Meu SaaS vai ser engolido pela IA? O teste que eu faço antes de investir
O nosso maior concorrente na era do SaaS é justamente quem mais nos ajuda a fazer software. Um monte de CRM por aí está com os dias contados. Antes de pôr dinheiro em software, eu faço uma pergunta sem paixão: o que eu vendo, um agente de IA consegue fazer sozinho?
🎧 PREFERE OUVIR? · 16 min · Podcast Em Produção
Este artigo também é um episódio do podcast Josimar JMV | Em Produção — o mesmo vídeo, só o áudio, normalizado pra fone.
Gravei esses 16 minutos, sem edição, no canal @josimarjmv em outubro de 2026, dentro da série sobre viver de software e de SaaS. Assista e leia junto: aqui embaixo eu conto a mesma coisa por escrito, com o que eu fui conferir depois.
muito CRM e muito software hoje só são necessários porque têm API. Quando o agente de IA navegar com conta de verdade, pesquisar os clientes, montar a planilha, fazer um CRM só pro empresário e responder o contato, esse software perde o sentido. Antes de criar ou manter um SaaS, eu faço um exercício de futurologia: o que eu faço pode virar uma função dentro de uma IA? Na minha empresa, o que protege é o vídeo, que gasta banda, tráfego e infraestrutura própria. A minha plataforma EAD, sem o vídeo integrado, eu podia matar.
O concorrente é quem mais te ajuda a fazer software
Olha que doideira: na era do SaaS, quem mais me ajuda a fazer software é a inteligência artificial. E é ela o meu maior concorrente. O seu software vai ser substituído por uma função dentro de uma IA? Essa é uma análise extremamente importante, e você tem que fazer antes de investir dinheiro. Tempo, você faz o que quiser com ele, é seu. Dinheiro é outra conversa.
A carteirada, pra você saber de onde eu falo: sou CEO de uma empresa de tecnologia, hands-on. Eu boto a mão na massa: programo, cuido de infraestrutura, de suporte, de venda, de marketing. Transito por todos os setores da empresa há muitos anos. Por isso eu não te trago só a visão de código, ou só de negócio, ou só de marketing. Trago a visão do negócio inteiro.
O pau está quebrando. O movimento está aí: as empresas de IA já falam em criar o agente e dar a ele e-mail e número de telefone, pra ele começar a fazer as coisas pra gente de fato. O Musk prometendo robô humanoide pro ano que vem. A OpenAI e a Meta disputando quem põe agente na mão de mais gente. E quando a Meta solta um recurso, ela solta pra bilhões de usuários de uma vez. Lembra do Threads? Tinha um banner do tamanho do Instagram na sua frente; era quase obrigado você criar a conta. Escala de Meta é isso.
O que eu já faço com os meus agentes
Esses agentes ainda têm limitação: muita coisa é plugin, depende de integração, de MCP. Mas já fazem muito. E eu vou te contar o que eu já faço há bastante tempo, antes de virar notícia.
Eu tenho os meus agentes dentro das minhas VMs, com autonomia total lá dentro. O meu agente tem e-mail. Telefone ainda não. E um teste que eu ainda vou fazer é dar uma rede social pra ele. O meu agente funciona como um estagiário meu: tem os acessos ao sistema que um estagiário tem, e poder pra controlar a máquina em que trabalha. Com guard-rails, claro, sem acesso que não deve ter. Como eu isolo isso eu contei em eu rodo o Claude Code dentro de uma VM no Proxmox.
Um dia eu pedi pro Manus fazer uma campanha pra mim, e ele fez a campanha inteira na Meta: criou vídeo, texto, tudo, e colocou no ar. Eu tive que ajudar numa coisa ou outra. Pensa em quantos passos isso toma: videomaker, análise de dados, um monte de CRM de marketing. A minha experiência inteira com o Manus, com o que custou, está em Manus ou Claude Code: eu torrei R$ 2.236 pra descobrir.
Agente navegando como gente: aí o software perde o sentido
Eu tenho certeza disso: em breve os agentes autônomos vão navegar na internet como pessoas de verdade. Com rede social, e-mail, navegador válido, nada de headless. Ele vai ter um computador, vai abrir, navegar e fazer as coisas como a gente faz. Pra ser assistente pessoal de verdade, tem que ser assim. De preferência com os acessos dele, não com os nossos.
Do mesmo jeito que eu vou no business da Meta e dou autorização pro Yuri mexer na minha página, eu vou dar autorização pro meu agente mexer nas publicações, com as permissões certas da ACL. Isso vai acontecer.
E por que isso é um problema pra quem vive de software? Porque muito CRM, muito software hoje, só é necessário porque tem API. Muito mesmo. Pensa no empresário falando pro agente: "Estou vendendo meu sistema de TV indoor e o meu foco agora são clínicas de odontologia. Pesquisa as clínicas e cataloga aqui no Excel." Tem CRM? Ele bota no CRM, se tiver API. Ou o empresário pede: "Faz um CRM básico pra mim com essa, essa e essa função."
Presta atenção no pensamento do empresário: é um ambiente fechado, ele não vai vender aquele software, vai fazer só pra ele. Não precisa se preocupar com produto, com escala, com venda. Quem está fornecendo a plataforma já trata essas questões. Ele faz o scrap, monta o próprio CRM, preenche, manda o contato, responde baseado nas informações do site, agenda reunião. Responde como uma pessoa: uma, duas, três mensagenzinhas curtas, nada daqueles textos gigantes.
Olha o nível que isso está chegando. Está economizando o trabalho de vários softwares e de várias pessoas. Está batendo na porta agora, e não vai parar de evoluir. A conta de quando vale contratar software e quando vale fazer o seu com IA eu abri em contratar SaaS ou fazer o meu software com IA?.
15 minutos: o bug que foi corrigido enquanto eu gravava
Vai chegar o dia em que um agente de suporte vai atender na minha empresa melhor que os meus meninos hoje. Por quê? 24 horas por dia, mais rápido, com acesso aos logs do sistema. Debuga na hora; deu erro, manda pro dev, que é outro agente, que desenvolve e devolve. Gente só vai atender quem quiser falar com gente.
Enquanto eu gravava esse vídeo aconteceu um caso real. Eu tenho um sistema de transcrição de live em tempo real: põe a legenda dentro do vídeo, a live fica salva, gera os cortes e posta sozinho nas redes sociais. Um usuário entrou no suporte: o pagamento dele tinha dado estorno e a conta travou. Era um bugzinho. A Ellen, que é a minha atendente, ainda não tinha aberto a issue; eu vi, mandei a issue, e já foi corrigido e mandado pro cliente testar de novo. Quinze minutos, o tempo que eu estava gravando. Esse é o nível de atendimento que vem aí.
O risco na minha própria casa: a plataforma EAD
Não vou te pedir pra fazer uma análise que eu não faço. Vou te dar o meu risco. Eu tenho uma plataforma EAD, a Nochalks. O que ela é? Um CRUD gigante de aluno, que funciona em cima da minha plataforma de vídeo: vídeo ao vivo, gravado e videoconferência.
Se a minha plataforma não oferecesse vídeo gravado, ao vivo e videoconferência, tudo integrado, eu podia matar ela. Em breve ela ia perder o sentido, ou eu teria que transformar ela num Hotmart da vida pra competir com esse povo. Hoje, pra quem já tem aluno, ela sai muito mais barato: eu cobro centavos por aluno ativo, não cobro percentual por venda.
Mas pensa no cliente que paga mil reais por mês porque tem 5.000 alunos. Com 5.000 alunos, ele pode pagar um desenvolvedor pra fazer a plataforma dele no vibe coding e integrar com a minha API pra conversar com os meus vídeos e fazer videoconferência. É um risco real, e é meu.
O que protege o meu negócio: vídeo é pesado
O meu negócio é vídeo. Vídeo é pesado, gasta muita banda, muito tráfego, muito link. Isso não se comoditiza com um prompt. E eu ainda tenho infraestrutura própria. Se você tem tráfego, fazer streaming comigo sai muito mais barato do que hospedar na Amazon. Vai lá contratar um plano e olha o tráfego.
Fui conferir na página oficial de preços sob demanda do Amazon EC2 (consultada em 18/10/2026): a transferência de dados de saída da EC2 pra internet é cobrada à parte da máquina, por volume, e só os primeiros 100 GB por mês, somados entre os serviços e regiões, são gratuitos. Pra vídeo, que é tráfego puro, é aí que a conta pesa. Quando a nuvem compensa e quando não compensa eu contei em AWS é Nutella: escalar no cartão não é arquitetura.
| O que o software é | Risco de virar função de IA | Por quê |
|---|---|---|
| CRUD de cadastro, planilha, CRM de marketing | alto | o agente pesquisa, cataloga, preenche, responde e agenda sozinho |
| Plataforma EAD sem vídeo próprio | alto | quem tem muitos alunos faz a dele com um dev e IA |
| Plataforma EAD em cima do meu vídeo | médio | a parte de cadastro é copiável; o vídeo integrado não |
| Vídeo, streaming e videoconferência com infraestrutura própria | baixo | banda, tráfego e link custam; não se resolve com prompt |
O exercício de futurologia que eu faço antes de investir
Então, antes de entrar nesse mercado, faça um exercício de futurologia. Pega o Claude Code, pega o modelo que você usa, e manda ele pesquisar no mundo inteiro: o que as pessoas estão fazendo, o que aconteceu no passado, pra tentar fazer uns paralelos. Mesmo sendo tudo muito novo, peça as previsões e o que a IA já consegue fazer.
- Um documento denso sobre a sua ideia, com prós e contras.
- Pontos fortes e fracos do seu negócio, numa matriz que você consiga olhar.
- O risco: o que eu faço vira uma função dentro de uma IA? Talvez já esteja virando.
- Sem paixão. "Ah, o meu software é único, não tem concorrente, a IA nunca vai fazer o que eu faço." Ah, vai.
Se a resposta for que o seu SaaS é substituível, talvez valha mais não mexer com SaaS e montar consultoria: você entende do negócio, tem alta tecnologia, vende a hora pro cliente usar a solução dentro das ferramentas de IA que ele já paga. É só ideia. Não estou falando que tem que ser assim. Mas uma coisa tem que ser: o seu SaaS não pode ser facilmente substituído por uma IA. Esse cuidado eu tenho na hora de criar qualquer software a partir de hoje.
E se o mercado de SaaS mudou de lugar, não sumiu, eu mostrei em 232 bilhões a menos no SaaS: eu cancelei 13 assinaturas.
Seis meses pro primeiro R$ 1.000: SaaS é uma empresa
Por que eu insisto tanto nessa análise? Porque gasta tempo e dinheiro. O sistema de TV indoor que a gente colocou no ar levou seis meses do zero até ficar azeitado em produção e render os primeiros R$ 1.000 por mês sozinho, independente das outras plataformas.
E não foi só código: suporte, marketing, venda, pagamento, rede social. Sim, o seu SaaS tem rede social, meu filho. Contábil, jurídico, teste de usuário. O seu SaaS é uma empresa. E pra mim ainda é meio fácil, porque eu já tenho lead e conversa com o segmento. Mesmo assim foram meses. Quantos clientes você precisa pra viver disso eu fiz a conta em ficar rico com SaaS: a conta dos 250 clientes.
Se você fez a análise e deu bom, se o seu SaaS entrega uma solução mais completa, com suporte no Brasil, consultoria e o que a IA não faz sozinha, aí sim é hora de botar em produção ou de virar software house. E o que uma empresa de SaaS faz de verdade em produção, de desenvolvimento com IA e pipeline a jurídico, contábil, preço e pós-venda, é o que eu ensino na Imersão de SaaS em Produção.
Discorda? Concorda? Tem um caso parecido? Aqui não tem caixa de comentário de propósito: segunda-feira, ao meio-dia, eu faço live no canal e a gente conversa sobre isso ao vivo — sem corte, como sempre.
Ver as lives no canal @josimarjmv →Perguntas frequentes
A IA vai substituir o meu SaaS?
Depende do que o seu SaaS faz. Muito CRM e muito software hoje só são necessários porque têm API. Quando o agente de IA navegar com conta de verdade, montar a planilha, fazer um CRM só pro empresário e responder o contato, esse software perde o sentido. Faça a análise sem paixão antes de investir dinheiro.
Que tipo de software corre mais risco com agentes de IA?
O que é basicamente um CRUD: cadastro, planilha, CRM, fluxo de marketing. O agente pesquisa os clientes, cataloga, preenche, manda mensagem e agenda reunião. Num ambiente fechado, em que o empresário faz o software só pra ele, ele nem precisa se preocupar com venda ou segurança de produto.
O que protege um SaaS de ser engolido pela IA?
No meu caso, o que protege é o vídeo. Vídeo é pesado, gasta muita banda, muito tráfego, muito link. Com infraestrutura própria, fazer streaming comigo sai muito mais barato do que hospedar na Amazon pra quem tem tráfego. Isso não se comoditiza com um prompt.
Qual é o risco que você vê na sua própria plataforma EAD?
A minha plataforma EAD é um CRUD gigante de aluno em cima da minha plataforma de vídeo. Um cliente com 5.000 alunos pode pagar um desenvolvedor pra fazer a plataforma dele com IA e integrar com a minha API de vídeo e de videoconferência. Se eu não tivesse o vídeo integrado, eu podia matar essa plataforma.
Como fazer a análise antes de criar um SaaS?
Faça um exercício de futurologia. Peça pra uma IA pesquisar o mercado, fazer paralelos com o passado, montar um documento denso sobre a sua ideia com prós, contras, pontos fortes e fracos e o risco do negócio. E responda sem paixão: o que eu faço, um agente de IA consegue fazer?
Quanto tempo um SaaS leva pra começar a render?
O meu sistema de TV indoor levou seis meses do zero até render os primeiros R$ 1.000 por mês sozinho, contando produção, suporte, marketing, venda, pagamento, rede social, contábil e jurídico. E eu já tinha lead e conversa com o segmento. SaaS é uma empresa, gasta tempo e dinheiro.
Se o meu SaaS for substituível, o que eu faço?
Talvez valha a pena não montar SaaS e montar consultoria: você entende do negócio, tem tecnologia e vende hora pra o cliente usar a solução dentro das ferramentas de IA que ele já paga. É só uma ideia. O que não pode é o seu SaaS ser facilmente substituído por uma IA.
Baseado na gravação do canal @josimarjmv publicada em 17/10/2026 (16min27), com transcrição própria das legendas do próprio vídeo.
O que veio da gravação e o que é apuração minha, com as fontes
Da gravação: a série sobre viver de software e de SaaS; a IA como maior concorrente e maior ajuda; a análise antes de investir dinheiro; a carteirada de CEO hands-on; as empresas de IA dando e-mail e telefone ao agente, o Musk prometendo robô humanoide, a disputa da OpenAI com a Meta e a escala do Threads; os meus agentes em VMs com autonomia, e-mail, sem telefone ainda, como estagiário com guard-rails; a campanha que o Manus fez na Meta; os agentes navegando como pessoas, com navegador real e permissão de ACL como a que eu dou pro Yuri; o CRM que só existe porque tem API e o exemplo das clínicas de odontologia; o ambiente fechado do empresário; o agente de suporte 24 horas; o bug de estorno no sistema de transcrição de live corrigido em 15 minutos com a Ellen; a Nochalks como CRUD gigante de aluno em cima do meu vídeo, a cobrança em centavos por aluno ativo, o cliente de 5.000 alunos; o vídeo como proteção e a comparação com a Amazon; o exercício de futurologia; a consultoria como alternativa; os seis meses do sistema de TV indoor até os primeiros R$ 1.000 por mês; e o convite pra imersão de SaaS.
Apuração minha (18/10/2026): a página de preços sob demanda do Amazon EC2 traz a seção "Data Transfer OUT From Amazon EC2 To Internet", cobrada por volume, com 100 GB por mês gratuitos agregados entre serviços e regiões; a comparação de custo com a minha infraestrutura é da minha experiência, não da AWS. Nota de cronologia sobre o Manus: a campanha foi na época em que ele estava integrado à Meta; segundo o TechCrunch, em 13/06/2026, a Meta começou a desfazer essa compra. Na gravação eu citei nomes de produtos de agente que a legenda automática não transcreveu com segurança; por isso aqui eu falo das empresas, sem cravar o nome do produto. A tabela de risco é organização minha, feita depois, em cima do que eu disse.