Software de sucesso no Brasil: o que o dev ignora e fez o meu SaaS decolar
Eu tinha um produto muito bom que tracionava de leve. Quando eu abri suporte e venda à noite, no sábado e no domingo, o trem disparou. O código é o menor dos problemas. No Brasil, você precisa ter atendimento de gente.
🎧 PREFERE OUVIR? · 18 min · Podcast Em Produção
Este artigo também é um episódio do podcast Josimar JMV | Em Produção — o mesmo vídeo, só o áudio, normalizado pra fone.
Gravei esses 17 minutos no canal @josimarjmv pra série Viver de software, viver de SaaS. Sem corte, sem edição. Assista e leia junto: aqui embaixo eu conto a mesma coisa por escrito e ponho o que eu fui conferir depois.
o que faz um software ou SaaS ter sucesso no Brasil, e que muito desenvolvedor ignora porque entende de software e não de negócio, é atendimento ao cliente feito por gente. O brasileiro gosta de conversar e precisa conversar. Na minha plataforma de web TV, estender o suporte até a meia-noite e abrir o fim de semana fez entrar 80 clientes novos por mês. As duas coisas que eu faço em todo sistema: tutorial em vídeo de cada tela, na vertical e na horizontal, e suporte humano. O chatbot ajuda, mas o contrato grande fecha conversando.
O erro de achar que software gringo dá certo igual aqui
Muita gente que está tentando viver de software, viver de SaaS, não está entendendo uma coisa: a cultura do brasileiro é muito diferente da cultura do europeu e do norte-americano. E a gente, como desenvolvedor, é acostumado a pegar software gringo e achar que fazer igual vai dar certo.
Não é palpite de fora. Eu tenho empresa de tecnologia e sou hands-on: ponho a mão na massa, cuido de infraestrutura, suporte, venda, deploy. Vivo de SaaS e de software há muitos anos e conquistei meus sonhos de criança aos 33 anos de idade. O pré-requisito que eu vou contar aqui fez uma diferença gigantesca na minha vida e em todos os meus SaaS pro público brasileiro.
O brasileiro manda quatro vezes mais áudio
Fui na minha colinha pra gravar e levei uma declaração do tio Zuck, o Mark Zuckerberg: o brasileiro manda quatro vezes mais áudio no WhatsApp. Enquanto um manda um áudio, nós mandamos quatro. Não à toa o Brasil é um mercado enorme pro WhatsApp.
Conferi em 14 de outubro de 2026. A frase saiu numa matéria do Canaltech de 7 de junho de 2024: na conferência Conversations, em São Paulo, no dia 6 de junho de 2024, o Zuckerberg disse, por vídeo, que as pessoas no Brasil enviam quatro vezes mais mensagens de voz no WhatsApp do que em qualquer outro país. A comparação dele é país a país, não com a média do mundo, e a Meta não publicou o número por trás da frase.
A gente sabe: somos um povo que gosta de conversar. Não todo mundo. Tem muita gente de TI, desenvolvedor, que é mais na dele, e tudo bem. Mas em geral o brasileiro gosta de socializar, nem que seja com os seus pares e a sua família. É nativo da nossa cultura.
Eu cresci na casa de vó e vô com 15 tios de um lado, 14 do outro e 30 e tantos primos. Domingo era aquela muvuca no almoço. Eu adoro casa cheia, e acabo gostando bastante de socializar também.
Por que o software de fora esbarra no atendimento
Raramente você pega um software gringo que tem atendimento num WhatsApp, num chat, num telefone. E quando tem, são duas barreiras:
- Idioma. O brasileiro não vai ligar pros Estados Unidos. E ligação normal pra lá você paga, até tem jeito de ligar de graça, mas a barreira principal continua sendo o idioma.
- Disponibilidade e fuso horário. Não dá certo.
Agora repara quantas vezes a gente já teve aqui no Brasil empresa que é exclusivamente representante de um software americano, canadense ou europeu. O que esse cara faz? Dá suporte em português. Não desenvolve nada. A empresa dele faz implantação e suporte em português pra aquela marca. Ou é a subsidiária da própria marca: o time de desenvolvimento está todo lá fora e aqui no Brasil só tem um escritório de venda e suporte ao cliente.
Entendeu a maldade? Brasileiro manda muito mais áudio. Software gringo não tem suporte no nosso idioma. Empresa gringa vem pro Brasil e põe suporte em português. O que faz um SaaS ter sucesso no Brasil, e que muito desenvolvedor ignora porque entende de software e não entende de negócio, é o atendimento ao cliente.
Minha equipe de suporte é quase formada em psicologia
Eu falo com conhecimento de causa. O brasileiro gosta de falar com gente. Tem cliente que manda mensagem pro suporte todos os dias, e não é porque está com problema. É porque quer mandar. Pergunta coisa, às vezes sugere. E a gente gosta desse bate-papo, porque muitas vezes vem sugestão legal pra pôr no sistema.
O dia em que eu abri o suporte até a meia-noite
Eu tenho plataforma de vídeo com infraestrutura própria, CDN aqui no Brasil e nos Estados Unidos. E a gente tinha um segmento em que atuava muito forte, com um outro sistema: a web TV, uma simulação de uma TV 24 horas. Milhares de igrejas usam isso no Brasil.
Essa ferramenta não existia no mundo. Quem criou pra gente foi um dev que hoje é engenheiro do Google. A licença era R$ 200 por mês pra usar o sistema, mais o streaming, então não tinha contratozinho com menos de R$ 300, R$ 400 por mês.
Só que qual é o horário da igreja? À noite, sábado, domingo. Massivamente a igreja não funciona em horário comercial. E o meu suporte ia até as 5 da tarde.
Eu estendi um segundo turno, até a meia-noite. "Josimar, você está doido, mão de obra é cara, você ainda vai pagar adicional noturno." É. Mas o meu negócio decolou quando eu fiz isso. Decolou que vocês não fazem ideia: chegava a 80 clientes novos por mês. Pro meu negócio, naquela época, era muita coisa. Você tem ideia de quanto a gente cresceu rápido.
O cliente leigo, o tutorial e o "eu já assisti"
O pessoal precisava de suporte. Na época, pra transmitir ao vivo usava Flash Media Live Encoder. Muita gente leiga: o sobrinho do pastor, a galera dos grupos de jovens da igreja. Não era um negócio difundido.
Se você for no canal da JMV Technology, o primeiro vídeo que tem lá sou eu de terninho explicando o Flash Media Live Encoder. Vídeo horroroso. Não apaguei, vai ficar lá. É história. Ali eu comecei a fazer tutorial pra caramba pra ajudar o cliente.
Só que às vezes o cliente não quer assistir. Ele entra em contato com o suporte, fala que assistiu, e você vê pelas respostas que ele não assistiu. Você até fica com raiva, chama de preguiçoso na sua cabeça, mas nunca pode transparecer isso pra ele. Você fala: "Não, vou te ajudar, vem cá". E aí resolve por telefone, por videochamada, por assistência remota.
Então foi assim: produto muito bom, tracionou de leve. A hora que a gente abriu suporte e venda no sábado, no domingo, à noite, de madrugada, o trem disparou. Até hoje eu sou uma das poucas empresas de tecnologia que tem gente atendendo nesse horário. Eu só diminuí até as 10 da noite, porque das 10 até a meia-noite tinha pouquinha gente.
Ticket com resposta em dois dias não faz sentido
É muito melhor do que aquele famoso "ticket 24 horas", em que você abre o ticket e recebe resposta daqui a dois dias. Pra mim isso não faz o menor sentido.
A noite em que eu saí da boate pra salvar um evento de 60 mil pessoas
"Josimar, mas como faz quando abre o suporte até a meia-noite?" No começo era eu e o suporte normal.
Eu era moleque novinho, 20 e poucos anos. Estava numa casa noturna em Belo Horizonte com a minha namorada da época, curtindo a noite. Umas 11 horas o Mário, que trabalha comigo há 14 anos, me ligou: cliente com evento, problema assim, assim, assado. A gente já sabia que tinha um evento grande naquela noite: o cara estava transmitindo pra 60 mil pessoas simultâneas. Isso foi uns 14 anos atrás.
Eu andava com o meu notebook. Pedi licença ao segurança, expliquei que estava com um problema grave, que ia só até o carro e voltava. Fomos nós dois pro carro, abri o notebook, conectei na internet, vi o que era, resolvi rapidinho. Cliente satisfeito. Onze e tanto da noite, voltei pra curtir. A sorte é que eu não tinha enchido a cara.
"Mas você está sendo escravo do negócio." Começo de vida, filho. Não tem isso não.
Chatbot ajuda, mas o contrato grande fecha conversando
"Ah, mas eu vou pôr um ticket, vou pôr uma IA pra atender." Pode ser que funcione. Mas de novo: o brasileiro manda muito mais áudio, gosta de conversar. Você está lendo isto ou vendo o vídeo porque gosta de ouvir. É normal.
Muita gente quer WhatsApp, manda muito áudio e liga. Você não tem ideia da quantidade de gente que liga. "Vou automatizar com IA que responde com voz." Ok, dá pra fazer, mas tem que ficar perfeito.
O meu chatbot, pra mim, não é perfeito. É 95% perfeito, e é melhor do que todo chatbot com que eu já lidei, porque a gente vende produto complexo: é vídeo, não é um produtozinho simples. Recentemente, numa campanha de teste do meu sistema de TV indoor pra um público específico, estava chegando 500 leads por semana. Uns meses antes, numa campanha pra rádio e TV, chegava 2.000 leads por semana. O chatbot atendendo direitinho. Isso dá trabalho fazer, mas tem que ser feito.
E ainda assim: os maiores contratos, os melhores contratos, como são fechados? Não é no automático. Precisa conversar, ligar, fazer reunião. Põe isso na cabeça. O que eu testei de atendimento por voz com IA, e por que o processo vem antes da ferramenta, eu contei em testei atendimento por voz com IA: antes vem o processo.
"Mas eu vou fazer um microSaaS facinho de usar." Pode ser que funcione. Tem que ser muito bem trabalhado, testado, com UX boa.
As duas coisas que eu faço em todo sistema
| O que eu faço | Como | Por quê |
|---|---|---|
| Tutorial em vídeo de cada tela | Vertical e horizontal; do lado direito do sistema; feature nova, vídeo novo | Ajuda o cliente leigo e serve pra qualquer mercado, não só o Brasil |
| Suporte de gente | WhatsApp, telefone, videochamada, assistência remota, no horário em que o cliente usa | O brasileiro precisa conversar, e o contrato grande fecha conversando |
1. Tutorial claro em vídeo de cada tela
Essa dica serve pra tudo, não só pro Brasil. Eu tenho isso há 10 anos: se você entrar no meu sistema, vai ver do lado direito o tutorial. Fiz uma feature nova? Tem que subir vídeo novo. Faz parte do jogo.
2. Suporte de gente, mesmo sendo você sozinho
"Mas sou só eu na empresa, eu company." Então o suporte é você, por enquanto. Assim que você puder, contrata alguém. Pode ser uma pessoa que só tem afinidade com tecnologia e sabe conversar. Treina ela pra fazer atendimento e suporte do seu negócio. Devagarinho, você ensina a mexer com IA. Foi assim que eu comecei.
Se você ainda está fazendo a conta de quantos clientes precisa pra viver disso, eu abri a minha em ficar rico com SaaS: a conta dos 250 clientes. E se o seu problema é o cliente que não sai do concorrente, está em ninguém migra pro seu SaaS: as 2 perguntas que eu respondo.
O código é o menor dos problemas
Você que quer ter SaaS, que é desenvolvedor e quer ter um software, que é empresário e quer ter um software: a gente precisa entender de desenvolvimento, mas o código é o menor dos problemas. Não xinga, não. É o menor dos problemas. Você tem que vender. E uma parte importante da venda é ter atendimento real, de gente, aqui no Brasil.
Se você fizer software pra gringa, aí são outros desafios: entender a cultura do lugar. Tem até o caso do carro que teve que mudar de nome na Espanha, que eu contei em nome do SaaS: o teste do olho fechado que eu faço antes.
Tudo que envolve pôr um SaaS em produção, atendimento, chat, suporte, marketing, venda, pós-venda, pipeline com IA pra desenvolver, pra atender e pra tráfego, é o que eu ensino presencialmente em São Paulo, em três dias, na Imersão de SaaS. Formato, data e condição são os da página dela, não desta gravação.
Nota de cronologia
O vídeo foi ao ar em 13 de outubro de 2026 e este texto saiu em 14 de outubro de 2026. A noite da boate eu situei na gravação em "uns 14 anos atrás", quando eu tinha 20 e poucos anos; não cravei o ano. A web TV com 80 clientes novos por mês é de quando o meu SaaS ainda tinha esse segundo turno até a meia-noite; hoje o atendimento vai até as 10 da noite. As campanhas de 500 e de 2.000 leads por semana são de outubro de 2026 e de uns meses antes.
Discorda? Concorda? Tem um caso parecido? Aqui não tem caixa de comentário de propósito: segunda-feira, ao meio-dia, eu faço live no canal e a gente conversa sobre isso ao vivo — sem corte, como sempre.
Ver as lives no canal @josimarjmv →Perguntas frequentes
O que faz um software ou SaaS ter sucesso no Brasil?
Na minha experiência, atendimento ao cliente feito por gente. O brasileiro gosta de conversar e precisa conversar. Meu SaaS tracionou de leve com um produto muito bom e só disparou quando eu abri suporte e venda à noite, no sábado e no domingo. O código é o menor dos problemas: você tem que vender, e atendimento real é parte importante da venda.
Por que copiar software gringo não basta no Brasil?
Porque raramente o software de fora tem atendimento por WhatsApp, chat ou telefone que funcione pro brasileiro. Primeiro tem a barreira do idioma, depois o fuso horário. Tanto que muita empresa aqui vive só de representar marca americana, canadense ou europeia, fazendo implantação e suporte em português.
Dá pra substituir o suporte humano por chatbot ou IA?
Dá pra automatizar, mas tem que ficar perfeito. O meu chatbot é 95% perfeito e atende campanha de 500 a 2.000 leads por semana. Mesmo assim, os maiores e melhores contratos não fecham no automático: precisa conversar, ligar, fazer reunião.
Ticket com resposta em dois dias funciona?
Pra mim não faz o menor sentido. O meu cliente de web TV era igreja, que funciona à noite, no sábado e no domingo. Se o suporte fecha às 5 da tarde, o cliente fica sozinho justamente quando usa o sistema.
Que tutorial um SaaS precisa ter?
Um vídeo de cada tela do sistema, no formato vertical e no horizontal. Eu tenho isso há 10 anos: quem entra no meu sistema vê o tutorial do lado direito. Lançou feature nova, sobe vídeo novo. Faz parte do jogo.
Sou eu sozinho no meu SaaS. Como faço o suporte?
Por enquanto o suporte é você. Assim que puder, contrate uma pessoa que tenha afinidade com tecnologia e saiba conversar, treine ela pra atender e dar suporte do seu negócio e, devagarinho, ensine a mexer com IA. Foi assim que eu comecei.
Abrir suporte à noite não sai caro demais?
Sai caro: mão de obra é cara e ainda tem adicional noturno. Mas o meu negócio decolou quando eu fiz isso, a ponto de entrar 80 clientes novos por mês. Hoje eu atendo até as 10 da noite, porque entre 10 e meia-noite tinha pouquinha gente.
Baseado na gravação do canal @josimarjmv publicada em 13/10/2026 (17min32), com transcrição própria das legendas do próprio vídeo.
O que veio da gravação e o que é apuração minha, com as fontes
Da gravação: a série viver de software, viver de SaaS; a diferença de cultura entre brasileiro, europeu e norte-americano e o hábito do dev de copiar software gringo; eu ser hands-on e ter conquistado meus sonhos de criança aos 33 anos; a declaração do Zuckerberg sobre o áudio, que eu citei como "quatro vezes mais do que o resto do mundo"; a casa de vó com 15 e 14 tios e 30 e tantos primos; as barreiras de idioma e fuso do software de fora e as empresas que só representam marca estrangeira com suporte em português; a equipe de suporte "quase formada em psicologia" e o cliente que manda mensagem todo dia; a web TV para igrejas, a ferramenta criada por um dev que hoje é engenheiro do Google, a licença de R$ 200 mais streaming e os contratos de R$ 300 a R$ 400 por mês; o suporte que ia até as 17h, o segundo turno até a meia-noite, o adicional noturno e os 80 clientes novos por mês; o Flash Media Live Encoder, o cliente leigo e o primeiro vídeo do canal da JMV Technology; o cliente que diz que assistiu ao tutorial e não assistiu; o horário reduzido para as 22h; o ticket com resposta em dois dias; o chatbot 95% perfeito, os 500 leads por semana da campanha de TV indoor e os 2.000 da campanha de rádio e TV; os contratos grandes fechados conversando; o microSaaS; as duas dicas, tutorial de cada tela na vertical e na horizontal há 10 anos e suporte de gente; as três vezes que o negócio decolou; a noite na casa noturna de Belo Horizonte, a ligação do Mário, que trabalha comigo há 14 anos, e o evento de 60 mil pessoas simultâneas há uns 14 anos; o código como o menor dos problemas; o carro que mudou de nome na Espanha; e o convite para a imersão presencial em São Paulo. Na gravação eu também ofereci teste da minha plataforma de vídeo e falei do lançamento de um MCP; isso é produto da empresa e ficou fora deste texto, assim como o preço da imersão. Um trecho da legenda sobre o plano mais barato da web TV saiu ininteligível e eu não reproduzi.
Apuração minha (14/10/2026): a fala do Mark Zuckerberg está na matéria do Canaltech de 07/06/2024, sobre a conferência Conversations em São Paulo, de 06/06/2024: segundo ela, as pessoas no Brasil enviam quatro vezes mais mensagens de voz no WhatsApp do que em qualquer outro país. A comparação é com cada outro país, não com a média do mundo como eu disse na gravação, e a Meta não divulgou o dado que sustenta o número. A tabela das duas práticas e o diagrama das três decolagens são organização minha, feita depois, em cima do que eu disse. Número de clientes, leads, valores de licença e o evento de 60 mil pessoas não foram conferidos fora da gravação. Preço, data e condição da imersão não entram neste texto: valem os da página dela.