Fim do WordPress? Por que o maior CMS do mundo começou a cair (e o que vem no lugar)
Pela primeira vez desde 2011, o share global do WordPress caiu — e quem cresce não é outro CMS: é o site sem CMS. Eu pago a conta de dezenas de sites há mais de 20 anos, e vou te dar a minha visão sem paixão: builder sem padrão, plugin caro, PHP que não escala — e o pipeline com IA que eu uso aqui dentro no lugar de tudo isso.
🎧 PREFERE OUVIR? · 22 min · Podcast Em Produção
Este artigo também é um episódio do podcast Josimar JMV | Em Produção — o mesmo vídeo, só o áudio, normalizado pra fone.
21 minutos, sem edição nenhuma, no meu canal @josimarjmv.
o WordPress ainda domina pouco mais de 42% de todos os sites do mundo, mas caiu pela primeira vez desde que a medição existe (2011) — saiu dos 43,4% do ano passado pra faixa dos 42%, com seis meses seguidos de queda no W3Techs. A categoria que cresce é o site estático, sem CMS, gerado com IA: sem PHP, sem banco de dados, sem plugin pago, sem builder. Eu tenho dezenas de sites e a conta parou de fechar pro meu lado: a soma das licenças de plugin e da infraestrutura de PHP + banco + cache me custa mais do que gerar e manter tudo estático com um pipeline de IA. Minha previsão, e eu deixo registrado: o share cai uns 10% ou mais até 2027.
Gravei 21 minutos sobre isso, sem corte nenhum — faço questão de não cortar, porque eu não sou papagaio repetindo o que leu por aí. Aqui embaixo eu conto a mesma coisa por escrito, com os números na mão. Assista e leia junto:
Os números: a primeira queda da história
Fui atrás da pesquisa antes de abrir a boca. O WordPress roda em dezenas de milhões de sites — mais de 16,5 milhões só nos Estados Unidos, passando de 1 milhão no Brasil, uns 40 e tantos milhões somando tudo. Em 2011, quando começaram a medir isso, ele tinha 13% do share. Foi crescendo: 15%, 17%, e em 2021 chegou nos 39% e virou a plataforma de sites mais usada do mundo — passou o que você fazia em casa, o CMS que a empresa inventou, todo mundo. Aí veio 2026 e deu o cliquezinho: a primeira queda da série histórica, uns 1,4% — o que, nessa base, é milhões de sites. E o número que me fez gravar: quem cresce não é o Joomla, não é outro CMS. É a categoria "sem CMS".
A série que eu abri na tela, ano a ano:
- 2011 — 13%: primeiro ano da medição.
- 2012 — 15% · 2013 — 17%: a subida constante, sem sobressalto.
- 2021 — 39%: vira a plataforma de sites mais usada do mundo — passou o CMS que a empresa inventou, o que você fazia em casa, todo mundo. Foi também o ano em que a curva do "sem CMS" perdeu pro WordPress.
- 2025 — 43,4%: o topo da série.
- 2026 — 42,5%: a primeira queda desde que isso é medido. E quem sobe no lugar não é o Joomla nem outro CMS: é a categoria "sem CMS".
- O tamanho da base: mais de 16,5 milhões de sites nos Estados Unidos, pouco mais de 1 milhão no Brasil, 40 e tantos milhões somando tudo — por isso "1%" aqui é milhões de sites.
- Os builders lá dentro: Elementor 43%, Block Editor 18%, WPBakery 13%, Divi 10%, Beaver 2%. Já usei três desses.
"Caiu 1%, e daí?" — e daí que direção importa mais que velocidade. Vou dar minha carteirada antes de continuar: eu não sou hater de WordPress. Eu migrei a minha empresa inteira pra ele anos atrás, de caso pensado — a gente fazia site na mão, tinha CMS próprio, e não dava mais pra escalar: cada pessoa que chegava no marketing sabia WordPress, então era mais barato pra mim jogar tudo lá do que pagar curva de aprendizado. Fundei minha empresa com 18 anos e estou nesse mercado há mais de 20. Eu não sou apaixonado por WordPress, nem pela minha própria infraestrutura — eu sou apaixonado por tecnologia e produtividade, e as feridas que vou te mostrar agora eu levei usando, pagando e operando isso por mais de uma década.
As dores de quem paga a conta
Builder sem padrão — a que mais me irrita. Elementor tem 43% dos builders, Block Editor 18%, WPBakery 13%, Divi 10%, Beaver 2%. Já usei três desses. Eu tenho site de 15 anos atrás, cada um de uma época, cada um num builder diferente, e não dá pra padronizar num só: vem tecnologia nova, a equipe traz um plugin melhor, mais rápido, mais leve — e lá se vai a padronização. Colaborador que domina um leva uma, duas semanas pra ficar bom em outro. Cheguei ao cúmulo de falar "não quero builder, vou fazer o meu builder" e gastar dev, tempo e dinheiro construindo template próprio em cima de uma tecnologia que não é minha. É o castelo de areia que eu vivo falando.
Plugin pago pra tudo que presta. Multilíngue? Usei o WPML, uns 99 dólares por ano — acho caro. Cache que funciona de verdade? Pago. Conversão do Facebook pela API? Mais plugin, mais licença. Uma vez fui testar o e-commerce e ele instalou tanta coisa no WordPress que mandei limpar tudo: "tira isso daí". Botando na ponta do lápis, a soma das licenças anuais muitas vezes me custa mais do que pagar um dev pra fazer o site do zero.
PHP não escala sozinho. PHP não escala vertical, você escala horizontal — e aí tem que manter sessão de login ativa, banco de dados resiliente, cache na frente, servidor web afinado. Tive um cliente de stream que também era portal de notícia: uns 10, 15 anos atrás o portal dele estourou rodando num cPanel de hospedagem. Query mal formatada, template mal feito, uma consulta só estourava dois, três cores, milhares de requisições por minuto. Falei o que precisava ser feito pra escalar, ele disse que não dava, e eu falei: "então estou fora, pode procurar outra empresa pra hospedar seu WordPress".
Camada demais. Sou engenheiro de infraestrutura e coordeno dezenas de servidores no Brasil e nos Estados Unidos: engenharia não tem segredo, quanto mais camada você põe, pior fica — a não ser que a camada exista pra abstrair outra, como o cache. E o WordPress moderno é camada sobre camada: builder, plugin, cache, banco — pra no fim o melhor plugin de cache fazer o quê? Transformar o site em HTML estático.
Esse último ponto é onde eu quero chegar. Você sabia que site pornô é HTML? É, e não é piada: esses caras não dão conta de pagar banco de dados pro volume de tráfego que têm, então desde sempre exportam HTML seco e servem o estático. Acabou. O WP Rocket, que é um plugin bacana, faz o quê no fim das contas? Lê o site, transforma em HTML e direciona o visitante pra lá. Ou seja: eu já estava pagando licença pra fazer, na gambiarra, o que o site estático faz de nascença. Quando é escala, o mais simples é o melhor que tem.
O que muda com a IA: o site estático voltou — sem CMS nenhum
Com IA aplicada, em uma tarde você manda buildar um site inteiro e exporta HTML, CSS e JS puros. Joga na pasta public_html do cPanel ou num S3 e acabou — sem PHP, sem banco, sem plugin, sem mensalidade de builder. E migração deixou de ser projeto de seis meses: você manda o Claude Code ler os seus artigos pela própria API do WordPress e reescrever tudo num layout novo. Um acervo de mil artigos em dois dias, gastando uma fração do que eu gastava só de plugin.
Anota aí o pipeline que eu uso aqui dentro, porque nunca vi ninguém falar dele: sobe uma VM com Ubuntu, instala o Claude Code nela, gera o OAuth token, ativa a sessão remota pelo telefone e deixa o CLAUDE.md com as regras da casa. Cria uma branch e uma URL de staging — todo deploy nessa branch publica lá. A IA abre o navegador com Playwright, testa a própria alteração, sobe o print e me manda o link. Eu confiro no telefone e autorizo o merge pra produção. Você acabou de montar uma agência com um desenvolvedor por site, controlada por áudio no celular. Uso GitLab, não GitHub — eu atendo governo, não vou botar código meu na infraestrutura dos outros; vazou coisa demais por aí. E backup com plano de restauração testado: não adianta fazer backup e não saber restaurar.
Caso real de uso meu, rodando toda semana: a galera publica um tutorial novo, o pipeline pega o vídeo no YouTube, baixa a transcrição, tira o tema, gera a capa e cria o artigo no site sozinho. (Uso o YouTube mesmo tendo plataforma de vídeo própria porque é lá que indexa e traz cliente.) Este texto que você está lendo nasceu exatamente desse processo — e o site inteiro onde ele está é estático, sem CMS nenhum.
Só não vou te vender facilidade que não existe: dá um trabalhozinho montar. Se você não entende de infraestrutura, vai passar raiva — não é "só um arquivo MD" como te contam por aí, ambiente profissional dá mais trabalho que isso, e a IA ainda não é boa em infraestrutura. Aqueles serviços de hospedagem instantânea eu não uso e não recomendo pra produção: caiu um deles esses dias, deu pau e ainda invadiram. Pra brincar, tudo bem. Pra pagar a sua conta, não.
WordPress vira o COBOL da internet?
Minha provocação é essa, e eu assino embaixo: o WordPress não "acaba" — vira o COBOL da internet. Fica com os apaixonados e com quem não se atualizou, do mesmo jeito que o COBOL ficou nos bancos. E olha, eu sei que a comunidade vai ficar brava comigo. Mas se estão dizendo por aí que a profissão de programador vai acabar, o que é o WordPress perto disso? Pé no chão, sem paixão: pra agência e pra dono de site que paga a conta no quinto dia útil, licenciar builder + plugin + manter PHP, banco e cache perdeu o sentido técnico e o financeiro. Minha previsão registrada: o share cai uns 10% ou mais até 2027.
"Vou fazer um cursinho disso e vender" — falei isso na hora da gravação, meio de brincadeira, e acabei fazendo de verdade: a Imersão de Sites é exatamente esse pipeline ensinado de ponta a ponta — criar sites com IA, colocar em produção sem WordPress e cobrar direito por isso. A gravação completa está disponível. E quem quer ir além, direto pra operação: Imersão de Infraestrutura On-Premise. Veja as quatro imersões →
Discorda? Concorda? Tem um caso parecido? Aqui não tem caixa de comentário de propósito: segunda-feira, ao meio-dia, eu faço live no canal e a gente conversa sobre isso ao vivo — sem corte, como sempre.
Ver as lives no canal @josimarjmv →Perguntas frequentes
O WordPress está realmente caindo?
Quais os maiores problemas pra quem tem muitos sites?
O que está substituindo?
Estático aguenta tráfego?
Migrar vale a pena?
Você é contra o WordPress?
Qual é o pipeline que você usa no lugar?
CLAUDE.md com as regras da casa. Branch e URL de staging — todo deploy nessa branch publica lá. A IA abre o navegador com Playwright, testa a própria alteração, sobe o print e me manda o link; eu confiro no telefone e autorizo o merge. Hoje eu rodo com Claude Code, mas pode ser outro modelo, inclusive um LLM próprio na sua GPU.Dá pra confiar em hospedagem instantânea pra produção?
Nota de cronologia (importante). Isto aqui é o que eu falei na gravação de 06/05/2026 no meu canal @josimarjmv, passado a limpo por escrito a partir da transcrição do próprio vídeo — a vivência, os casos e a previsão são meus.
O que veio da gravação e o que é apuração minha, com as fontes
Os percentuais de share são medição do W3Techs, e eles se mexem: na tela que eu abri durante a gravação estava 42,5%, e a leitura do W3Techs de maio/2026 marcava 41,9%, sexto mês seguido de queda. Direção importa mais que a casa decimal — mas se você for citar número, confira a série do dia em w3techs.com, não o meu print de maio.