Abandonei o Cursor: a conta de 570 dólares que eu fiz
Peguei o plano Ultra, de 200 dólares, pra tocar um projeto sozinho nas férias coletivas da minha equipe. Na metade, o crédito acabou e eu não conseguia fazer mais nada. Liguei o pagamento por uso e o projeto fechou em uns 570 dólares. Foi aí que eu cortei o Cursor da equipe.
🎧 PREFERE OUVIR? · 10 min · Podcast Em Produção
Este artigo também é um episódio do podcast Josimar JMV | Em Produção — o mesmo vídeo, só o áudio, normalizado pra fone.
Gravei esses 10 minutos no canal @josimarjmv em 19 de maio de 2026, contando o que aconteceu no fim de 2025. Assista e leia junto: aqui embaixo eu conto a mesma coisa por escrito, com o que eu fui conferir depois na documentação de preços do Cursor. E tem nota de cronologia no fim, porque a história não parou aqui.
eu larguei o Cursor por custo-benefício, não por qualidade. No fim de 2025 eu estava no Ultra de 200 dólares, com o Opus, desenvolvendo uma aplicação com escala horizontal e redundância multirregião. O crédito acabou na metade e a ferramenta parou: nem modelo mais simples dava pra usar. Com o pagamento adicional ligado, a conta final do projeto foi de uns 570 dólares, duas vezes e meia o plano. Pra uma empresa bootstrap, 500, 600 dólares por mês por cabeça é inviável, e desenvolvedor parado porque o crédito acabou é pior ainda. Fui pro Antigravity e pro Claude direto.
De onde eu falo
Eu tenho uma empresa de tecnologia e não fico só por conta de desenvolver. Coordeno equipe, pago a conta e ponho a mão na massa. A gente é AI first desde o começo, e isso tornou a empresa muito mais produtiva: uma equipe muito menor produz muito mais, e com mais qualidade.
E a gente é o famoso bootstrap. Não recebemos aporte financeiro, não somos banco. O dinheiro é apertado, e nos últimos anos a gente teve que reestruturar mais de 250 microsserviços. Então, quando eu falo de ferramenta, eu falo com a fatura na mão, não com o hype.
Um adendo, porque já vi esse comentário: "o cara de infraestrutura usa IDE?" Ô jovem, você nunca mexeu com Ansible, com arquivo YAML, com automação, com provisionamento de servidor. Eu não uso só o vim. É óbvio que eu uso IDE.
Do VS Code ao Copilot, do Copilot ao Cursor
Todo mundo na empresa usava VS Code. Aí veio o Copilot, e a gente começou a mexer com ele lá dentro. Aí a equipe trouxe: "tem o Cursor, vamos mexer com o Cursor". E eu sou assim: converso com a equipe, a equipe traz as coisas, a gente testa. Todo mundo foi pro Cursor.
Esse é o meu jeito de decidir ferramenta: eu não terceirizo o teste. Escrevi sobre isso em CEO que não testa ferramenta vira refém do CTO.
O projeto: férias coletivas, eu sozinho, plano Ultra
No fim do ano a equipe entrou em férias coletivas. Foi o tempo que eu tive pra ficar das 8 da manhã às 9 da noite, quase direto, testando IA de verdade. Um monte de máquina ao mesmo tempo, projeto rodando, vendo o que dava. Foi uma produtividade extrema. Foi muito louco.
E eu não faço aplicação de brincadeira. Faço já pensando em pôr em produção e virar um SaaS, um negócio. Então tem todas as nuances de segurança e de pagamento; quando envolve dinheiro é o bicho. Essa era relativamente complexa: escala horizontal e redundância multirregião, com banco de dados, persistência de sessão, proxy, DNS, storage, banco em memória.
Contratei o Ultra, o plano de 200 dólares, e fui no Opus. Por quê? Porque o meu tempo é curto. Plano de 20 dólares você usa algumas vezes e o negócio trava; eu até desanimo. Já que eu vou fazer, eu vou no modelo top, pra perder o menor tempo possível. Não dá pra ficar em loop.
O crédito acabou e eu não conseguia fazer mais nada
A minha equipe já vinha falando dos probleminhas do Cursor. Começou bem, todo mundo usando os 20 dólares, quebrando o pau, igual toda ferramenta nova: começa generosa e depois começa a bagunçar.
Mais ou menos na metade do projeto, os meus créditos acabaram. E aí veio o grande problema. Eu tinha pago 200 dólares e não conseguia fazer mais nada. Nem usar o modelo vagabundo. Nada. Dentro do que estava instalado, sem gambiarra, sem tentar passar por baixo, aquela treta errada que a galera fica ensinando, os castelos de areia.
Nesse momento eu falei: isso aqui não serve pra minha equipe.
Liguei o pagamento por uso: a conta fechou em 570
Só que eu estava com o projeto no meio, no fim do ano, sozinho. Falei: ah, quer saber? Habilitei o pagamento adicional, aquele de quando você extrapola o uso. Aí é token. E usando, e o pau quebrando. E usando, e o pau quebrando.
A minha conta final foi mais ou menos 570 dólares pelo projeto. Duas vezes e meia o plano Ultra. Acabei o projeto? Acabei. Mas faz a conta comigo:
- 200 dólares do plano, que acabou na metade do trabalho.
- O resto em uso adicional, até fechar uns 570.
- Multiplica por cada desenvolvedor da equipe, todo mês: 500, 600 dólares por cabeça.
Pra gente ficou inviável. Eu sou uma empresa pequena, média no máximo. A gente não é banco, não recebe aporte: 500 dólares por mês por cabeça não fecha.
Crédito que acaba não pode parar desenvolvedor
O dinheiro é metade do problema. A outra metade é a equipe parada. Quando os meninos voltaram das férias, eu conversei com eles: não dá pra usar, porque fica parado. Aí você tem um Cursor pra fazer um negócio e o VS Code pra continuar fazendo as outras coisas.
E aqui tem uma coisa que a gente já sabe: a gente não escreve mais código. O desenvolvedor não fica digitando código. Ele pensa no projeto, na regra de negócio, na arquitetura e no QA. Sim, no QA, porque vai ter que testar. O grande trabalho agora é arquitetura e teste, arquitetura e teste.
Então, se o crédito acaba e a ferramenta para, para justamente o cara que devia estar revisando. Não compensa ele voltar a digitar código, é muito lento. Falei: 200 dólares acabou, o cara para de trabalhar. Em menos de uma semana eu estava revendo isso. Não dá.
De quebra: Story Points e Planning Poker eu arranquei daqui na primeira semana em que trouxeram. Sempre achei ridículo. Com IA, aquele backlog gigante, aquele Scrum engessadinho, mudou de ponta-cabeça; medir produtividade de desenvolvimento hoje é outra conversa. Sobre como eu organizo o trabalho com IA no meu pipeline, contei em substituí um dev júnior por IA.
Pra onde eu fui: Antigravity e o Claude direto
Ainda no meio do projeto, de revolta, eu comecei a testar o Antigravity, do Google, que tinha acabado de sair. Conferi no anúncio do Google em 20/10/2026: ele foi lançado em 20 de novembro de 2025, em prévia pública, sem custo pra pessoa física. E aconteceu a mesma coisa que com o Cursor: começou ilimitado e depois começou a bagunçar.
A galera mais sênior já estava no Claude, inclusive usando o Claude dentro do Cursor. Eu usava o Opus lá dentro. E aí a pergunta: se o Claude direto traz mais recurso e traz os modelos novos primeiro, pra que eu vou usar o Cursor, que nem tem os modelos novos do Claude primeiro? Não faz sentido. A conta que eu faço hoje entre assinatura e token está em duas Claude Max me saem mais barato que token, e o porquê de eu pagar individual em vez de plano de equipe está em plano Teams de IA pra equipe.
Quando eu gravei, eu tinha visto que eles tinham lançado o Cursor 3 e já soltado um monte de desculpa, com a galera migrando. O anúncio, Meet the new Cursor, é de 2 de abril de 2026: uma interface refeita em volta de agentes, locais e na nuvem, rodando em paralelo. O que eu não entendo é empresa que recebe aporte e não fecha a conta. Se ela vai conseguir puxar a comunidade de novo igual o Claude puxou, eu não sei. As previsões estão imprevisíveis.
O que a página de preços do Cursor diz hoje
Fui conferir na documentação de preços do Cursor em 20 de outubro de 2026, porque eu não quero que você leia a minha conta de 2025 como se fosse a tabela de hoje:
- O Ultra continua 200 dólares por mês. Os outros planos individuais são Free, Plus (8), Premium (30) e Super (100); o de equipe vai de 30 a 200 dólares por assento.
- O uso incluído virou um pool semanal. Quando ele acaba, você espera o reset, usa crédito pré-pago ou sobe de plano.
- Modelo de terceiros (Claude, GPT, Gemini) nunca entra no pool: do Premium pra cima, é cobrado a preço de API, do crédito pré-pago.
Ou seja: o travamento total que eu vivi mudou de forma, mas quem quer usar o modelo top da Anthropic dentro do Cursor hoje paga token a preço de API do mesmo jeito. Foi exatamente essa a conta que me tirou de lá.
| O que eu olho | O que eu vivi no Cursor (fim de 2025) | O que eu faço desde então |
|---|---|---|
| Crédito acabou | Ferramenta parada, nem modelo simples | Ferramenta que não deixa o dev parado |
| Custo do projeto | US$ 200 do plano, ~US$ 570 no fim | Conta por cabeça antes de liberar pra equipe |
| Modelo | Opus dentro do Cursor | Claude direto, com os modelos novos primeiro |
| Papel do dev | Revisão parada esperando crédito | Arquitetura, revisão e teste |
Nota de cronologia: eu voltei
Gravei este vídeo em maio de 2026 dizendo "tchau, Cursor". Em agosto de 2026 um assinante comentou no canal que o Composer estava bom, eu testei e levei a equipe de volta. Não muda nada do que eu contei aqui: o motivo do corte foi real e a conta foi real. Mudou a ferramenta. A volta e o que mudou na conta estão em eu tinha parado de usar o Cursor. Voltei, e levei a equipe. É a era do Tom e Jerry: toda hora muda o cenário e a gente testa tudo de novo.
Se você quer aprender a fazer essa conta de custo de ferramenta, de infraestrutura e de equipe antes de transformar uma aplicação em negócio, é o que a gente vê na Imersão de SaaS.
Discorda? Concorda? Tem um caso parecido? Aqui não tem caixa de comentário de propósito: segunda-feira, ao meio-dia, eu faço live no canal e a gente conversa sobre isso ao vivo — sem corte, como sempre.
Ver as lives no canal @josimarjmv →Perguntas frequentes
Quanto eu gastei com o Cursor no plano Ultra?
Eu peguei o plano Ultra, de 200 dólares, no fim de 2025, pra tocar um projeto sozinho durante as férias coletivas da equipe. O crédito acabou mais ou menos na metade do projeto. Liguei o pagamento adicional por uso e, quando acabei, a conta final do projeto foi mais ou menos 570 dólares.
O que acontecia quando o crédito do Cursor acabava?
Na minha experiência, eu não conseguia fazer mais nada. Nem usar um modelo mais simples. Dentro do que estava instalado, sem gambiarra, a ferramenta parou. Pra continuar, só ligando o pagamento adicional por uso.
Por que eu cortei o Cursor da minha equipe?
Por custo-benefício. Não dava pra pagar 500, 600 dólares por mês por cabeça pra equipe usar o Cursor, e crédito acabando não pode deixar desenvolvedor parado. Somos bootstrap, não recebemos aporte: pra gente ficou inviável.
Por que eu não uso o plano mais barato de ferramenta de IA?
Porque o meu tempo é curto. No plano de 20 dólares você usa algumas vezes e o negócio trava. Já que eu vou fazer, eu vou no modelo top, pra perder o menor tempo possível. Por isso eu estava no Ultra, com o Opus.
Desenvolvedor ainda digita código?
Não compensa. O trabalho agora é pensar no projeto, na regra de negócio, na arquitetura e no QA. Arquitetura e teste. Compensa o desenvolvedor revisar, não ficar digitando, porque é muito lento. Por isso ferramenta que para quando o crédito acaba custa caro: para justamente quem revisa.
Pra onde eu fui depois do Cursor?
Comecei a testar o Antigravity, do Google, no meio do próprio projeto, de revolta. E o Claude direto traz mais recurso e os modelos novos primeiro, então pra mim não fazia sentido usar o Claude dentro do Cursor. Nota de cronologia: em agosto de 2026 eu voltei a usar o Cursor por causa do Composer, e contei isso em outro artigo.
Como está o preço do Cursor hoje?
Conferi em 20/10/2026 na documentação de preços do Cursor: o Ultra continua 200 dólares por mês, o uso incluído virou um pool semanal e, quando ele acaba, você espera o reset, usa crédito pré-pago ou sobe de plano. Modelo de terceiros, como Claude, GPT e Gemini, nunca entra no pool: é cobrado a preço de API, do crédito pré-pago.
Baseado na gravação do canal @josimarjmv publicada em 19/05/2026 (9min59s), com transcrição própria das legendas do próprio vídeo.
O que veio da gravação e o que é apuração minha, com as fontes
Da gravação: a empresa AI first e bootstrap, sem aporte, com mais de 250 microsserviços reestruturados; o caminho VS Code, Copilot, Cursor trazido pela equipe; as férias coletivas do fim do ano e as jornadas das 8h às 21h; a aplicação com escala horizontal e redundância multirregião, pensada pra virar SaaS; o plano Ultra de 200 dólares com o Opus e o porquê de não usar o plano de 20; o crédito acabando na metade do projeto e a ferramenta parada, sem nem modelo simples; o pagamento adicional e a conta final de mais ou menos 570 dólares, duas vezes e meia o plano; os 500, 600 dólares por mês por cabeça como inviáveis; o desenvolvedor que não digita mais código e o trabalho de arquitetura, revisão e QA; Story Points e Planning Poker arrancados na primeira semana; o Antigravity testado de revolta; a migração da equipe e o Claude direto com os modelos novos primeiro; o Cursor 3 visto recentemente na época da gravação.
Apuração minha (20/10/2026): planos, preços, pool semanal, o que acontece quando ele acaba e a cobrança de modelos de terceiros a preço de API estão na documentação de preços do Cursor. A data e o conteúdo do Cursor 3 estão em Meet the new Cursor (02/04/2026). A data de lançamento e a prévia pública sem custo do Antigravity estão no anúncio do Google Antigravity (20/11/2025). A volta ao Cursor em agosto de 2026 está no meu artigo de 10/09/2026.