Josimar JMV
Blog · Automação e produção de verdade · 25·09·2026

Automatizei o meu contas a pagar e não toco em boleto

Eu odeio ficar lendo código de barras e fazendo Pix, do fundo da minha alma. Tenho uns 60 fornecedores e não tenho ninguém só pra contas a pagar. Montei o fluxo no n8n — e a parte mais importante é a que eu não automatizei: a inteligência artificial nunca teve permissão pra transferir dinheiro.

Resposta rápida: o fluxo tem dois passos separados. Passo 1 — cadastro: fornecedores e valores mensais numa planilha, um e-mail exclusivo recebendo boleto + nota fiscal, o n8n lendo esse e-mail de hora em hora, separando boleto de nota, conferindo fornecedor e valor aproximado (com a variação que eu aceito), arquivando os documentos com a data e registrando código de barras, valor, fornecedor e vencimento como pagamento pendente. Passo 2 — pagamento: outro fluxo lê esse registro, não repete pagamento no mês, refaz a checagem, me pergunta no Telegram se eu autorizo e, com o meu sim, cadastra o boleto no banco pela API. Quem aprova o pagamento sou eu, no app do banco. A IA não transfere e não inicia transferência — a permissão dela é só cadastrar boleto. Isso é privilégio mínimo com humano no meio, exatamente o que o OWASP recomenda contra prompt injection. E não precisa ser dev: dá pra fazer no n8n.

Gravei esses 10 minutos no canal @josimarjmv, publicados em 10 de julho de 2026. Assista e leia junto: aqui embaixo eu desenho o fluxo passo a passo, conto o que eu tirei de agente inteligente depois, e o que já mudou nos dois meses e meio entre a gravação e este texto.

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Este artigo também é um episódio do podcast Josimar JMV | Em Produção — o mesmo vídeo, só o áudio, normalizado pra fone.

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A carteirada primeiro: eu pago essas contas

Vou dar a minha carteirada antes, porque automação financeira é assunto que atrai muito vendedor de curso. Eu sou CEO de uma empresa de tecnologia, trabalho com inteligência artificial há alguns anos e o contas a pagar que eu automatizei é o meu. No quinto dia útil quem paga a conta sou eu — então o que está escrito aqui embaixo não é teoria de coach, é o que roda na minha operação.

E eu sou um empresário médio: não sou grande nem pequeno. Sou prestador de serviços, e isso muda tudo no financeiro — prestador de serviço tem poucos fornecedores. Eu devo ter hoje uns 60, e eventualmente aparece uma coisa ou outra pra pagar. Nesse cenário faz muito sentido automatizar. Antes de copiar, olha o seu cenário: tem que ver até que ponto isso faz sentido pra conciliação bancária de cada um. Quem recebe centenas de documento por dia tem outro problema, e talvez precise de sistema financeiro de verdade em vez de um fluxo caseiro.

O motivo de eu ter feito isso é bem menos nobre do que produtividade: eu detesto pagar boleto na mão. Ficar lendo código de barras, ficar fazendo Pix um por um — eu odeio isso do fundo da minha alma. E a alternativa era ter uma pessoa só por conta de contas a pagar. Não quis nem uma coisa nem outra.

Por que a minha IA se chama Iasmin

Tem uma história no nome. Eu criei a Iasmin — a minha inteligência artificial do financeiro — em homenagem à minha digníssima Yasmin, uma pessoa que trabalhou comigo e por quem eu tenho profundo respeito e admiração. Quando a Yasmin saiu da empresa, o contas a pagar caiu no meu colo. Foi aí que eu fui automatizar.

Falo isso porque a moda hoje é vender automação como quem "substitui gente". A minha entrou depois de alguém sair, pra eu não ter que recontratar pra uma tarefa que é repetitiva e chata, não pra empurrar ninguém pra fora. E eu já escrevi aqui sobre o outro lado dessa conta, quando a automação me iludiu e não me devolveu tempo livre nenhum: tempo economizado vira mais trabalho, não vira praia.

Aviso de cronologia: esta é a primeira versão, de propósito

Uma honestidade antes do passo a passo: o que eu vou desenhar aqui é a minha primeira versão de teste, de quando eu conheci o n8n. Hoje não funciona mais assim na minha empresa — fui evoluindo, botei banco de dados, botei dashboard, e virou outra coisa.

Eu escolhi te mostrar a versão simples justamente porque qualquer um consegue fazer essa. A versão com banco de dados e painel é melhor pra mim e pior pra você, que está começando: dá mais peça pra dar errado antes de o fluxo provar que funciona. Comece pelo simplesinho e só complique quando a dor aparecer.

Passo 1 — o cadastro: planilha, um e-mail só pra fatura, e o robô lendo de hora em hora

Primeira coisa que eu fiz: cadastrei os meus fornecedores e o valor que eu pago pra cada um todo mês numa planilha de Excel. Fui listando na unha: tem que pagar o data center, tanto; o link do data center, tanto; o outro link; o outro data center; o relógio de ponto; o cartão de crédito — e dentro do cartão tem OpenAI e mais um punhado de assinatura.

Essa planilha é o coração do negócio, e não é burocracia: é ela que evita que me manda coisa que não precisava — cobrança estranha, e-mail de expansão de plano, aquele monte de coisa que chega junto com o que é pra pagar. Se não está na planilha, não é pagamento reconhecido.

Depois eu criei um e-mail específico só pra IA — a caixa que o meu n8n conecta. E aí veio a parte que quase ninguém faz, que é a mais importante de todas: eu mandei e-mail pra todos os fornecedores avisando que o fluxo de recebimento mudou. O recado era curto:

"Gente, o fluxo de recebimento agora é assim: você vai mandar pra mim o e-mail, e no e-mail você vai mandar o boleto bancário e a nota fiscal. Pronto, acabou. Só isso, mais nada."

Boleto e nota fiscal. Todo mundo: a padaria do lanche, o supermercado do happy hour, o data center, todos. Pra quem não usa e-mail a gente ligou e falou a mesma coisa. Automatizar não é só montar o fluxo — é padronizar a entrada. Sem esse e-mail pros fornecedores, nenhum robô do mundo salva o seu financeiro.

Com a entrada padronizada, o resto é o n8n trabalhando de hora em hora:

Acabou o passo 1. Repare que nada foi pago ainda — o passo 1 só sabe identificar o que vai ser pago e organizar o documento.

Passo 2 — o pagamento: a lei da responsabilidade única

Dava pra fazer tudo no mesmo agente? Dava. Eu não recomendo. Eu recomendo colocar num outro passo, e o motivo tem nome: lei da responsabilidade única. O trabalho do primeiro é identificar, arquivar e registrar. O do segundo é pagar. Quando você mistura, você perde o log, perde o ponto de parada e perde a chance de recusar no meio.

O segundo fluxo faz assim:

  1. Lê o registro do passo 1. Cada linha tem um ID pra não misturar mês com mês.
  2. Filtra por status: já foi pago neste mês? Então não entra. É esse filtro que impede pagamento repetido.
  3. Refaz a checagem de fornecedor — de novo, sim, contra a planilha. Checagem barata se faz duas vezes.
  4. Me pergunta no Telegram se eu autorizo. Isso acontece antes de falar com o banco.
  5. Com o meu sim, comunica com o banco e cadastra o boleto. Cadastrado com sucesso, ele muda o status pra cadastrado no banco.
  6. Eu abro o app do banco, o boleto está lá, e eu aprovo o pagamento.

O Telegram é onde esse fluxo toca em mim, e é de graça. Eu tenho um grupinho só pra isso — Administrativo — e tudo que é administrativo cai ali: "boleto do fornecedor tal pra você autorizar". Aprovar ou reprovar é um toque. Checagem minha na documentação: no n8n existe um passo que para a execução e espera; o nó Wait, na documentação oficial, tem a opção Limit Wait Time — "set whether the workflow will automatically resume execution after a specific limit type" —, ou seja, você decide se o fluxo retoma sozinho quando o tempo estoura. O que fazer nesse caso é regra sua; no meu, sem resposta o item não avança.

Fluxograma do contas a pagar automatizado em dois passos Passo 1, cadastro: o fornecedor manda boleto e nota fiscal para um e-mail exclusivo; o n8n lê de hora em hora, separa boleto de nota fiscal, confere fornecedor e valor contra a planilha, arquiva os documentos e registra o pagamento como pendente. Passo 2, pagamento: outro fluxo filtra o que não foi pago no mês, pede autorização no Telegram, e só com aprovação cadastra o boleto no banco pela API; a aprovação final do pagamento é feita por uma pessoa no aplicativo do banco. A inteligência artificial não tem permissão de transferir nem de iniciar transferência. PASSO 1 · CADASTRO Fornecedor manda boleto + nota fiscal E-mail exclusivo lido de hora em hora Separa boleto × nota, confere na planilha Arquiva e registra: pagamento pendente PASSO 2 · PAGAMENTO Filtra status: não repete no mês Telegram: eu autorizo? sem resposta, não anda Cadastra boleto no banco (API) Eu aprovo o pagamento no app O que a IA NÃO pode fazer: transferir dinheiro · iniciar transferência · pagar sem a minha autorização Permissão única concedida ao fluxo: cadastrar boleto. Todo passo grava log de o que fez, onde e quando.
O fluxo em dois passos, do jeito que eu montei a primeira versão: o passo 1 só identifica e organiza; o passo 2 só paga, e passa por mim duas vezes — no Telegram e no app do banco.

A regra que não se negocia: a IA não transfere dinheiro

Essa é a parte mais importante do texto inteiro, e é a que eu vejo ninguém falando quando vende "agente financeiro". O meu fluxo tem integração com o banco de forma segura, e segura aqui tem um significado exato: ele não faz transferência. Eu nunca dei permissão pra IA — nem pra qualquer robô — fazer transferência ou iniciar transferência. A permissão dele é uma só: cadastrar boleto. Quem manda o dinheiro embora sou eu, apertando o botão no aplicativo do banco.

Por que isso importa tanto? Porque o modelo lê e-mail que vem de fora, e e-mail de fora é entrada hostil. Checagem minha, feita em 25/09/2026: o risco número 1 do OWASP Gen AI Security Project é justamente o prompt injection (LLM01:2025) — "a Prompt Injection Vulnerability occurs when user prompts alter the LLM's behavior or output in unintended ways" —, e ele acontece também de forma indireta, quando o conteúdo chega por site, arquivo ou anexo. As duas mitigações que o próprio OWASP lista são exatamente o que eu fiz sem saber o nome bonito: "restrict the model's access privileges to the minimum necessary for its intended operations" e "implement human-in-the-loop controls for privileged operations to prevent unauthorized actions".

Traduzindo pro caixa da empresa: se alguém mandar um e-mail muito bem montado tentando me enganar, o pior que pode acontecer é um boleto errado entrar na fila e eu recusar no Telegram. Não sai dinheiro. É a diferença entre um susto e um prejuízo. Toda vez que você der a um robô o poder de mover dinheiro, você trocou uma fila de aprovação por uma noite sem dormir.

E tem o outro lado da segurança, que é o log: tudo que é feito tem registro completo — o que cada passo fez, onde e quando. O n8n é muito bom nisso, cada passinho tem log do que retornou, se deu certo ou errado. Isso não é luxo de auditoria: é o que te deixa dormir depois de automatizar dinheiro. Eu já contei o tamanho dessa dependência quando precisei de 30 GB de log pra achar um bug — sem rastro, automação é fé.

Nem todo passo precisa de agente inteligente (e eu tirei vários)

Uma coisa importante, e ela vai contra a moda: não necessariamente você precisa de um agente inteligente pra fazer isso. Conferir se o e-mail é de um fornecedor cadastrado, se o valor bate com o valor mensal, se o vencimento é deste mês — isso é comparação de dado, e comparação de dado você faz em fluxo comum, sem modelo nenhum no meio.

No começo eu usei agente inteligente pra tudo. Depois eu tirei ele de algumas coisas. Onde o modelo continua ganhando é em ler documento e extrair campo — boleto e nota fiscal chegam em mil formatos diferentes, e é aí que ele é imbatível. Onde ele não tem que estar é decidindo a regra. Regra em código é barata, determinística e não alucina. É a mesma lição que eu escrevi sobre atendimento por voz com IA, onde antes vem o processo: a parte inteligente é a menor parte do trabalho.

O que eu melhorei desde essa primeira versão

Como eu avisei, hoje o meu fluxo está bem mais adiante. As melhorias que apareceram conforme o uso:

Percebe o padrão? Cada melhoria nasceu de uma dor real que apareceu depois que o básico rodava. Ninguém acerta esse desenho na primeira semana — e quem tenta desenhar tudo antes de rodar nada não entrega nunca. É a diferença entre montar fluxo e ter empresa agêntica de verdade, que é o que eu chamo de automação que sustenta operação.

O gargalo não é a IA, é o seu banco

Aqui vem a pergunta que decide se você consegue copiar esse fluxo: o seu banco tem API que permite fazer isso que o meu permite? Eu uso um banco, você usa outro. Se o seu não deixa cadastrar boleto por integração, a automação para na porta dele — e talvez a resposta certa seja trocar de banco. Parece radical, mas é conta de padeiro: o custo de continuar no banco que não integra é uma pessoa por mês.

E um recado que vai desagradar: cooperativa, em geral, tem tecnologia bem fraquinha nesse ponto. Eu falo por mim — já usei cooperativa uma vez e saí, porque a tecnologia não me ajudava. Não é opinião sobre o modelo cooperativista, é sobre API.

Skill pronta não resolve o seu negócio

Sempre me perguntam: "mas você tem isso pronto, é uma skill que você baixou?" Não. E olha o que eu penso sobre isso: esse negócio de skill pronta pra IA é a base — skill é sempre a base. A melhor skill pro seu negócio é aquela que você tira o seu tempo, lê, entende o que ela faz e implementa pra sua realidade. Mesma coisa com prompt e com fluxo de n8n: o melhor é o que funciona pro seu negócio.

Ou seja, o trabalho de verdade é estudar como o seu negócio funciona — e aí automatizar. Não existe atalho que pule essa parte, porque é justamente ela que ninguém pode fazer no seu lugar. Copiar fluxo alheio sem entender o seu processo é como o microsaas de dois dias: bonito na demonstração, morto na primeira exceção.

Por que isso vale dinheiro agora

Duas leituras práticas. A primeira: você que é dev consegue fazer isso — provavelmente já fez. Você que não é dev também consegue, com n8n: se tiver um pouquinho de facilidade com informática, não é bicho de sete cabeças. É bem mais fácil do que parece.

A segunda: isso dá pra levar pro mercado. Todo empresário perde tempo com contas a pagar, e é uma automação que o cliente sente no primeiro mês — com conciliação, cadastro seguro, sem dar pra IA acesso que ela não deveria ter, sem abrir porta pra prompt injection, e com log completo do que foi feito. Dá até pra automatizar pro seu pessoal do administrativo, que passa a monitorar em vez de digitar código de barras.

Na gravação eu falei que está vindo o fim da escala 6x1, virando 5x2 em todos os mercados, e que economizar tempo no financeiro entra nessa conta. Checagem minha, em 25/09/2026, porque isso andou depois que eu gravei: a proposta é a PEC 221/2019, relatada pelo senador Omar Aziz, que reduz a jornada semanal máxima de 44 para 40 horas e fixa repouso semanal remunerado de dois dias, um deles preferencialmente no domingo, sem redução salarial. Ela foi aprovada na CCJ do Senado em 02/09/2026 e seguiu para o Plenário, onde precisa de cinco sessões de discussão e de três quintos dos senadores em dois turnos. Ou seja: ainda não é lei. Eu não vendo automação com base em lei que não passou — vendo com base na conta que já fecha hoje. Se passar, fecha melhor.

Nota de cronologia (importante)

Gravei em 10/07/2026 e escrevi este texto em 25/09/2026, dois meses e meio depois. Duas coisas mudaram nesse meio: o meu fluxo, que hoje tem banco de dados, painel e as melhorias que estão listadas aqui em cima, e o status da PEC, que avançou na CCJ do Senado em setembro. Os ~60 fornecedores, a planilha, o e-mail exclusivo, a aprovação no Telegram e a regra de não dar permissão de transferência continuam exatamente como eu contei — essa parte não mudou e não vai mudar.

TODA SEGUNDA · MEIO-DIA · AO VIVO

Discorda? Concorda? Tem um caso parecido? Aqui não tem caixa de comentário de propósito: segunda-feira, ao meio-dia, eu faço live no canal e a gente conversa sobre isso ao vivo — sem corte, como sempre.

Ver as lives no canal @josimarjmv →

Perguntas frequentes

Como automatizar o contas a pagar da empresa com IA?
O caminho que eu usei tem dois passos separados. No primeiro, o cadastro: os fornecedores e os valores mensais ficam numa planilha, um e-mail exclusivo recebe boleto bancário e nota fiscal, e o fluxo lê esse e-mail de hora em hora, extrai os anexos, separa o que é boleto do que é nota fiscal, confere se o fornecedor existe e se o valor está dentro da variação que eu aceito, arquiva os documentos com a data e registra código de barras, valor, fornecedor e vencimento com status de pagamento pendente. No segundo passo, o pagamento: outro fluxo lê esse registro, evita pagar duas vezes no mesmo mês, refaz a checagem do fornecedor, me pergunta no Telegram se eu autorizo e, com o meu sim, cadastra o boleto no banco pela integração. A aprovação final do pagamento é minha, no aplicativo do banco.
A inteligência artificial pode transferir dinheiro da empresa?
Na minha empresa, não. Eu nunca dei permissão para a IA nem para qualquer robô transferir ou iniciar transferência. A permissão que existe é uma só: cadastrar boleto no banco. Isso não é preciosismo, é o mesmo princípio que o OWASP Gen AI Security Project recomenda contra prompt injection: restringir o privilégio do modelo ao mínimo necessário e exigir controle humano nas operações privilegiadas. Se alguém conseguir enganar o meu fluxo com um e-mail bem montado, o pior que acontece é um boleto errado entrar na fila de aprovação e eu recusar — não sai dinheiro.
Precisa ser programador para automatizar contas a pagar?
Não. Quem é desenvolvedor faz isso rápido e provavelmente já fez. Quem não é consegue montar no n8n com um pouco de facilidade em informática: não é bicho de sete cabeças. A parte difícil não é a ferramenta, é entender o seu próprio processo financeiro antes de automatizar. Automação em cima de processo confuso só acelera a confusão.
Para quantos fornecedores vale a pena automatizar o contas a pagar?
Eu sou um empresário médio, prestador de serviços, e por isso tenho poucos fornecedores: uns 60, com uma coisa ou outra eventual para pagar. Nesse cenário faz muito sentido, porque paga o tempo de alguém que eu não preciso mais alocar só para isso. Antes de copiar, veja até que ponto isso serve para a conciliação bancária da sua operação: quem tem centenas de notas por dia e regime tributário complexo precisa avaliar se o certo não é um sistema financeiro de verdade em vez de um fluxo caseiro.
Todo passo do fluxo precisa de agente inteligente?
Não, e isso economiza dinheiro e evita erro. Conferir se o e-mail é de um fornecedor cadastrado e se o valor bate com o valor mensal é comparação de dado: dá para fazer sem agente nenhum. Eu comecei usando agente inteligente em tudo e depois tirei ele de algumas etapas. O modelo é bom para ler documento e extrair campo; ele não precisa ser o dono da regra.
O que o banco precisa oferecer para esse fluxo funcionar?
API. A pergunta prática é se o seu banco permite cadastrar boleto por integração, do jeito que o meu permite. Se não permitir, a automação para na porta do banco e talvez a resposta seja trocar de banco. Falando por mim: já usei cooperativa de crédito uma vez e saí, porque a tecnologia não me ajudava. Em geral a tecnologia de cooperativa é bem fraca nesse ponto.
Como eu aprovo cada pagamento sem voltar a olhar boleto?
Por Telegram, que é de graça. Eu tenho um grupo só para o administrativo e o fluxo manda ali a mensagem do tipo boleto do fornecedor tal para você autorizar. Aprovo ou reprovo no toque e o fluxo segue, ou não segue. No n8n existe um passo que para a execução e espera a resposta; a documentação do nó Wait chama de Limit Wait Time a opção de retomar sozinho quando o tempo estoura, e o que o fluxo faz nesse caso é decisão sua. No meu, sem resposta o item não avança.
Dá para vender esse tipo de automação para outras empresas?
Dá, e é um dos serviços mais fáceis de justificar, porque o cliente sente o ganho no primeiro mês. Só existe um jeito de vender bem: entender o processo financeiro do cliente, o banco que ele usa e o que a API dele permite. Skill pronta, prompt pronto e fluxo pronto são base, não solução. A melhor skill é aquela que você senta, lê, entende o que faz e implementa para a realidade daquele negócio.

É assim que eu automatizei o meu contas a pagar: boleto e nota fiscal caem no funilzinho do e-mail, o n8n filtra, confere, me pergunta, cadastra no banco — e eu só aprovo. Se você quer aprender a fazer automação de empresa desse jeito, com fluxo, atendimento e chatbot, é disso que eu trato nas minhas imersões — a de automação e chatbot é online, não presencial, e valor, data e condição ficam na página dela, que é onde essa informação fica atualizada. E eu falo de casos reais de uso diário: eu não estou aprendendo pra te ensinar — é muito fácil querer ensinar a gerir empresa sem nunca ter tido uma. Um grande abraço, e até a próxima.

Baseado na gravação do canal @josimarjmv publicada em 10/07/2026 (10min33), com transcrição própria das legendas do próprio vídeo. São da minha vivência e foram ditos na gravação: ser CEO de uma empresa de tecnologia e trabalhar com inteligência artificial há alguns anos; ter criado a Iasmin em homenagem à Yasmin, pessoa que trabalhou comigo e por quem tenho profundo respeito e admiração, e ter automatizado depois que ela saiu; ser empresário médio e prestador de serviços, com uns 60 fornecedores e pagamentos eventuais; a ressalva de que cada um precisa ver até que ponto isso faz sentido para a sua conciliação bancária; detestar ler código de barras e fazer Pix um por um e não querer ter uma pessoa só para contas a pagar; o fato de a versão mostrada ser a primeira, da época em que conheci o n8n, e de hoje o meu fluxo já ter banco de dados e dashboard; o cadastro dos fornecedores e valores mensais em planilha, com data center, links, relógio de ponto e cartão de crédito; o objetivo de evitar cobrança e e-mail que não é pagamento; a criação de um e-mail exclusivo para a IA e o aviso a todos os fornecedores de que o fluxo de recebimento passou a ser boleto bancário e nota fiscal, inclusive para padaria e supermercado; a leitura da caixa de hora em hora, a extração das faturas, a separação entre boleto e nota fiscal, a conferência de fornecedor e de valor aproximado com variação aceita, o arquivamento com data no Google Drive e o registro de código de barras, valor, fornecedor e vencimento como pagamento pendente; a lei da responsabilidade única para separar identificação de pagamento; o segundo fluxo com ID por mês, filtro de status para não repetir pagamento e nova checagem do fornecedor; a pergunta de autorização no grupo Administrativo do Telegram antes de falar com o banco, o botão de aprovar ou reprovar e a mudança de status após o cadastro; a aprovação final do pagamento feita por mim no aplicativo do banco; a regra de nunca ter dado permissão para IA ou robô transferir ou iniciar transferência, sendo a permissão apenas de cadastrar boleto; ter sistema próprio que gera boleto, assunto de outro vídeo; a observação de que nem todo passo precisa de agente inteligente e que eu tirei o agente de algumas etapas; as melhorias posteriores de conciliação, descarte de spam e alerta de valor divergente com cobrança de explicação ao fornecedor; a dependência da API do banco, a possibilidade de precisar trocar de banco e a experiência de ter usado cooperativa uma vez e saído porque a tecnologia não ajudava; os logs completos de cada passo no n8n; a posição de que skill, prompt e fluxo prontos são base e que o melhor é o que você estuda e adapta ao seu negócio; a viabilidade para quem é dev e para quem não é; a possibilidade de levar isso ao mercado e de deixar o pessoal do administrativo apenas monitorando; e a minha fala sobre o fim da escala 6x1 virando 5x2. É apuração minha, feita em 25/09/2026, e não estava na gravação: o enquadramento de segurança pelo OWASP Gen AI Security Project, risco LLM01:2025 Prompt Injection, incluindo as recomendações literais de restringir o privilégio do modelo ao mínimo necessário e de manter controle humano nas operações privilegiadas; a opção Limit Wait Time do nó Wait, conforme a documentação oficial do n8n — eu descrevo o passo que espera a minha resposta sem afirmar o nome da operação no nó do Telegram, que eu não confirmei na documentação; e o status da proposta que acaba com a escala 6x1, que é a PEC 221/2019, relatada pelo senador Omar Aziz, com redução da jornada semanal de 44 para 40 horas e dois dias de repouso remunerado, aprovada na CCJ do Senado em 02/09/2026 e ainda pendente de Plenário, em dois turnos, com três quintos dos votos — portanto ainda não é lei. Eu cito a minha imersão de automação e chatbot na gravação, com faixa de preço: como preço, data e condição são finais e mudam a cada turma, aqui eu não repito nenhum desses números e mando para a página de cada imersão.