o cara tem que entregar feature. Software funciona de qualquer jeito." Tem mil maneiras de um software funcionar. Mas eu preciso de um software que escala.

Então, saindo do prejuízo básico, que é o dinheiro da pessoa que não deu conta da stack e da troca por outra, hoje eu tenho o risco do produto. O meu risco de contratar a mão de obra errada é botar um produto pra rodar e, na hora que ele escala pra milhares, milhões, ele não aguentar, porque foi projetado pela mão de obra errada. E eu já sofri isso.

Ou eu sento e faço code review de cada linha, que não é o meu papel aqui, ou eu confio. Contrato um sênior e confio nele. Mas ele é sênior mesmo? Como é que eu vou saber disso? Com a entrevista bem feita, com o teste técnico bem feito. É isso que impede que eu pague com o meu CNPJ um SaaS que eu lancei, deu errado e quebrou. O que acontece quando a IA cospe código pra quem não sabe a receita, eu contei em sabor programador: cospe código e não sabe a receita.

Quando a empresa quebra, vai o CPF junto

Quando a empresa quebra, vai embora o CNPJ, vai o CPF do sócio, vai tudo pro pau. Eu te falo porque eu já quebrei. O colaborador arruma outro emprego no outro lugar amanhã. Faz sentido pra você? Se não faz, vai empreender, que você vai entender o que eu estou falando. O risco de empreender no Brasil é muito grande.

Ainda mais numa empresa como a minha, que é bootstrap: não recebeu aporte financeiro externo. Eu trabalho com o próprio dinheiro desde sempre. A gente escalou com a própria grana, e o nosso data center foi construído com o nosso próprio dinheiro. Zero aporte até hoje. Já recebi várias propostas, e algumas queriam me escravizar. Não topei. Até porque a minha empresa chama JMV Technology, e JMV é o nome dos meus filhos. Eu tenho meus apegos, eu sou mineiro.

Por que o dono não pode largar o técnico na mão dos outros, mesmo com equipe, eu contei em por que eu voltei a ser CEO hands-on na minha empresa. E a parte de montar time, arquitetura e produto que aguenta escalar é o que eu trabalho presencialmente na Imersão de SaaS. Formato, data e condição são os da página dela, não desta gravação.

Nota de cronologia

Gravei esse vídeo em 28 de maio de 2026, e este texto saiu em 14 de outubro de 2026. O "um, dois meses" pra uma pessoa desembolar um projeto novo com IA era uma suposição minha naquela época, enquanto eu e outros contratantes ainda estávamos testando como medir isso; não é número medido. Os R$ 5 mil por mês, os 6 meses, a passagem de R$ 5 mil e o turnover de 2 anos e meio são os da gravação. A ferramenta de videoconferência entrou aqui só como exemplo da conta.

TODA SEGUNDA · MEIO-DIA · AO VIVO

Discorda? Concorda? Tem um caso parecido? Aqui não tem caixa de comentário de propósito: segunda-feira, ao meio-dia, eu faço live no canal e a gente conversa sobre isso ao vivo — sem corte, como sempre.

Ver as lives no canal @josimarjmv →

Perguntas frequentes

Quanto custa uma contratação errada?

Na minha conta: um dev de R$ 5 mil por mês que levava até 6 meses pra pegar a nossa stack são R$ 30 mil. Eu dobro pros encargos trabalhistas: R$ 60 mil. Se não pegou a stack e eu tenho que pôr outra pessoa pra fazer a mesma coisa, vai a R$ 120 mil. Fora o intangível, que é o atraso de entrega do projeto.

Vale a pena pagar passagem pro candidato fazer teste presencial?

Pra mim vale. Trazer alguém de Porto Alegre ou do Nordeste pra São Paulo, com passagem e hotel, me custa uns R$ 5 mil. Isso depois de já ter tido fit e entrevista remota. Entre gastar R$ 5 mil no teste e tomar um prejuízo de R$ 100 mil a R$ 120 mil, a conta é simples.

Por que o meu processo seletivo é tão difícil?

Porque eu posso me dar a esse luxo: o meu turnover aqui na empresa é de 2 anos e meio. Já recusei gente pra estágio que foi trabalhar como dev júnior em outras empresas. Não é obrigação ninguém vir pra cá; quem quiser uma stack mais fácil que pague mais, tudo bem.

Com IA ainda importa contratar a pessoa certa, se o que vale é a entrega?

Importa mais. Software funciona de mil maneiras, mas eu preciso de software que escala. Se a pessoa não entende arquitetura, sistema e contratos, ela entrega com IA e o sistema cai na hora que escalar. Hoje o risco da contratação errada não é só o dinheiro: é o produto quebrar.

Que tipo de sistema exige mais cuidado na contratação?

Quanto mais complicada a stack, mais análise de currículo. CRUD de cadastro, foto ou relatório pra mil, dez mil pessoas ainda é fácil. Quando entra job, tarefa agendada e cron tab, complica. Vídeo, tempo real e WebSocket pra milhares de pessoas é outra história.

Por que a contratação errada pesa mais pro dono da empresa?

Porque quando a empresa quebra vai o CNPJ e o CPF do sócio junto. Eu sei porque eu já quebrei. O colaborador arruma outro emprego amanhã. E a minha empresa é bootstrap: nunca recebeu aporte, o data center foi feito com dinheiro próprio.

O contrato de experiência resolve o risco de contratar errado?

Não resolve sozinho. Pela CLT, o contrato de experiência não pode passar de 90 dias, e na minha stack uma pessoa levava até 6 meses pra pegar o jeito antes da IA. Por isso o filtro tem que vir antes: entrevista bem feita e teste presencial.

Baseado na gravação do canal @josimarjmv publicada em 28/05/2026 (12min15), com transcrição própria das legendas do próprio vídeo.

O que veio da gravação e o que é apuração minha, com as fontes

Da gravação: eu ser engenheiro de infraestrutura com equipe de dev, infraestrutura e provedor e data center no Brasil e nos Estados Unidos; a visão de quem contrata e paga a conta; a transparência com a equipe e o "você trabalha pra você, eu trabalho pra mim"; o processo seletivo chato e o turnover de 2 anos e meio; os recusados pra estágio que viraram dev júnior em outras empresas; o comentário do ex-colaborador sobre a stack difícil; o exemplo da ferramenta de videoconferência e da equipe saturada; a stack de vídeo e a diferença entre local e produção; o dev de R$ 5 mil por mês, júnior ou pleno; os até 6 meses pra pegar a stack; a conta de 5 × 6 = 30, dobrada pros encargos = 60, e 120 com a troca; o teste presencial de cerca de R$ 5 mil com passagem e hotel, de Porto Alegre ou do Nordeste pra São Paulo, depois de fit e entrevista remota; o atraso de entrega como intangível; a feature com IA e o sistema que cai ao escalar; a escala de dificuldade de 20 a 100 usuários, CRUD pra mil e dez mil, job e cron tab, vídeo, tempo real e WebSocket; o papel de treinador em Minas e a mão de obra de São Paulo; a suposição de um a dois meses com IA num projeto novo e o momento de inflexão; a empresa que não é ONG e o quinto dia útil; o risco do produto e o "eu já sofri isso"; code review de cada linha × confiar no sênior; o CNPJ, o CPF do sócio e o "eu já quebrei"; a empresa bootstrap, o data center com dinheiro próprio, as propostas de aporte recusadas e o nome JMV dos meus filhos. Na gravação eu também ofereci cupons pra testar a ferramenta de videoconferência e convidei pra live de segunda; isso ficou fora deste texto.

Apuração minha (14/10/2026): o limite do contrato de experiência está no art. 445, parágrafo único, da CLT (Decreto-Lei 5.452/1943), no Planalto: "O contrato de experiência não poderá exceder de 90 (noventa) dias". O cruzamento desse limite com os 6 meses de curva de aprendizado é leitura minha, feita depois da gravação. O "dobra pros encargos" é a minha régua rápida, não um percentual legal; a conta detalhada está no artigo da escala 5x1, linkado acima. O gráfico e a tabela de dificuldade são organização minha, feita depois, em cima do que eu disse. Valores de salário, passagem, prejuízo e turnover não foram conferidos fora da gravação.

Contratação e equipeCarreira e equipe
Relacionado
As quatro imersões

Quatro portas. A mesma régua: produção de verdade.

Cada imersão resolve uma etapa de quem vive de tecnologia: fazer sites e cobrar direito, atender com IA sem quebrar, sustentar a operação, e transformar protótipo em produto.

Ver as imersões →