Josimar MachadoJMV Technology · 2003 —
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Como escolher o nome do seu SaaS: o teste do olho fechado que eu faço

A Amazon se chamava Cadabra, e o advogado entendeu cadáver. Eu vivo de software e de SaaS há 20 e poucos anos e vejo gente ignorando o nome até ele virar problema. Aqui eu conto o domínio impronunciável que eu troquei pra um cliente, o teste do olho fechado e o que eu consulto de graça antes de bater o martelo.

Josimar Machado
Josimar Machado
Fundador, JMV Technology

🎧 PREFERE OUVIR? · 14 min · Podcast Em Produção

Este artigo também é um episódio do podcast Josimar JMV | Em Produção — o mesmo vídeo, só o áudio, normalizado pra fone.

Gravado em 10·10·2026 · 14 minAssistir no YouTube ↗

Gravei esses 13 minutos no canal @josimarjmv em 10 de outubro de 2026, ao vivo e sem corte, com uma colinha na mão pra não errar os nomes. Assista e leia junto. Aqui embaixo eu conto a mesma coisa por escrito, com mais calma, e ponho o que eu fui conferir depois: a fonte de cada caso, a tabela do INPI e a regra de marca do Google Ads.

Resposta rápida

pra escolher o nome de um SaaS eu faço cinco coisas antes de bater o martelo. Fecho os olhos e falo o nome em voz alta, pra ver se dá pra entender e digitar. Consulto o INPI, que é de graça, pra saber se já tem marca registrada no meu segmento. Consulto o domínio .com e .com.br. Busco o nome no Google, na App Store e na Google Play. E saio da bolha: pergunto pro usuário que vai pagar o que ele acha. Mudar de nome depois é um caos, e nome que já é marca registrada de outro trava o seu tráfego pago.

De onde eu falo

Vou dar minha carteirada antes. Eu tenho empresa de tecnologia e vivo de software e de SaaS há 20 e poucos anos. Já fui software house. Hoje eu tenho vários SaaS. Então eu venho falar com conhecimento de causa, não é teoria de coach.

Isso aqui é o começo de uma série sobre viver de software, pra você que é empresário ou desenvolvedor e quer viver de SaaS, de software house ou coisa do tipo. Eu já publiquei algumas coisas nessa linha, como a conta de quantos clientes você precisa pra ficar rico com SaaS.

E eu começo pelo nome. Você vai dizer: "Josimar, isso é óbvio". É. Só que nessa série eu vou trazer muita obviedade que muita gente esquece. O óbvio precisa ser dito. A escolha do nome do seu SaaS é um negócio importantíssimo, e é uma preocupação inicial que muita gente ignora e que gera problema lá na frente.

O nome que quase matou a Amazon

O nome da Amazon era Cadabra. Sabia disso? A história que eu pesquisei pra gravar é que o advogado do Jeff Bezos foi tratar do registro e entendeu cadáver. O nome foi cortado.

Depois ele tentou Relentless. Tinha uma palavrinha-chave ali, uma pegadinha. Nem sempre essas coisas dão certo.

Fui conferir as duas. O Christian Science Monitor, citando a biógrafa Ann Byers, registra que o Bezos queria chamar a livraria de Cadabra e que o advogado hesitou porque achou que tinha ouvido "cadaver". A empresa chegou a ser constituída com esse nome, já com a troca planejada. Amazon veio do rio: exótico, diferente e o maior do mundo. E o endereço relentless.com existe até hoje. Eu digitei em 11 de outubro de 2026 e ele caiu na página da Amazon.

Repara no que derrubou o Cadabra. Não foi pesquisa de mercado. Foi uma pessoa ouvindo o nome e entendendo outra coisa. Guarda isso, porque é o teste que eu faço.

Facebook pagou US$ 200 mil. O gol.com.br não foi vendido até hoje

Outro caso que todo mundo conhece: o Facebook. Ele era TheFacebook, com o domínio registrado desse jeito. Pra ter o facebook.com, que era de outra pessoa na época, teve que pagar 200 mil.

Fui conferir o valor: são dólares. A InformationWeek registra que, em agosto de 2005, o TheFacebook comprou o facebook.com por US$ 200 mil. A mesma reportagem conta o que veio depois: o endereço fb.com saiu por um valor estimado em US$ 8,5 milhões. Quanto mais o negócio cresce, mais caro fica consertar o nome.

Aqui no Brasil a gente tem a célebre história do Gol. O dono do gol.com.br não vendeu o domínio. Durante a gravação eu parei e abri o site ao vivo, porque não tinha pesquisado antes. Estava lá: revista digital de turismo e viagens pelo Brasil. Não tem a ver com futebol e não tem a ver com a companhia aérea.

Abri de novo em 11 de outubro de 2026 pra escrever isto. O gol.com.br se apresenta como um domínio registrado antes de 1995 e avisa, com todas as letras, que não pertence à GOL Linhas Aéreas, não vende passagem e não faz check-in. A companhia aérea atende em voegol.com.br.

CasoO nome ou o domínioO que aconteceu
AmazonCadabraO advogado entendeu "cadáver". Trocou antes de crescer.
FacebookTheFacebookPagou US$ 200 mil pelo facebook.com em 2005.
Golgol.com.brO domínio é de outro dono até hoje. A companhia usa voegol.com.br.
GoogleBackRubTrocou no começo. O nome novo pegou.
MitsubishiPajeroPalavra vulgar em espanhol. Virou Montero nesses mercados.
TwitterXTrocou em 2023, já gigante. Até hoje é "X, antigo Twitter".

Os seis casos eu cito na gravação. Os valores, as datas e as fontes de cada linha eu conferi depois e estão ao longo do texto.

O cliente do 94toptickets.com.br

Agora uma história que aconteceu comigo, há muito tempo, aqui na cidade mesmo.

Um parceiro nosso, cliente há mais de 10, 12 anos, é dono de um grupo de comunicação. Ele queria fazer o sistema dele de venda de ingresso de evento, porque todo evento tem promoção da rádio e da TV. Rádio e TV sempre foram um meio fortíssimo de divulgação. Rede social deu uma alterada nisso, mas eu lembro como se fosse hoje.

Ele me chamou: "O que você acha disso aqui?". Olhei o sistema. Legal. De repente bati o olho no domínio. Era 94toptickets.com.br.

Eu falei pra ele: "Você trabalha com rádio. Fecha os olhos e ouve eu falando." E fui, como se fosse a locução: acesse agora o ingresso do show, sei lá, do Gusttavo Lima, em 94toptickets.com.br.

Que ser humano vai conseguir digitar isso no Google? Só quem é muito da área. Tickets é palavra em inglês. Falei: "Bota aí: ingresso94.com." Resolvido. Trocou o nome, está pronto. A pessoa ouve "ingresso 94 ponto com" de olho fechado e digita sem erro.

Eu já tinha contado esse caso pelo lado do endereço do site, em como eu escolho o nome do domínio antes de criar o site. Pra software vale igual, e pesa mais, porque o nome do SaaS vai parar na loja de aplicativo e no anúncio.

O teste do olho fechado

A gente é apaixonado pelo que faz, ou vive numa bolha, e esquece que faz software pro usuário. Quem tem que gostar do software é o usuário, não é você. Quem tem que gostar da feature é o usuário, não é você.

Então faz agora. Fecha os olhos. Fala o nome do seu SaaS em voz alta. Ele é audível? É fácil de compreender? Dá pra pessoa entender e digitar o nome do aplicativo? É fácil ela buscar?

Se não dá pra entender de olho fechado, troca. Foi exatamente isso que derrubou o Cadabra: alguém ouviu e entendeu outra palavra.

Duas consultas que são de graça: INPI e domínio

A gente faz o software pra dar certo. Já que é pra dar certo, tem que ter alguns cuidados pra evitar problema. Quantos casos de nome duplicado, com processo no INPI, você já viu? Um monte. Está aí a CazéTV, que também teve problema com isso.

"Ah, meu SaaS nem virou nada e eu já tenho que gastar dinheiro com INPI?" Não. Ainda não. Mas dar uma consultada é de graça. Você entra na busca de marcas do INPI e vê se tem marca registrada com esse nome, no seu segmento ou não.

E um processo de registro de marca no INPI não é um negócio caro. Fui conferir a tabela de retribuições de marcas vigente: o pedido de registro com especificação pré-aprovada custa R$ 880 por classe, ou R$ 440 com o desconto que vale pra pessoa física, MEI, microempresa e empresa de pequeno porte. Isso é a taxa do governo. Honorário de escritório é outra conversa.

Sobre a CazéTV, o que está publicado: o pedido de registro da marca foi protocolado em janeiro de 2023 e teve o indeferimento publicado em janeiro de 2026, por colidência com registros anteriores do mesmo setor com a grafia "Casé", segundo o NSC Total. Cabe recurso. Audiência de milhões não garante o nome.

A outra consulta é o domínio. Olha o .com e o .com.br. "Ah, não, o meu domínio é ponto io." Pro Brasil eu recomendo o .com.br: o pessoal já conhece, já é sólido, é bacana. A disponibilidade você consulta no registro.br. Mais pra frente na série eu vou tratar das particularidades de um SaaS no Brasil e de um SaaS fora do Brasil. Uma delas, a do imposto, eu já abri em vender SaaS pro exterior.

A IA é muito ruim pra dar nome. Eu uso pra pesquisar

Tira um tempo com uma inteligência artificial e faz uma pesquisa profunda sobre o nome.

Agora, vou falar pra você: pra te dar ideia de nome, a IA é muito ruim. Eu já fiz isso. Ela aprendeu aquilo que existe, então a criatividade dela pra nome de software não é boa.

Eu uso a IA pra outra parte: pesquisar nome de concorrente, se alguém já usa, se tem alguém no mercado com aquele nome. Nisso ela ajuda.

Saia da bolha e vá perguntar pro usuário

Outra coisa muito importante: sai da sua bolha e vai conversar com o usuário comum. Principalmente com o público-alvo do seu software.

O seu software é pra academia? Vai na sua academia. Entra lá, conversa com o gerente, com o dono: "Vai ter um software assim, com esse nome. O que você acha desse nome?".

"Ah, mas o cara não gosta, o cara não faz." Só troca uma ideia. Você está fazendo um software pro usuário. A parte fundamental desse negócio é saber o que o usuário quer, o que ele gosta, o que ele pretende e o que ele entendeu quando ouviu o nome.

Busque o nome no Google, na App Store e na Google Play

Faça você mesmo a busca. Bota no Google e vê o que aparece hoje com o nome do seu software. Que tipo de concorrência esse nome vai ter?

E não valida só no Google. Busca o nome na App Store e na Google Play. O que aparece? Isso pesa lá na frente: na hora de fazer tráfego pago e tráfego orgânico, o nome influencia direto o sucesso do seu SaaS.

Tem também a cultura do lugar. Na pesquisa pra gravar eu trouxe o caso do Pajero. Em espanhol, a palavra tem ligação com masturbação. É uma palavra vulgar. O carro mudou de nome por lá e virou Montero. O jornal El Imparcial registrou em maio de 2026 que a Mitsubishi mantém o nome Montero no mercado de língua espanhola por causa dessa conotação.

"Eu vou fazer um software global desde o primeiro dia, porque eu quero receber em dólar." Então você tem que estudar a cultura dos locais. Não dá pra sair colocando qualquer nome sem entender o lugar.

As cinco checagens que eu faço antes de escolher o nome de um SaaS Cinco etapas em sequência: falar o nome de olho fechado, consultar a marca no INPI, consultar os domínios .com e .com.br, buscar o nome no Google e nas lojas de aplicativo e perguntar para o usuário. ANTES DE BATER O MARTELO NO NOME 1 Olho fechado Fala o nome em voz alta. Dá pra entender e digitar? 2 INPI Já tem marca registrada no seu segmento? Consultar é de graça. 3 Domínio O .com e o .com.br estão livres? 4 Google, App Store e Google Play O que aparece hoje com esse nome? 5 Usuário Fora da bolha: o que ele entendeu quando ouviu?
As cinco checagens, na ordem em que eu faço. Nenhuma delas custa dinheiro.

Mudar o nome depois é um caos

O Google era BackRub. Nome com cara de backlink, criatividade pequena. Não pegava. Virou Google, e olha que bacana ficou. A própria empresa conta isso na página de história dela: o buscador se chamava Backrub e logo depois foi rebatizado.

Só que eles trocaram no começo. Mudar depois de grande é um caos. Nós vamos ter o eterno Twitter. Quem chama o X de X? Todo mundo escreve "X, antigo Twitter". Reportagem, todo mundo.

O domínio é massa. x.com, caramba, é top. Mas X tem tanto significado. SpaceX, tudo bem. X sozinho não ficou bom. Talvez algum dia as pessoas entendam. Aqui no Brasil, pelo menos, vai ficar Twitter a vida inteira.

Pra você ter a medida do tempo: a troca do pássaro pelo X foi em julho de 2023, como registrou a Al Jazeera. Passaram mais de três anos e o nome antigo continua vindo junto.

Nome que é marca de outro trava o seu tráfego pago

Aqui é onde o nome mal pesquisado cobra a conta. Se você usar um nome que já é marca registrada de alguém, você não consegue fazer tráfego pago em cima dele. O dono da marca manda a notificação pro Google, manda tirar, e o Google não deixa você anunciar aquilo mais. Isso já é meio automático. E a empresa ainda pode entrar com processo contra você.

Fui ler a regra escrita. O blog oficial do Google pro Brasil explicou a política em Política de Marca Registrada do AdWords: o dono da marca, com o registro no INPI na mão, pede a proteção ao Google, e a partir daí outra empresa não pode criar anúncio que faça referência àquela marca. O que não entra na proteção é a palavra-chave. E o Google avisa que sem o registro no INPI o pedido nem é concluído.

A página atual de marcas registradas da Central de Ajuda de políticas do Google Ads, que eu li em 11 de outubro de 2026, segue a mesma linha: quando o proprietário envia uma denúncia, o Google revisa o anúncio e pode restringir o uso daquela marca, e a restrição costuma valer pra todos os anúncios do mesmo domínio. O uso da marca como palavra-chave continua fora da restrição.

A minha leitura pra quem está escolhendo nome: se o nome do seu produto é a marca registrada de outro, o risco é você não poder escrever o nome do seu próprio software no seu próprio anúncio. Por isso a busca no INPI vem antes do nome, não depois do primeiro boleto de tráfego.

Os melhores nomes são nomes

Não ignore o nome. Tira um tempo. Toma um vinho, toma uma cerveja, vai pra praia, relaxa, viaja na batatinha, até você encontrar.

E os melhores nomes são nomes. O meu nome não é Infraestrutura. O meu nome é Josimar. Nome é nome.

Tem muita coisa que dá certo com palavra-chave no nome, tudo bem. Mas o que dá certo em geral é ter um nome criativo. Às vezes ele não tem absolutamente nada a ver com o que você faz, mas é um nome único, um nome seu.

Então fica a ordem que eu sigo:

  1. Defina o nome e fale ele de olho fechado.
  2. Pesquise a marca no INPI e o domínio no .com e no .com.br.
  3. Pesquise o concorrente: Google, App Store, Google Play e uma pesquisa profunda com IA.
  4. Converse com o usuário que vai pagar pelo software.
  5. Estude a cultura do país, se o software for pra fora.

Essas são as premissas iniciais pra você evitar problema jurídico e problema de marketing lá na frente. Eu falo porque sou eu que faço essas pontas todas.

O que eu abro na Imersão de SaaS em Produção

Nome é uma parte. Tem infraestrutura pra SaaS, marketing, venda, jurídico e contábil: um workflow inteiro pra colocar um software em produção. Serve pros dois públicos, o desenvolvedor que não sabe vender e o empresário que não sabe desenvolver.

Eu vou fazer uma imersão presencial, em São Paulo, pra compartilhar a minha experiência: como alguns dos meus SaaS faliram, como alguns deram muito certo, o que eu faço hoje pra manter os meus e como é o meu pipeline de desenvolvimento, com inteligência artificial em todas as etapas, da infraestrutura à venda, com as ferramentas que eu uso em produção. É por isso que ela se chama "em produção".

Dá pra viver de software tranquilamente, inclusive de software house, por mais que o pessoal fale muito de software house. Sobre software house eu ainda vou gravar um vídeo específico.

Nota de cronologia: data e condição valem na página da imersão

Gravei em 10 de outubro de 2026, com a pré-inscrição aberta. Gravação envelhece, então eu não repito aqui data nem condição. O que vale é o que está na página da Imersão de SaaS em Produção, e é lá que fica a pré-inscrição.

TODA SEGUNDA · MEIO-DIA · AO VIVO

Discorda? Concorda? Tem um caso parecido? Aqui não tem caixa de comentário de propósito: segunda-feira, ao meio-dia, eu faço live no canal e a gente conversa sobre isso ao vivo — sem corte, como sempre.

Ver as lives no canal @josimarjmv →

Perguntas frequentes

Como escolher o nome de um SaaS?

Eu faço cinco coisas antes de bater o martelo. Fecho os olhos e falo o nome em voz alta, pra ver se dá pra entender e digitar. Consulto se já existe marca registrada no INPI no meu segmento. Consulto o domínio .com e o .com.br. Busco o nome no Google, na App Store e na Google Play pra ver o que aparece. E saio da minha bolha: vou perguntar pro usuário que vai pagar pelo software o que ele acha do nome.

O que é o teste do olho fechado?

É fechar os olhos, falar o nome do software em voz alta e ver se ele é audível: se a pessoa que só ouviu consegue entender e digitar. Eu fiz isso com um cliente que ia vender ingresso de evento no domínio 94toptickets.com.br, divulgando pela rádio. Ninguém ia conseguir digitar aquilo. Trocou pra ingresso94.com e ficou resolvido.

Preciso registrar a marca no INPI antes de lançar o SaaS?

Pagar o registro logo no primeiro dia, com o software ainda sem virar nada, eu acho que ainda não. Mas consultar é de graça, e isso você faz antes de escolher o nome: vê se já tem marca registrada com esse nome no seu segmento. E o processo de registro no INPI não é um negócio caro. Na tabela vigente que eu conferi, o pedido com especificação pré-aprovada custa R$ 880 por classe, ou R$ 440 com o desconto de pessoa física, MEI, microempresa e empresa de pequeno porte.

Devo usar .com ou .com.br no meu SaaS?

Consulta os dois. Se o seu SaaS é pro Brasil, eu recomendo o .com.br: o pessoal já conhece, já é sólido. O que eu não faço é escolher o nome sem saber se o domínio está livre, porque comprar depois sai caro. O Facebook nasceu como TheFacebook e pagou US$ 200 mil pelo facebook.com. E o gol.com.br até hoje não é da companhia aérea.

A inteligência artificial ajuda a criar o nome do software?

Pra dar ideia de nome, eu acho a IA muito ruim, e eu já tentei. Ela aprendeu com o que existe, então a criatividade dela pra isso não é boa. Eu uso a IA pra outra parte: pesquisa profunda de nome concorrente, se alguém já usa, se tem empresa no mercado com aquele nome.

Posso anunciar no Google com um nome que é marca registrada de outra empresa?

É aí que o nome mal pesquisado cobra a conta. O dono da marca pode denunciar o anúncio pro Google, e pela política do Google Ads a empresa revisa e pode restringir o uso daquela marca nos anúncios. Fora o Google, o dono da marca ainda pode entrar com processo contra você. Por isso eu faço a busca no INPI antes de escolher o nome, não depois de gastar com tráfego.

Dá pra mudar o nome do SaaS depois?

Dá, mas é um caos. Olha o Twitter: virou X em julho de 2023 e até hoje todo mundo escreve X, antigo Twitter. O domínio x.com é top, mas o nome antigo não sai da cabeça das pessoas. Por isso eu prefiro tirar um tempo e acertar o nome antes.

Qual era o primeiro nome da Amazon?

Cadabra. A história que eu pesquisei pra gravar é que o advogado do Jeff Bezos entendeu cadáver quando ouviu o nome, e o nome foi cortado. Antes de chegar em Amazon, o Bezos ainda tentou Relentless. O endereço relentless.com existe até hoje e cai na Amazon: eu testei em 11 de outubro de 2026.

Baseado na gravação do canal @josimarjmv publicada em 10/10/2026 (13min31s), com transcrição própria das legendas do próprio vídeo.

O que veio da gravação e o que é apuração minha, com as fontes

Da gravação: os 20 e poucos anos vivendo de software e de SaaS, a software house e os vários SaaS de hoje; a série sobre viver de software; Cadabra, o advogado que entendeu cadáver e a tentativa com Relentless; o TheFacebook pagando 200 mil pelo facebook.com; o gol.com.br aberto ao vivo, com a revista de turismo; o cliente do grupo de comunicação, o 94toptickets.com.br e a troca pra ingresso94.com; fechar os olhos e falar o nome; a consulta gratuita ao INPI, o registro que não é caro e a menção à CazéTV; a consulta do .com e do .com.br e a recomendação do .com.br pro Brasil; a IA ruim pra dar nome e boa pra pesquisar concorrente; a conversa com o dono da academia; a busca no Google, na App Store e na Google Play; o Pajero que virou Montero; o BackRub; o Twitter que virou X; o nome registrado que impede o tráfego pago e o risco de processo; os melhores nomes serem nomes; a imersão presencial em São Paulo. Tudo dito de cabeça e com uma colinha, ao vivo, sem edição.

Apuração minha (11/10/2026): Cadabra, o advogado que ouviu "cadaver", a constituição da empresa com esse nome e a escolha de Amazon pelo rio estão no Christian Science Monitor, 19/05/2014, que cita a biógrafa Ann Byers; o redirecionamento de relentless.com pra amazon.com foi testado por mim em 11/10/2026. A compra do facebook.com por US$ 200 mil em agosto de 2005 e o valor estimado de US$ 8,5 milhões pelo fb.com são da InformationWeek, 12/01/2011; é valor reportado pela imprensa, não documento da empresa. O texto do gol.com.br (domínio registrado antes de 01/01/1995, sem relação com a GOL Linhas Aéreas) foi lido no próprio site em 11/10/2026, assim como o endereço voegol.com.br da companhia. A busca de marcas é a do INPI; os R$ 880 por classe e os R$ 440 com desconto estão na tabela de retribuições de marcas do INPI. As datas do pedido e do indeferimento da marca CazéTV são do NSC Total. A manutenção do nome Montero nos mercados de língua espanhola é do El Imparcial, 30/05/2026. O nome Backrub está na página de história do Google. A troca do logotipo do Twitter pelo X em julho de 2023 é da Al Jazeera, 23/07/2023. A proteção da marca nos anúncios, a exigência do registro no INPI e a exceção das palavras-chave estão no post Política de Marca Registrada do AdWords, do blog oficial do Google, 28/02/2014; a regra de denúncia do proprietário e a restrição por domínio estão na página "Marcas registradas" da Central de Ajuda de políticas do Google Ads (support.google.com/adspolicy/answer/6118), lida em 11/10/2026; a frase sobre não poder escrever o nome do próprio produto no anúncio é leitura minha da regra, não texto do Google.

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