Por que eu voltei a ser CEO hands-on: eu saí da operação e virei refém do meu próprio sistema
Eu pus a mochila nas costas pra vender contrato grande e deixei o coração do sistema na mão dos outros. Isso me fez perder centenas de milhares de reais por mês. Hoje eu sei o suficiente pra não ser refém de ninguém em nada.
🎧 PREFERE OUVIR? · 30 min · Podcast Em Produção
Este artigo também é um episódio do podcast Josimar JMV | Em Produção — o mesmo vídeo, só o áudio, normalizado pra fone.
Gravei esses 30 minutos no canal @josimarjmv em maio de 2026. Não é tutorial, é história. Assista e leia junto. Aqui embaixo eu conto a mesma coisa por escrito, com mais calma, e ponho o que eu fui conferir depois.
eu voltei a ser CEO hands-on porque saí da operação pra vender e parei de entender o coração do meu sistema. Quando o meu tech lead saiu, o código ruim foi corroendo a plataforma, o caixa caiu e eu fiquei refém tecnológico: contratava consultoria e não conseguia nem conversar com a equipe. Voltei pra dentro de casa e estudei infraestrutura, observabilidade, Docker e rede. Você até pode sair do operacional, mas tem que entender o operacional. Delegar é uma coisa. Delargar é outra.
A pergunta que eu recebo toda semana
É pergunta recorrente no meu Instagram, nos comentários do YouTube, no direct, no LinkedIn: por que o CEO está fazendo vídeo técnico? CEO não mexe com nada. Esse cara nem deve saber do que está falando.
Pois é. Eu sou um CEO hands-on. Mão na massa, que faz as coisas. Meu nome é Josimar, eu fundei a minha empresa com 18 anos e é uma empresa de tecnologia de verdade. O que eu conto aqui são fatos que aconteceram comigo, que me ensinaram muito, mas que, se eu pudesse voltar no passado, eu escolheria não passar.
O erro central foi um só: eu acreditei naquele migué de que o empreendedor tem que sair da operação e ir pro tático e estratégico. Saí. E isso me fez perder centenas de milhares de reais por mês.
De onde eu vim: eu não queria ser pobre
Eu sou filho de família pobre. Muito humilde financeiramente, muito honesta, todo mundo trabalhador. Era uma vida muito regrada. Teve ano de comer bem regrado, e eu não vou entrar em detalhe.
Eu sempre tive um sonho, e não vou mentir dizendo que era propósito: eu não queria ser pobre. Passei num exame de seleção de escola pública entre os primeiros colocados e, por isso, convivi com muita gente inteligente e com gente cujos pais tinham muito dinheiro.
A primeira vez que eu quebrei: modelo de negócio errado
Fundei a empresa com 18 anos. Era uma imobiliária online, lá por 2002, 2003, no interior de Minas. Era hands-on por definição: só tinha eu. Era a "eu company".
Deu errado, e o motivo é a primeira lição pra quem vai empreender ou pro vibe coder que quer montar negócio. Eu estabeleci um modelo de mensalidade: queria que a imobiliária me pagasse todo mês pra eu colocar ela na internet. Não consegui convencer nenhum dono de imobiliária a pagar pra tirar foto e pôr foto no site.
Se eu tivesse feito por comissão, do tipo "alugou pelo site, me dá tanto em cima da locação", a possibilidade de dar certo seria melhor. Hoje todo esse mercado funciona por comissão: alugou, paga tanto; não alugou, não paga. Eu tenho imóvel de temporada em imobiliária e é assim, comissão conforme aluga.
A lição: olhe o seu modelo de negócio como risco zero pro seu cliente. É a forma que você tem de ganhar cliente rápido. Por isso existe freemium, trial, teste grátis. Talvez seja chover no molhado, mas eu aprendi isso quebrando. Não foi a única vez, e as outras eu contei em eu já quebrei cinco vezes: não monte castelo de areia.
Sacoleiro da minha própria empresa
Passaram os anos e eu virei um CNPJ de venda e manutenção de informática. Montei muito equipamento na mão. E viajei pro Paraguai várias e várias vezes pra buscar peça. Eu era o sacoleiro da minha própria empresa, e a garantia era eu.
Valia tanto a pena que eu assumia a garantia do equipamento por minha conta. Nas lojas oficiais em que eu comprava, muito equipamento tinha três meses de garantia, e eu descia todo mês. Equipamento de informática é assim: se não deu problema nos três primeiros meses, dificilmente dá. E isso estava no meu cálculo, na minha contabilidade. O que eu aprendi de Paraguai eu atualizei em compras no Paraguai: o shopping que o influencer indica é o mais caro.
De mini lan house a plataforma de vídeo
O caminho foi assim, um degrau puxando o outro:
- Venda e manutenção de equipamento.
- Uma mini lan house.
- Site pra rádio.
- Streaming de áudio pras rádios.
- Em 2009, as rádios pediram transmissão de vídeo ao vivo.
- Em 2009, 2010, eu já entregava streaming de vídeo ao vivo com aplicativo.
Pro Brasil daquela época isso era bem novo. Já existia, mas era raro. E eu no interior de Minas. O aplicativo eu contratei com uns indianos, e aplicativo terceirizado em 2010 me rendeu uma história à parte: o backdoor que eu só descobri quando contratei um dev.
Quando entrou aplicativo com streaming de vídeo, o negócio tomou uma proporção absurda, porque pouca gente fazia isso. A gente contratava um painel de revenda e surgiu a necessidade de ter painel próprio, tecnologia própria. O cliente brasileiro é especial, tem exigência diferente do resto do mercado. Comecei a contratar desenvolvedor.
Eu tinha começado com PHP. Fiz bastante site, entendo sintaxe e lógica de programação até hoje. Só que eu fui saindo da operação de desenvolvimento. O negócio passou a faturar centenas de milhares de reais por mês. Abrimos escritório em Lisboa. Ganhamos licitação de Tribunal de Justiça, com visita técnica pra conferir se a gente tinha capacidade de entregar. Abrimos escritório em Campinas antes da pandemia. Chegamos a 39 pessoas na equipe.
E eu, mochilinha nas costas, vendendo. O meu negócio era bater na porta de presidente de empresa grande e fechar contrato grande.
O dia em que eu perdi o cara que segurava o código
O meu dev principal, o primeiro, que era o meu tech lead, quis mudar de ramo. Segundo ele, não tinha a ver com salário. Antes disso eu tinha feito uma contratação errada, e fui eu diretamente que contratei errado: entrou um cara que deu uma desunida na equipe. Eu não sei se foi por isso. Ele nunca me explicou os motivos.
Esse tech lead segurava o código na raça. Não deixava subir porcaria. Vistoriava o que os outros faziam e dizia "não vai subir". Hoje ele é dev sênior e mora em Londres. Eu tenho profunda gratidão por ele. Eu ajudei num momento crítico da vida dele, ele me ajudou pra caramba. Nós nos ajudamos muito.
Aí começaram os problemas. Quando você põe código ruim em produção e tem muito serviço e muito cliente, o problema não aparece na hora. É um probleminha aqui, outro ali. Vieram pessoas capacitadas depois, gente autodidata. Eu não estou falando mal nem bem de ninguém. Estou contando fato.
Quem está na venda só vê o problema no caixa
O código ruim que foi subindo começou a corroer o sistema. E quando a gente está na linha de frente de venda, no tático e estratégico, a gente só percebe quando o caixa começa a cair, quando tem cancelamento e churn de cliente.
Aí vinha a reunião mensal. O que aconteceu? Isso aqui ficou indisponível, aquilo deu problema. Vamos arrumar, vamos comprar curso pra galera, vamos contratar, vamos mudar. Estabilizava, caía. Estabilizava, caía.
Escalar é um desafio enorme. Atender mil usuários simultâneos é uma coisa. Atender 1 milhão é outra. E estrutura de vídeo tem que ser extremamente resiliente: uma live não pode cair. Se ficar mais de 30 segundos fora, todo mundo vai embora e não volta.
Refém do meu próprio sistema
Tive um problema com uma equipe de infraestrutura e o negócio começou a cair muito. Aí veio a pandemia. A gente tinha milhares de clientes de rádio e TV no Brasil, e esses caras pararam de ganhar dinheiro: loja fechada não anuncia. No melhor cenário, contrato congelado. No pior, cancelamento em larga escala.
O setor de educação ajudou a segurar as pontas. Só que a gente era forte em live e web TV, e a educação empurrou a gente pra hospedagem de vídeo, o VOD, muito rápido. Conversão de vídeo, aquele processo todo.
E foi aí que eu fiquei refém. Muito refém. Eu contratava consultor, passava o tempo e o trem não andava. Contratei consultor de fora, contratei brasileiro. Não andava.
A frase mais triste que eu já ouvi visitando empresa foi de um empresário que era refém de colaborador porque não tinha dinheiro pra pagar o acerto do cara. O meu caso não era esse. Eu era refém tecnológico.
Por que eu não contratei alguém pra resolver
Porque quem sabia mexer com vídeo naquele nível não ia querer trabalhar comigo. Eu sou a JMV Technology. O cara quer trabalhar no Google, na Amazon. Na gravação eu falei em 400 mil por ano, que é o salário de um cara desses morando nos Estados Unidos. Eu também ia querer.
Além de caro, eu ia ter que mandar metade da minha equipe embora pra pagar um profissional desses. Nem assim eu consegui contratar. Paguei consultoria, e a equipe não conseguia replicar.
O pior é que eu não conseguia conversar. Com o meu tech lead, com a infraestrutura, com o desenvolvedor. Bater na mesa e dizer "isso é ruim, não vamos subir". Eu não sabia nem os termos que eram usados. O coração do sistema não estava comigo. Era como eu ser um Frankenstein sem coração, com o coração batendo em outro lugar.
Eu escrevi sobre a versão de hoje desse problema em CEO que não testa ferramenta vira refém do CTO.
A aposta em data center próprio no meio disso
Teve ainda uma transição grande na pandemia. Eu vi o Vimeo, que eu considero nosso concorrente de plataforma de vídeo, fazendo parceria com o Google e saindo de infraestrutura própria pra ir pro cloud. Eu pensei: o preço dele vai disparar, é a nossa hora de brilhar.
A gente investiu milhões de reais pra ter a nossa estrutura. Hoje a gente está no mesmo ambiente que Facebook e Google em São Paulo. Eles têm galpão inteiro fechado, a gente tem o nosso rackzinho, na humildade. Mas estamos lá. E em 2026 entrou Miami, pra ter redundância e atender melhor o cliente de fora. A história dessa mudança está em migrei da nuvem pro on-premise e isso salvou a empresa.
Só que a equipe de infraestrutura também não estava pronta pra isso. Todo mundo teve que estudar e pegar escala. Mais um gap, e eu refém.
Fui conferir a parte do Vimeo em 13 de outubro de 2026. O Google Cloud tem um estudo de caso do Vimeo que diz que ele usava servidores próprios pra receber o upload dos vídeos e trocou isso pelo Cloud Storage, com a entrega montada em cima do Google Cloud e da Fastly. A página não tem data. O "na pandemia" é a minha lembrança, e o preço disparar foi a minha aposta, não uma frase deles.
Tira a mochila das costas e volta pra dentro de casa
Como eu já tinha um background de hardware e de programação, eu falei: não vai dar. Tira a mochila das costas, volta pra dentro de casa e começa a operação de novo.
Voltei pra estudar a infraestrutura e os sistemas que a gente tinha. Somando banco de dados, análise, estatística, big data e monitoramento, são bem mais de 300 serviços e microsserviços. E a gente já matou um monte de porcaria que foi criada ao longo do tempo.
| O gap que eu tinha | O que eu fui estudar | O que eu consigo fazer hoje |
|---|---|---|
| Não conversava com a infraestrutura | Shell script, gestão de servidor, monitoramento | Conecto na VPN e tenho acesso a todos os servidores |
| Não enxergava o que acontecia em produção | Log e observabilidade | Fico na análise, vendo throughput e saída |
| Não entendia o ambiente sob carga | Docker e rede do Docker | Mexo com segurança num ambiente de muito tráfego |
| Não questionava o código | Arquitetura do sistema na stack que escolheram | Leio código, questiono função e build |
| Não dominava a minha rede | Gestão de prefixo, anúncio, engenharia de rede | Cuido do meu próprio sistema autônomo |
Log foi briga de anos
Log é um trem que eu tive que brigar com a equipe inteira durante anos pra ter. Eu não tinha log, estava tudo sem padrão. Depois daquele gap, a gente saiu de um padrão que funcionava e ficou sem padrão nenhum. O que eu exijo hoje está em sem log você está no escuro: o que eu registro em toda aplicação.
O último gap: o meu próprio AS
O último gap que eu fechei foi a parte de gestão de prefixo, anúncio e engenharia de rede na essência, de cuidar do meu próprio AS. Na gravação eu não cravei se foi no começo de 2026 ou em 2025.
AS é sistema autônomo. Fui buscar a definição na fonte em 13 de outubro de 2026: a RFC 1930, de março de 1996, define um AS como um grupo conectado de um ou mais prefixos IP, operado por um ou mais operadores de rede, com uma política de roteamento única e claramente definida. A tradução é minha. A parte de conseguir o bloco de IP eu contei em a máfia do IPv4.
A bagagem de hardware não foi em vão
Olha que doido. A bagagem que eu peguei lá atrás, montando desktop, placa-mãe, processador e memória, não foi à toa. Deus escreve certo por linha torta. Na primeira vez que eu peguei um servidor parrudão, eu abri, troquei processador, placa-mãe, coloquei GPU, sem problema nenhum.
Eu adoro ambiente de data center. Sempre que eu posso, eu vou. Desço o servidor fisicamente, monto, ponho peça, tiro. Às vezes vai um colaborador meu, e hoje eu consigo entender o que ele fez lá, se foi a melhor estratégia ou não. Na hora de comprar um roteador, eu sei o que eu estou comprando: a marca, se é porta de 10, 100 ou 400 giga, qual licença, se vai ter ferramenta de flow e o que ela impacta na caixa.
Eu não sou sênior em JavaScript
Tive que estudar bastante Docker. A rede do Docker me deu dor de cabeça, porque num ambiente sem carga é uma coisa e, quando você põe carga, e vídeo é muita carga, é outra completamente diferente.
Sempre detestei JavaScript. Ele permite rodar código mal feito muito mais do que o PHP. Mas foi a stack que escolheram anos atrás pra aguentar a porrada que a gente tinha. Eu sou dev sênior em JavaScript? Não sou. Mas eu sei arquitetar um sistema, ler código, ver o que está errado, questionar função, questionar build.
Eu não preciso ser sênior em todas as tarefas. Eu preciso saber o suficiente pra não ser refém de ninguém em nada. Se precisar tocar a empresa sozinho, você toca.
E hora nenhuma eu estou dizendo que sou melhor do que todo mundo. Longe disso. Os meus meninos fazem suporte melhor do que eu. Tem gente que faz infraestrutura muito melhor do que eu. Mas eu não sou refém.
Delegar não é delargar
Tem uma diferença enorme entre delegar e delargar, que é um termo que eu ouvi num curso. Ou abdicar.
Delegar é uma coisa. Dar a tarefa sem saber direito do que você está falando, abdicar e não olhar o código é um risco gigantesco. E a gente está na era da inteligência artificial cuspindo código o dia inteiro. O risco de cair numa dessas é enorme.
Acredite, me doeu muito. Quem já trabalhou comigo e ler isto vai saber do que eu estou falando.
A gente tem que confiar na equipe e tem que delegar pra equipe. Tem que tirar o chinelinho da equipe e tentar não contratar chinelinho. É muito difícil. Eu empreendi numa época em que era tudo novo e eu não tinha capacidade financeira de pagar o salário de um sênior daquele nível pra substituir alguém.
E não é só de colaborador que eu estou falando. É de fornecedor e de freelancer também. Você não pode ser refém.
Não vale só pra tecnologia
Um tempo atrás eu vi, em São Paulo, a palestra de um executivo do McDonald's que casou com tudo isso. Antes de assumir, ele passou por todos os postos de trabalho, em lojas e cidades diferentes, durante um ano. Foi faxineiro, chapeiro, caixa, o cara da madrugada. Pra entender o coração da operação e só então tomar decisão. O meu azar foi ver isso depois de já ter sofrido na pele.
Vai montar um barzinho de churrasquinho e não sabe fazer churrasco, não sabe o ponto da carne? Vai dar errado. Você vai ficar refém de um cara que pode te largar amanhã, independente do motivo. Você montou o negócio, então você tem que entender tecnicamente esse negócio.
O que eu faria diferente: sair do operacional sem largar ele
Jamais acredite nessa historinha de que o empreendedor tem que sair do operacional e ir pro tático e estratégico. Você até tem que sair. Mas você tem que entender o operacional. E de ano em ano, no máximo, revisar e azeitar ele. Com inteligência artificial, talvez em menos tempo.
O que eu levo comigo hoje:
- Modelo de negócio com risco zero pro cliente. Foi o que faltou no meu primeiro negócio.
- Nunca delegar o coração do negócio sem entender ele. Entender o suficiente pra sentar na mesa e fazer o que precisar acontecer.
- Contratação errada custa caro. A minha desuniu uma equipe.
- Código ruim não cobra na hora. Cobra depois, no caixa.
- Revisão do operacional com data marcada. De ano em ano, no máximo.
O ciclo que eu queria ter aprendido antes
Tem um termo muito usado no marketing, o growth hacking. Do jeito que eu uso: implementa, testa, monitora, olha o resultado e volta. Quando você for desenvolver sistema é a mesma coisa. Implementa, põe pra rodar, colhe resultado, volta pra otimizar. É assim que a gente faz o negócio funcionar.
Fui atrás da origem do termo em 13 de outubro de 2026. Ele aparece num texto do Sean Ellis de 26 de julho de 2010, que define growth hacker como a pessoa cujo norte verdadeiro é o crescimento. A tradução é minha. O ciclo de implementar, testar e monitorar é a forma como eu aplico, não uma citação dele.
Se eu tivesse esse conhecimento lá atrás, muito possivelmente eu já teria conquistado o meu sonho, que é estourar uma plataforma nossa no mundo inteiro. A gente está em busca disso. Nós ainda somos uma empresa de médio porte.
Infraestrutura do zero, do jeito que eu tive que reaprender, é o que eu ensino presencialmente na Imersão de Infraestrutura. Formato, data e condição são os da página dela, não desta gravação de maio.
Nota de cronologia
Gravei em maio de 2026, o vídeo foi ao ar em 29 de maio e este texto saiu em 13 de outubro de 2026. Quando eu digo "esse ano" pra Miami, é 2026. A palestra do McDonald's foi uns dois anos antes da gravação. Eu não disse o nome do executivo e não fui atrás de confirmar a história dele: é o que eu ouvi na palestra.
Na gravação eu também fiz um parêntese sobre exame de seleção em escola pública e sobre a geração atual. Eu mesmo disse lá que é assunto pra outra hora, e por isso ficou fora deste texto.
Discorda? Concorda? Tem um caso parecido? Aqui não tem caixa de comentário de propósito: segunda-feira, ao meio-dia, eu faço live no canal e a gente conversa sobre isso ao vivo — sem corte, como sempre.
Ver as lives no canal @josimarjmv →Perguntas frequentes
O que é um CEO hands-on?
É o CEO mão na massa, que faz as coisas. No meu caso é sentar na mesa, conectar na VPN, ter acesso a todos os servidores, ler código, questionar função e build e ir ao data center montar servidor. Eu não preciso ser sênior em todas as tarefas, mas preciso saber o suficiente pra não ser refém de ninguém em nada.
O empreendedor tem que sair do operacional?
Você até tem que sair do operacional, mas tem que entender o operacional. E de ano em ano, no máximo, revisar e azeitar ele. Eu saí pra vender sem entender mais o coração do sistema e isso me custou centenas de milhares de reais por mês.
Qual a diferença entre delegar e delargar?
Delegar é passar a tarefa sabendo do que você está falando. Delargar, ou abdicar, é dar a tarefa sem saber direito o que está pedindo e não olhar o código depois. Delargar o coração do negócio é um risco gigantesco, ainda mais com inteligência artificial cuspindo código o dia inteiro.
Como eu percebi que tinha virado refém do meu próprio negócio?
Quando o caixa começou a cair, com cancelamento e churn de cliente, e eu não conseguia conversar tecnicamente com a minha equipe. Eu contratava consultor, brasileiro e de fora, e o trem não andava. Eu não sabia nem os termos que eram usados. O coração do sistema não estava comigo.
O que eu tive que estudar pra voltar pra operação?
Infraestrutura, shell script, gestão de servidor, monitoramento, log e observabilidade, Docker e a rede do Docker sob carga, e por último a engenharia de rede de verdade: gestão de prefixo, anúncio e o cuidado com o meu próprio sistema autônomo. A lógica de programação eu já tinha, do tempo do PHP.
Isso vale pra negócio que não é de tecnologia?
Vale. Se você vai montar um barzinho de churrasquinho e não sabe fazer churrasco nem o ponto da carne, vai dar errado, porque você fica refém de um cara que pode te largar amanhã. Você montou o negócio, então você tem que entender tecnicamente esse negócio.
Qual foi o erro do meu primeiro negócio?
O modelo de negócio. Em 2002 e 2003 eu montei uma imobiliária online no interior de Minas e quis cobrar mensalidade das imobiliárias. Não convenci nenhum dono a pagar. Se eu tivesse cobrado comissão por locação fechada, com risco zero pro cliente, a chance de dar certo seria maior.
Baseado na gravação do canal @josimarjmv publicada em 29/05/2026 (30min), com transcrição própria das legendas do próprio vídeo.
O que veio da gravação e o que é apuração minha, com as fontes
Da gravação: a pergunta recorrente nas redes e a resposta de que eu sou CEO hands-on; a família humilde e o sonho de não ser pobre; o exame de seleção da escola pública; a empresa fundada aos 18 anos, a imobiliária online de 2002 e 2003 no interior de Minas, o modelo de mensalidade que não vendeu e a lição do risco zero pro cliente; a venda e manutenção de informática, as viagens mensais ao Paraguai e a garantia de três meses; a sequência mini lan house, site pra rádio, streaming de áudio, vídeo ao vivo em 2009 e aplicativo em 2009 e 2010; o painel de revenda e a tecnologia própria; o PHP; o faturamento de centenas de milhares de reais por mês, os escritórios de Lisboa e de Campinas, a licitação de Tribunal de Justiça e as 39 pessoas; a mochila nas costas vendendo; a contratação errada e a saída do tech lead, que hoje é dev sênior e mora em Londres; o código ruim corroendo o sistema e o caixa caindo; a live que não pode ficar mais de 30 segundos fora; o problema com a equipe de infraestrutura; a pandemia, os milhares de clientes de rádio e TV, o setor de educação e a entrada no VOD; as consultorias que não resolveram e o refém tecnológico; os 400 mil por ano, sem eu ter dito a moeda; os mais de 300 serviços e microsserviços; o Vimeo indo pro cloud e o investimento de milhões de reais em estrutura própria em São Paulo e, em 2026, em Miami; o Frankenstein sem coração; a palestra do executivo do McDonald's; o exemplo do churrasquinho; o que eu estudei (shell script, servidor, monitoramento, log, observabilidade, prefixo, anúncio, AS, Docker); o hardware, a GPU e as idas ao data center; o JavaScript; a frase de não ser refém de ninguém em nada; delegar e delargar; o risco com a inteligência artificial; a revisão do operacional de ano em ano; o growth hacking como ciclo de implementar, testar e monitorar; e o sonho de estourar uma plataforma no mundo inteiro. Na gravação eu citei o nome da empresa em que o meu antigo tech lead trabalha e marcas de roteador; como a legenda não deixa isso claro, eu não reproduzi.
Apuração minha (13/10/2026): a definição de sistema autônomo está na RFC 1930, Guidelines for creation, selection, and registration of an Autonomous System (AS), de março de 1996. A origem do termo growth hacker e a frase do norte verdadeiro estão em Find a Growth Hacker for Your Startup, do Sean Ellis, de 26/07/2010; o texto dele define a pessoa, e o ciclo de implementar, testar e monitorar é a minha aplicação. A troca dos servidores próprios de upload do Vimeo pelo Google Cloud Storage está no estudo de caso do Vimeo, do Google Cloud; a página não tem data, não fala de preço e não diz que isso aconteceu na pandemia. As traduções são minhas. A tabela dos gaps, a lista do que eu levo comigo e o diagrama de delegar e delargar são organização minha, feita depois, em cima do que eu disse. Faturamento, tamanho da equipe, clientes, o investimento em data center e a história do executivo do McDonald's não foram conferidos fora da gravação. Preço, data e condição da imersão não entram neste texto: valem os da página dela.