Josimar MachadoJMV Technology · 2003 —
← Blog·Carreira e contratação·17·10·2026·12 min de leitura

Eu errei: seis meses pra pegar a stack não existe mais com IA

Eu falei em vídeo que um dev sênior gastava de seis meses a um ano pra pegar a stack completa da minha empresa. Era verdade, era métrica. Só que era métrica de antes da inteligência artificial. Me corrigiram, e eles têm razão. Aqui eu conto onde eu errei e o que isso muda.

Josimar Machado
Josimar Machado
Fundador, JMV Technology

🎧 PREFERE OUVIR? · 9 min · Podcast Em Produção

Este artigo também é um episódio do podcast Josimar JMV | Em Produção — o mesmo vídeo, só o áudio, normalizado pra fone.

Gravado em 23·05·2026 · 9 minAssistir no YouTube ↗

Gravei esses 9 minutos no canal @josimarjmv em maio de 2026, um dia depois de uma live em que eu já tinha falado desse erro. Assista e leia junto: aqui embaixo eu conto a mesma coisa por escrito, com o que eu fui conferir depois.

Resposta rápida

antes da IA, um dev sênior levava de seis meses a um ano pra pegar a stack completa da minha empresa: 266 microsserviços num só cluster brasileiro, muitos legados de 10, 12, 15 anos, nem todos com documentação. Hoje ele clona o projeto, manda o Claude Code ler e tem 70%, 80% da regra de negócio em minutos. Em uma semana ele está entregando valor. Eu trouxe pros vídeos um número antigo, e isso pode mudar contratação, contrato e a forma de medir dev.

Correção de rota: eu errei

Correção de rota. Eu errei, tá? Eu acho que tem muita gente doida pra me ouvir falar que eu errei. Mas eu já falei várias vezes que eu errei, não tem drama nenhum nisso.

Foi assim: me mandaram dúvidas sobre desenvolvimento de sistema, eu respondi, e depois fui ponderar e pensar. Eu não respondi corretamente uma coisa: o tempo que um dev gasta pra pegar a minha stack. Vieram críticas, e eu tinha esquecido de algo fundamental.

Antes, a carteirada, pra você saber de onde vem o número: eu sou CEO de uma empresa de tecnologia, cuido de data center, de infraestrutura real. Não é personagem, não é clickbait. Sou eu mesmo, com as minhas ideias e o que eu acho, falando de uma empresa real.

De onde vinham os seis meses a um ano

Em alguns vídeos sobre contratação e trabalho remoto, eu citei o tamanho da nossa operação. Na época da gravação, a gente tinha, em apenas um dos clusters, o brasileiro, 266 microsserviços rodando. Imagina: são 266 aplicações diferentes. Cada uma tem:

  • CI e deploy próprios;
  • conexão com banco de dados, às vezes SQL, às vezes NoSQL, às vezes banco em memória, ou com web socket;
  • às vezes saída pra CDN, às vezes não;
  • às vezes é uma API pra conversar com API externa: pagamento, Facebook, Meta.

Baseado nisso, antes da bendita da inteligência artificial, uma pessoa, podia até ser sênior, gastava entre seis meses e um ano pra pegar uma stack nossa completa. E eu te falo porque eu contratei: já contratei quatro sêniors, fora os devs que evoluíram aqui dentro até pleno. Todos tiveram esse grau de dificuldade.

Por quê? Os microsserviços são correlacionados, muito serviço depende de outro. Muitos são legados, de 10, 12, 15 anos atrás. Até você ler o código, entender a stack, entender o que relaciona com o quê e como aquilo funciona, sem documentação certinha em todos, demorava muito. Não era capacidade ou incapacidade da pessoa. Era o tempo. Eu tinha essa métrica, era número, matemática. E o nosso plano de carreira e o nosso modelo de negócio foram montados em cima disso.

Como eu organizo essas centenas de repositórios no meu próprio Git eu contei em GitLab próprio: 300 microsserviços sem pagar GitHub.

Onde eu errei

Então por que eu estou pedindo desculpa, e agradecendo a quem me corrigiu? Porque eu comecei a fazer vídeo na área de inteligência artificial e trouxe um fato que não é mais da época da inteligência artificial.

Hoje, um sênior de código abre o projeto, faz o git clone e manda o Claude Code ler. Se tiver documentação, melhor ainda. Vai ser perfeito? Não vai. Mas ele vai te trazer 70%, 80% da regra de negócio do serviço, as dependências, os endpoints que ele chama e os que não chama, em 10 minutos. Quinze minutos, se o repositório for muito grande. Talvez um, dois minutos, porque microsserviço muitas vezes é feito com uma responsabilidade única, específica.

Fui conferir depois como a própria Anthropic documenta isso: a página de fluxos comuns do Claude Code (documentação oficial, consultada em 17/10/2026) tem uma receita exatamente pra quem "acabou de entrar num projeto novo e precisa entender a estrutura rápido": entrar na raiz do projeto, pedir uma visão geral do código e depois descer pros padrões de arquitetura, modelos de dados e autenticação. É o caminho que eu descrevi.

Então eu retiro o que eu disse. De agora pra frente, não tem mais isso. Seis meses a um ano pra pegar a stack era a minha métrica antiga, de antes da IA. Agora são dias.

Pegar a stack da minha empresa, antes e depois da IA (números da gravação, maio de 2026)
O que eu mediAntes da IACom IA
Pegar a stack completa (266 microsserviços)6 meses a 1 anodias
Entender a regra de negócio de um serviçoler código e perguntar pra quem sabe70% a 80% em 1 a 15 minutos
Sênior contratado entregando valordepois de mesesem uma semana

Por que isso pesava no bolso, não na técnica

Eu tinha muita resistência com dev sênior. E presta atenção: não estou falando de capacidade técnica. Estou falando do aspecto financeiro.

O cara é sênior, ganha um dinheirão, e ficava seis meses pra entregar um valor ou outro. Ele entregava, mas soltar sozinho? "Preciso de tal coisa, se vira, desembola, faz o backlog com a equipe, junta e entrega pronto." Isso demorava, por causa da quantidade de serviço que a gente tem. Quanto custa errar uma contratação, na ponta do lápis, eu já fiz a conta em contratação errada: a conta de R$ 120 mil.

Hoje, um dev sênior que eu contratar está entregando valor pra empresa em uma semana. Diferente de antes. Por isso talvez eu reveja o meu modelo de negócio, o meu modelo de contratação e os meus contratos.

Microsserviço que não devia ser microsserviço

Não estou entrando no mérito se ter tanto microsserviço é certo ou errado. A gente teve microsserviço aqui absurdo: a galera passou do nível. Quando você pega uma coisa que não deveria ser microsserviço e transforma em microsserviço, fica ridículo. A minha equipe atual matou isso recentemente.

Na gravação eu prometi um vídeo sobre o "suicídio do microsserviço", onde ele não deve ser feito. Nota de cronologia: depois de maio eu escrevi sobre isso, e está em microsserviço não é fatia de monolito: o erro que eu paguei.

A stack de vídeo continua difícil

Tem um ponto crítico que eu não tinha falado nos vídeos anteriores. A minha stack é muito difícil, cara. É muito raro passar um QA sem voltar quando se mexe em coisa de mais senioridade. Vídeo. Edição e entrega de vídeo em tempo real pra milhões de views todos os dias. Isso é muito complicado.

Era muito difícil pra quem não tinha expertise nenhuma em FFmpeg. "Ah, FFmpeg é só rodar um comando e converter." Vai nessa. Vai nessa pra distribuir pra milhões de usuários e você vai ver quanta coisa tem que fazer: codec, profile, muita coisa. E o cara tem que estudar aquilo.

Fui conferir na documentação oficial de codecs do FFmpeg (consultada em 17/10/2026): só o encoder H.264 (libx264) tem opções separadas de preset, tune, profile, controle de qualidade e de taxa, e isso é um encoder só, de um codec só. A diferença é que hoje a IA te entrega essas coisas mais mastigadas. Continua precisando estudar, mas o caminho ficou mais curto.

O que muda no contrato e na forma de medir

A minha equipe de dev está comigo desde antes da época da inteligência artificial. A gente ainda nem conseguiu parametrizar corretamente a produtividade com IA. Mas muito possivelmente a gente vai chegar naquele ponto de fechar por entrega: "isso aqui é valor pra empresa, fez essa semana, acabou, pode ir embora".

A galera de dev já meteu a ripa em mim um monte de vez: "tinha que ser por feature, eu acabei a tarefa na quarta-feira". Só que é assim: quando você é contratado por hora e não tem uma métrica correta, fica difícil. Story point é difícil de medir, a gente sabe.

Eu já tive dev aqui falando: "Josimar, como é que eu faço? Tem hora que eu estou fincado na tarefa e quero ir até 9, 10 da noite pra acabar e entregar." Eu fiz outro combinado com ele: "entrega, depois a gente vê, você tira folga, sem problema nenhum". Quantas vezes a gente já fez combinado por tarefa? O problema é que chegava sexta-feira e o backlog não estava pronto, não estava limpo. Com a IA, isso vai mudar radicalmente.

Conversei com outras pessoas, troquei ideia com empresários de fora do Brasil, fiz uma, duas reuniões de consultoria pra entender como a galera está medindo isso lá fora. Eu tenho as minhas próprias ideias, os meus acertos e os meus erros. E eu acho que isso não muda só a minha empresa: vai mudar no mundo inteiro. Por que eu acabei contratando full stack em vez de especialista eu contei em especialista acabou: eu só contrato full stack.

Métrica justa, pra quem quer trabalhar

Então é isso. Eu errei porque esqueci, ou deixei de lembrar, que agora eu estou na inteligência artificial e o cenário mudou, e não refiz essa métrica com IA. A métrica dos seis meses a um ano era antiga, de antes da IA. Eu errei, peço desculpa e agradeço a correção.

E você que tiver ideia, vamos ajudar a medir a galera de forma justa. Chinelinho eu sei que não gosta de métrica, e não estou falando pra eles (já falei deles em acabou pro dev chinelinho?). Estou falando pra galera que trabalha, que quer entregar e ter uma vida bacana pra si e pra família, com responsabilidade. Trabalho de adulto.

TODA SEGUNDA · MEIO-DIA · AO VIVO

Discorda? Concorda? Tem um caso parecido? Aqui não tem caixa de comentário de propósito: segunda-feira, ao meio-dia, eu faço live no canal e a gente conversa sobre isso ao vivo — sem corte, como sempre.

Ver as lives no canal @josimarjmv →

Perguntas frequentes

Quanto tempo um dev sênior leva pra pegar uma stack grande?

Na minha empresa, antes da IA, era de seis meses a um ano pra pegar a stack completa: 266 microsserviços num só cluster brasileiro, muitos legados e sem documentação certinha. Era métrica, não opinião. Hoje, com IA, são dias: em uma semana um sênior está entregando valor.

Por que você diz que errou?

Porque eu passei a falar de inteligência artificial e trouxe pros vídeos um número que não é mais da época da IA. Os seis meses a um ano eram uma métrica antiga, de antes. Eu esqueci que o cenário mudou e não refiz a conta com IA. O erro foi meu, peço desculpa e agradeço a quem me corrigiu.

Como a IA acelera o onboarding de um desenvolvedor?

O sênior faz o git clone do projeto e manda o Claude Code ler. Não vai ser perfeito, mas traz 70%, 80% da regra de negócio, as dependências e os endpoints que o serviço chama em 10, 15 minutos. Num microsserviço de responsabilidade única, às vezes em um ou dois minutos.

Por que a demora do sênior era um problema financeiro?

Não falo de capacidade técnica. O sênior ganha um dinheirão e ficava seis meses até conseguir pegar uma demanda sozinho, organizar o backlog com a equipe e entregar pronto. Por isso eu tinha resistência a contratar sênior: não me trazia resultado financeiro no tempo que eu precisava.

A IA resolve stack difícil, como vídeo e FFmpeg?

Ajuda muito, mas não faz mágica. Vídeo em tempo real pra milhões de views por dia é muito complicado: codec, profile e muita coisa além de rodar um comando de conversão. A diferença é que hoje a IA entrega isso mais mastigado pra quem precisa estudar.

O que muda no contrato e na métrica dos devs?

Pode mudar o modelo de negócio, de entrega e de contrato. O caminho que eu vejo é fechar por entrega: isso aqui é valor pra empresa, fez, acabou. Contrato por hora sem métrica correta é difícil, e story point é difícil de medir. A gente precisa achar um modelo justo pra todo mundo.

Baseado na gravação do canal @josimarjmv publicada em 23/05/2026 (9min12), com transcrição própria das legendas do próprio vídeo.

O que veio da gravação e o que é apuração minha, com as fontes

Da gravação: a correção de rota e o pedido de desculpa; a live do dia anterior; a carteirada (CEO de empresa de tecnologia, data center, infraestrutura real, sem personagem); os 266 microsserviços em um dos clusters, o brasileiro, com CI, deploy, bancos SQL, NoSQL e em memória, web socket, CDN e APIs de pagamento, Facebook e Meta; os seis meses a um ano que um sênior levava pra pegar a stack; os quatro sêniors contratados; os serviços correlacionados, legados de 10 a 15 anos e sem documentação completa; o plano de carreira montado em cima dessa métrica; o git clone com o Claude Code trazendo 70% a 80% da regra de negócio em 10 a 15 minutos, ou um a dois minutos num microsserviço; o sênior entregando valor em uma semana; a resistência financeira ao sênior; o microsserviço que não devia existir e a promessa do vídeo sobre isso; o QA que volta, o vídeo em tempo real pra milhões de views e o FFmpeg com codec e profile; o contrato por hora, a entrega por feature e o story point; o dev que queria ficar até 9, 10 da noite e o combinado de folga; o backlog que não fechava na sexta; as conversas com empresários de fora do Brasil; e o recado sobre métrica justa e o chinelinho.

Apuração minha (17/10/2026): a página Common workflows da documentação do Claude Code traz a receita "Get a quick codebase overview" para quem acabou de entrar num projeto novo; os percentuais e tempos acima são da minha experiência, não da documentação. A documentação de codecs do FFmpeg lista para o libx264 as opções preset, tune e profile, entre outras. Nota de cronologia: os 266 microsserviços são o número de maio de 2026, no cluster brasileiro; em textos posteriores eu falo em mais de 300 microsserviços no total. A tabela é organização minha, feita depois, em cima do que eu disse.

Carreira e contrataçãoCarreira e equipe
Relacionado
As quatro imersões

Quatro portas. A mesma régua: produção de verdade.

Cada imersão resolve uma etapa de quem vive de tecnologia: fazer sites e cobrar direito, atender com IA sem quebrar, sustentar a operação, e transformar protótipo em produto.

Ver as imersões →