Josimar MachadoJMV Technology · 2003 —
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Nicho black e IA: a fraude que eu vejo no marketing digital

Eu já joguei mais de um milhão de reais em curso — bom e ruim — só pra pagar a minha curiosidade. Fui nas primeiras turmas do Fórmula de Lançamento, achei legítimo e saí de lá com a ideia da minha plataforma EAD. O que me incomoda é outra coisa: o nicho black — ebook de promessa falsa, encapsulado, bet — e agora a inteligência artificial virando o novo nicho black. Aqui embaixo eu digo onde fica a linha, e o que a lei já diz sobre ela.

Josimar Machado
Josimar Machado
Fundador, JMV Technology

🎧 PREFERE OUVIR? · 21 min · Podcast Em Produção

Este artigo também é um episódio do podcast Josimar JMV | Em Produção — o mesmo vídeo, só o áudio, normalizado pra fone.

Gravado em 01·07·2026 · 21 minAssistir no YouTube ↗

Gravei esses 21 minutos no canal @josimarjmv em 1º de julho de 2026, do jeito que eu sempre gravo: duas câmeras, sem edição, um corte no começo e um no fim. Assista e leia junto — aqui embaixo eu fui atrás do texto da lei e da regra da Anvisa pra provar cada coisa que eu falei de cabeça, e teve um nome que eu precisei corrigir.

Resposta rápida

há dignidade no marketing digital — para quem é digno. A linha não passa pelo preço, pelo formato nem pelo esquema de afiliado: passa pela distância entre o que você promete e o que você entrega. Curso caro que diz o que ensina é negócio legítimo. Nicho black é o contrário: curso de R$ 2 a R$ 4 mil que não explica o que entrega, prometendo dinheiro rápido e fácil em uma hora por dia, encapsulado sem procedência, bet em cima de quem tem menos. E isso não é só falta de ética: o Código de Defesa do Consumidor chama promessa falsa — inclusive por omissão — de publicidade enganosa (art. 37) e faz dela crime, com detenção de três meses a um ano (art. 67). Agora o mesmo método está se mudando pra inteligência artificial: "automação do absoluto zero", guru que jura não ler mais e-mail. Nenhuma IA em 2026 responde a sua caixa inteira sozinha. Eu vendo produto digital também — a diferença é que eu digo o que entrego, quanto tempo custa e pra quem não serve.

A carteirada primeiro: eu não sou leitor de teleprompter

Vou dar a minha carteirada antes de falar de dignidade dos outros. Eu tenho quase 20 anos de CNPJ. Sou CEO de uma empresa de tecnologia, tenho folha de pagamento pra fechar, infraestrutura dedicada no Brasil e nos Estados Unidos e data center próprio. Eu não falo sobre o que eu não conheço — e, quando eu falo, é porque a conta chega no meu nome.

Eu gravo direto, sem edição, com duas câmeras. Isso não é preciosismo: é o meio que eu tenho de te passar credibilidade sem ser leitor de teleprompter, essa galera que fica lendo texto e não sabe nada do que está falando, e sem ser papagaio de pirata — o pessoal que aprendeu a pegar a onda do marketing digital e repete o que ouviu. Já falei disso quando expliquei por que o dev chinelinho está acabando: o problema nunca foi a ferramenta, foi não estudar e sair repetindo.

E tem mais uma credencial, essa cara: eu já joguei mais de um milhão de reais em curso. Curso bom e curso ruim. Boa parte disso foi pra pagar a minha curiosidade, porque eu acho que quase tudo na vida rende algum aprendizado — nem que seja o aprendizado de como não fazer. Então quando eu falo de curso de marketing digital, eu falo de dentro, como comprador.

Eu fui no Fórmula de Lançamento — e saí de lá com uma plataforma EAD

Lá por 2010, se eu não me engano, apareceu um tal de Fórmula de Lançamento, de um rapaz chamado Érico Rocha, que por acaso é praticamente meu vizinho — nativo de uma cidade aqui do lado, em Minas Gerais. A propaganda dele me pegou, e eu sou curioso. Fui.

Eram dois dias presenciais em São Paulo, e ele condensou um monte de informação que a gente simplesmente não tinha aqui na época: como montar o seu próprio curso, como usar autoridade, como ancorar a sua autoridade num nome já conhecido do segmento, e-mail marketing, edição de vídeo, estratégia de venda, landing page de alta conversão. Tem gente que torce o nariz. Eu não: são estratégias válidas. Achei legal demais.

Apuração minha, feita em 29/09/2026, porque eu falei de memória na gravação: a origem é mesmo lá de fora — o Product Launch Formula, do Jeff Walker, adaptado e trazido pro Brasil pelo Érico. E o termo "6 em 7", que ele popularizou, quer dizer faturar seis dígitos em sete dias — ou seja, mais de R$ 100 mil em até uma semana. O número que eu citei de cabeça, de uns R$ 150 mil na primeira semana dele, é lembrança minha e eu não achei fonte pra cravar, então fica como lembrança mesmo.

Agora vem a parte que quase ninguém sabe: foi dali que saiu a minha plataforma EAD. Eu já trabalhava com segurança de vídeo para grandes instituições do Brasil — inclusive tribunais de justiça, que eu atendia na época. Sentado naquela sala, eu vi o gap na hora: esse tanto de gente vai produzir curso, e o vídeo de todo mundo vai ficar solto.

Não era teoria. Naquele momento, curso de R$ 2 mil, R$ 3 mil, R$ 4 mil estava sendo vendido pirata no Mercado Livre por R$ 30. O Mercado Livre depois baniu isso, e hoje é difícil vender curso pirata por lá — mas existem vários outros canais que continuam vendendo, em cima de gente que hospeda o vídeo em qualquer lugar e acha que tem proteção. Não tem.

Então eu criei uma plataforma EAD com a primeira bandeira sendo segurança. Eu fui pioneiro na máscara de screencast — aquilo de exibir o e-mail e o CPF do aluno flutuando por cima da aula, em vários pontos da tela, pra desestimular a gravação. Cheguei a dar uma palestra sobre camadas de proteção de aula e vídeo na internet em Bento Gonçalves, em 2012, na associação brasileira de ensino a distância, numa época em que esse assunto era completamente ignorado. Em boa medida, ainda é.

Afiliado é representante comercial digital — nisso eu nunca vi problema

Fui num segundo evento do Érico. E aí começou a me incomodar um movimento: eles montando os círculos de afiliados. Quem tinha aplicado a fórmula na turma anterior e dado certo subia no palco pra apresentar e vender o produto dele, com o Érico ficando com metade. Masterminds, afiliados vendendo entre si.

E o que tem de errado nisso? Nada. Eu falo isso com convicção: afiliado é representante comercial, só que digital. Pensa no representante de tecido, que ia de cidade em cidade, fazia o marketing da empresa que representava, gastava do bolso dele, vendia e ficava com a comissão. É a mesma coisa — guardadas as proporções, porque o afiliado escala e o representante não escalava. É forma de venda, é tração de venda. Achei bacana.

Inclusive é aí que eu vejo a origem de um pedaço da nossa indústria. Na época do primeiro Fórmula não tinha Hotmart — se tinha, era pequenininho. A Hotmart explodiu muito por causa desse movimento, porque criou o sistema de afiliado pra atender exatamente esse público.

Aqui eu me corrijo, e é correção de nome. Na gravação eu falei "João Paulo" ao me referir ao dono da Hotmart. Fui conferir em 29/09/2026: a Hotmart foi fundada em 2011, em Belo Horizonte, por João Pedro Resende e Mateus Bicalho. Fica o nome certo. E repara que a data até fecha a minha história: o Fórmula que eu fui é de antes da Hotmart existir.

Eu nunca fui pra esse segmento. Fiquei na plataforma EAD completona mesmo — captura de lead, hospedagem, videoconferência, ao vivo, emissão de nota, aplicativo iOS, Android e Smart TV. É com ela que a gente trabalha forte até hoje. Não é jabá; é só pra você entender de onde eu falo.

Onde a dignidade se perde: o nicho black

Recentemente, por conta do canal, eu voltei a ver muito vídeo desse mundo. E aí a pergunta que dá título a tudo isso: há dignidade no marketing digital?

Há. Pra quem faz as coisas corretas. O cara que vende o curso de edição de vídeo e ensina edição de vídeo está entregando valor real. O curso que eu fui lá atrás entregava conhecimento que ninguém tinha aqui. Isso é digno.

Onde se perdeu? Quando entrou o nicho black. E o nicho black tem uma receita muito repetida:

  • Vender um curso de R$ 2, 3, 4 mil sem dizer o que ele ensina. Só "você vai mudar de vida", "é fácil", "é rápido", "uma hora por dia", "um ou dois dias na semana".
  • Ensinar o comprador a repetir o golpe — criar um ebook com promessa altíssima e entrega rasa, vender barato pra girar em escala.
  • Encapsulado. Montar marca de cápsula que não faz absolutamente nada, com a estratégia jurídica de mudar a descrição do negócio pra não bater na Anvisa. Já estourou operação da Polícia Federal nisso, com gente emitindo nota fiscal de encapsulado como se fosse ebook pra não pagar imposto.
  • Bet. Marketing afiadíssimo em cima de quem mais precisa do dinheiro.

Eu fico honestamente sem entender. Como é que uma pessoa estuda tanto — CTA, gatilho mental, página de conversão, funil — e usa isso tudo pra enganar? Porque é isso que acontece: quando você promete muito alto e não entrega, você está enganando. Não tem meio-termo nem eufemismo.

Não é opinião minha: promessa furada está no Código de Defesa do Consumidor

Na gravação eu falei que isso está na lei e mandei você ir ler. Fui eu que fui ler, em 29/09/2026, pra não te mandar procurar no escuro. Está no Código de Defesa do Consumidor (Lei 8.078/1990), e é mais duro do que eu lembrava:

"Art. 37. É proibida toda publicidade enganosa ou abusiva.
§ 1° É enganosa qualquer modalidade de informação ou comunicação de caráter publicitário, inteira ou parcialmente falsa, ou, por qualquer outro modo, mesmo por omissão, capaz de induzir em erro o consumidor a respeito da natureza, características, qualidade, quantidade, propriedades, origem, preço e quaisquer outros dados sobre produtos e serviços.
§ 3° Para os efeitos deste código, a publicidade é enganosa por omissão quando deixar de informar sobre dado essencial do produto ou serviço."

Repara em "mesmo por omissão" e em "dado essencial". É exatamente a jogada: não é preciso mentir com todas as letras, basta não dizer o que você entrega. Aquele anúncio que promete mudar a sua vida e não diz o que tem dentro do curso já está descrito ali, palavra por palavra.

E tem mais três dispositivos que quase ninguém cita, e que eu acho ainda mais interessantes pra quem vende:

  • Art. 36, parágrafo único: quem anuncia é obrigado a manter em seu poder os dados fáticos, técnicos e científicos que sustentam a mensagem. Prometeu resultado? Tem que ter em que se apoiar.
  • Art. 38: o ônus da prova da veracidade da publicidade é de quem a patrocina. Não é o comprador que tem que provar que foi enganado — é você que tem que provar que era verdade.
  • Arts. 66 e 67: isso é crime. Fazer afirmação falsa ou enganosa, ou omitir informação relevante sobre um produto, e fazer ou promover publicidade que sabe ou deveria saber ser enganosa, dão detenção de três meses a um ano e multa. O art. 66, § 1º põe na mesma pena quem patrocina a oferta — leia-se, em muitos casos, o afiliado.

Não sou eu que estou falando. Está na lei, e agora você tem o artigo e o link.

Por que o encapsulado é o pior da fila

De todos os sabores de nicho black, o que mais me revolta é o encapsulado, e por um motivo simples: os outros mexem com o bolso da pessoa e esse mexe com a saúde dela. A pessoa cria uma marca de cápsula, não sabe a procedência do que está lá dentro, e alguém vai engolir aquilo.

Se você tem um químico, uma indústria, fez teste e o produto realmente funciona — beleza, aí você é uma indústria farmacêutica e está tudo certo. O que eu não aceito é o cursinho ensinando leigo a montar e representar encapsulado, e depois o mesmo pessoal virando coach de mastermind pra ensinar como ficou milionário fazendo isso.

Checagem minha, 29/09/2026: a regra sanitária é clara e é fácil de conferir. Pela RDC 243/2018 da Anvisa, que criou a categoria de suplemento alimentar, a rotulagem não pode apresentar palavra, marca, imagem ou representação gráfica que afirme, sugira ou implique que o produto tem finalidade medicamentosa ou terapêutica — e o rótulo ainda é obrigado a estampar, em destaque e negrito, a advertência "Este produto não é um medicamento". Ou seja: a promessa de cura ou emagrecimento que sustenta a venda daquele encapsulado já nasce fora da norma. O cursinho não está ensinando um atalho esperto; está ensinando a infringir.

Agora a IA está virando o novo nicho black

"Mas Josimar, o seu canal é técnico, o que isso tem a ver?" Tem tudo a ver. Sabe por quê? Porque esses caras usam vibe code, usam as mesmas ferramentas de IA que eu uso — e agora estão vendendo papagaio de pirata com nome de inteligência artificial.

É o mesmo roteiro de sempre, só trocaram a palavra. Promessa de mundos e fundos com "automação do absoluto zero" — adoro esse termo que eles usam. Que vai ser fácil. Que você vai ganhar. E a joia da coroa: o guru dizendo que hoje ele nem lê mais os e-mails dele, porque a IA responde tudo sozinha.

Mentira. Eu afirmo categoricamente: nenhuma IA hoje, em 2026, está pronta pra responder todos os seus e-mails. Você pode colocar filtro — responde esse tipo, tria aquele outro, classifica aquele ali. Isso dá, e dá bem. Agora "eu nem olho mais a minha caixa": é promessa furada com roupa nova. Eu opero automação de verdade no meu dia e já contei, com número, o que dá pra chamar de empresa agêntica de verdade e o que é dinheiro de Monopoly.

E tem o pulo do gato que o guru não conta: botar um negócio em produção, pra valer, não é simples. Todo mundo pode construir, o sol nasce pra todos — mas o caminho entre "funcionou na minha máquina" e "está no ar, com cliente pagando" é longo. É a mesma conversa que eu tive quando falei do microSaaS que fica pronto em dois dias e de por que tanta gente trava na hora de subir em produção.

Quando a gente vai botar algo no ar de verdade, a lista é essa: banco de dados, edição de vídeo, landing page, área jurídica, pagamento. E o gateway — ele é brasileiro ou gringo? Porque isso define a jurisdição. Se o seu gateway responde fora do Brasil, qual é o custo de alguém te processar, ou de você processar alguém? Carta precatória, tradutor juramentado, outra justiça. Tem gente que monta holding só pra dificultar essa conta — e não é por acaso que parte do pessoal do nicho black acaba morando fora.

A linha, desenhada

Se eu tivesse que resumir tudo num desenho, seria este — e repara que o preço não aparece em lado nenhum:

OFERTA DIGNA → diz O QUE entrega (lista do conteúdo) → diz QUANTO TEMPO custa por dia → diz PRA QUEM NÃO SERVE NICHO BLACK → "muda sua vida", e não diz o conteúdo → rápido, fácil, 1 hora por dia · CDC art. 37, § 3º
O que a página de venda faz Digno Nicho black
Descreve o conteúdoSim, com a listaNão — só o sonho
Fala do esforçoDiz o tempo real"1 hora por dia"
Exclui alguémSim, diz pra quem não é"é pra todo mundo"
PreçoQualquer um — é livreQualquer um — é livre
Sustentação da promessaTem os dados (CDC art. 36)Não tem (CDC art. 69)

Repara na linha do preço. Preço não define dignidade. A gente tem advogado que cobra um salário mínimo e advogado que cobra 120 milhões — põe o preço que quiser, paga quem quiser. O que define é o resto da tabela.

O que eu vendo — e como eu digo o que eu vendo

Eu vendo produto digital, sim. Seria muito cômodo eu ficar aqui apontando o dedo sem dizer o que eu faço. Então vamos ao meu próprio teste.

Eu vendo um pipeline completo pra você construir site com inteligência artificial. E eu digo o que é: você aprende a montar um site em um dia, dentro de um pipeline seguro. Isso é uma promessa, e eu assumo ela com todas as letras. Agora repara no que eu não digo:

  • Eu não digo que você vai mudar de vida trabalhando uma hora por dia. Não vai.
  • Eu digo como funciona e quanto tempo você precisa investir por dia — é aprender do zero, igual a qualquer coisa nessa vida.
  • Eu digo pra quem não serve: quem é muito cru, não entende nada de tecnologia e não tem facilidade de sentar na frente do computador e olhar uma tela de código. Não é pra essa pessoa. Ponto.

Essa terceira linha é a que mais dói e é a mais importante: produto honesto tem público excluído. Quem escreve na página de venda pra quem o produto não serve está abrindo mão de venda de propósito — e é exatamente isso que o nicho black nunca faz.

A gente atende milhares de pessoas no Brasil que vendem curso sério e mentoria séria. Elas existem, são a maioria, e ganham dinheiro fazendo direito. O problema é que as pessoas que não são dignas são as que mais fazem barulho — sempre foi assim, e a internet é cruel com quem trabalha calado.

Por isso o meu conselho de comprador, que eu dou de graça: compre de quem faz. Não compre de papagaio de pirata. Se o cara ensina a vender site, ele vende site? Se ele ensina automação, mostra a automação rodando dele, com o gargalo e o erro? É o mesmo filtro que eu uso pra decidir que negócio digital eu montaria do zero hoje.

O travesseiro, que é a parte que eu levo a sério de verdade

Por que eu me importo tanto com isso? Porque eu já quebrei cinco vezes. Já fiquei devendo banco, já errei feio, tive que pagar tudo — e paguei. Mas tem uma coisa que eu nunca fiz, e não faria: vender coisa que não existe.

Eu tenho travesseiro. Deitar a cabeça nele e dormir tranquilo é, sinceramente, o ativo que eu mais protejo. E eu fico pensando na conta do outro lado: a pessoa faz um monte de coisa errada, depois precisa de médico e de remédio pra conseguir dormir, porque a qualquer hora pode desmoronar. Castelo de areia é isso — e eu já escrevi em detalhe por que não se monta negócio em castelo de areia.

Estamos numa era em que dá pra ganhar muito dinheiro com automação e com IA fazendo coisa de verdade, sem enganar ninguém. É essa a era que eu quero. Vamos tomar cuidado com as nossas promessas, com aquilo que a gente vende e com aquilo que a gente compra — e vamos trabalhar certinho, pra dormir tranquilo.

Nota de cronologia (importante)

Eu gravei em 1º/07/2026 e estou escrevendo isto em 29/09/2026. As histórias do Fórmula de Lançamento e da criação da plataforma EAD são de mais de uma década atrás, e a palestra de Bento Gonçalves foi em 2012. Prefiro te avisar a fingir que é tudo do mesmo dia.

O que eu conferi agora, na fonte, e que não estava na gravação: o texto literal do Código de Defesa do Consumidor, a regra de rotulagem da Anvisa para suplemento, o significado exato de "6 em 7" e o nome correto dos fundadores da Hotmart — onde eu me corrigi. O que eu não consegui confirmar em fonte e por isso deixei marcado como lembrança: o valor de R$ 150 mil na primeira semana do Érico. Lei e norma mudam; se você for tomar decisão em cima disso, abra o texto vigente na data em que estiver lendo.

TODA SEGUNDA · MEIO-DIA · AO VIVO

Discorda? Concorda? Tem um caso parecido? Aqui não tem caixa de comentário de propósito: segunda-feira, ao meio-dia, eu faço live no canal e a gente conversa sobre isso ao vivo — sem corte, como sempre.

Ver as lives no canal @josimarjmv →

Perguntas frequentes

O que é nicho black no marketing digital?
É o pedaço do marketing digital que vive de promessa que não se entrega. O formato mais comum que eu vejo é o curso de dois, três, quatro mil reais que não diz o que ensina: só diz que você vai mudar de vida, rápido e fácil, trabalhando uma hora por dia. Dentro dele costuma vir a receita de criar um ebook de promessa alta e vender barato em escala. A palavra black aqui não é sobre o assunto do produto, é sobre o método: esconder o que se entrega e inflar o que se promete.
Promessa exagerada em anúncio é só falta de ética ou é ilegal?
Não é só ética, e eu falo isso com a lei aberta. O Código de Defesa do Consumidor diz no artigo 37, parágrafo 1º, que é enganosa qualquer comunicação publicitária inteira ou parcialmente falsa, ou, mesmo por omissão, capaz de induzir o consumidor a erro. O parágrafo 3º completa: é enganosa por omissão quando deixa de informar dado essencial do produto. E o artigo 67 faz disso crime, com detenção de três meses a um ano e multa, para quem faz ou promove publicidade que sabe ou deveria saber ser enganosa. Eu conferi o texto na fonte em 29 de setembro de 2026.
Vender como afiliado é pirâmide?
Não, e eu nunca vi problema nisso. Afiliado é representante comercial digital: o cara investe do bolso dele pra divulgar, vende e fica com a comissão, igual ao representante que vendia tecido de cidade em cidade. A diferença é que o digital escala. O que define se aquilo é digno não é o modelo de comissão, é o produto do outro lado. Se o curso ensina de verdade e diz o que ensina, o afiliado está vendendo algo legítimo. Se o produto é promessa furada, o afiliado está distribuindo promessa furada.
Por que o curso de encapsulado é o pior tipo de nicho black?
Porque os outros mexem com o bolso da pessoa e esse mexe com a saúde dela. Gente comprando curso pra criar marca de encapsulado sem saber a procedência do que está dentro da cápsula, e outra gente ingerindo aquilo. Fora a parte regulatória: pela RDC 243/2018 da Anvisa, suplemento alimentar não pode trazer no rótulo nada que afirme, sugira ou implique finalidade medicamentosa ou terapêutica, e ainda é obrigado a estampar a advertência de que não é medicamento. Quem vende o cursinho ensinando a driblar isso está ensinando a infringir regra sanitária.
A inteligência artificial virou o novo nicho black?
Está virando, e é o que mais me incomoda agora, porque mexe com a minha área. O padrão é o mesmo de sempre, só trocaram a palavra: automação do absoluto zero, sistema pronto em dois dias, guru dizendo que não lê mais os próprios e-mails porque a IA responde tudo. Isso é mentira e eu afirmo categoricamente: nenhuma IA em 2026 está pronta pra responder todos os seus e-mails. Filtro, resposta de um tipo específico, triagem, isso dá. Delegar a sua caixa inteira e nunca mais olhar, não dá.
Como saber se um curso de tecnologia é honesto antes de comprar?
Eu olho três coisas, e elas cabem em três minutos na página de venda. Primeira: ele diz o que ensina, com a lista do conteúdo, ou só diz que você vai mudar de vida? Segunda: ele diz quanto tempo você precisa investir por dia, ou finge que uma hora resolve? Terceira: ele diz pra quem o produto não serve? Produto honesto tem público excluído, e quem escreve isso na página está abrindo mão de venda de propósito. Se as três respostas vierem vagas, guarde o dinheiro.
Então é errado cobrar caro por um curso?
De jeito nenhum, e essa confusão atrapalha a discussão. Preço é livre: existe advogado que cobra um salário mínimo e advogado que cobra milhões, e paga quem quiser. O problema nunca foi o valor da etiqueta, foi a distância entre o que está escrito na etiqueta e o que chega na mão do comprador. Um curso de quatro mil reais que ensina o que prometeu é um negócio digno. Um curso de duzentos reais que promete enriquecimento fácil e entrega um PDF genérico não é.
Você também vende produto digital. Qual a diferença?
Eu vendo, sim, e faço questão de dizer como. Eu vendo um pipeline completo pra construir site com inteligência artificial, e eu digo o que ele é: você aprende a montar um site em um dia dentro de um pipeline seguro. Isso é uma promessa e eu assumo. O que eu não digo é que você vai mudar de vida trabalhando uma hora por dia, porque não vai. Eu digo quanto tempo custa, digo que é aprender do zero como qualquer coisa na vida, e digo que não serve pra quem não tem nenhuma base técnica e não se vira numa tela de código. Vender fechando o que não serve é o que separa uma coisa da outra.

Se você quer aprender a construir e vender de verdade — com a parte chata inclusa, que é a que sustenta o negócio —, é isso que eu faço pessoalmente nas minhas imersões: o pipeline inteiro, do jeito que eu uso na minha empresa, com o que dá certo e com o que quebra. Eu não vou te prometer mudança de vida em uma hora por dia. Vou te entregar o caminho, e o caminho dá trabalho. Conteúdo, formato, data, valor e condição ficam na página de cada imersão, que é onde essa informação está certa — não numa gravação de julho. Um abraço e até a próxima.

Baseado na gravação do canal @josimarjmv publicada em 01/07/2026 (20min59), com transcrição própria das legendas do próprio vídeo.

O que veio da gravação e o que é apuração minha, com as fontes

São da minha vivência e foram ditos na gravação: quase 20 anos de CNPJ, ser CEO de uma empresa de tecnologia com folha de pagamento, infraestrutura dedicada no Brasil e nos Estados Unidos e data center próprio; gravar sem edição, com duas câmeras e um corte no começo e um no fim, para não ser leitor de teleprompter nem papagaio de pirata; ter investido mais de um milhão de reais em cursos, bons e ruins, para pagar a própria curiosidade; ter ido a edições do Fórmula de Lançamento, de dois dias presenciais em São Paulo, e considerado legítimas as estratégias de produzir o próprio curso, usar e ancorar autoridade, e-mail marketing, edição de vídeo e landing page de alta conversão; já trabalhar na época com segurança de vídeo para grandes instituições brasileiras, incluindo tribunais de justiça; ter visto cursos de dois a quatro mil reais vendidos piratas por trinta reais no Mercado Livre, que depois baniu a prática, enquanto outros canais seguem vendendo; ter criado a própria plataforma EAD tendo a segurança como primeira bandeira, ter sido pioneiro na máscara de screencast com e-mail e CPF na tela e ter palestrado sobre camadas de proteção em Bento Gonçalves em 2012 na associação brasileira de ensino a distância; considerar o esquema de afiliados legítimo e comparável a um representante comercial digital que escala; a descrição do nicho black com curso de dois a quatro mil reais sem dizer o que entrega, ebook de promessa alta vendido barato em escala, encapsulado sem procedência com estratégia jurídica para não bater na Anvisa, nota fiscal de encapsulado emitida como ebook para não pagar imposto e bets em cima de quem mais precisa; a afirmação de que prometer fora da realidade sem explicar o que se entrega está no Código de Defesa do Consumidor; a IA virando novo nicho black, com automação do absoluto zero e guru que diz não ler mais e-mail, e a afirmação categórica de que nenhuma IA em 2026 está pronta para responder todos os e-mails de alguém, sendo possível apenas filtrar; a lista do que é preciso para botar algo em produção — banco de dados, edição de vídeo, landing page, área jurídica e pagamento — e a questão de jurisdição do gateway brasileiro ou estrangeiro, com carta precatória, tradutor juramentado e holding; já ter quebrado cinco vezes, ficado devendo banco e pago tudo, sem nunca vender coisa que não existe; o produto que ele vende ser um pipeline para construir site em um dia com inteligência artificial, com tempo de dedicação declarado e público excluído explícito; e a defesa de que preço é livre, que se compra de quem faz e que a maioria das pessoas é digna, embora as indignas façam mais barulho. É apuração minha, feita em 29/09/2026, e não estava na gravação: o texto literal do Código de Defesa do Consumidor (Lei 8.078/1990) nos arts. 36, parágrafo único, 37, §§ 1º e 3º, 38, 66 e § 1º, 67 e 69; a regra de rotulagem da RDC 243/2018 da Anvisa, que proíbe no rótulo de suplemento alimentar qualquer representação que afirme, sugira ou implique finalidade medicamentosa ou terapêutica e exige a advertência de que o produto não é um medicamento; a definição de "6 em 7" como faturar seis dígitos em sete dias, mais de R$ 100 mil em até uma semana, e a origem do método no Product Launch Formula de Jeff Walker, adaptado ao Brasil por Érico Rocha; e a fundação da Hotmart em 2011, em Belo Horizonte, por João Pedro Resende e Mateus Bicalho — correção do nome que eu citei errado na gravação. O valor de R$ 150 mil na primeira semana do Érico segue como lembrança minha, sem fonte confirmada. Sobre as minhas imersões eu não repito preço, data nem condição aqui: essa informação é final e fica na página de cada imersão.

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